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O universo todo ao meu redor

Giordana Bonifácio

Os sonhos não terminam jamais. Na verdade, expandem-se como o universo. Por isso dizem cobiçoso o homem que luta por seus sonhos e que, ao alcançá-los, já possui novas metas. Há sempre um vazio em nós que não se preenche. A nossa alma anseia por algo. Anseia por universos infinitos. Meu desejo é ser. Seguir sendo cada vez mais, cada vez menos. Ser uma simples união de coisas complexas. Algo traduzível num sorriso. Algo que apenas se diz numa lágrima teimosa. Ser foi-me sempre muito difícil. Pois querem que eu seja como todos os outros seres. Mas eu sou. Isso somente me conceitua. Sou.  Deixem-me ser. Ser entre sonhos infinitos. Ser fora dos moldes que limitam. Ser aberto. Ser vazio que se preenche. Ser entre estrelas que brilham ofuscantes, ser nebulosa colorida. Sou isto. Sou menos que tudo. Sou um tanto mais que nada. Pois a massa dos corpos surgiu de algo ínfimo, mas que explodiu rasgando o nada. Ainda quero, mas querer é um sentimento tão comum… Vivo só, só vivo. Embora, saiba que isso não me satisfaz. Somem as entrelinhas em palavras fatalistas demais. Backspace, por favor, apague meus erros. Não sei usar as palavras. São elas que me usam, pois sou um objeto descartável e elas vão subsistir a mim. É certo, tendo em vista que homens não se reciclam. Eu queria continuar sendo, sem ser o que fui quando não me entendia e queria definir-me em fórmulas. Mas sonhos não são exatos. Seres de sonhos são humanos e seres humanos são definidos pelas ciências das palavras que não conseguem definir. O todo resta sem solução.

 O universo todo ao nosso redor e quanto sabemos dele? Não sabemos nem ao menos sobre nós nesse mundinho minúsculo que nos é uma enormidade. Queria saber mais e mais, porém, quanto mais sei, menos sei, pois a inteligência expande-se em vazio também. Numa explosão de entendimento, tudo se torna menor. O saber faz-nos reconhecer nossa insignificância. Não sei descrever esse fenômeno de forma breve. As palavras multiplicam-se na ferida aberta em meu cérebro. É que os homens creem-se superiores aos seus pares em função de coisas ínfimas. Desconhecem ou ignoram a realidade? Somos minúsculos e ainda se julgam tão importantes… As pessoas ainda não compreendem a fragilidade da vida humana. Algo tão diminuto… Ninguém será ovacionado por suas conquistas. O que se obtém em vida aqui resta e não é possível transportar consigo em morte. Por isso, continuo sendo, sendo apenas, sem pretensão de ser mais, mas sim, menos. Ser sozinho, pois não procuro seguidores. Ser sem anseios. Ser sonhos infinitos que ao fechar meus olhos continuam lá. Sou isto mesmo que não me entendam. Mesmo que me discriminem dos demais. Sou a minoria das minorias. Enjeitado pelos rejeitados. Tentei cultivar relações sociais. Mas a sociedade é a homogeneidade dos seres. Igualam-se em comportamentos e em sonhos. Eu não procurei a originalidade, ela me perseguiu. Acabei por aceitá-la tarde demais. Perdi muito tempo tentando ser o que não sou. Quando me sabia diverso, mas não queria diferir-me. Tinha medo. Medo do comportamento dos homens homogêneos. Fui apontado na escola, o sou também no trabalho. Porque não me submeto a convenções tolas. Porque penso quando os homens querem manter-se no interior da caverna, possuindo visão tão somente das sombras do mundo.

