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Anima mea

Giordana Bonifácio

Ó anima mea, ó pura alma tão ferida,

Ó meu refúgio, ó abrigo derradeiro,

Luz que faz de mim um homem inteiro,

Força divina que me dá acolhida,

 

Templo da fé que anima minha vida,

Faça de mim um simples mensageiro.

Ilumina este tão denso nevoeiro,

Da amarga dor advinda da dúvida.

 

Ó esperança vã, por que ainda me alagas?

Sentes falta da mão que te afaga?

Ainda sinto no peito toda a mágoa

 

De um passado que já não posso esquecer.

Faça em mim um novo dia amanhecer,

O qual me deixe os olhos rasos de água.

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Brasil, a terra das oportunidades.

Giordana Bonifácio

-Francisco! Gritou o homem de trajes simples, com um sorriso nos lábios, com um ar bonachão de alguém que não tinha nada a perder na vida. Talvez, porque ele não tinha nada realmente. Vivia de pequenos golpes e sua fama o precedia. Não havia mais em todo Portugal quem caísse em suas frequentes tramoias. Em razão disso, havia emagrecido muito, como não tinha dinheiro nem mesmo para comprar um cinto, usava uma corda amarrada na cintura para segurar as calças muito mais largas que seu corpo franzino. Passando as mãos sobre os cabelos, tentando inutilmente organizá-los, aproximou-se do homem que por suas feições não estava muito feliz em ver o amigo.

– Já sei o que queres Luís, mas não tenho dinheiro, não posso ajudar-te. Antecipou Francisco Artur Nóbrega, que vendia frutas no centro da Cidade do Porto. O ambulante apesar de constantemente reclamar do assédio do amigo, sempre o ajudava de alguma forma, nem que fosse com uma fruta fresca que acabava por ser a única refeição que Luís Veloso teria no dia. Ao contrário do amigo, Francisco era gordo e usava uma barba espessa e negra. Era um homem rude, mas muito bom. Provavelmente, o único a se apiedar das condições de vida de seu amigo.

-Assim tu insultas-me, meu amigo. Como se apenas te procurasse em busca de dinheiro. Retrucou Luís caprichando na representação de homem ofendido. – Pois saibas que não estou aqui para pedir-te dinheiro.

-Graças a Deus, pois a última quantia que me pediste, tu não ma pagaste ainda. Respondeu Francisco organizando as frutas sobre um estrado de madeira.

– Eu vim aqui para avisar-te de um bom negócio, um negócio da China como se diz. Pegou uma maçã vermelha do estrado e desferiu-lhe uma mordida.

– Não caio em teus golpes Luís, admira-me que tentes engabelar-me com tuas falcatruas. Logo eu, que tento auxiliar-te de todos os meios possíveis.

– Francisco, é justamente em razão de tua valorosa amizade que venho dar-te esta notícia: estão recrutando homens destemidos para comporem a tripulação de uma caravela com destino ao Brasil. Dizem que é fortuna certa, quem vai para a colônia volta rico! Além de, é claro, as índias serem muito afetuosas com os navegantes que aportam nas praias brasileiras. E estou convidando-te para embarcar comigo nesta aventura, pois sei de seu espírito intrépido e que não deixarias de aproveitar semelhante negócio!

– Luís, tu és louco? Sou casado! Como abandonaria minha esposa e filhos aqui em Portugal e seguiria com a cara e a coragem para o Brasil?

 -Imagina as oportunidades! Riquezas naturais e minerais. Especiarias e ouro! Tanto dinheiro que nunca mais terás de trabalhar!

-E quem cuidará de minha família aqui, ó gajo?

-É, tens razão, mas eu irei hoje mesmo. Como não tenho vínculos que me prendam na Europa, embarcarei nesta viagem rumo ao meu futuro. Mas não temas, quando voltar não me esquecerei do teu precioso auxílio.

– Boa viagem então, meu amigo. Aguardo-te rico nestas paragens. E quando retornares, não te esqueça de mim.

