Posts Marcados Com: Uncategorized

Criador-e-Criatura-Michelangelo

Criador e Criatura

Giordana Bonifácio

Risca algo em um caderno. (Um poema?) Enquanto isso, ele balbucia uma canção. Não sei por que criei esse personagem. A imagem dele apareceu em minha mente. Vejo-o com os jeans gastos e rasgados, camisa de punhos puídos, barba por fazer e uns tênis que andaram muito mais que seus pés. Há algo nele que me atrai. Devem ser seus cabelos longos e revoltos reclamando um corte. Seu desleixo por sua imagem deve ser o que me intriga mais. Penso nele triste. Murmurando consigo uma canção… Que música é essa? Acho que devo aproximar-me mais, pois aqui do outro lado da folha de papel não posso escutar-lhe bem. Ele parece estar perdido. Talvez seja somente eu que me sinta assim. Não posso evitar transferir minhas próprias emoções aos personagens.  É que eles são-me tão próximos que me parecem extensões do que sou. Somos uma confusão de sentimentos. Algo tão bagunçado que não conseguimos nos desvencilhar. Posso dizer o que penso deste homem? Não, melhor não. Talvez fosse mal interpretada por quem se dedicasse a ler esse pequeno conto. É que ele faz-me ouvir uma voz que sibila dentro de mim. Vai cochichando-me coisas que não gosto de admitir. Nós estamos presos, eu e ele, algemados a nossa identidade. Querendo desvencilhar-nos do que somos. Mas somos tão estranhos, quisera entender-me, mas preciso de um mapa para encontrar a saída do labirinto que é meu coração. Ele também.  Pensa que se conhece profundamente. Mas, na verdade, só consegue enxergar a superfície do que ele é. Somente a ponta do iceberg.  O restante está em águas profundas demais onde ninguém se aventura a ir. Um silêncio aterrador cai sobre mim. Também sobre ele. Por isso ele tenta quebrá-lo com a música que ele canta num murmúrio triste. Nós somos a conjunção de forças desconexas. Ele quer se fazer ouvir, mas não consegue gritar. Eu também. Por que somos assim? Vivemos tão ligados à dor que não conseguimos notar o colorido do mundo. Vemos uma vida em preto e branco. De repente, a ponta do lápis quebra-se. Ele ainda não havia terminado. Será que havia um apontador em algum lugar? Ele não me permite ver o que fazia. Penso que produzia um poema. Talvez uma canção. Aquela que ele murmurava. Talvez não. Acho que não o compreendo tão bem assim. Ou não entenda a mim.

Dobra o papel e guarda no bolso da camisa. Não vai permitir mesmo que veja o que fazia. Continua a cantar a canção à meia voz. Tento ouvir-lhe:  “And if you look/You look through me/And when you talk/Is not to me/And when I touch you/You don’t feel a thing”.  É um trecho de uma velha canção do U2. Traduzindo-se é mais ou menos assim: “E se você olha/Você olha através de mim/E quando você fala,/Não é para mim/E quando eu te toco/Você não sente nada”. Acho que sabe que estou a observá-lo. Ou, ao menos, sente minha presença. Na verdade, a música traduz o que sentimos. Talvez, somente o que eu sinto. Ele não me vê. Mas eu o vejo. Ele está presente dentro de mim. Queria que pudesse segurar minha mão e levar-me para algum lugar seguro. Ele não teme o mundo que o cerca. Contudo, eu estou tão assustada. Tremo frente aos perigos que me cercam. Mas ele coça barba rala e pega um maço de cigarros no bolso. Escolhe um e pede um isqueiro para o garçom. Fuma com gosto. Não havia percebido: ele está num bar, sentado numa mesa frente à entrada. As pessoas passam por ele indiferentes. Esse é o século da indiferença, dos homens individualistas e egoístas. A chama incandescente do cigarro consome-o aos poucos. Como nossa chama interior vai consumindo-nos lentamente. Não sei dizer algo bonito para gravar aqui. Quem me dera poder expressar-me com poesia. Mas minha dor é uma enxurrada de sentimentos que leva tudo indistintamente. Na verdade, nem sei o que escrevo aqui. Ele pede mais uma cerveja. Agora está em silêncio olhando para o nada. Penso que está com a mente num passado distante de que sente saudades. Não consigo saber o que se esconde atrás de seus olhos. Uma emoção fugidia se apodera de mim. Acho que o amo mais que a mim mesma. Mas não sei quem ele é. Não sei seu nome. Ele é-me um estranho íntimo. Alguém que consegue entender-me mais que ninguém, mesmo também não sabendo quem sou.  Ele consegue transpor os oceanos que o separam do meu coração. Mas não o permito entrar. Tenho medo de amar um sonho. Prefiro conviver com meus conhecidos pesadelos.

Ele bebe a cerveja sozinho. Não canta mais. Observa o mundo a sua volta. Não sei como lhe é possível suportar uma realidade exterior a si mesmo. Vivo tão enclausurada em mim, que não consigo aceitar o mundo externo. Sinto-o desvencilhando-se de mim e isso me dói.  Por que não pode mais ser parte de mim? Como lhe é tão fácil conseguir uma independência que não possuo? Luto para mantê-lo preso. Não suporto sua rebeldia. Eu o criei, eu o possuo. Não pode minha criatura ganhar vida própria fora de meus desígnios. Vivo muitas solidões. São muitas facetas do que sou. A maioria vira personagem e, no final, despregam de mim. Não suporto esse tal de livre arbítrio. Assumo a responsabilidade sobre meus personagens, eles são pequenas sementes de mim que transponho para a folha em branco. Mas alguns são mais fortes do que eu. Tornam-se senhores de sua vontade. E quando percebo, já não mais os controlo. Estão livres. Ele termina a garrafa de cerveja. Pede a conta que paga em dinheiro. Sorri para o garçom, diz algo que não consigo ouvir devido o barulho da avenida. Estou distanciando-me dele. Ele repele-me. Não me aceita mais perto de si. Luto para aproximar-me. Ele é bem mais forte. Oponho-me ao seu desejo de liberdade. Sigo-o com olhar pelas ruas da cidade. Ele caminha devagar, mas confiante. Como consegue estar calmo diante das circunstâncias? Eu estou perdendo a batalha contra seu exército. Mas sinto que preciso dele. Não vou desistir. Nem que me seja necessário matá-lo.  Isso me doeria bastante. Mas agora vejo como extremamente necessário. É minha criatura. Não pode simplesmente arrebentar os grilhões que o prendem a mim. Vou tomar o curso da história. Domar todas as forças que me desafiam. Eu queria somente entender o que sinto. Minha dor que não pude jamais explicar. O peso que sinto envergar-me as costas. O tempo que me devora a cada segundo. Como não tive filhos, fui dando vida com palavras aos mais diversos tipos. Porém, eles foram tornando-se mais poderosos que eu. Não me é possível conceber tamanha afronta.

