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Absolvição

Giordana Bonifácio

Vida e morte, esta o final, aquela, o começo.

A doença e a dor são da vida apenas um tropeço.

Enquanto  nosso frágil corpo enfermo pena.

A iniquidade a nosso espírito condena.

 

Em vida já iniciamos a espiar nossas faltas.

Só que o perdão e a remissão são dádivas altas.

Muito é preciso para ter nossa absolvição.

Sobretudo quando é mais fácil cair em perdição.

 

O homem é uma ilha num oceano de maldade.

E às vezes a ressaca violenta a praia invade.

A alma pura também está ao erro suscetível.

 

Sei que este meu discurso não é de todo crível.

Pois  nociva é a descrença que à razão envenena.

Contudo, tudo pode a alma que não é pequena.

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Tênue luz

Giordana Bonifácio

Uma luz bruxuleante induz os pensamentos.

E deveras sofri as dores e sofrimentos,

É que fui condenado a um enorme suplício.

Eu tive de oferecer-me a alma em sacrifício.

 

Sigo sonhando sob a luz tênue da vela.

Um homem solitário que a fria noite vela.

Ainda me resta a luz pura que vem da lua.

Dói-me o silêncio opressor que cai sobre a rua.

 

A luz é um privilégio concedido a poucos.

Nosso castigo é neste breu ficarmos loucos.

Do que me vale observar da Terra este luar?

 

Se em toda minha vida fui um pobre bufão a atuar?

Talvez a vida seja como a tênue chama.

Que, para a luz apagar , um sopro reclama.

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A noite chora

Giordana Bonifácio

A noite chora as dores que no peito trago.

Em mim só um sentimento imensamente vago.

Não sei o que sinto, a noite me compreende mais.

Minha alma é um navio que não aporta em qualquer cais.

 

A fria garoa são as lágrimas que em mim secaram.

Somente as mágoas em meu espírito restaram.

Feridas purulentas que latejam ainda.

De uma dor que foi tão grande que não mais finda.

 

E nessa noite minha solidão me pesa.

E à esta saudade estarei para sempre presa.

E meus sonhos são simples lembranças de outrora.

 

E já vem terminando a noite, enxergo a aurora.

Já ilumina o quarto uma luz tênue e pura.

Busco, no nascer do dia, das dores a cura.

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Testamento

Giordana Bonifácio

 

Adeus cruel realidade, abandono hoje a vida.

Eis aqui esta terrível hora: a despedida.

Vou deixar-lhe de herança esta minha solidão.

Não suporto mais tanto desprezo e ingratidão

 

Deixo para este mundo um pequeno inventário,

Mesmo que de meus bens não seja dignitário.

Meus medos, ainda as vãs agonias e dúvidas,

Que pelo tempo não foram jamais ouvidas,

 

Deixo tudo para esse cruel senhor das horas.

Porque conduziu minha vida cheia de agoras.

Minha mágoa e este débil coração partido.

 

Deixo à ilusão, a quem dôo meu mundo dividido.

Por fim, resta apenas a minha esperança.

Que fica para a minha pura alma de criança.

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Meus nove anos

Giordana Bonifácio

Recordo da magia de meus idos nove anos.

Bastante os distanciam desses tempos insanos.

Vivia de fantasias, brincadeiras e jogos

Num passado distante prescindia de rogos.

 

O milagre era somente minha infância pura.

Para todos os males era eficaz cura.

Não havia em mim qualquer sombra desta melancolia.

Na verdade, meus dias vivia em imensa folia.

 

Corria de pés descalços e joelhos ralados.

Não poderiam existir anos mais dourados.

Sei que, tempos atrás, fui simplesmente feliz.

 

Meu coração hoje sofre, a dor é o que me diz.

Sei que o passado está para sempre perdido.

Mas vivê-lo de novo é meu único pedido

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