 Naquela tarde, a caravela seguia para o Brasil. Em poucos dias, Luís descobriria que a viagem não era tão rosa como faziam crer seus sonhos. Era, na verdade, mais semelhante a um terrível pesadelo. Muitos homens morreram de botulismo antes de chegar à colônia. Além das tempestades aterradoras que ameaçavam constantemente o futuro desejado por Luís. Outro fato preocupante era o racionamento de comida que conseguiu deixar ainda mais mirrado o corpo deste valente Português. Seguiram-se assim os meses em que se desenrolou a viagem. Sob tais condições adversas, nosso herói quase passa dessa para melhor antes de fazer fortuna em terras brasileiras. Quando o imediato anunciou aos gritos: “atenção marinheiros: terra à vista!” Ele ajoelhou-se e agradeceu à divina providência a graça alcançada. Havia prometido doar boa parte de sua futura fortuna a igreja de Nossa Senhora de Lourdes, caso chegasse vivo ao Brasil.

Quando aportou na colônia, foi recebido por um grupo de índios educados no português pelos jesuítas. A beleza das nativas deixou o nosso explorador entusiasmado e cheio de expectativas para o que lhe aguardava no futuro na colônia portuguesa das Américas.

No primeiro dia, conheceu um pajé que vendia baratinho umas ervas que ajudavam a relaxar. “É tudo natural”. Garantia o velho índio. Mas o preço que cobrava por seus “produtos” milagrosos era bastante salgado. E ele que pensava que bastava somente oferecer espelhinhos e outras bujingangas aos nativos em troca de seus préstimos, foi surpreendido pelo nascente comércio na antiga Terra de Santa Cruz. Como não tinha dinheiro, nem mesmo para alimentar-se e não poderia contar com o auxílio de seu amigo Francisco, Luís Veloso, que jamais trabalhara em Portugal, teve de procurar uma ocupação no Brasil. Primeiro, tentou auxiliar os jesuítas na educação dos índios. Aproximou-se de Anxieta, jesuíta muito famoso no Brasil. Disse-lhe que tinha muita didática que era mestre na cidade do Porto e que nada lhe alegraria mais que trazer luz à escuridão da ignorância e do pecado em que viviam os nativos. Foi contratado. Na primeira semana já se engraçou com uma bela indígena a quem deveria ensinar o caminho da religião e dos bons costumes. Na verdade, ela que lhe ensinou mil formas de pecar que ele ainda não conhecia. Foi expulso da congregação.

Mas não ficou abandonado, a sua preceptora em assuntos da carne, levou-o consigo a tribo. De início, foi bem educado nos costumes das nativas, para as quais não existiam as questões morais que tanto atormentam as mulheres européias. Poderia usufruir das mais belas índias da tribo, pois não praticavam o enfadonho celibato entre eles. Os índios aceitaram-no entre os seus, mas logo o cacique lhe determinou: “teria de caçar e pescar como os outros homens”.

Tomado de uma terrível preguiça, resolveu “ajudar” a tribo de outras maneiras. Pois cria ser mais rentável e menos trabalhoso comerciar as especiarias locais, do que gastar suor de sol a sol em busca de alimento. Seu lema era: “deixe que o alimento venha até você”. Na verdade, ele seria um interceptador, faria a ligação entre a tribo e os portugueses. E, claro, recebia por fora uma bela comissão pelos produtos vendidos. Luís Veloso inaugurou a prática do caixa dois no Brasil. Uma herança feliz para os futuros políticos de nosso país. Luís conseguiu, desta forma, amealhar uma grande fortuna. Em pouco tempo já era denominado de Doutor Luís, título que angariou sem jamais ter estado nos bancos de uma universidade. Senhor do comércio entre Portugal e a colônia, foi agraciado com uma profícua sesmaria. Anos depois de sua chegada ao Brasil, já possuidor de grande fama em Portugal, resolveu passar algum tempo na Europa, a fim de selecionar uma esposa. Pois, um homem de posses como ele, não poderia ter seu bom nome ligado a nativas. Sua estada em sua terra natal seria curta, haja vista os negócios demandarem muito sua atenção. Passeando pelas ruas do Porto com sua pretendente, a herdeira do Duque da Cornuália, deparou-se com o seu amigo Francisco, que há longa data tanto lhe ajudou. Lembrou-se de todas as benesses que seu amigo havia lhe promovido, bem como da antiga promessa que lhe havia feito, de quando da sua volta, já um homem de posses, não se esquecer de ajudá-lo a vencer na vida. Emocionou-se ao lembrar-se de seu antigo corpo mirrado, exaurido de forças e sempre faminto. Muito diferente do homem corpulento que agora era. Suas roupas também mudaram bastante, vestia tecidos finos e bem acabados, que contrastavam com os trapos que no passado usava. Pensando em tudo que conquistara mediante seu trabalho árduo na colônia, chegou à conclusão que havia crescido por mérito próprio e que tudo que hoje possuía seria seu mesmo sem o pequeno auxílio do antigo amigo Não querendo ser reconhecido por seu passado, pois ficaria muito embaraçado de ser lembrado por sua vida anterior de pequenos golpes, cruzou a rua com a dama que lhe acompanhava.

-Mas, por que cruzaste a rua? Perguntou a linda dama, que trajava um dos mais belos vestidos da Europa. Com tal delicada voz que acentuava seu caráter de gente que nunca teve necessidade de gritar para ter seus direitos reconhecidos.

-Não fica bem uma dama da vossa estirpe cruzar com ignóbeis ambulantes. Esse tipo de gente não presta, está sempre tentando passar pessoas de nossa estirpe para trás.

No mês seguinte, Luís Veloso retornava ao Brasil levando consigo a sua jovem esposa e o título de nobreza de marquês da Cidade do Porto. Deixando várias promessas perdidas no caminho. Entre elas, aquela que havia feito à divina providência de doar boa parte de sua fortuna à Igreja de Nossa Senhora de Lourdes caso chegasse vivo ao Brasil em sua turbulenta viagem para o futuro. O estranho, que não importa quanto tempo os separe, o futuro sempre repete o passado. O Brasil de ontem e o de hoje pouco se diferem: ainda é uma terra de oportunidades para aqueles que buscam vantagens por vias escusas e não querem valer-se de um trabalho justo para ascender socialmente. Seria este o nosso fim?

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A suavidade do forte

Giordana Bonifácio

Presenciei hoje uma cena muito vergonhosa:

Um rude homem a um pobre mendigo humilhava.

Isto porque o mendigo protegia uma rosa,

Do homem brutal que seu ódio vociferava.

 

 

Quando vejo a dor destes pobres massacrados,

Penso que no mundo há várias iniquidades.

Porém, na cena o mais forte era o maltratado,

Pois, só aos fortes é dado agir com suavidade.

 

Muito sofreu, mas protegeu sua sagrada flor.

E sob intensas vaias dos que assistiam a tudo,

O homem grosseiro partiu cheio de muito rancor.

 

Não é a posição social que o caráter define.

Mas o coração que para o corpo é um escudo.

Pois nem sempre os bons estão numa limusine.

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Absolvição

Giordana Bonifácio

Vida e morte, esta o final, aquela, o começo.

A doença e a dor são da vida apenas um tropeço.

Enquanto  nosso frágil corpo enfermo pena.

A iniquidade a nosso espírito condena.

 

Em vida já iniciamos a espiar nossas faltas.

Só que o perdão e a remissão são dádivas altas.

Muito é preciso para ter nossa absolvição.

Sobretudo quando é mais fácil cair em perdição.

 

O homem é uma ilha num oceano de maldade.

E às vezes a ressaca violenta a praia invade.

A alma pura também está ao erro suscetível.

 

Sei que este meu discurso não é de todo crível.

Pois  nociva é a descrença que à razão envenena.

Contudo, tudo pode a alma que não é pequena.

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A morte do lavrador

Giordana Bonifácio

Desde a juventude à terra esteve ligado.

Com o cantar do galo, acordava bem cedo,

E do trabalho duro nunca teve medo.

Era um garoto forte e muito esforçado.

 

Porém, chegou a velhice e não teve piedade.

O homem cujas mãos o trabalho denotavam,

Bastante calejadas, pela vida oravam.

Mas é chegada a morte foi-se a mocidade.

 

O lavrador que da enxada não se separava.

Juntou-se à terra a que dedicou sua existência.

Num profundo suspiro, o homem que a terra arava,

 

A quem a doença não alcançava com frequência,

Disse adeus. Agraciado com uma rasa cova,

No fim, do tempo voraz não obteve clemência.

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A coroa do rei

Giordana Bonifácio

Quem pode portar a coroa do rei? Aquele cuja formação é um destaque ou aquele que muito tempo está sob as capas da nobreza? O homem que anos a fio estudou e possui o conteúdo necessário para portar a coroa é sempre desprestigiado em favor do que pode socorrer-se dos louros que um bom padrinho pode fornecer. A história do Brasil é escrita por homens que não tinham a competência para ocupar o trono.  A formação é colocada em cheque quando observamos o nepotismo nas altas esferas do governo. E aí? Você que passou muitas noites em claro se preparando para uma prova importante, acha justo receber três vezes menos que alguém cujo único mérito é ser parente de um deputado? O que fazer quando nem mesmo o rei queimou as pestanas por semanas sobre um livro? No Brasil, possuir um curso superior é algo repudiado. Logo surgem os comentários: “pertence à elite”, “filhinho de papai”, “burguês”. Mas não reconhecem a carga teórica que aquela pessoa possui. Ainda, nas empresas, principalmente as públicas, um bom “peixe”, pode fazer você subir muito rápido na escala hierárquica. Esse é o país cujo conhecimento é desvalorizado em lugar de um jogo de amizades e interesses muito diverso do que deveria em verdade servir de base para a ascensão profissional.

Enquanto muitos sofrem por anos para passar nos vestibulares, outros não se submetem sequer a essa difícil fase na vida de todos os jovens. Mas nem por isso, são menos cotados para os empregos que deveriam ser ocupados por aqueles que passaram boa parte da vida se preparando para o mercado de trabalho. São tantos cargos em comissão que fica difícil ascender a um emprego público. Até mesmo os concursos, ditos idôneos, são armas nas mãos dos poderosos para contratar de forma “legal” seus comparsas. A fraude atinge toda a esfera do governo.  Por isso é tão difícil para os “concurseiros”, também, alcançarem a tão sonhada aprovação. Acontece que, esse país, que sonha ser a sexta economia do mundo, é tão somente o país mais corrupto da humanidade. Os crimes que nossos governantes cometem fazem tremer a população. Além de ser óbvio que, aqueles que elegemos não possuírem o gabarito para ocupar a cadeira que lhes conferimos no nosso congresso. O caso mais grave foi o de um palhaço que, com piadas infames, conseguiu conquistar o voto de milhares de brasileiros enganados pela pantomima. E que, devido ao voto proporcional, conseguiu levar vários de seus companheiros de partido para o congresso. O mais terrível disso tudo é que acabamos por não escolher nossos representantes. Na verdade, a mesma massa de corruptos se mantém no poder por tempo demais. É esse o problema que surge quando a coroa está na cabeça daqueles que não possuem competência para usá-la.

 Mas o que se fazer de um país onde a negociata foi a base de toda política deste o império? O problema é que isso afeta nossa população bem mais que ela pode imaginar. Os nossos congressistas possuem vencimentos de R$ 27.000,00, além de 14º e 15º salários, enquanto isso, os professores de nível superior passam uma vida inteira de estudos para atingir um Pós-doutorado e provimentos de R$ 11.500,00. Isso é justo? Digam-me: é justo os mestres que auxiliam no crescimento de nossos filhos receberem salários tão diminutos? Uma vez me contaram que um grande jurista, porém professor, não possuía sequer um carro para locomover-se. Quero saber: isso é certo? As multinacionais, que invadiram o mercado brasileiro, “importaram” seus funcionários.  O congresso nada fez com relação a isso. Permitiram que estas empresas entrassem em nosso país, mas não para gerar empregos para os brasileiros. Não, a nós, apenas restam os subempregos. Porque o dinheiro amordaça os donos da coroa. São tantas falcatruas em que estão envolvidos que não é impossível encontrar nenhum de nossos políticos que não tenha o rabo preso com algum empresário ou bicheiro. É para esse tipo de gente que estamos perdendo nossos postos de trabalho. Estamos aqui recebendo salários desprezíveis enquanto eles esbanjam o dinheiro de nossos impostos em luxos. E o mais absurdo de tudo isso é que os nossos políticos não se satisfazem com pouco. Eles empregam toda sua família em casos de escandaloso nepotismo em seus gabinetes. Ocupam cargos de comissão que não deveriam existir. Mas, como eu disse, esse é o país da fraude. Aqueles que questionam os esquemas de corrupção são definitivamente calados.  Sim: são mortos misteriosamente. Essa é a ordem do Brasil: o progresso não acontece para o povo. E as pessoas menos favorecidas, que permanecem nas classes menos abastadas, são silenciadas com miseráveis bolsas que promovem a manutenção do estado de pobreza, pois  em razão do auxílio que recebem, não acham necessário trabalhar ou estudar para sair do nível subumano em que se encontram. “País rico é país sem pobreza”, não é, caríssima “presidenta”? Então como explicar os bolsões de pobreza no Norte, Nordeste e Centro-oeste do Brasil que não se resolvem? Entregue o pão e o circo de uma Copa do mundo e está tudo resolvido.

O mais alarmante é que, aqueles que se dedicaram a um curso superior, são menosprezados pelo mercado de trabalho. São discriminados por terem estudado num país de analfabetos. É isso, (pasmem!), que acontece no Brasil. Aqui somente aquele sem condições financeiras é ovacionado quando atinge o curso superior. E todos aqueles filhos da classe média que passaram as madrugadas estudando? O que ocorre com o que aprendeu desde a infância que o caminho do crescimento está nos livros? São esquecidos pela mídia, pois fizeram nada menos que sua obrigação. Mas quando ocorre de um rapaz ou moça de classe média fugir aos moldes do que se é esperado para o seu comportamento, ou seja, mata, estupra, rouba e trafica? O caso atinge as manchetes de jornais rapidamente! Ainda mais quando o criminoso é estudante universitário.  Então o rapaz ou moça é logo tachado de irresponsável e discutem-se os valores que estão sendo passados para os jovens. Mas ninguém, ninguém mesmo se questiona a realidade em que eles vivem. Quando estudar mostra-se um desperdício de tempo e dinheiro, já que não se exige formação para atingir altos cargos nesse país, quem irá cometer essa insanidade? Por que estudar? Para quê? Se a moeda de barganha desse país nunca foi a competência, mas somente a indicação política. É tão clara essa situação que o povo criou até mesmo uma sigla para essa vergonha nacional. O Q.I., conhecido como quociente de inteligência nos países de primeiro mundo, nesse terceiro mundo esquecido por Deus é chamado de “quem indique”. Seria motivo de piada se não fosse tão dramático.

A necessidade de um bom peixe para ascender socialmente é indiscutível no Brasil. Aqui ainda se vive a sociedade de estamentos. Porque não há mudança de classe social com frequência. Os filhos da classe média nela permanecem. Não adianta nem mesmo buscar Pós-graduação, Mestrado, Doutorado, Pós-doutorado ou ainda outro grau de estudo. É impossível chegar a usar a coroa se você não for um apadrinhado da nobreza que há muito tempo está no comando dessa nação. Há ainda o fato de os pobres e miseráveis os quais nossos políticos afirmam terem atingido a classe c. Mal sabem que é o máximo de crescimento que estes esperançosos brasileiros vão alcançar. Nessa terra onde tudo dá. Nada se oferece. Não se oferecem oportunidades, não se oferece emprego, não se oferece saúde, não se oferece segurança nem mesmo o vago sonho de crescer na vida. Os ricos ficam mais ricos, os pobres, cada vez mais pobres. A classe média “paga o pato”, ou seja, assume toda a carga tributária que os miseráveis não podem arcar e que os ricos se eximem de pagar. Isso mesmo, nossos milionários sonegam impostos e o espoliado que dedicou sua vida à formação profissional, que estudou madrugadas inteiras, que teve de pegar dois ônibus para ir à universidade pública ou, mesmo, aquele que pagou fortunas a uma universidade particular, tem de trabalhar metade do ano para pagar a terrível carga tributária que incide sobre seu salário. Um pobre professor (não é por pena apenas a razão do adjetivo, é também em função do estado de penúria em que vive), que usa dos sindicatos e greves, (que serviram de escada para o poder por nossos governantes), para exigir melhores condições de trabalho, é literalmente desprezado por nossa “presidenta”. Os que antes estavam do lado da população, mudaram de lado. Quem é a elite agora? Quem muito se esforçou para estudar e conseguiu a muito custo uma formação superior? Ou aquele que veste o manto e a coroa simplesmente em função das tramoias políticas que permeiam nosso governo? A coroa do rei não está numa cabeça pensante, mas sobre aquela que fez da escalada política o meio mais fácil de ocupar o disputado trono.

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O mendigo

Giordana Bonifácio

À margem da vida, ele ainda sobrevive,

Pobre, sem lar e sem emprego inclusive.

Sofre porque desumana é esta sociedade,

Pois o homem de seus iguais não é confrade.

 

Lança nas ruas os menos afortunados,

Que imploram nas sarjetas alguns trocados.

Estes desprezados não são embora infelizes,

São alegres e não se incomodam com as crises.

 

Este ser sofrido que apelidam mendigo,

Como rei se mantém, creiam no que lhes digo:

Ele não tem contas ou qualquer dívida a saldar.

 

Não tem chefes, esposas ou outro qualquer radar,

Para a vida importunar. Vivem solitários,

Mas de seus irmãos, sabem ser solidários.

 

 

 

 

 

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