Mas não posso matá-lo. Não depois de ter me afeiçoado tanto a ele. Fico presa num terrível dilema. Minhas mãos tremem. Um crime passional? Teoricamente, ele pertence-me. Assim dita a lei de direitos autorais. Então, é-me dado o direito de fazer-lhe o que bem entender. Ele para diante de uma vitrine. É tempo. Minhas mãos ainda tremem. Onde está a coragem de ferir-lhe? Não posso, simplesmente não posso. Doer-me-ia deveras. Só agora compreendo que ele não me pertence mais. Ele venceu, conseguiu sua independência. Não fui eu que lhe expulsei do paraíso, mas ele que saiu por vontade própria. Ele pega o papel que rabiscava no bar. Desdobra-o, olha-o com ternura e desfaz-se dele. Lança-o no chão. Como se não mais precisasse do que fez. Algo que não mais lhe é necessário. Eu apenas assisto a sua partida. Nada mais me é possível fazer. Vejo-o caminhar para longe de mim. Acho que nunca mais o verei novamente. Sem nem mesmo um adeus, ele abandona-me. Sinto-me destruída. Os olhos marejados já não distinguem mais as palavras no papel. Agora faço parte da história. Faço menção de correr atrás dele. Mas seria inútil. Ele não retornaria. Caio de joelhos no chão. Os passantes não se ocupam de meu desespero. Ninguém se aproxima. Vejo-o já muito distante. Indo para um lugar em que não posso o alcançar. A saudade rasga-me como uma adaga. Sem saber o que fazer, eu fico algum tempo chorando. Por quê? Não sei. Talvez, porque me sinta extremamente dispensável. Alguém sem nenhuma importância, da qual todos podem desfazer-se com grande facilidade. Minha alma extravasa em lágrimas, já não quero mais fazer parte desta história. Recolho os cacos do que fui para tentar reconstruir-me. Antes de levantar-me percebo um papel ao meu lado. Reconheço-o. Minha curiosidade faz-me desdobrá-lo. E vejo que o meu rosto está gravado em sua superfície. Um desenho não terminado que nada me diz. Ele amava-me? Gostaria de perguntar-lhe. Mas sei que jamais o verei novamente. Perdemo-nos um do outro, para sempre.

Categorias: Uncategorized | Tags: | Deixe um comentário

Amor-acabou

Cruel solidão

Giordana Bonifácio

Meu corpo sente, meu coração pulsa.

Não quero ser um ser, talvez, humano?

Sei que meu corpo frágil à alma expulsa.

Sei que mentiras não existiam no plano.

 

Mas aqui sinto meu estranho presente.

Não há como entender toda esta procura?

Sou um poeta louco que seu penar mente.

Não se preocupe, minha dor não dura.

 

Talvez termine com uma sinfonia.

Eu só sonhava com uma companhia.

Mas o dia finda num silêncio triste.

 

A vida é apenas mais uma mentira.

Um grande penar que na morte espira.

Só esta solidão cruel, no fim, resiste.

Categorias: Uncategorized | Tags: | Deixe um comentário

super-woman_edit

Minha mãe, a supermulher.

Giordana Bonifácio

Desde que nasci, décadas atrás,

Que vejo minha mãe sempre ao meu lado.

Está comigo quando estou angustiado

E, na dor, ela seca-me as lágrimas.

 

Porém, com minha heroína, algo se passou:

O tempo, a mais temível Kriptonita,

Um mal que a todos nós homens visita,

De todos seus poderes lhe despojou.

 

Agora que de mim ela precisa,

Pois não tem mais o ânimo de outrora,

Não vou lhe deixar nessas horas finais.

 

Ela para mim será a eterna poetisa,

Cujos mais belos versos a alma chora.

A supermulher que amo sempre mais.

