Posts Marcados Com: poesia

HomemMar

O poeta chora sua dor em poesia

Giordana Bonifácio

Vou chorar minha dor nesta poesia.

A mágoa de minh’alma, aqui vertida,

Corrói como a salgada maresia.

O poeta canta sua amarga ferida.

 

O amor é arte, tão só uma fantasia

Que se vai numa lágrima perdida.

A canção triste que um dia me aprazia,

Hoje, dói-me como uma despedida.

 

As vagas vêm e vão como as lembranças,

Lambem-me os pés suas águas tão serenas.

Quisera as paixões fossem assim mansas…

 

O mar enche-me os sonhos de loucura,

Enfeita-os com singelas açucenas

De amores que, em vão, minh’alma procura.

 

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mi_amor_by_sundropstonight

“O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh’alma se sentir beijada”
Chico Buarque

O meu amor

Giordana Bonifácio

O meu amor teceu solidões imensas

Em suas longas esperas tão ingratas.

O meu amor fez de sua dor serenatas

E poesia com as mais belas sentenças.

 

O meu amor fez as noites mais intensas

Nas quais recordo as mais longínquas datas.

O meu amor chora sua dor em cascatas

E faz das fantasias sólidas crenças.

 

O meu amor já não crê que nunca mais

E não pode sem ti restar em paz,

O meu amor crê em dias límpidos, risonhos,

 

Em que mais uma vez verá o teu rosto.

O meu amor, que hoje chora de desgosto,

Toda sua vã saudade desfia em sonhos.

 

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317420

Tu

Giordana Bonifácio

Foste o meu melhor sonho nesta vida.

Foste, também, a dor que hoje lamento.

Foste, para mim, um doce tormento.

Amor que se tornou uma feia ferida.

 

Foste a alegria que minha alma não olvida.

Loucura que me roubou o pensamento.

Foste, nas noites vãs, o meu alimento.

Paixão que me fez tão só e malferida.

 

Foste ligeira como esta poesia.

Foste vaga como uma fantasia.

Foste a luz que mitigou a fria escuridão.

 

Foste num dia tão gélido de outono.

E contigo levaste ainda o meu sono.

Deixaste-me vazia, cheia de solidão.

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Venus-de-Milo

Ao amor inacessível

Giordana Bonifácio

Ser de beleza que a esta vida guia,

Espírito de graça, puro encanto,

Razão que me inspira este triste canto,

Tu és dor ou sonho? Ou vã melancolia?

 

Alma de estrela tão longe e tão fria,

Lua que me cobre com ebúrneo manto,

Tu és a doçura que me leva ao pranto,

Luz das musas da mais triste poesia.

 

Seu perfume é uma cálida fragrância.

Seu sorriso, singela extravagância.

Tu és a Vênus de formas caprichosas,

 

Deusa do amor que já foi pedra bruta.

Tu és o penar com que minha alma luta.

Tu és a magia das paixões dolorosas.

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letes

Quem me dera…

Giordana Bonifácio

Quem me dera estar livre desta dor.

Beber a água do Letes para esquecer

Tudo que ainda alimenta o duro rancor

E deixar novamente o amor me aquecer.

 

Quem me dera não mais tristezas compor

E frente a cruel solidão não enfraquecer.

Quem me dera ainda crer na força do amor

E na espera vã lindas poesias tecer.

 

Quem me dera, ó meu Deus, quem me dera!

Fazer canções, ser um soberbo poeta!

Porém, é só uma ilusão, uma quimera…

 

Pois sou somente um mísero sonhador.

Quem me dera da noite ser profeta

E cantar mágoas para o sol se pôr.

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Pierrot_III_by_larafairie

O Pierrô que não pode ser Arlequim

Giordana Bonifácio

Quero cantar à noite meu lamento.

Quero fazer da dor uma poesia.

Quero pintar de cor o céu cinzento.

Quero usar do palhaço a fantasia.

 

Hoje quero só viver o momento.

Fazer da mágoa minha sinfonia.

Ainda que não exista muito talento,

Quero varrer do peito a vil agonia!

 

Mas se cale, já não diga mais nada.

A noite cai tão amarga sobre mim…

Sou uma pobre que jamais será amada.

 

Com um sorriso escondo a minha dor.

Sou um Pierrô que não pode ser Arlequim,

Porque pura alma não há que me tenha amor.

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Imagen-de-AMOR-TIERNO

Frias esperas

Giordana Bonifácio

Quero ser a esta dor indiferente.

Pois sei que nada mais pode ser feito.

Devo ainda guardar este mal no peito?

Sou poeta, ser estranho a toda gente.

 

Guardo sonhos sem fim em minha mente.

Mas terei para sempre vazio o leito.

Para onde vai, oh poesia, quando me deito?

Quando mais me machuca o amor ausente?

 

Na minha vida não há mais primaveras

O meu vazio está cheio de frias esperas.

Por que ainda ouço cantarem as estrelas?

 

Recordações de alguma paixão antiga?

Não se faz a cruel noite minha amiga.

Por que hei de compor, ainda, coisas belas?

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Um pequeno grão de areia

Giordana Bonifácio

Eu sei que neste mundo não sou nada

E que sou só, de areia, um pequeno grão.

Pela força das vagas sou levada,

Sou arrastada para a azul imensidão.

 

Eu sou como a flor que jaz sobre a calçada:

A desprezada por um frio coração.

Sou pelos pés dos homens macerada,

Sem qualquer esperança de salvação.

 

Sou como a pomba cuja asa ferida

Não lhe permitirá nunca mais voar.

Sou como a poesia que nunca foi lida,

 

Para sempre perdida na solidão.

Sou como a velha sempre a mendigar,

Ao mundo todo, um pouco de gratidão.

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GatocomLivros

“Outros terão
Um lar, quem saiba, amor, paz, um amigo.
A inteira, negra e fria solidão
Está comigo.”

Fernando Pessoa

 

Meu lar

Giordana Bonifácio

Queria ser a pedra no caminho.

Aquela a que um dia o poeta se referiu.

Queria não temer mais seguir sozinho,

Nesta terra tão triste que a Eliot feriu.

 

Queria ainda ter um tanto de esperança…

Ter comigo só um poema de Neruda,

Quando me for posta a alma na balança.

Queria ter voz em meio a esta gente muda,

 

Ter coragem de lutar e ter fé.

Pois, talvez, desse mundo ainda saia vivo,

Talvez com grandes críticas, até.

 

Queria ser como Mário e não calar,

Saber que amar é verbo intransitivo,

E que só na poesia encontro o meu lar. 

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lonely-man

Emoção repentina

Giordana Bonifácio

Quero escrever com sangue meu soneto.

Não vou esconder a emoção repentina.

Não vou apagar a luz que me ilumina.

Hoje vou seguir meu anseio mais secreto.

 

Nem que isso me desfaça por inteiro

Aqui derramo toda dor que sinto.

Não é solidão, somente vinho tinto.

A poesia é meu alicerce derradeiro.

 

Quero aqui desenterrar meu passado.

Quando fui, pela vida, derrotado.

Mas tal Via Crucis julgo merecida.

 

Quisera ser ao céu também eleito.

Porém, sou um ser deveras imperfeito,

E a mágoa deixou-me a alma apodrecida.

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