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Vitória

Giordana Bonifácio

Há algo mais delicioso que o prazer de vencer?

Ver tantos anos de árduo penar reconhecido?

A vitória não é sorte, não vão me convencer.

Não é simplesmente favor ou algo parecido

 

Eu luto com a rima e os versos, eis minha arte.

E é através dela que me farei um dia escritora.

Muitos concursos virão: mas não é a melhor parte,

Quero a minha obra exposta por uma editora.

 

Mas meu pequeno triunfo já muito emociona.

Em meu peito somente um desejo persiste:

De espalhar a alegria que a arte me proporciona.

 

É a última das ilusões que, na dor, me assiste.

Não sou escritora cujo trabalho impressiona.

Mas as lutas perdidas não me deixam triste.

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Olhando para trás.

Giordana Bonifácio

Olhando para trás vejo um lindo passado.

Olhando para trás vejo o que fiz de errado.

Olhando para trás vejo uma linda infância.

Olhando para trás vejo o que tinha importância.

 

Olhando para trás vejo amigos do peito.

Olhando para trás vejo o que deles foi feito.

Olhando para trás vejo os anos perdidos.

Olhando paras trás vejo amores sofridos.

 

Olhando para trás vejo muita esperança.

Olhando para trás vejo uma bela criança.

Olhando para trás vejo toda uma vida.

 

Olhando para trás vejo esta despedida.

Olhando para trás vejo que tudo me dói.

Olhando para trás vejo que a dor me corrói.

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Noite

Giordana Bonifácio

Um gato lamenta-se à luz da lua.

Um estranho silêncio cobre a  rua.

Um rato corre pelas vazias vielas

Um homem em sua casa ascende velas.

 

Uma moça espera o ônibus na esquina.

Uma criança chora com voz pequenina.

Uma velha sai com seu terço da igreja.

Uma jovem pede à Deus que a proteja.

 

Ruas à noite em que só ecoa a solidão.

Caído no chão um ébrio pede perdão.

As estrelas no céu brilham promessas.

 

É que à noite nós vemos às avessas.

Enxergamos o que está mais profundo.

O que escondido está de todo mundo.

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A rosa e o artista

Giordana Bonifácio

Sou dona de uma imagem hoje desfolhada,

Nem sequer recorda a rosa ontem amada,

Fui beijada pelo ator no fim do último ato.

Mas findaram os aplausos. Meu talento inato.

 

Fui gradualmente sendo deixada de lado,

Pois o artista deixou de ser ovacionado.

Fui guardada como uma triste lembrança,

De um pobre esquecido a derradeira esperança.

 

A solidão que nesses dias muito perdura,

Ainda foi desmentida por fonte segura.

E do jovem ator que outrora muito sorria.

 

Pouco restou, vejo apenas uma face fria.

Despejada entre muitas memórias e o pó,

Condoo-me do pobre ator, cada vez mais só.

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Minguante

Giordana Bonifácio

Era noite, a lua minguante iluminava pouco,

Na rua vazia de almas um som se ouvia rouco,

Como um lamento, talvez um réquiem distante,

De um pobre coração solitário e pulsante.

 

Com o poder de uma lança ferindo o silêncio

O som se propagava. Já era um ruído macio,

E já se acostumavam a ele meus ouvidos.

Reconheci uma canção antiga de tempos já idos,

 

Que de um amor impossível lamentava a perda.

Era um mendigo que da rua, na margem esquerda,

Cantava, e sua dor tão viva me emocionava.

 

Eu sabia que estava no caminho da lava,

Deste vulcão, incandescente de sentimento.

Ele era só saudade, eu, daquele amor sedento.

 

 

 

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