Categorias: Uncategorized | Tags: | Deixe um comentário

agonia

Agonizando

Giordana Bonifácio

Estou aqui, nesses momentos finais, tentando agarrar-me aos meus últimos segundos de vida. Diziam que nesse derradeiro instante reveria minha história como um filme. Porém, não penso em nada. Pudera arrepender-me de meus pecados. Mas, quem consegue pensar em algo quando está lutando contra a morte? Quero viver! Não posso desistir, esses longos anos foram-me muito curtos. Não fiz nada que planejei. Na verdade, fiz muitos planos. Objetivos a cumprir que não cheguei jamais a alcançar. Queria esquadrinhar a minha vida, de modo que tudo acontecesse dentro do previsto. Contudo, nossa existência é imprevisível. Não esperava que todos meus sonhos restariam como esboços mal acabados num papel. Enquanto isto, eis-me aqui lutando, debelando-me contra a dama inexorável. Esta cujas vestes negras encobrem-me a visão, esta que tenta levar-me consigo, esta que carrega a foice mortal. Não posso deixar-me ir. Não com tanto ainda a ser feito. Poderia ter sido de um jeito que nunca fui. Eu seria muito melhor se me fosse dada mais uma chance. Não me entregaria a esperas sem fim. Na realidade, eu faria o momento. Pois ele existe e deve ser aproveitado. Muitos anos escorreram com a areia da ampulheta. Não pude detê-los. O tempo é nosso inimigo mais atroz. Devemos aprender a lidar com esse Titã. Cronos devora seus próprios filhos. E somos mastigados por seus dentes implacáveis. Sem perdão… ou piedade. A morte acontece sem que estejamos preparados. Ela é a visita indesejada que nos surpreende quando menos esperamos. Nessa luta desigual saímos sempre derrotados. Como vencer o destino? Será que deveria agir de outro modo? Será que tudo que fiz foi pouco? Agora que meu último suspiro se aproxima, não me julgo merecedor do Paraíso. Estive muito tempo enfurnado em salas e quartos fechados tentando aumentar minha fortuna. Não valorizei aqueles que estavam ao meu redor: minha família e amigos. Negligenciei minha relação com eles. E tudo que queriam de mim era um pouco de meu afeto. Mas eu era por demais apegado a bens materiais. Queria enriquecer e ser importante a todo custo. Perdi a infância de meus filhos. Quantos sorrisos eu não vivenciei… É que eu estava perto, mas, mesmo assim, tão longe…

E agora? Não posso pedir mais alguns minutos, horas, dias, meses, anos? Mais algum tempo… Quero consertar meus erros. Foram tantas falhas… Fui tão egoísta. Lembro-me de uma noite que minha irmãzinha tremia por medo da tempestade. Ao invés de consolá-la, fui mau e zombei de seu pavor. Eu deveria ser seu herói. Mas fui seu bandido. Eu ria-me dela com os outros meninos. Não a salvei quando mais precisava de mim. Não mereço que Deus se apiede de mim. Foram tantas faltas. Minha covardia impediu-me de ir mais além muitas vezes. Tive medo. Não consegui prosseguir no que deveria ser meu momento. Não tive outras chances. Fui assentando tijolos, construindo muros que me separavam de todas as pessoas. Estava protegido do mundo, mas separado dele. Enfurnado nos ambientes profanos do capital, não me dediquei a quem mais precisava de mim. Não conheci meus filhos. Não da maneira que deveria. Perdi fatos importantes de suas vidas, pois estava muito ocupado com assuntos a que releguei maior importância. Agora penso que fiz escolhas erradas. Aumentei minha fortuna. Mas para que? Se não levo comigo mais que duas moedas de ouro para pagar a travessia do Aqueronte… Meus anos foram desperdiçados numa procura infindável de poder. Não sabia que, no final das contas, frente à morte não se tem poder algum. Fui tolo. A vida se encarregou de me mostrar isto. Perdi muito tempo em buscas erradas. Agora, acuado e com medo, vejo que estava cego. Não enxergava a minha família. Não percebia meus verdadeiros amigos. Pensava que tinha o mundo nas mãos. Mas não tinha nada. Por que amealhar tanto dinheiro? A única fortuna que levamos conosco é nossa alma. Por isso temos de alimentá-la com bons sentimentos, pois a ganância apenas nos envenena. A inveja aprisiona-nos. O rancor tortura-nos e o ódio corrompe-nos. Deveria ter cultivado flores no meu jardim. Mas estava ocupado demais para pensar em ser bom.

