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Meus nove anos

Giordana Bonifácio

Recordo da magia de meus idos nove anos.

Bastante os distanciam desses tempos insanos.

Vivia de fantasias, brincadeiras e jogos

Num passado distante prescindia de rogos.

 

O milagre era somente minha infância pura.

Para todos os males era eficaz cura.

Não havia em mim qualquer sombra desta melancolia.

Na verdade, meus dias vivia em imensa folia.

 

Corria de pés descalços e joelhos ralados.

Não poderiam existir anos mais dourados.

Sei que, tempos atrás, fui simplesmente feliz.

 

Meu coração hoje sofre, a dor é o que me diz.

Sei que o passado está para sempre perdido.

Mas vivê-lo de novo é meu único pedido

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Chuva de estrelas

Giordana Bonifácio

As estrelas caem sobre a relva e tudo brilha.

Imagem de meus sonhos há tempo perdidos.

As estrelas são as promessas de tempos idos.

Na mata corre em bando uma feroz matilha.

 

Vejo o que não vejo e ainda sinto o que não sinto.

Minha sina é esta, possuir em mim outro mundo.

Minha imaginação é solo muito fecundo.

Esconder-me de todos sempre foi meu instinto.

 

Prefiro estar onde as estrelas cobrem o solo.

Porque a realidade me parece assustadora.

Eu sei que são palavras de um provável tolo,

 

Mas prefiro estas lembranças vagas de outrora,

Nessa vida, são meu derradeiro consolo:

A sensação de ter a alma sempre em aurora.

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Minguante

Giordana Bonifácio

Era noite, a lua minguante iluminava pouco,

Na rua vazia de almas um som se ouvia rouco,

Como um lamento, talvez um réquiem distante,

De um pobre coração solitário e pulsante.

 

Com o poder de uma lança ferindo o silêncio

O som se propagava. Já era um ruído macio,

E já se acostumavam a ele meus ouvidos.

Reconheci uma canção antiga de tempos já idos,

 

Que de um amor impossível lamentava a perda.

Era um mendigo que da rua, na margem esquerda,

Cantava, e sua dor tão viva me emocionava.

 

Eu sabia que estava no caminho da lava,

Deste vulcão, incandescente de sentimento.

Ele era só saudade, eu, daquele amor sedento.

 

 

 

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Esperança

Giordana Bonifácio

Esperei por anos sua fantástica visita.

Como um astro que segue regular órbita,

Sei que só aparece aqui de tempos em tempos.

Não se explique: a vida é cheia de contratempos.

 

Mas, não posso fingir que não tive dúvida.

A demora fez sofrer a minha alma ávida.

Porém, agora há essa doce expectativa,

Tudo está certo, sinto-me até mais viva.

 

Serei pessoa digna de sua presença talvez?

Anos se foram na vã espera da minha vez.

Todavia creio que o meu tempo chegou enfim.

 

E sua vinda era tudo que ansiava para mim.

Quando só, tinha de você uma doce lembrança.

Era apenas você que aguardava, esperança.

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