Quero ver o que Ícaro viu mesmo que a queda seja fatal. Quero transmitir aos homens o que sei, mesmo que, tal qual ocorreu a Prometeu, seja acorrentado e devorado por abutres. Quero cruzar os liames da razão. Ainda que saiba bem dos riscos. As palavras fervilham, sei que não posso retê-las.  Despregam-se de mim. Vão dizer o que sou. Mesmo que ainda não o saiba ao certo. O que aqui escrevo, sacia a fome dos homens. Multiplica-se em pão e peixe. Converte-se em vinho. Inebria os sentidos. Talvez, também seja crucificado por minhas verdades. É que não se pode dizer ao mundo tão abertamente o que devíamos fazer segredo. Ser é uma incompletude perigosa. Sei que não quero ser o que os outros são. Não mais. Aprendi a aceitar o que sempre fui, mesmo que fuja aos padrões. Sorte que nunca fui contra meus ideais. Ser me custa muito. Ser é uma agonia que ora dói, ora afaga. Sabidamente, sempre me resta a possibilidade de desistir de tudo. Até de mim. Divirjo sobremaneira em minhas opiniões. É que nunca aprendi a ser fora dos paradoxos. Vivo de contradições, sou a contradição mais perfeita que existe. Por isso, necessito de definições que nunca me conceituam. Mesmo assim, ainda quero entender-me. Ainda que não diga a ninguém o que descobrirei de mim. Apaga-se o sol de meus sonhos, a noite dos temores se aproxima. Tenho de fazer-me firme frente às possibilidades sombrias.  O que dizer do futuro quando ele é uma condição remota? Por que ainda espero um amanhã que nunca vira hoje é o que não compreendo. O passado passou rápido demais, mas o presente estende-se infinitamente. Quando o futuro porque tanto anseio enfim vai chegar?  Sinto uma confusão de sentimentos, que ora pendem para a tristeza e ora pendem para euforia. Sou vítima de minhas próprias divergências.

Fui tolo inúmeras vezes. É que os erros são necessários ao nosso amadurecimento.  Fui tropeçando em meus caminhos. E sempre me foi difícil abrir as portas trancadas da esperança. Ainda creio em milagres que nunca ocorrem. Mas agora com menos frequência. Quando quis me aproximar, o sonho se recolheu. Fui desanimando, desistindo de tudo, juntando os restos de vida que ainda me havia. Prossigo, sobre meu rocinante, com a lança em punho, pois sei que ainda há muitos moinhos de vento para se combater. Quisera ainda amar a Dulcinéia, mas já fiz serenatas demais ao coração errado. Hoje, creio estar melhor sem suspirar por amores impossíveis. Sei que todo Fausto tem sua Margarida, mas penso que a solidão é meu maior capricho. Sempre consigo me ouvir melhor no silêncio do quarto, quando estamos somente eu e a tela em branco do computador. Aos poucos vou dedilhando as cordas do meu violão. Muitas notas confusas se organizam na pauta musical dos meus sentimentos. Quebro paradigmas, dedilho canções. Sinto música e canto sem versos. A música se acomoda entre meus silêncios. No universo não se pode ouvir qualquer som. Espaço de vazios em que o som não pode propagar-se. No silêncio, observando a enormidade do que me é exterior, compreendo melhor os desígnios de Deus. Um Deus que me transcende, que não explica as razões do meu penar, mas que me dá a mão e me auxilia a prosseguir na minha Via Crucis. É a ele que peço por meus torturadores, pois não sabem que o que fazem a mim, vai pesar para eles.

Seria o homem um rascunho? Algo que em vida se prepara para uma existência superior? Sei que não devemos ser bons por temer a consequência de nossos pecados. Mas pela compreensão do mal que podemos causar às outras pessoas. Não há o que se faça em vida que não reste registrado, ao menos em nossa consciência. Não há seres insignificantes, cuja vida é menos importante ao mundo. Raskólnikov cometeu essa falha. Creditou-se uma importância que não possuía e sofreu um castigo auto-imposto por seu crime. Vamos nós também viver nosso crime e castigo? Melhor é construir o nosso caráter e conduta sem esperar por penas futuras ou presentes. É assim que se fincará realmente as bases de um porvir mais justo e equânime. Não sei se devo crer em Deus, mas todas as vezes que penso em todo este universo ao meu redor, mais um grão de mostarda germina em meu peito. Sou o único responsável pelo seu crescimento. Sou eu que devo fazer do solo de minha alma, um bom terreno para que cresça e se multiplique. Tentei muitas vezes negar a fé por temer o julgamento das pessoas. Foram elas que mais me afastaram do caminho que eu achava adequado, pois queriam que seguisse seus tortos passos. Quando desisti de tentar ser mais que deveria ser, foi que encontrei as respostas de minhas questões mais intricadas. Permaneci muito tempo em dúvida. Precisava de algo que me fosse maior, que não me abandonasse por minha aparência, que não me julgasse por minhas opiniões. Somente a fé conferiu-me o que necessitava.

 Há tanto que se compreender. Há tanta vida lá fora. Tanto que não sabemos, que não entendemos, que ignoramos, que desprezamos… Por que então permanecemos imóveis ante tudo que poderia ser feito, ser pesquisado, ser decifrado enfim? Será que tememos as respostas? Será que estamos enclausurados pelo temor do que pode ser encontrado? O que ocorreria se todos os homens no passado limitassem-se por seu pavor? Creio que nada do que hoje existe, seria real. Não teríamos o grau de avanço tecnológico do qual atualmente usufruímos. A enormidade de nossas dúvidas não deve subjugar nossa ínfima vontade. Ser diferente num mundo de seres iguais é uma batalha colossal. Porém, resolvi enfrentá-la. Armei-me com minha força e meu espírito. Eu ainda sinto medo. Sou frágil, sou carne e sangro. Sei que as palavras ferem com força de paus e pedras. Mas não posso negar meus ideais. Meus sonhos que se convertem em palavras, são disseminados pela teia de pessoas que estão conectadas, mas não se veem. Ser num mundo de seres sem rosto é ainda mais difícil. Nesse mundo de anônimas opiniões, os meus sonhos espalham-se sem destino. Seguem desbravando países que desconheço, não há fronteiras que os limitem. São livres como não o sou. Tenho em volta de mim, barreiras que me impedem ser inteiramente livre. Ainda que tenha assumido minha originalidade, falta-me vencer tais barreiras com que o mundo me enclausurou. Abro meu coração, mesmo que seja alvo de eventuais condenações. Dizem-me que sozinho não poderei vencer um mundo inteiro, que devo ser como todos os demais, que sonhar é dádiva para poucos e que o mundo é feito de duras realidades. Mas ser foi a vitória mais colossal que poderia ter alcançado. Ser num mundo de pessoas que não são, que seguem o que dita modas e leis extravagantes, é a batalha que enfrento e tenho sido vitorioso. Vou preservar minha individualidade, minha personalidade, sendo o que quero ser e não o que me dizem para ser. Com um universo todo ao meu redor, não posso deixar-me influenciar por opiniões alheias que se perderão nas areias do tempo.

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Soneto da despedida

Giordana Bonifácio

Adeus, dizia-te, enquanto o trem partia.

Via o meu passado ficar para trás,

Tão lindos sonhos que não teria mais.

Toda saudade em lágrimas vertia,

 

Mas a minha dor, já pouco valia.

Deixei tão só o que levar não fui capaz,

Lindas lembranças que o tempo rarefaz.

Recordar, para alma, é uma regalia,

 

Pois o tempo das horas faz deserto,

E o ontem termina num amanhã incerto.

O que será de nosso amor tão terno?

 

O trem range, ainda aceno para o nada,

Nas mãos, levo uma foto bem amassada,

De quando críamos que o verão seria eterno.

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Magical taste of decay

Noites sem fim

Giordana Bonifácio

Ó noites sem fim, tão amargas e escuras,

Ó Vigília cruel, mudo pensamento

Que de mim extrai enorme sofrimento,

Ó passado presente, horas futuras,

 

Que de mim querem mais que tolas juras,

Ó tempo, solitário, triste e lento,

Que de mim ouve tão rude lamento,

Ó esperanças vãs, tão inúteis procuras,

 

Que de mim fazem uma alma perdida,

Quais são os sonhos que meu coração olvida?

Quais são as dores que meu pranto rega?

 

Quem soprou a flor dos meus versos ao vento?

Quem fez das fantasias seu último alento?

Quem fez de guia tal paixão louca e cega?

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“O tempo tudo tira e tudo dá;
tudo se transforma,
nada se destrói.”
Giordano Bruno

Oração ao tempo

Giordana Bonifácio

Ó tempo, tão cruel rei e senhor das horas,

Faze de meu passado um áureo presente,

Pois a alegria no agora me está ausente.

Ó tempo, por que tanto ainda demoras?

 

Não vês, que, após as noites, já não há auroras?

Não vês quanta dor este poeta sente?

Ó tempo, de mim, seja condolente,

Não vês o quão tais mágoas são sonoras?

 

Ó tempo, sabes bem o que procuro:

Sonhos nutridos, todos esses anos,

Por minhas malfadadas esperanças.

 

Ó tempo que ao dia claro torna escuro,

Sabes de todos meus tristes enganos,

Mesmo assim, ao futuro ainda me lanças.

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CANSEI DA SOLIDÃO

Solidão

Giordana Bonifácio

Chore manso sua imensa e vã amargura.

Não reclame do mal que lhe crucia.

Sofre em silêncio todo fim do dia,

Pois seu pesar nem mesmo o tempo cura.

 

Saiba que é a dor que faz a sua alma pura.

O mundo, de seu penar, só riria.

Ame a dor. Faça dela a sua alegria.

Assim será tão só ela a sua ventura.

 

Abafe o grito, sua mágoa não passa.

Sofre sereno sua dor, sua desgraça.

Guarde no peito sua tristeza inteira.

 

A solidão é a dor que o relógio atrasa.

É das fantasias uma cova rasa

E das noites sem fim, fiel companheira.

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Estrela cadente

Giordana Bonifácio

Sei que já fazem longos tristes anos,

Desde que no céu surgiu tão florescente,

Uma esperança fugaz e cadente

que deixou para trás meus desenganos.

 

Tanto tempo faz que criei loucos planos,

Que converti meus sonhos em semente,

Antes de vir a idade tão inclemente,

Desfazendo ilusões em enganos.

 

Agora sei que enxergo claramente,

E vejo que sucede exatamente,

O contrário do que tanto imaginei.

 

As esperanças ficam para trás,

Também os planos dos tempos de rapaz.

Só os meus erros é que, até aqui, transportei.

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A mudança que queremos no mundo

Giordana Bonifácio

O que me dizem agora? Há esperança quando não nos permitem ser livres? Quando não é lícito dizer o que pensamos? Repúblicas outrora comunistas, ou, para sempre, comunistas, que deturparam as ideias de Lenin e Marx, forçam a manutenção de um status quo impossível. Não entendem que não mais se enquadram na sociedade atual quaisquer formas de ditaduras.  Hoje, o homem sabe muito bem o valor de sua liberdade. Será que podemos gritar nossa indignação? Se governos arrogantes reprimem violentamente as manifestações populares?  Somos amordaçados pelo medo. Pelas normas hipócritas criadas em favor de uma elite que já se mantém por tempo demais no poder. Por que não mais se recorda as palavras de Evelyn Beatrice Hall em correspondência trocada com Voltaire, ao defender a liberdade de expressão? “Posso não concordar com nenhuma palavra do que disser, mas lutarei até a morte para que possas dizê-las.” Os mesmos homens que outrora gritavam -“liberdade!” Agora, assumem comportamentos, no mínimo, fascistas. Querem calar o povo que se revolta contra seus governos fadados ao fracasso. Países que se afundam em recessão, inflação e crises políticas cujos governos agem com violência contra seu próprio povo.  Um povo que já não mais aceita a situação vergonhosa de sua vida.  Não mais engole os péssimos serviços de saúde, educação e segurança, muito menos os salários degradantes dos servidores públicos. Como não há outro jeito de se calar o povo, os governantes agem com extrema violência, deturpam suas ideias, apresentam os manifestantes como baderneiros e aprisionam-nos em seu sistema prisional degradante. Ainda têm a “cara-de-pau” de apresentar-se em programas de televisão em apoio às manifestações contra as quais lançaram a força mantenedora do poder, ou seja, a polícia, para reprimir os que ainda têm coragem de gritar. A imprensa hipócrita e vendida não apresenta os fatos com imparcialidade. Ao contrário, se une aos governantes a fim de continuarem a receber espúrios benefícios.  Assim, retratam os revoltosos da forma que demandam os governos. Parece que uma rede de corrupção se instalou em todas as camadas do Estado e não existe mais como expurgá-las do país.

As pessoas têm medo e se calam. Olham com desprezo quem se inflama. Porque não lhes possui a coragem. Porque não vão enfrentar algo que lhes é tão superior. Parece uma realidade extraída diretamente da obra de George Orwel.  Em 1984, o governo totalitário suprime todas as manifestações contra sua hegemonia. O povo, no livro, vivia atemorizado por um Estado desumano. Hoje, exploram o Big Brother como um ícone pop e não dão o devido valor que o escritor queria passar com sua obra. Estamos vivendo isto no mundo. Até mesmo as nações que se diziam democráticas não asseguram a possibilidade de discordar de suas ideias ao povo. Assassinam, prendem, ferem, torturam e matam. Os bandidos, meus caros, não estão nas prisões, mas nos altos escalões do governo. O Brasil é um país mergulhado e falcatruas e negociatas. Mas não é diferente em outros países emergentes que adotaram governos de esquerda. Contudo, li na internet que a corrupção no Brasil é ambidestra, tanto os ditos governos de esquerda, quanto os que são comumente ditos de direita (principalmente pelos que se dizem de esquerda) estão afundados na lama abjeta da corrupção. Não se diferem em nada. Por isso, faço uso a definição tão corriqueira na deposta monarquia brasileira, com algumas adaptações: “nada mais direita do que a esquerda no poder”. Como discernir entre o bem e o mal se ambos são o mesmo? Quem está no poder faz uso das mesmas armas do antigo governante para continuar no poder. Querem suprimir direitos para evitar manifestações na Copa do Mundo. A Copa dos desvios bilionários, pagas a custas do povo brasileiro que nada usufruirá das benesses que tanto alardearam os meios de comunicação. Os turistas, meus caros, não virão. Quem se inseriria numa situação de calamidade pública como o é a nossa segurança nacional? Ou melhor, a falta dela! Não há segurança! É muito raro não existir um brasileiro que já não fora assaltado. Sem falar nos demais crimes que assustam o turista estrangeiro que somem de nossas praias paradisíacas. Uma modalidade de assalto realizado com extrema violência é o apelidado sequestro relâmpago, que, com certeza, vitimizaria milhares de estrangeiros que aportassem em terreno tupiniquim.

Por isso, essa Copa tem como alvo tão somente os brasileiros, que, além de ter de pagar para construir estádios bilionários (vide Estádio Mané Garrincha em Brasília), é obrigado a pagar um pequena fortuna para assistir aos jogos do Brasil. Além do fato de que, em função da aproximação da Copa, os preços de todos serviços e produtos no Brasil terem sofrido uma alta alarmante. Assisto, nos noticiários, ao governo da Venezuela que tenta a todo custo reprimir uma população que não mais quer ser enganada. Confesso estar profundamente preocupada com as realidades tão próximas vividas aqui no Brasil e na Venezuela. Muitas nações Sul-Americanas estão sofrendo com as mentiras do governo e as formas inescrupulosas de ir contra os princípios básicos de democracia e liberdade. Parece-me que estamos seguindo contra a corrente, que por mais que nos esforcemos, jamais será possível vencê-los. Será que estamos fadados à regressão histórica? O que foi conquistado com tanta dificuldade pelas sociedades está sendo extinto justamente pelo uso da força? Assisti, estupefata,  às cantoras do grupo Pussy Riot na Rússia serem chicoteadas em frente às câmeras porque protestavam contra o governo Putin. O que mais me espantou foi que ninguém se inflamou e tentou ajudá-las. Será que todos vamos aceitar passivamente tal repugnante abuso da força? O governo dos Estados Unidos faz uso de sua tecnologia para espionar o mundo e nada é feito a respeito. Vamos ficar calados? Será que a privacidade e a liberdade devem ser submetidas aos interesses inescrupulosos dos governantes? O que aconteceu com o povo que agora engole tudo com tanta facilidade? Por que temos tanto medo? Ou será que não mais pensamos coletivamente? Acho que esta seria a resposta mais provável.  O homem está cada vez mais egoísta e individualista. Foi-se o tempo em que se importava com o bem-estar coletivo. Está desiludido com a política.

É que foram tantos vexames, tantos casos repugnantes de corrupção que já não confiamos em ninguém mais. Agora a imprensa alardeia que os denominados Black Blocks estão sendo financiados por uma fonte secreta. E se esta fonte for o próprio governo que tenta desmoralizar as manifestações, que deveriam ser pacíficas, da população? E outra pergunta que faço, (desculpem-me por tantas questões), é: será que devemos ainda ser pacíficos? Não estou tentando pregar a violência, na verdade, estou tão revoltada, que já creio que fomos pacíficos por tempo demais. Agora é a hora de sermos fortes. Vamos ser um povo, o povo que outrora não se abstinha frente às injustiças. O povo que não deixaria um dos seus ser chicoteado sem nada fazer.  Por que, agora, os que se diziam membros do povo, uniram-se a perversa elite. Já é hora de mudar. Vamos ser o que não fomos por todos os anos que aceitamos os fatos em silêncio. Não há mais espaço para estes traidores da nação no poder! Mesmo que seja necessário usar da força, mesmo que nossas vaias sejam ainda muito pouco, mesmo que votar nulo seja um esforço em vão, mesmo que o sangue dos inocentes escorra por nossas esquinas, mesmo que gritar seja inócuo, temos de fazer algo! É insustentável que num país de abismos sociais como o Brasil, sejam utilizados bilhões em investimentos públicos na construção de estádios. Não é correto construir um porto em Cuba quando os nossos estão totalmente sucateados. Não é cabível contratar médicos em regime de semiescravidão a fim de transferir recursos a uma ditadura cruel como é a cubana. Está mais que na hora de fazermos algo. Não podemos simplesmente esperar por mudanças que nunca ocorrem. “Nós somos a mudança que queremos ver no mundo”. Vamos mudar Brasil, vamos mudar mundo!  (Desculpe-me Gandhi por utilizar seu discurso pacifista para impelir o povo à revolta).

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Uma curta eternidade

Giordana Bonifácio

Esperarei sozinha toda a vida,
Nas noites sem fim, fiando a minha dor?
Na verdade, não soube nunca o que é o amor…
Sinto-me nesse tema tão perdida…

Por isso trago minha alma ferida
E meus sonhos não têm mais a mesma cor.
Desfia-se a solidão em duro rancor.
Tudo parou naquela despedida.

Por quanto tempo posso amar-lhe ainda?
Seria o amor uma luta que não finda,
Da qual todas as pessoas saem vencidas?

O sempre foi uma curta eternidade,
Dele me restou apenas a saudade
E um punhado de cartas esquecidas…

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“De motejo em motejo arrasta a alma ferida…
Sem constância no amor, dentro do coração
Sente, crespa, crescer a selva retorcida
Dos pensamentos maus, filhos da solidão.”
Só – Olavo Bilac

 

Amargas quimeras

Giordana Bonifácio

Ter minha alma liberta… Quem me dera!

Nunca mais me recordar do passado.

Deixar como já está: triste e acabado.

O futuro fadado à longa espera.

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Em mim, uma voz ainda reverbera.

Sei que de toda mágoa sou culpado.

Pois o meu medo fez-me agir errado.

Meus sonhos?  Eram só amargas quimeras!

 

Estão a vagar sem rumo no vasto espaço.

No vazio da solidão ergui meu paço.

Agora me resguardo em meus segredos.

 

Fia-se e desfia-se o rancor em saudade.

Sei que o amor é minha única verdade.

Como é a areia que ora foge entre meus dedos.

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Tudo bem?

Giordana Bonifácio

“Tudo bem?” Não sei, em mim, algo ainda dói.

Por que será que não consigo esquecer?

E na memória sinto o amor fenecer.

A mágoa que meu espírito corrói,

 

É tudo que me resta do passado.

Um dia foi, foi um dia. Quando se foi o dia.

E em mim, a luz do sol não mais irradia.

O meu relógio dita o tempo errado.

 

A noite em meu ser muito persevera.

Quando virá a esperada primavera?

“Mas tudo bem. Sim?” “Bem, sim. Eu acho, talvez”.

 

“Não queria ter sido assim tão severa”.

A dor das faltas todas me absolvera.

Renasce em minha alma, a vida outra vez.

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