Quero respirar, não pode escapar de meus pulmões esse doce oxigênio que nos garante a vida, mas, ainda assim, nos mata aos poucos. Fui recolhendo cacos de felicidade. Queria ser mais, esquecendo-me que a maior das virtudes é a humildade. Não perdoei aqueles que me feriram, pois acreditava que eram meus inimigos. Quando deveria somente lhes estender a mão num gesto de compaixão. Se Jesus pregava que deveríamos oferecer a outra face, por que queria vingar-me e não conceder o meu perdão? Estava preso a sentimentos mesquinhos, era eu quem sofria. Eu que não sabia remir minhas falhas e nem aceitava as desculpas dos demais. Eu não soube o que eram feriados, nem mesmo os vivi quando estava vivo. Por isso, fazendo uma recapitulação do que foi minha existência chego à conclusão que não venci na vida. Na verdade, fui o grande derrotado. Porque fui sustentando meu castelo sobre frágeis bases. Estava claro que tudo um dia iria ruir. Mas eu não suspeitava que isso viesse a ocorrer realmente. Fui rico, fui um homem importante. Todavia, minha relevância vai se perder num belo jazigo cujo epitáfio o tempo vai corroer. Dentro em breve, nada mais restará de meu corpo além do pó a que todos retornarão. Serei devorado por vermes que comerão da podridão de minha carne, sem se importarem com o odor nauseabundo que expelirá. Minha grande importância sob sete palmos de terra. Meu caixão requintado também apodrecerá como a carne que antes cobria meus ossos. Nada do que fui, restará para ser lembrado. Fotografias apagar-se-ão e o tempo encarrega-se de fazer perderem-se as lembranças. Nada ficará da minha história nessa terra. Não restarei marcado nos livros de história. Serei como todos os homens. Tão pequenos frente ao destino. Tão fracos frente à morte. Ante os mistérios irresolúveis da criação, a morte é nossa maior certeza.

Queria apenas dizer que me arrependo. Sim, estive errado por muito tempo. Mas agora é tarde. “Inês é morta”. Nada mais resta a se fazer. Meus braços enfraquecem e as pernas esmorecem. Não posso mais lutar. A vida desfaz-se de mim. Tombarei como a estátua cujos pés de barro não lhe garantiam fundação. Não pude redimir-me por minhas incontáveis faltas. Não pude sequer me despedir daqueles que realmente amava. Meu tempo foi curto. Longos anos que se transcorreram numa velocidade impressionante. Onde estive todo este tempo? Por que me deixei seduzir pelas riquezas materiais? Eu deveria suspeitar que, no fim, nem toda fortuna que acumulei seria o bastante para conceder-me mais tempo de vida. Aqui estou eu despedindo-me do mundo. Dizendo um adeus agonizante aos que me cercam. Sem poder alertá-los para que não cometam as mesmas falhas que cometi. A derrota tem um sabor amargo. Principalmente para aqueles que se julgavam vencedores. Fui derrotado no jogo de xadrez que cada homem disputa com o destino. Estava em jogo minha vida, mas, com lances desastrados, rifei minha existência. Perdi a rainha cedo demais, dos bispos fui desfalcado logo em seguida. As torres foram dizimadas pelo adversário, sem defesas, lancei meus cavalos que tiveram o mesmo destino. Fiquei acuado com um rei e poucos peões.  Sem saídas, entreguei o reino. Cheque-mate. Uma profunda escuridão recai sobre meus olhos. Chega o momento de entregar-me. Não há escapatória. Gostaria de poder dizer algo marcante. É chegada a hora. Fim de jogo. Eis que me resta um pouco de ar nos pulmões. Não posso falar nada que já não saibam. Todos conhecem de minhas faltas, mas, mesmo assim, ainda choram por mim. Emocionado por esta demonstração de afeto, somo as forças que me restam para balbuciar aos que assistem minha agonia um pedido trôpego de perdão. Eles escutam-me comiserados. Eu não lhes merecia a compaixão. Mesmo assim, eles ainda rezam por mim. Pedem a um Pai misericordioso que se apiede de minha alma. A reza das mulheres chega-me aos ouvidos. Quero acreditar que pode ajudar-me. O mundo escapa-me e, no fim, já não vejo mais nada.

Categorias: Uncategorized | Tags: | Deixe um comentário

942707_548358565199912_1738604864_n

O tempo perdido numa fotografia.

Giordana Bonfácio

Faz muito tempo, mas recordo ainda.

Deste passado só pouco me resta.

A dor da perda é um penar que não finda.

Lembro que a vida era uma grande festa.

 

E que o futuro só era uma fantasia.

De tudo, nada mais se faz presente.

E até divagar que tanto me aprazia,

Hoje me faz estranha a toda gente.

 

Estou em busca de um tempo perdido.

Retidas nesta velha fotografia,

Memórias que da vida tem se esvaído.

 

“Quero de volta meus anos dourados”.

Demando à Parca que esta vida fia,

Porque só sei ser feliz no passado.

Categorias: Uncategorized | Tags: | Deixe um comentário

img_4

A flor da vida

Giordana Bonifácio

Será que vale à pena esta vida ainda?

Toda esta dor… Meu penar infinito…

Ser feliz para mim sempre foi um mito.

E a melancolia que nunca mais finda?

 

Eu sou a senhora destas vãs ilusões.

Minha poesia é tão triste como as vagas.

Mas o ir e vir das ondas a alma afaga .

Não há na praia espaço para preocupações.

 

A vida é só uma ponte entre dois nadas.

E creio que nela só há escolhas erradas.

E não acertarei jamais o caminho,

 

Que me leve à alegria muito sonhada.

Creio que a vida é uma coisa delicada.

Uma flor: bela, porém cheia de espinhos.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

solidão

Soneto da solidão

Giordana Bonifácio

Num universo que se crê infinito,

Sou tão pequeno… E toda dor que sinto?

No vazio não há ninguém que ouça meu grito.

Somente a ilusão… Ou o doce vinho tinto…

 

A dor é meu mistério mais profundo.

Não me compreendo, sou muito confuso.

Meus sonhos são o que possuo neste mundo.

Eu sei que nesta vida sou um intruso.

 

Tudo se torna poesia, até a lágrima,

Que nesta noite rega o travesseiro.

Até a solidão, minha companheira.

 

A fiel esposa que com tudo rima.

É da minh’alma o matiz verdadeiro.

É o borrão que destrói uma tela inteira.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

amor_namoro2_300x300

Avaro de ilusões

Giordana Bonifácio

Dizem que sou um mistério sem solução.

Um livro que reclama uma introdução.

Sou aquele que a solidão e sua dor finge.

Guardo comigo a incógnita da esfinge.

 

E não poderão jamais me compreender.

A resposta, só a obtêm com meu condescender.

Mas permaneço incólume às ameaças.

Não me atrai o brilho destas pedras falsas,

 

Pois guardo para mim o maior tesouro,

Que vale bem mais que meu peso em ouro.

É uma fortuna em moeda inestimável.

 

E não revelo meu enigma profundo.

Guardo de todos um curioso mundo.

Dentre os artistas, sou o mais miserável.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

colan_Don-Quixote-Windmill

 

Dom Quixote

Giordana Bonifácio

Sou em vida apenas uma pobre errante,

Que sem destino segue seu caminho,

Lutando contra os mais terríveis moinhos.

E não há perigo ou penar que me espante.

 

Minha armadura são meus tristes poemas.

Meu elmo são os sonhos que trago comigo.

Com minha lança enfrento os inimigos.

E mesmo que a honra seja-me um problema,

 

Não há nada que este meu coração tema.

Trago comigo a pena que é, ainda, espada.

E a vida poetar é meu único lema.

 

Pois eu sou como o andante cavaleiro,

Que por seus feitos não ansiava por nada,

Pois só com o amor ele estaria inteiro.

 

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , | Deixe um comentário

20130621091548717620e

O gigante despertou

Giordana Bonifácio

Enfim despertou  o povo deste Brasil,

Estava há muito tempo adormecido,

Sem se revoltar contra o poder vil.

Mas hoje, o povo muito enraivecido,

 

Ciente da força que possui a sua voz,

Acorda para lutar por seu país.

Pois o gigante impávido é atroz,

Sua fúria é nossa força, nossa raiz.

 

Somos milhares, somos brasileiros.

Os governantes serão destituídos,

Pois o colosso se une por inteiro.

 

Juntos nós vamos chegar à vitória

E nossos atos não serão esquecidos,

Pois hoje o povo está compondo a história.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: