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Fuligem

Giordana Bonifácio

Depois de ter, meus poemas, rasgado,

De prometer com voz imperativa:

Não mais escreverei enquanto viva!

A esta amarga poesia criar fui obrigado.

 

Não sou, das letras, um necessitado.

É que, da dor, a minha alma se esquiva.

E a arte tem natureza corrosiva:

Marca-nos com lembranças do passado.

 

O que quero é esquecer tão somente.

Vê o que há por trás desta alma transparente?

Pesares, mágoas, sonhos e quimeras…

 

Quero apagar lembranças que me afligem.

Sei que a poesia da alma é a negra fuligem,

Aos sonhos cobre com longas esperas.

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Os poetas

Giordana Bonifácio

Tristes poesias são dor em constelações.

Pobres poetas que devem escrevê-las,

Estas mágoas que nascem como estrelas,

Que surgem de suas duras inquietações.

 

O amor muda-se tal qual as estações.

O poeta na poesia sua alma revela,

Quer tornar a dor que sente mais bela.

Com as palavras, cria fictas sensações.

 

Nos corações, os poetas, semeiam flores.

Fazem das almas seus jardins de amores.

E dizem ser o poeta só um fingidor:

 

Que finge sofrer num amargo verso;

Que finge ser da luz o seu reverso;

Que finge fingir suas fantasias de amor.

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mensagens-sobre-o-poder-da-oracao-2

“Seigneur mon Dieu! accordez-moi
la grâce de produire quelques
beaux vers qui me prouvent
à moi-même que je ne suis pas le
dernier des hommes, que je
ne suis pas inférieur à ceux que
je méprise.”
Baudelaire

Oração

Giordana Bonifácio

Ó Deus, sou só uma pobre amargurada.

Fantasma destas mágoas vaporosas.

Por santos e homens, eu fui abandonada.

Fui submetida a penas dolorosas.

 

Pelas minhas poesias sou torturada.

Voam ao meu redor como mariposas.

São atraídas por uma alma iluminada,

E caem sobre mim como almas nivosas.

 

Nos céus, anjos ebúrneos e tão quietos,

Que, sobre mim, somente estão pairando,

Conhecem os meus sonhos mais secretos,

 

Mas nada fazem ao ouvir o meu pranto.

E aqui estou, tão fria, trêmula, rezando,

Para que me ouça as dores que ora canto.

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A razão da poesia

Giordana Bonifácio

Escrevo poesias porque já não posso viver

Sem esta arte que é a razão de todo meu sofrer.

Sou poeta, isto basta? Não, sou também o breu,

E os sonhos onde todo amor hoje feneceu.

 

É isto apenas? Não, ainda sou esta vida que pulsa.

E também sou a razão de toda sua repulsa.

Há algo mais que possa talvez ter esquecido?

Só meu disfarce, com ele não há parecido:

 

Sob essa pele de cordeiro sou um lobo voraz,

Que ao rebanho ameaça e consigo a morte trás.

Alguma coisa a isso pode ser acrescido?

 

Apenas que escrever poesia é muito sofrido,

Por isso toda tragédia e tristeza em meus versos.

Todos eles estão, nos meus delírios, submersos.

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