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O universo todo ao meu redor

Giordana Bonifácio

Os sonhos não terminam jamais. Na verdade, expandem-se como o universo. Por isso dizem cobiçoso o homem que luta por seus sonhos e que, ao alcançá-los, já possui novas metas. Há sempre um vazio em nós que não se preenche. A nossa alma anseia por algo. Anseia por universos infinitos. Meu desejo é ser. Seguir sendo cada vez mais, cada vez menos. Ser uma simples união de coisas complexas. Algo traduzível num sorriso. Algo que apenas se diz numa lágrima teimosa. Ser foi-me sempre muito difícil. Pois querem que eu seja como todos os outros seres. Mas eu sou. Isso somente me conceitua. Sou.  Deixem-me ser. Ser entre sonhos infinitos. Ser fora dos moldes que limitam. Ser aberto. Ser vazio que se preenche. Ser entre estrelas que brilham ofuscantes, ser nebulosa colorida. Sou isto. Sou menos que tudo. Sou um tanto mais que nada. Pois a massa dos corpos surgiu de algo ínfimo, mas que explodiu rasgando o nada. Ainda quero, mas querer é um sentimento tão comum… Vivo só, só vivo. Embora, saiba que isso não me satisfaz. Somem as entrelinhas em palavras fatalistas demais. Backspace, por favor, apague meus erros. Não sei usar as palavras. São elas que me usam, pois sou um objeto descartável e elas vão subsistir a mim. É certo, tendo em vista que homens não se reciclam. Eu queria continuar sendo, sem ser o que fui quando não me entendia e queria definir-me em fórmulas. Mas sonhos não são exatos. Seres de sonhos são humanos e seres humanos são definidos pelas ciências das palavras que não conseguem definir. O todo resta sem solução.

 O universo todo ao nosso redor e quanto sabemos dele? Não sabemos nem ao menos sobre nós nesse mundinho minúsculo que nos é uma enormidade. Queria saber mais e mais, porém, quanto mais sei, menos sei, pois a inteligência expande-se em vazio também. Numa explosão de entendimento, tudo se torna menor. O saber faz-nos reconhecer nossa insignificância. Não sei descrever esse fenômeno de forma breve. As palavras multiplicam-se na ferida aberta em meu cérebro. É que os homens creem-se superiores aos seus pares em função de coisas ínfimas. Desconhecem ou ignoram a realidade? Somos minúsculos e ainda se julgam tão importantes… As pessoas ainda não compreendem a fragilidade da vida humana. Algo tão diminuto… Ninguém será ovacionado por suas conquistas. O que se obtém em vida aqui resta e não é possível transportar consigo em morte. Por isso, continuo sendo, sendo apenas, sem pretensão de ser mais, mas sim, menos. Ser sozinho, pois não procuro seguidores. Ser sem anseios. Ser sonhos infinitos que ao fechar meus olhos continuam lá. Sou isto mesmo que não me entendam. Mesmo que me discriminem dos demais. Sou a minoria das minorias. Enjeitado pelos rejeitados. Tentei cultivar relações sociais. Mas a sociedade é a homogeneidade dos seres. Igualam-se em comportamentos e em sonhos. Eu não procurei a originalidade, ela me perseguiu. Acabei por aceitá-la tarde demais. Perdi muito tempo tentando ser o que não sou. Quando me sabia diverso, mas não queria diferir-me. Tinha medo. Medo do comportamento dos homens homogêneos. Fui apontado na escola, o sou também no trabalho. Porque não me submeto a convenções tolas. Porque penso quando os homens querem manter-se no interior da caverna, possuindo visão tão somente das sombras do mundo.

Quero ver o que Ícaro viu mesmo que a queda seja fatal. Quero transmitir aos homens o que sei, mesmo que, tal qual ocorreu a Prometeu, seja acorrentado e devorado por abutres. Quero cruzar os liames da razão. Ainda que saiba bem dos riscos. As palavras fervilham, sei que não posso retê-las.  Despregam-se de mim. Vão dizer o que sou. Mesmo que ainda não o saiba ao certo. O que aqui escrevo, sacia a fome dos homens. Multiplica-se em pão e peixe. Converte-se em vinho. Inebria os sentidos. Talvez, também seja crucificado por minhas verdades. É que não se pode dizer ao mundo tão abertamente o que devíamos fazer segredo. Ser é uma incompletude perigosa. Sei que não quero ser o que os outros são. Não mais. Aprendi a aceitar o que sempre fui, mesmo que fuja aos padrões. Sorte que nunca fui contra meus ideais. Ser me custa muito. Ser é uma agonia que ora dói, ora afaga. Sabidamente, sempre me resta a possibilidade de desistir de tudo. Até de mim. Divirjo sobremaneira em minhas opiniões. É que nunca aprendi a ser fora dos paradoxos. Vivo de contradições, sou a contradição mais perfeita que existe. Por isso, necessito de definições que nunca me conceituam. Mesmo assim, ainda quero entender-me. Ainda que não diga a ninguém o que descobrirei de mim. Apaga-se o sol de meus sonhos, a noite dos temores se aproxima. Tenho de fazer-me firme frente às possibilidades sombrias.  O que dizer do futuro quando ele é uma condição remota? Por que ainda espero um amanhã que nunca vira hoje é o que não compreendo. O passado passou rápido demais, mas o presente estende-se infinitamente. Quando o futuro porque tanto anseio enfim vai chegar?  Sinto uma confusão de sentimentos, que ora pendem para a tristeza e ora pendem para euforia. Sou vítima de minhas próprias divergências.

Fui tolo inúmeras vezes. É que os erros são necessários ao nosso amadurecimento.  Fui tropeçando em meus caminhos. E sempre me foi difícil abrir as portas trancadas da esperança. Ainda creio em milagres que nunca ocorrem. Mas agora com menos frequência. Quando quis me aproximar, o sonho se recolheu. Fui desanimando, desistindo de tudo, juntando os restos de vida que ainda me havia. Prossigo, sobre meu rocinante, com a lança em punho, pois sei que ainda há muitos moinhos de vento para se combater. Quisera ainda amar a Dulcinéia, mas já fiz serenatas demais ao coração errado. Hoje, creio estar melhor sem suspirar por amores impossíveis. Sei que todo Fausto tem sua Margarida, mas penso que a solidão é meu maior capricho. Sempre consigo me ouvir melhor no silêncio do quarto, quando estamos somente eu e a tela em branco do computador. Aos poucos vou dedilhando as cordas do meu violão. Muitas notas confusas se organizam na pauta musical dos meus sentimentos. Quebro paradigmas, dedilho canções. Sinto música e canto sem versos. A música se acomoda entre meus silêncios. No universo não se pode ouvir qualquer som. Espaço de vazios em que o som não pode propagar-se. No silêncio, observando a enormidade do que me é exterior, compreendo melhor os desígnios de Deus. Um Deus que me transcende, que não explica as razões do meu penar, mas que me dá a mão e me auxilia a prosseguir na minha Via Crucis. É a ele que peço por meus torturadores, pois não sabem que o que fazem a mim, vai pesar para eles.

Seria o homem um rascunho? Algo que em vida se prepara para uma existência superior? Sei que não devemos ser bons por temer a consequência de nossos pecados. Mas pela compreensão do mal que podemos causar às outras pessoas. Não há o que se faça em vida que não reste registrado, ao menos em nossa consciência. Não há seres insignificantes, cuja vida é menos importante ao mundo. Raskólnikov cometeu essa falha. Creditou-se uma importância que não possuía e sofreu um castigo auto-imposto por seu crime. Vamos nós também viver nosso crime e castigo? Melhor é construir o nosso caráter e conduta sem esperar por penas futuras ou presentes. É assim que se fincará realmente as bases de um porvir mais justo e equânime. Não sei se devo crer em Deus, mas todas as vezes que penso em todo este universo ao meu redor, mais um grão de mostarda germina em meu peito. Sou o único responsável pelo seu crescimento. Sou eu que devo fazer do solo de minha alma, um bom terreno para que cresça e se multiplique. Tentei muitas vezes negar a fé por temer o julgamento das pessoas. Foram elas que mais me afastaram do caminho que eu achava adequado, pois queriam que seguisse seus tortos passos. Quando desisti de tentar ser mais que deveria ser, foi que encontrei as respostas de minhas questões mais intricadas. Permaneci muito tempo em dúvida. Precisava de algo que me fosse maior, que não me abandonasse por minha aparência, que não me julgasse por minhas opiniões. Somente a fé conferiu-me o que necessitava.

 Há tanto que se compreender. Há tanta vida lá fora. Tanto que não sabemos, que não entendemos, que ignoramos, que desprezamos… Por que então permanecemos imóveis ante tudo que poderia ser feito, ser pesquisado, ser decifrado enfim? Será que tememos as respostas? Será que estamos enclausurados pelo temor do que pode ser encontrado? O que ocorreria se todos os homens no passado limitassem-se por seu pavor? Creio que nada do que hoje existe, seria real. Não teríamos o grau de avanço tecnológico do qual atualmente usufruímos. A enormidade de nossas dúvidas não deve subjugar nossa ínfima vontade. Ser diferente num mundo de seres iguais é uma batalha colossal. Porém, resolvi enfrentá-la. Armei-me com minha força e meu espírito. Eu ainda sinto medo. Sou frágil, sou carne e sangro. Sei que as palavras ferem com força de paus e pedras. Mas não posso negar meus ideais. Meus sonhos que se convertem em palavras, são disseminados pela teia de pessoas que estão conectadas, mas não se veem. Ser num mundo de seres sem rosto é ainda mais difícil. Nesse mundo de anônimas opiniões, os meus sonhos espalham-se sem destino. Seguem desbravando países que desconheço, não há fronteiras que os limitem. São livres como não o sou. Tenho em volta de mim, barreiras que me impedem ser inteiramente livre. Ainda que tenha assumido minha originalidade, falta-me vencer tais barreiras com que o mundo me enclausurou. Abro meu coração, mesmo que seja alvo de eventuais condenações. Dizem-me que sozinho não poderei vencer um mundo inteiro, que devo ser como todos os demais, que sonhar é dádiva para poucos e que o mundo é feito de duras realidades. Mas ser foi a vitória mais colossal que poderia ter alcançado. Ser num mundo de pessoas que não são, que seguem o que dita modas e leis extravagantes, é a batalha que enfrento e tenho sido vitorioso. Vou preservar minha individualidade, minha personalidade, sendo o que quero ser e não o que me dizem para ser. Com um universo todo ao meu redor, não posso deixar-me influenciar por opiniões alheias que se perderão nas areias do tempo.

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SEGURE-MINHA-MAO

Segure a minha mão…

Giordana Bonifácio

“Sei que você consegue, vamos: é só abrir os olhos! Sei que pode. Era o mais forte de nós três. Diziam que éramos o ‘trio parada-dura’.  Lembra?  Você sempre foi o mais bacana, fazendo sucesso com as gatinhas. A gente não se separava. ‘O mais importante é a família’ você repetia. Enfatizava que não importa o que acontecesse, deveríamos permanecer juntos. Quando mais precisei, você esteve efetivamente ao meu lado. Também estou aqui. Não vou deixar-lhe. Não agora que precisa de mim. Posso ouvir sua dor. Sinto-a. É grande, mas você é forte, cara. Vamos: estou aqui ao seu lado. Sempre estive. Como você nunca me deixou. Relaxa, não vai acontecer nada de pior. Você vai voltar a andar de skate radicalizando nas avenidas largas de Brasília. Mas antes disto você vai ficar ‘de molho’ uns tempos. Nem esquenta, você vai ‘tirar de letra’. Além do que, você vai ficar com uma cicatriz na perna que a mulherada vai adorar. Só isso. Não tenha medo. Vamos cara. Meu irmão mais velho e amigo de todas as horas. Confie em mim. Está ouvindo todo este barulho, ambulâncias, curiosos, bombeiros num salvamento desesperado? Está ouvindo as buzinas estridentes? Então, concentre-se nesse som. É para este lado que deve seguir. Sei que na vida tudo é bem mais dolorido. Mas imagina como vão ficar a mãe e o pai sem você… Estou segurando a sua mão. Igual você fazia quando eu tinha medo. Como no primeiro dia do ginásio. Você só me deixou quando viu que poderia prosseguir sozinho. Sou eu agora que vou lhe acompanhar. Segure a minha mão. Coragem, cara. Por acaso, você está ‘amarelando’? Até uma criancinha sai dessa numa boa. Seja forte! Para que serviram tantos anos de academia e alimentação saudável? Vamos lá, sem essa de desistir agora. Sei que você está com medo. Mas eu estou aqui. Seu irmão caçula e mais bonito. ‘Falou, estou só zoando’. ‘Você é o mais maneiro’. Lembra da Aninha do 204? Se você sair dessa ela vai lhe ‘dar bola’! Não vai dizer que não se lembra dela! A loirinha de olhos azuis. Filha da nossa dentista. E ainda tem a Carlinha, aquela morenaça lindíssima por quem você passou um tempão ‘babando’. Vai perder essa, ‘Zé-mané’? Oportunidade não se perde!  E tem outra, nesse momento a Sílvia está telefonando lá para casa. Ela teve um pressentimento ruim. Sexto sentido de mulher é ‘batata’! Ela não era a amiga do Valdo? Você era ‘gamadão’ nela também, né?

Então, vai bancar o ‘panaca’ e desistir? Sem lutar, assim, por W.O.? Deixa de ser ‘molengão’, vamos, é só respirar com força. Abra os olhos, sinta a luz ofuscar mais uma vez a sua visão. Os bombeiros estão lhe dando choques. Hunf, monstra para eles que você é ‘fodão’. Faça bater esse coração malandro. Segura essa: um Fernandes nunca desiste. Está esperando o quê, ‘otário’? Vamos, seja forte! Aí, o pulso está voltando. A equipe de salvamento está sorrindo. Pela sua cara deve estar doendo pacas. Esquenta não, vai doer por algumas semanas, somente. Brincadeira. Logo vai passar. Estão lhe levando para o hospital. Não gosto de hospitais, você sabe, mas vou nessa com você. Até que a ‘Branca de Neve’ esteja fora de perigo. Achava que lhe deixaria assim tão cedo? Não, estamos juntos nessa! Ainda tem uma cirurgia arriscadíssima pela qual você tem de passar. Bem mais difícil que prova de matemática. Mas para você vai ser ‘fichinha’. Eu estou aqui para lhe incentivar. Levar você à vitória. Tirar o máximo do meu melhor jogador. Vamos lá que o jogo é de dois tempos de 45 minutos. Ainda há os acréscimos do juiz. Mamãe, papai e o Alex já devem estar chegando. Um dos bombeiros ligou para eles. Não vai dar vexame, ok? Nada de morrer na frente deles ou antes deles chegarem. Aliás, nada de morrer hora nenhuma! Não é o momento. Você vai casar-se, ter filhos e, depois, netos. Por isso, para de ‘dar uma de donzela’ que só são algumas costelas quebradas, um pulmão perfurado, lesões no baço e uma fratura exposta na perna. Viu, nada com o que se preocupar. Tudo perfeitamente superável. Ainda bem que tem estoque de sangue no hospital. Cara, você está mais roxo que um buquê de violetas. Os médicos são legais, vão deixar você novinho em folha. Que tal aproveitar e pedir para eles fazerem uma lipoaspiração nessa sua ‘barriguinha de chope’? Acabaram de avisar que nossos pais já chegaram e estão preocupadíssimos. Cara, que confusão você arranjou, ein? Se tivesse escutado a mamãe e não ter saído hoje para andar de skate… Viu, aprendeu a lição? Não deixe jamais de ouvir sua mãe! O babaca que atropelou você estava bêbado. Bateu o carro no poste e tentou fugir. Mas as pessoas próximas impediram a fuga. Por que o mundo está cheio de gente idiota? Por isso que você tem de ficar: para tornar essa ‘bagaça’ de mundo algo melhor.

Sem essa de estar cansado. A festa só termina quando ‘O lá de cima’ disser. ‘Aguenta aí’. ‘Aos trancos e barrancos todos vão sair vivos’. Ainda tem outra, lembra aquele emprego maneiro na empresa de publicidade mais ‘da hora’ da capital? Acho que você tem grandes possibilidades ficar com ele. Isto se você deixar de ser ‘fracote’ e vencer essa batalha. O que o Mel Gibson iria dizer de você agora? ‘Honre estas calças’? Não, quem falaria isso seria o papai. Mas dá no mesmo! Vamos, faça um esforço no início que depois a vida ‘vai na banguela’. Está tudo dando certo. Acho que você vai sobreviver ‘manézão’. Boas novas, nada de ‘vestir paletó de madeira’. Depois de passar o efeito da anestesia, os médicos disseram que você vai acordar. Disseram que você tem uma fome de vida fenomenal. Bem, disso eu não sei. Mas se for igual quando você joga futebol, então você é ‘fominha’ mesmo. Não ‘passa a bola’ para ninguém. Não disse que você iria vencer esse jogo? Mesmo que você não tenha perdido a mania de ‘ficar na banheira’. Viu? Ainda me lembro de como você jogava. Sinto saudades de nossas ‘peladinhas’ no Parque da cidade. Vou ficar com você até acordar. Ainda está com uma cara horrível, vê se melhora ela que a Silvia soube do acidente e está vindo lhe ver. Não vai fazer um papel feio na frente dela. Jogue um charme que ela até fica como enfermeira para lhe dar remedinho. Coloque uma cor nessa cara, para ela não pensar que você já morreu. Faça um charminho de doentinho para ela ‘ficar na sua’. Mamãe e papai estão desesperados. Alex não sabe o que fazer. Ele é um irmão tão bom quanto eu. Está tentando manter a calma. Ele sempre foi o mais racional da família. Mesmo assim, é um irmão ‘do caramba’. Confie nele. Vocês devem ficar juntos. Mesmo que já não haja mais o ‘trio parada-dura’. Como você diz: ‘família é o mais importante’. Pelo que vejo, já está abrindo os olhos. Bem vinda de retorno ao mundo dos vivos, ‘Bela Adormecida’. Até mais, meu irmão mais velho.”

-Ma … cof… teus ? Disse tossindo, Hélio.  Seus pais já estavam ao seu lado. O filho por pouco não falecera. Um acidente terrível. Fora atropelado por um carro conduzido por um motorista embriagado. Mas, devido a um milagre, ele sobrevivera, contrariando todas as previsões dos médicos.

-Não, filho, somos nós: seu pai, sua mãe e seu irmão Alex.

– Nossa, eu juro que pensei ter ouvido a voz do Mateus. Disse com dificuldade o enfermo.

-Impossível, cara. Mateus morreu há mais de dois anos. Ele faleceu devido a um câncer. Não se lembra? Não vai dizer que você foi para o outro lado e ele mandou-lhe de volta? Zombou Alex.

-Não sei. Mas penso que ele estava comigo. Senti a presença dele. Não sei como explicar. Disse quase num sussurro Hélio.

-E se tiver sido mesmo seu irmão? Quem pode dizer que não seja verdade?

-Mãe, não vai dizer que acredita nessas coisas?

-Sua mãe está certa, Alex. Quem sabe Mateus não nos devolveu Hélio são e salvo? Respondeu Rubens, o pai dos dois garotos, outrora pai de três. Antes de um câncer ter levado seu caçula.

-Eu sei que senti a presença dele. Mas… Não me recordo do que ele dizia. Sibilou, ainda, Hélio, antes de ser repreendido pela enfermeira que entrou para aplicar-lhe a medicação:

-Chega de emoções por hoje. Você é forte, mas não é dois. Hora de descansar. Você tem a vida inteira para explicar como sobreviveu a um acidente tão grave.

-A Silvia está chegando, ela teve um mau-pressentimento e telefonou lá para casa. Estranho, não é? Tanto quanto a inexplicável presença do Mateus. Bem, não quero provocar discussões. É melhor descansar. Não vai querer estar com essa cara quando a Silvia chegar. Vou ficar aqui ao seu lado, mano. Não se preocupe. Segure a minha mão… Disse Alex antes do irmão acidentado adormecer.

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A mudança que queremos no mundo

Giordana Bonifácio

O que me dizem agora? Há esperança quando não nos permitem ser livres? Quando não é lícito dizer o que pensamos? Repúblicas outrora comunistas, ou, para sempre, comunistas, que deturparam as ideias de Lenin e Marx, forçam a manutenção de um status quo impossível. Não entendem que não mais se enquadram na sociedade atual quaisquer formas de ditaduras.  Hoje, o homem sabe muito bem o valor de sua liberdade. Será que podemos gritar nossa indignação? Se governos arrogantes reprimem violentamente as manifestações populares?  Somos amordaçados pelo medo. Pelas normas hipócritas criadas em favor de uma elite que já se mantém por tempo demais no poder. Por que não mais se recorda as palavras de Evelyn Beatrice Hall em correspondência trocada com Voltaire, ao defender a liberdade de expressão? “Posso não concordar com nenhuma palavra do que disser, mas lutarei até a morte para que possas dizê-las.” Os mesmos homens que outrora gritavam -“liberdade!” Agora, assumem comportamentos, no mínimo, fascistas. Querem calar o povo que se revolta contra seus governos fadados ao fracasso. Países que se afundam em recessão, inflação e crises políticas cujos governos agem com violência contra seu próprio povo.  Um povo que já não mais aceita a situação vergonhosa de sua vida.  Não mais engole os péssimos serviços de saúde, educação e segurança, muito menos os salários degradantes dos servidores públicos. Como não há outro jeito de se calar o povo, os governantes agem com extrema violência, deturpam suas ideias, apresentam os manifestantes como baderneiros e aprisionam-nos em seu sistema prisional degradante. Ainda têm a “cara-de-pau” de apresentar-se em programas de televisão em apoio às manifestações contra as quais lançaram a força mantenedora do poder, ou seja, a polícia, para reprimir os que ainda têm coragem de gritar. A imprensa hipócrita e vendida não apresenta os fatos com imparcialidade. Ao contrário, se une aos governantes a fim de continuarem a receber espúrios benefícios.  Assim, retratam os revoltosos da forma que demandam os governos. Parece que uma rede de corrupção se instalou em todas as camadas do Estado e não existe mais como expurgá-las do país.

As pessoas têm medo e se calam. Olham com desprezo quem se inflama. Porque não lhes possui a coragem. Porque não vão enfrentar algo que lhes é tão superior. Parece uma realidade extraída diretamente da obra de George Orwel.  Em 1984, o governo totalitário suprime todas as manifestações contra sua hegemonia. O povo, no livro, vivia atemorizado por um Estado desumano. Hoje, exploram o Big Brother como um ícone pop e não dão o devido valor que o escritor queria passar com sua obra. Estamos vivendo isto no mundo. Até mesmo as nações que se diziam democráticas não asseguram a possibilidade de discordar de suas ideias ao povo. Assassinam, prendem, ferem, torturam e matam. Os bandidos, meus caros, não estão nas prisões, mas nos altos escalões do governo. O Brasil é um país mergulhado e falcatruas e negociatas. Mas não é diferente em outros países emergentes que adotaram governos de esquerda. Contudo, li na internet que a corrupção no Brasil é ambidestra, tanto os ditos governos de esquerda, quanto os que são comumente ditos de direita (principalmente pelos que se dizem de esquerda) estão afundados na lama abjeta da corrupção. Não se diferem em nada. Por isso, faço uso a definição tão corriqueira na deposta monarquia brasileira, com algumas adaptações: “nada mais direita do que a esquerda no poder”. Como discernir entre o bem e o mal se ambos são o mesmo? Quem está no poder faz uso das mesmas armas do antigo governante para continuar no poder. Querem suprimir direitos para evitar manifestações na Copa do Mundo. A Copa dos desvios bilionários, pagas a custas do povo brasileiro que nada usufruirá das benesses que tanto alardearam os meios de comunicação. Os turistas, meus caros, não virão. Quem se inseriria numa situação de calamidade pública como o é a nossa segurança nacional? Ou melhor, a falta dela! Não há segurança! É muito raro não existir um brasileiro que já não fora assaltado. Sem falar nos demais crimes que assustam o turista estrangeiro que somem de nossas praias paradisíacas. Uma modalidade de assalto realizado com extrema violência é o apelidado sequestro relâmpago, que, com certeza, vitimizaria milhares de estrangeiros que aportassem em terreno tupiniquim.

Por isso, essa Copa tem como alvo tão somente os brasileiros, que, além de ter de pagar para construir estádios bilionários (vide Estádio Mané Garrincha em Brasília), é obrigado a pagar um pequena fortuna para assistir aos jogos do Brasil. Além do fato de que, em função da aproximação da Copa, os preços de todos serviços e produtos no Brasil terem sofrido uma alta alarmante. Assisto, nos noticiários, ao governo da Venezuela que tenta a todo custo reprimir uma população que não mais quer ser enganada. Confesso estar profundamente preocupada com as realidades tão próximas vividas aqui no Brasil e na Venezuela. Muitas nações Sul-Americanas estão sofrendo com as mentiras do governo e as formas inescrupulosas de ir contra os princípios básicos de democracia e liberdade. Parece-me que estamos seguindo contra a corrente, que por mais que nos esforcemos, jamais será possível vencê-los. Será que estamos fadados à regressão histórica? O que foi conquistado com tanta dificuldade pelas sociedades está sendo extinto justamente pelo uso da força? Assisti, estupefata,  às cantoras do grupo Pussy Riot na Rússia serem chicoteadas em frente às câmeras porque protestavam contra o governo Putin. O que mais me espantou foi que ninguém se inflamou e tentou ajudá-las. Será que todos vamos aceitar passivamente tal repugnante abuso da força? O governo dos Estados Unidos faz uso de sua tecnologia para espionar o mundo e nada é feito a respeito. Vamos ficar calados? Será que a privacidade e a liberdade devem ser submetidas aos interesses inescrupulosos dos governantes? O que aconteceu com o povo que agora engole tudo com tanta facilidade? Por que temos tanto medo? Ou será que não mais pensamos coletivamente? Acho que esta seria a resposta mais provável.  O homem está cada vez mais egoísta e individualista. Foi-se o tempo em que se importava com o bem-estar coletivo. Está desiludido com a política.

É que foram tantos vexames, tantos casos repugnantes de corrupção que já não confiamos em ninguém mais. Agora a imprensa alardeia que os denominados Black Blocks estão sendo financiados por uma fonte secreta. E se esta fonte for o próprio governo que tenta desmoralizar as manifestações, que deveriam ser pacíficas, da população? E outra pergunta que faço, (desculpem-me por tantas questões), é: será que devemos ainda ser pacíficos? Não estou tentando pregar a violência, na verdade, estou tão revoltada, que já creio que fomos pacíficos por tempo demais. Agora é a hora de sermos fortes. Vamos ser um povo, o povo que outrora não se abstinha frente às injustiças. O povo que não deixaria um dos seus ser chicoteado sem nada fazer.  Por que, agora, os que se diziam membros do povo, uniram-se a perversa elite. Já é hora de mudar. Vamos ser o que não fomos por todos os anos que aceitamos os fatos em silêncio. Não há mais espaço para estes traidores da nação no poder! Mesmo que seja necessário usar da força, mesmo que nossas vaias sejam ainda muito pouco, mesmo que votar nulo seja um esforço em vão, mesmo que o sangue dos inocentes escorra por nossas esquinas, mesmo que gritar seja inócuo, temos de fazer algo! É insustentável que num país de abismos sociais como o Brasil, sejam utilizados bilhões em investimentos públicos na construção de estádios. Não é correto construir um porto em Cuba quando os nossos estão totalmente sucateados. Não é cabível contratar médicos em regime de semiescravidão a fim de transferir recursos a uma ditadura cruel como é a cubana. Está mais que na hora de fazermos algo. Não podemos simplesmente esperar por mudanças que nunca ocorrem. “Nós somos a mudança que queremos ver no mundo”. Vamos mudar Brasil, vamos mudar mundo!  (Desculpe-me Gandhi por utilizar seu discurso pacifista para impelir o povo à revolta).

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A hora mais escura

Giordana Bonifácio

 Eu conheci muitas pessoas. Andei bem próximo de gente muito importante. Mas, também, acompanho os mais humildes. Visito-os todos de forma inusitada. Mas, antes, procuro conhecer-lhes perfeitamente. Não para julgá-los, pois esta não é minha função, mas para entendê-los. Os seres humanos são a poeira mais complexa do universo. Nunca conheci uma civilização que portasse tantas fantasias. Desejos, sonhos, quimeras… Chamem como quiser. Gosto de tornar-me íntimo deles. Vou perscrutando aos poucos suas vidas tão insignificantes, mas, ainda assim, tão, tão importantes… Acho incrível serem dotados de inteligência, porém, cometerem tantos erros. Muitas vezes, porque ousam ir além. Além das portas fechadas do medo. Seguem confiantes, mas, então, encontram a mim. É meio decepcionante, confesso. Eles pensam que sou bem mais terrível do que sou realmente. O que para muitos é um alívio, para outros já é motivo de descontentamento. Paciência, não se pode agradar a todos. A culpa nem é minha. Eles que imaginam sobremaneira. Desenham o desconhecido com as piores feições. Não sei ainda se são tolos, talvez sejam apenas fracos. Temem o que lhes é estranho. Segregam-se uns aos outros por possuírem culturas, religiões e ideias diferentes. Esse estúpido temor logo se transforma em irracionalidade e violência. Sempre me perguntei o porquê.  São razões tão pequenas para discriminar, ferir e até, mesmo, matar. Esses humanos, somente após muitos milênios, baniram a escravidão de seus costumes. Antes, era usual tratar seus iguais como mercadoria. Seres inferiorizados pela cor de sua cútis. Fiquei muito tempo tentando entender a lógica do regime escravocrata. Jamais o consegui, todavia. Como seres que se gabam por sua racionalidade, são levados a seguir a lei da selva? Aquela em que o mais forte submete o mais fraco? Impossível compreender.  Nesses muitos anos, vi evoluções significativas em sua sociedade. Não posso mentir. Eles estão tentando, mas ainda há muito a ser feito.

Guerras absurdas poderiam ser evitadas se tivessem o mínimo de empatia pelos outros de sua espécie. Assisti muitas cenas de pura covardia e de crueldade sem limite. Se tivesse sentimentos, poderia até mesmo chorar com as imagens que me ficaram gravadas na memória. Ainda bem que posso ver sem me posicionar. Minha função, não se atém a julgar. Já disse. “Isto está fora do meu departamento”, como dizem os humanos. Seguro-lhes a mão na hora mais escura, somente. No instante que a maioria deles tenta evitar. A maioria. Outros me procuram desesperadamente. A vida não satisfaz a todo mundo. Talvez, pelo grau de dificuldades que ela envolve. Nem todos têm coragem de lutar. Provavelmente, não o suficiente. Sentiria piedade de sua covardia. Eles tomam minha mão como quem encontra a saída de um intricado labirinto. Os homens são tão frágeis… Por isso, sentem tanto medo. Eu escuto seus pensamentos no último instante, quando nada mais há a ser feito. Pedem-me mais um minuto. Um minuto que não faria qualquer diferença quando estavam vivos, mas que, antes da hora derradeira, significam uma possível despedida… Uma prece… Uma última lágrima… Mas meus horários não podem ser atrasados. Infelizmente. Vejo o desconsolo dos que ficam. Promessas que jamais se cumprirão, amores desfeitos, famílias destruídas… Eis o que lhes resta. Contudo, ninguém sabe os desígnios do universo. Os homens criaram inúmeras religiões para explicar o que está oculto, aquilo que está muito além de sua ciência e sua inteligência. Querem achar consolo. Querem abrigo no momento mais difícil. Estranho não encararem o fim da mesma forma que enxergam o início. Não são coisas distintas, como pensam. Na verdade, são como o prólogo e o epílogo de um mesmo livro. Queria que soubessem que as mesmas razões de se começar a leitura, fomentam o seu fim. Afinal, são as únicas certezas que possuem. Chegam sozinhos na Terra, mas, quando for o momento, terei de acompanhá-los para longe do que, até então, conheciam.

Não sei também para onde os levo. Como disse, “isto está fora de meu departamento”. A curiosidade é uma característica muito singular dos humanos. É uma benção e uma maldição. Não sou um ser dotado dela. Aliás, nem mesmo sei se sou um ser. Mas, voltando aos humanos, eu os admiro sobremaneira. Eles são incríveis, criativos e imaginativos. Inventam histórias, criam máquinas e sonham… Como sonham…  Podem aprimorar ou mesmo destruir o seu mundo. Pena que a maioria das vezes eles usem seu intelecto para devastar seu próprio lar. Esses pequenos são, também, tão suscetíveis ao vício… Querem encontrar consolo em substâncias que somente lhes abreviam a sua, já curta, vida. Quantos não tive de colher do seio das drogas? Alcoólatras, toxicômanos, fumantes… Seguem todos comigo, mais cedo ou mais tarde. Sei que a fuga que buscam é produzida por seu próprio medo. Não se julgam capazes de prosseguir sem a droga. Quisera poder ajudar-lhes a se encontrar. Buscar a força que existe em cada um deles. Acreditem: não existe problema para o qual não haja solução. As coisas foram escritas para acertarem-se, de um modo ou de outro. Não me perguntem como sei disto. Apenas sei. É um dos mistérios da vida. “A roda da fortuna não para de girar”. Li isto num livro. Não gosto da maneira como os homens retratam-me em seus romances. Quisera ser tão poderoso e inexorável como dizem. Sou, na verdade, um simples funcionário, um despachante, mais precisamente. (Perdoem-me o trocadilho). Levo almas de um lado para o outro. Colho-as, conforto-as, levo-as para seu destino. Simples assim.  Não tem nada do glamour com que me descrevem. Eu gosto de estar perto de pessoas. Sou fascinado por suas bibliotecas. Passo horas lendo seus romances e poesias. Sei, por isto, que cada homem que se vai, leva consigo um mundo tão vasto e inexplorado, que desfalca sobremaneira o universo. Não importa se são desvairados ditadores ou miseráveis mendigos que padecem no frio das ruas. Todos são dotados de uma riqueza descomunal. Pena que poucos saibam disto.

Quando me aproximo, geralmente se assustam. Querem tentar escapar. Mas sou um funcionário muito eficiente. Logo se acalmam e posso levá-los definitivamente. Porém, dias antes, já estou investigando suas vidas. Ouço seus sonhos enquanto dormem. Estou tão próximo deles e nem mesmo desconfiam. Sei o momento certo, muitas vezes, um tanto trágico, de colher suas almas. Não lhes imponho o sofrimento, apenas está escrito. Sabe-se lá por que e por quem. Apenas cumpro minha função. Não há serviço de atendimento ao consumidor ou ouvidorias para atender suas reclamações e dúvidas. Eu só cumpro o meu expediente. Sigo o que me foi determinado, tão somente. Não sou dotado da coisa mais fantástica que os homens possuem: sentimentos. Gostaria de sentir a dor que transborda numa lágrima. Queria sentir o amor que impele esses homens a prosseguirem apesar das adversidades. Queria entender sua fé e sua esperança… E a saudade, então?  Não conseguem esquecer jamais os seus entes queridos que partiram comigo. Estão sempre a recordá-los, até o momento de juntarem-se a eles. Mas, antes disto, maldizem-me dolorosamente. Chamam-me de “ceifadora implacável”. Primeiro, dizem-me ser mulher quando na verdade não tenho sexo. Sou como os anjos de suas religiões. Sou tão somente uma força criada para uma missão determinada. Depois, confesso que minha função não é a mais invejável. É bem difícil ter de ser o causador de tanta tristeza. Devo dizer que, se houvesse uma maneira de trocar de repartição, seguir para a seção de nascimentos, seria-me muito mais aprazível. Ocorre que a minha área não está aberta a mudanças. Mas, apesar de tudo, sinto-me bem por estar tão próximo dos seres humanos. Mesmo que não possa, ainda, os entender. Por mais que leia seus livros, que lhes possa ouvir os pensamentos e sonhos, suas mentes são de tal forma complexas, que me é impossível chegar a um veredicto sobre eles. Não são inteiramente maus, nem completamente bons. Têm falhas imperdoáveis e, ao mesmo tempo, virtudes surpreendentes. Quando lhes trago comigo, lamentam-se por não terem feito tudo que desejavam em vida. Eu apenas lhes digo que a morte não é o fim. É apenas um começo de uma nova história, para os que partem e, também, para os que ficam.

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Para-a-Luz

Epifanias

Giordana Bonifácio

Ainda penso muito. Sabe como é, fico deitado olhando o nada e vendo tudo. Assim que exercito o meu poder de compreender o mundo. Mas ainda não sei muita coisa. Falta ainda muito para se entender. Mas confio em mim. A solidão é minha companheira, estamos juntos há décadas. Não sei mais como viver sem ela. Ela auxilia-me nas minhas elucubrações. Sempre passei muito tempo sozinho, gostava de examinar o mundo. É que queria entender o porquê das coisas. Hoje tenho a solução para os mais intricados problemas. Mas ninguém quer ouvir mais minhas respostas. Então as guardo para mim. Algum dia, eu sei que vou usá-las. Não me importa o quanto demore. Sei que chegará o momento de por em prática o conhecimento amealhado com tamanha dificuldade. Eu tenho outro hobby: perco-me nas páginas convidativas de um bom livro. Às vezes escrevo também. Mas são poucos os que se aventuram nas minhas histórias conturbadas. Eu escrevo para ninguém. Eu escrevo para mim. Eu escrevo para achar as respostas que se escondem profundamente no espírito. Não sou muito de acreditar em alma, destino ou qualquer baboseira religiosa… Porém, até que fica bonito citar o espírito como algo interno, uma condição de que o homem não foge. Iria ficar estranho dizer que os sentimentos estão no interior do cérebro. Muito racional, não acha? A gente tem de aceitar o irracional de vez em quando. Ainda durmo muito pouco. É que quero aproveitar o dia o máximo possível, levantar com as galinhas e dormir com as corujas. A vida dói. Mas ninguém quer desfazer-se dela. Estranho, não é? Eu gostaria de mudar muita coisa no mundo, mas isso não me pesa mais. O quê?  Isso tudo: as maledicências da raça humana, as injustiças que recaem invariavelmente sobre mim, a dor que impinge sua força neste corpo frágil de carne e ossos… Não acredito mais na bondade. Deixei de ser ingênuo. Sabe, entendi que as pessoas não pensam nas outras. Vivem isoladas em seu egoísmo. Sei que posso ser melhor, sei que “posso ser a mudança que gostaria de ver no mundo”, mas estou cansado.  A gente desiste de ser o diferencial quando ninguém liga. Ninguém escuta. A gente grita e grita, mas é como se a nossa voz tivesse a força de um simples sibilar.

Gostaria de ser mais forte. Saber-me importante. Contudo, já estou cansado. Não quero mais lutar. Minhas forças faltam-me. Bati muitas vezes contra o muro da incompreensão. Agora quero dedicar-me apenas às minhas epifanias. Minhas revelações internas. Posso dar-me ao luxo de também ser egoísta? Não sou como os outros. Pode acreditar… Eu queria ajudar, mudar o mundo, mas o mundo me enjeitou como um filhote de pássaro que foi lançado fora do ninho. Sofri demais. E não quero mais restar com feridas que não se curam. Antes eu era tolo. Queria demais ser ouvido, queria demais que me percebessem. Mas hoje, sabe, eu desfiz-me de certas ‘querências’ infantis. Não me importo mais. Nem machuca mais. Eu entendi o mundo e entendi a essência dessa vida fajuta que o homem leva por quase cem anos. Agora estou certo que nem espero dos homens e nem eles esperam de mim. Vivo mais feliz. Verdade! A solidão era meu martírio, agora já a considero uma agradável companheira. Eu já disse, as tolices do passado estão enterradas. Meus desejos agora são simples. É, aprendi ser mais humilde. Eu era orgulhoso e minha arrogância feriu-me inúmeras vezes. A gente não acerta sempre. Eu queria estar no comando de todas as minhas ações. Então, descobri que não governo nem a mim mesmo, quanto mais o mundo. Esse planetinha azul é muito grande para minhas pernas tão curtas. Tenho de ir construindo e reconstruindo-me o tempo todo. Gosto de ouvir o silêncio. Não ria. É que sempre restam alguns sons quando estou no quarto vazio. Então fico tentando desvendar de onde viriam. É muito divertido. Você deveria tentar. Minha fome de justiça? Acho que me saciei com o paliativo da justiça: a compreensão. Resignei-me ao exercício do entendimento. Não quero mais que todos pensem como eu penso.  Não posso cobrar que todos tenham a mesma perspectiva que eu tenho. Já estou muito familiarizado com a técnica de “engolir sapos”. O sabor é amargo, mas dá para descer. Meio parecido com jiló. Perdi muito tempo querendo encontrar pessoas que me fossem semelhantes.  Agora estou certo que a mágoa foi-se embora. Nada mais persiste de dolorido. Sei que posso sobreviver sem a dor. E sei que ela ainda me espreita, mas já consigo escapar de suas terríveis garras.

 A minha verdade é que nem sempre a mentira é pior que a verdade. Eu sei que já confiei demais e não deveria ter-me entregado da forma que fiz. A gente tem de se resguardar. Ficar com um pé atrás. Assim não há decepção que fira sobremaneira. Pode até machucar, mas dá para sobreviver. É só catar os cacos do nosso coração e grudar com supercola. Fica como novo. Outro dia ainda, vi uma moça chorando, não lhe perguntei nada, não invadi seu direito de sofrer, apenas estendi-lhe uma flor. Ela aceitou, mas ficou olhando-me de forma esquisita. Acho que não compreendeu que queria ajudar a remendar-lhe o coração. Sabe, ninguém jamais fez algo assim para mim. E eu achei que ela precisava disto, mas creio que me enganei. Tudo bem. Acontece, não é? Há algumas verdades que devem permanecer escondidas. Eu posso guardá-las para sempre. Há muito espaço dentro de mim. Acho que ninguém pode viver sem seus pequenos segredos. Antes, cria ser necessário dizer sempre aquilo que pensamos. E que todos compreenderiam nossos motivos. Todavia, aprendi que nem sempre devemos nos abrir para um mundo míope. É como se fôssemos um livro. Nem todos nos interpretarão como esperamos. É que cada um vê à sua própria maneira. Não podemos condicionar o ser humano. Adestrá-lo feito um cão. O homem é como um animal selvagem, cujo adestramento não retira a selva de si.  É a natureza de cada um. Sou diferente. Tenho noção disso. Por tal razão, sou o avesso dessa sociedade hipócrita. Mas não me zango mais com esta condição. É esta a minha capacidade de não me misturar à massa de sentimentos inumanos. O homem é o animal mais feroz. Perverso, sabe? A raça humana vale-se de sua racionalidade para ferir. Mas agora estou indiferente ao externo. Só o que me é interior importa.

Sei que lhe parece difícil acreditar. Logo eu que gostaria de mudar o mundo para poder inserir-me nele… Hoje estou inserto nesta sociedade, mas compreendo que lhe sou diferente. E nesta solução sou a fase que não se mistura. Um óleo que permanece acima da água, incapaz de aderir a esta por lhe ser totalmente diferente. Sou orgânico. Tenho átomos de carbono em minha composição. O mundo é insípido. E ele trata-me com desprezo. Eu acordei do sonho de reformar os destroços de uma sociedade dizimada. Deixo a homens com mais força do que eu essa difícil tarefa. Sei que pode parecer estranho, mas já não me preocupo com o que pensam sobre mim. Os outros são os outros apenas. Eu sou eu. Eu sou um complexo de sentimentos e desejos que devem permanecer submersos nesse oceano em fúria que é meu coração. Eu prefiro esquecer as dores, os amores, as feridas (apesar delas ainda existirem) e concentrar-me em coisas mais produtivas em minha vida. Tenho tanto ainda para realizar. Eu ainda tenho sonhos. Sei que são um pouco ridículos. Mas são meus. Agora dou mais valor ao que é meu. Ao que eu sou. Ao que ainda tenho a conquistar. Construí um conjunto de metas nesse período que restei isolado nesses quartos brancos. E prefiro estar de volta a massacrante sociedade que permanecer isolado dela.  Permaneço apavorado com alguns desafios, mas estou pronto para enfrentá-los. É que ainda estou aprendendo a vencer. Depois de tantas derrotas, é estranho superar a si mesmo. Eu estou mais consciente do meu papel nessa peça. E sei que faço parte de um elenco estranho, em que nenhum dos atores decorou suas falas, cujas cenas não podem ser refeitas e que não há um diretor para conduzir o espetáculo. Essa é a maldição que nos acompanha. A gente sabe bem disto. Mas ninguém desiste, não é? Eu penso muito nisto. Eu não estou implorando seu consentimento para voltar a viver. Só queria que soubesse destas coisas antes que me libertasse desta concha que faz os sonhos transformarem-se em pérolas. Ainda que aqui permaneça, não pude deixar de falar o que nesta clausura eu aprendi.

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na multidao

O homem na multidão

Giordana Bonifácio

Saindo de casa acendeu um cigarro e trancou o portão. Pensou em como a cidade pulsava fora de si. A cidade vive. Como o monstro criado pelo Dr. Frankenstein. De repente se lança o homem no mundo, então o mundo se torna homem. O homem do tamanho de um planeta inteiro. “Mas, na verdade somos tão pequenos…” Suspirou. E pensando nisso saiu caminhando pelas ruas, repletas de sonhos, cobertas de mágoas. Sentia que sofria, porém não sabia ao certo por que. Não sabia se era a vida que lhe doía como um punhal encravado no peito. Mas viver não mata. Na maioria das vezes não. Sentir é oposto de pensar. A razão é nossa pequena maldição. Gostava de coisas concretas. O silêncio  é  concreto. Duro, pesado e, às vezes, fere. Talvez porque o silêncio é companheiro inseparável da solidão. Por isso, que, quando só, gostava de ouvir música bem alto. Para esconder de si mesmo que a vida pesava mais quando estamos por nossa conta. Queria muito, mas querer apenas é um erro. Os sonhos são ‘querências’ que adormecem em nós. Nesse longo caminhar, ainda consegue ver o que as pessoas escondem de si mesmas. Gostaria ser um mágico para tirar desilusões da cartola. Lenços coloridos que saem sem fim do nosso peito. “O nosso coração suporta muita coisa.” Suspirou. Às vezes, precisamos ficar quietos para ouvir nós mesmos. “O que eu sou?”  Ele ainda se questiona sem resposta. Não nos conhecemos tão bem quanto imaginamos. Queria encontrar um espelho que mostrasse mais que seu próprio reflexo. Pois não nos queremos ver refletidos, queremos nos ver desvendados. Somos a icógnita da criação. Um grupo de macacos privilegiados com a razão. Mas nem sempre somos racionais. Somos estúpidos, horda de loucos que destroem tudo ao seu redor. Queremos ser livres, mas nos submetemos a um governo porque tememos a nossa própria espécie. Viver é um perigo mortal. Respirar nos mata lentamente. Podemos apressar ou atrasar o processo. Depende da nossa própria vontade. A vontade é nosso livre arbítrio. Podemos escolher. Mas só a experiência nos ensina quais caminhos tomar.

A multidão seguia a correnteza das ruas. Ele enfrentava a força das águas puxando-lhe não se sabe para onde. Se ele deixasse-se levar, aonde chegaria? O corpo é um máquina perigosa e frágil. É necessário sabermos como usá-la, contudo, ela não vem com nenhum manual. Somos lançados na vida à nossa própria sorte. Sem salva-vidas num mar em tormenta. Náufragos desesperados numa luta sem fim contra nós mesmos. Ainda há possibilidade de salvação? Talvez. Pelo menos é o que asseveram as várias religiões disseminadas pelo mundo. Mas, não há certeza absoluta disso. Isso é o que chamam de fé. Ele pensa que certas coisas são um tanto estúpidas, mas no fim das contas é bom acreditar que algo vai nos salvar quando estivermos à morte. Ele ainda tenta caminhar contra o curso das pessoas. Vozes soam desconexas, algumas contam histórias engraçadas, outras reclamam da vida ou falam de futebol. Por que não lhe viam? Seria ele invisível ao mundo? Pareciam ignorar-lhe por completo. Ele sempre contra o fluxo. Contra o mundo. Contra a dor de ser mesmo quando se é. Entretanto, não se quer ser. A vontade conta muito. Mas não é tudo. Ele sabe disso. As pessoas também, todos o sabem. Todavia, ele ainda crê que pode vencer a força inexpugnável da multidão. Ele versus o mundo. Ele com seu óculos quadrados, sua barba por fazer e suas milhares de teorias. Na prática, não contam muito. Afinal, por mais que cultivasse ideias, elas não tinham o poder de debelar a multidão insensata. A multidão que pulsa, que vive e não pode ser vencida. E se ele seguisse a favor da corrente e fosse absorvido por esse corpo de múltiplos corpos, que segue comandado pelas antenas de tevê? Quem poderia culpá-lo por desistir? Saíra de casa com tantas certezas e agora, já absorto pela multidão, vê-se com tantas dúvidas e não entende por que agora começa a pensar como aqueles que lhe cercam. Um sentimento conjunto de pertença. Como se fosse assimilado pela massa. Agora ele era massa. Ele sentia como todos. Tinha time de futebol, torcia pela mocinha da novela e conversava sobre o último reality show.

Jogou todas suas teorias no lixo. Nada mais de ser contra o mundo. Ser como o mundo, ser o mundo, é muito mais fácil. Sem o silêncio aterrorizante da solidão. Sem a autenticidade massacrante de sua individualidade. Agora a multidão o absorve. Ele pensa como o mundo a sua volta. Veste-se como todos. Não precisa mais pensar como um só. Agora ele é como todos. O mundo o percebe agora. O mais estranho é que não mais diverge da monotônica multidão. Como, só agora que se assemelha a todos, conseguem vê-lo? Por que era ignorado até então? Acreditava que poderia manter-se só quando nenhum homem é uma ilha. Ele foi derrotado pela vontade geral. E nossa vontade não é o bastante. Deve-se desejar como todos. Desejar ser, quando não mais se é. Desejar ter quando tudo se tem. Agora, veste-se em tons de cinza. Faz a barba. Gosta de músicas com letras fáceis e cuja melodia leva a dança. Por que ser um só quando se pode ser muitos? “Ainda há tempo?” Foi seu derradeiro pensamento como ser individual. Permitiu-se sua derradeira teoria: “seria mais feliz se pudesse entender completamente a vida”. Mas nada sabemos de nós. Nada sabemos do mundo. Somos uma pequena particula de poeira no universo. E fora de nós há o infinito que se alimenta de nossa fé. Vamos rezar para conseguirmos ser acolhidos em morte. Vamos imaginar que o futuro é uma promesssa quando, na verdade, é nosso infortúnio. Ele faz parte do todo. Ele é o todo. Caminha sem destino, ao sabor das correntes. Levado de um lado para outro. Sentia saudades de suas teorias, mas já se conformara em pensar em grupo. Não tinha medo, mas aceitava um governo que manipulava as massas com esmolas. “Não deveria ser assim”, ainda se ressente. Mas aceita o assistencialismo como modo de calar seus anseios. Por que querer ser diferente? Ele agora é um como todos, não um só. Um na multidão acolhedora. Um que não mais pensa por si. Ele era milhões. Ele era. Foi alguém que se poderia ouvir. Mas desistiu de si.

E quando saiu pela manhã ainda imbuído da coragem de vencer o poder da unanimidade, não teria imaginado que se deixaria derrotar pelo mundo. Sem a mágica da cartola que faz surgir respostas quando todos duvidam. Nesse jogo de cartas marcadas, sabe que não mais será discriminado por suas ideias. Não mais. Já que agora está integrado ao sistema. Deixou-se debelar pela potente massa de pensamentos homogêneos. Nada mais pode extrair-se do homem que foi. Com a multidão, foi sendo levado diretamente contra seus antigos ideais. E, como Pedro, negou três vezes sua antiga solidão. Ainda conseguia visulizar a dor que sentia. Mas agora está mais feliz, anestesiado pela morfina da ignorância. Assiste televisão, sem discordar da voz sonora do âncora do jornal. Não mais consegue se ver, agora só enxerga a massa. Um por todos, mas não todos por um. A dor agora é passado. Ela vive no passado como todas as mágoas. Ele perdeu a memória ou só quer esquecer as lembranças? Chegou em casa, apagou o cigarro. O vazio dizia-lhe um tanto de coisas que não queria ouvir. Preferia ignorar o chamado de sua solidão. Ligou o rádio para ouvir a música curar-lhe as feridas. Ainda lhe restam várias no espírito. Seria uma recaída? Será que ainda pode pensar por si, sem o auxílio da televisão que nos venda os olhos?  Sentiu as lágrimas escorrerem-lhe pela face. E a fé? Será que ela poderia responder porque ele ainda se sentia tão triste? E ainda havia medo. Ainda havia dor. Esquecer de si mesmo não cicatriza as feridas que perseveravam a latejar-lhe no espírito.

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De luto

Giordana Bonifácio

O mundo acordou de luto esta manhã de abril.

O homem que amava a vida como a uma dádiva,

Sem adeus ou uma simples lágrima furtiva,

Padecendo de dores e de um corpo febril,

 

Sob o abrigo da sombra de um salgueiro, partiu.

Ninguém sequer se deu conta daquela morte.

Um senhor não tropeçou no corpo por sorte.

Na sociedade, aquela morte nada sortiu.

 

Quem conhecia aquele homem, agora sem vida?

Se tinha sonhos, ninguém nunca mais saberia.

Como ele não sabia esta manhã que morreria.

 

O corpo sob a sombra teve boa acolhida.

Ficou quieto esperando chegar o meio dia.

E nem um lençol, para a morte cobrir, pedia.

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Natal de Cristo

Giordana Bonifácio

Quando o sino anunciar o grande nascimento,

E os anjos cobrirem de glória este evento,

Vamos festejar mais uma vez a esperança,

Que veio ao mundo no corpo de uma frágil criança.

 

Vamos entregar nossas almas a um Salvador

Cujo amor por nós, homens, triunfou contra a dor.

Nesse Natal, que tal renovar a promessa,

De, não importa a dor porque nossa alma atravessa,

 

Seguir o que dizia um humilde carpinteiro,

Cujo poder e glória salvou o mundo inteiro?

Vamos aceitar seus sábios ensinamentos,

 

Pois somente Ele pode afastar os tormentos.

Nesse Natal, ao cear, lembre-se de agradecer,

Porque só Jesus, por nós, preferiu padecer.

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Cada homem é seu próprio refúgio

 Giordana Bonifácio

O homem deve ser para si como um  refúgio.

Não há como usar do antigo e gasto subterfúgio,

Que nós estamos presos e não há como escapar.

Temos de nos libertar para à dor solapar.

 

A iluminação é a nossa constate procura.

Temos de encontrar para os apegos a cura.

O homem deve se livrar daquilo que o prende.

Pois só o mundo cheio de desejos a este ofende.

 

Livrando-nos dos vícios que aqui nos retêm.

Irradiaremos toda luz que os seres têm.

Porque somos somente luz em movimento.

 

Somos seres que mudam a todo momento.

Espero também seguir esta bela lição.

E conseguir, por fim, da vil dor, a abolição.

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 A verdade sobre o homem

Giordana Bonofácio

A verdade dói, mas a ouvir é necessário.

Pois não é possível viver na ignorância.

E quando for o tempo do nosso inventário,

Do produto de nossa terrível ganância ,

 

Toda a verdade que escondemos virá à tona.

E não haverá clemência neste horrível fim.

E por nossa alma só chorará a boa Madona.

Penas terríveis já a nossa alma esperam enfim.

 

Espadas flamejantes cairão sobre nós.

A verdade vai se tornar muito sólida

Sei que já estamos, nesta realidade, sós.

 

Pois mentimos a nossa vida para o mundo.

Enganamo-nos que não existirá partida .

E que somos bons, mesmo que bem lá no fundo.

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