Posts Marcados Com: rosto

O tempo inexorável

Giordana Bonifácio

Quando os anos tirarem de sua face o viço.

E o frio espelho mostrar-lhe já um olhar mortiço.

Quando o tempo voraz causar marcas em seu rosto.

E a velhice já tiver-lhe o vigor deposto.

 

Quando procurar for pelos anos perdidos

E vir ser impossível recuperar dias idos.

Quando seu corpo curvar-se já muito frágil.

E seus olhos já não conseguirem ler fácil.

 

Enfim, quando perceber que já está a padecer.

E que a morte tão logo virá a acontecer.

Faça de toda sua existência uma avaliação.

 

Rememore se sempre praticou a boa ação

Haja vista que só esta que vale no fim.

Escute este conselho, essencial para mim.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

A dor do poeta

Giordana Bonifácio

A dor do poeta não é sempre fingida.

Não lhe sabem as mágoas de sua vida.

Perdido neste mundo pleno e vazio.

À noite, tem de conviver com o frio.

 

Não lhe ocorre qualquer boa presença.

E o mundo significa indiferença.

Ninguém percebe deste poeta as penas.

Julgam-no ligado a coisas pequenas.

 

Sem saídas, junta as mãos e cobre o rosto.

Ninguém jamais poderia ter suposto,

Que o miserável cuja dor realmente

Havia, na sua poesia e poemas não mente.

 

Poderia escrever sobre o que quisesse,

Pois sabia que de si o que não perece,

É o que deixava nos livros escrito.

Mas da existência sabia-se proscrito.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

Mar

Giordana Bonifácio

As ondas vem e vão, doce respirar.

Sonhos inspira e o mundo real a expirar.

De profundidade  o mar é composto.

E batizo com suas águas o meu rosto.

 

Deste mar o sal em mim impregnado.

Estou neste infinito abandonado.

Procurando por saídas que não existem.

Porque penso que sou meio oceano também.

 

Limitado infinito, em que me afogo.

E os desejos não se cumprem logo,

Promessas que há anos restam esquecidas.

 

Trago comigo no peito estas feridas.

Perco-me para sempre neste  oscilar,

E as lembranças, no espírito a vacilar.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

O corpo padece

Giordana Bonifácio

A idade é inexorável, dela não se escapa.

Recebemos no rosto da velhice o tapa.

Súbito a juventude e beleza se vão.

E o antes lindo diamante, agora é apenas carvão.

 

Viver é estar numa corrida para o fim.

Mas não esperam prêmios e festas por mim.

Somente o nada que me precedeu me espera.

E o tempo é para nós voraz como uma fera.

 

Devora nossa vida com grande apetite.

E mesmo que o hoje jovem nele não acredite,

Esteja certo que a vida é como uma ponte,

 

E esta liga dois nadas. O devir defronte,

Não se trata de simples incógnita ou dúvida.

Pois a única certeza é o fim de nossa vida.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: