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Canto de amor de quem não ama ninguém

Giordana Bonifácio

Ouça, ó Lua, este meu tão amargo lamento.

Que as Musas façam limpa minha voz,

Que não me roube a fala a paixão atroz,

Para assim narrar todo meu tormento.

 

Ó Diana, como apagar meu pensamento?

O passado foi sempre o meu maior algoz,

Fruto de um tempo que caminha veloz,

Que à vida apaga como à chama o vento.

 

Ó, não sabe da minha vã agonia:

Ter a alma cheia de mágoa ao fim do dia,

De um penar que não sei de onde vem.

 

Ouve o que digo com tão rudes versos?

São rimas pobres, são sonhos dispersos,

Canto de amor de quem não ama ninguém.

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Amar

Giordana Bonifácio

Eis aqui: doo-te o meu amargo coração.

Leva de mim, pois já não mais o aguento.

Não suporto mais esta cruel emoção:

Amar, mas que confuso sentimento!

 

Dança-se sem ter razão, ritmo ou canção.

Voa-se alto, vê-se claro o dia cinzento.

Para, no fim, ruir tudo num só não…

Amar: cinzas levadas pelo vento!

 

Moléstia atroz para qual não há cura!

Ilusão, fantasia e horrenda quimera!

Imensa mágoa que na alma perdura!

 

Tantos versos rasgados… Como eu penei…

Que infinita tragédia, ó longa espera!

Quantos sonhos, em vão, sozinha, sonhei!

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Magical taste of decay

Noites sem fim

Giordana Bonifácio

Ó noites sem fim, tão amargas e escuras,

Ó Vigília cruel, mudo pensamento

Que de mim extrai enorme sofrimento,

Ó passado presente, horas futuras,

 

Que de mim querem mais que tolas juras,

Ó tempo, solitário, triste e lento,

Que de mim ouve tão rude lamento,

Ó esperanças vãs, tão inúteis procuras,

 

Que de mim fazem uma alma perdida,

Quais são os sonhos que meu coração olvida?

Quais são as dores que meu pranto rega?

 

Quem soprou a flor dos meus versos ao vento?

Quem fez das fantasias seu último alento?

Quem fez de guia tal paixão louca e cega?

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“Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.”
Cecília Meireles

Ao amor indiferente

Giodana Bonifácio

Foi-se contigo a minha vã esperança

E, desde então, a vida é meu maior tormento.

O que ainda resta em ti de sentimento?

Onde tu estás que minha voz não alcança?

 

De certo, teu desprezo é uma vingança.

Vês este meu tão amargo sofrimento?

É que me dói o teu falso esquecimento.

Sei que subsiste em ti alguma lembrança.

 

Se não, ouve a minha dor que agora canto,

Que te possa relembrar nossa história,

O nosso amor tão puro e verdadeiro.

 

E se estes rudes versos podem tanto,

Tornem vivo o que hoje é tão só memória,

Pois só contigo é que me sinto inteiro.

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Os poetas

Giordana Bonifácio

Tristes poesias são dor em constelações.

Pobres poetas que devem escrevê-las,

Estas mágoas que nascem como estrelas,

Que surgem de suas duras inquietações.

 

O amor muda-se tal qual as estações.

O poeta na poesia sua alma revela,

Quer tornar a dor que sente mais bela.

Com as palavras, cria fictas sensações.

 

Nos corações, os poetas, semeiam flores.

Fazem das almas seus jardins de amores.

E dizem ser o poeta só um fingidor:

 

Que finge sofrer num amargo verso;

Que finge ser da luz o seu reverso;

Que finge fingir suas fantasias de amor.

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Noites insanas

Giordana Bonifácio

As estrelas de mim estão distantes,

Pairando no vazio e negro universo,

Brilham longínquas num mundo perverso.

Seus amores são só sonhos errantes,

 

Astros cujos corações palpitantes,

São a razão deste tão sentido verso.

Com o espírito em mil mágoas imerso,

Sinto a dor das estrelas soluçantes.

 

E Diana, esta linda pérola de prata,

As memórias recônditas desata.

O que governa tais noites insanas?

 

Amores que não foram esquecidos?

Os sonhos que, de nós, estão perdidos?

Ou as desilusões tão tristes e humanas?

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Giordana Bonifácio

Ainda que caiam do negro firmamento,

As estrelas em suas frias constelações.

Ainda que desaprovem minhas ações

E só haja adiante dor e sofrimento.

 

Ainda que a favor não me sopre vento

E não mais haja sequer belas canções.

Ainda que em mim pesem recordações

E me falte uma dose de talento.

 

Ainda que a dor orbite meu coração,

Tal qual cometas belos, mas gelados.

Ainda que saiba ser vazio o universo

 

E que ninguém pode ouvir minha oração.

Ainda assim, ergo meus braços cansados,

Numa prece a qual ora escrevo em verso.

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mao escrevendo[1]

Sem meus versos

Giordana Bonifácio

O que eu faria sem meus valiosos versos?

Sem estes sonhos em que estou submerso?

O que eu faria se não pudesse cantar?

Sem poder, com a voz, alegrias plantar?

 

O que eu faria se não pudesse sonhar?

Sem escapar do mal a me envergonhar?

O que eu faria sem meus loucos mistérios?

Sem me permitir ser às vezes sério?

 

O que eu faria se não houvesse fantasias?

Sem imaginação, exceto ilusões vazias?

O que eu faria se escrever fosse errado?

 

Sem este tesouro por mim encontrado?

O que eu faria? Pois nada mais haveria.

Sem meus versos, eu sei que nada seria .

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A dama na janela

Giordana Bonifácio

O que pensa a dama que está na janela?

Será que está a sonhar que alguém pensa nela?

Será que devaneia sobre mil desilusões?

Absorta, olha o nada e estas minhas alusões,

 

Aos seus possíveis sonhos sequer lhe preocupam.

Minhas deduções várias, seu tempo, não ocupam.

E a mulher na janela está com olhar vago.

E para esta poesia suas ilusões trago.

 

O fato é que à janela a mulher permanece.

Acho que espera ver a vida que acontece.

Eu aqui, preso a estes sonhos os quais desconheço.

 

Tal dama para meus versos deu-me um começo.

Minhas palavras são para ela uma homenagem.

Mas não quero estragar-lhe dos sonhos a viagem.

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Entre a poesia e a prosa

Giordana Bonifácio

Enquanto presa nesta rede tenebrosa

Da poesia não consigo salvar-me na prosa.

Estamos as três em guerra: um mortal embate.

É provável que a rima ou a crônica me mate.

 

Sinto falta da ausência de regras na escrita.

Na prosa sou mais ampla até mesmo infinita.

Na poesia sou restrita. É uma arte contida.

Criei crônicas e contos toda minha vida,

 

Agora me aventuro em caminhos diversos.

Não vou me prender somente aos escorreitos versos.

Vou errar, decerto que sim, haverá tropeços,

 

Minha estrada está cheia de fins e recomeços.

Mas prosseguirei, esta é minha grande vitória.

Para nós pobres poetas, a escrita é a maior glória.

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