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A verdade

Giordana Bonifácio

Qual é o segredo que seus lábios cerram?

O que faz quando não há ninguém olhando?

Quais são as dores que seus pulmões não berram?

Quais são os amores que ainda está forjando?

 

Que infernal mudez seus medos enterram!

Até quando está seu peito sangrando!

Com outras almas que já sem rumo erram,

Quer você erguer o que está desabando.

 

Por que congela frente à realidade?

Nesse mutismo que não gera nada?

Será que repudia assim a verdade?

 

Segure a minha mão para ir em frente.

A verdade é como um corte de espada.

Porém, não poderia ser diferente.

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O ônibus

Giordana Bonifácio

Ele me disse uma vez que partiria.

O primeiro alvo foi o meu pobre coração.

Então, com a dor, foi embora a alegria.

E ele já me havia levado a paixão.

 

Era certo que mais nada eu possuía.

E a saudade era tão só uma distração.

Restava-me a terrível agonia,

De viver sem ter sequer uma razão.

 

Ele levou embora todos os meus sonhos

Entrou no ônibus sem nem dizer adeus.

Foram com ele meus olhos tristonhos

 

Na estrada que vai para Nunca mais.

Adeus… Leve este meu amor consigo… Adeus…

E o ônibus foi-se para Nunca mais.

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Um pequeno grão de areia

Giordana Bonifácio

Eu sei que neste mundo não sou nada

E que sou só, de areia, um pequeno grão.

Pela força das vagas sou levada,

Sou arrastada para a azul imensidão.

 

Eu sou como a flor que jaz sobre a calçada:

A desprezada por um frio coração.

Sou pelos pés dos homens macerada,

Sem qualquer esperança de salvação.

 

Sou como a pomba cuja asa ferida

Não lhe permitirá nunca mais voar.

Sou como a poesia que nunca foi lida,

 

Para sempre perdida na solidão.

Sou como a velha sempre a mendigar,

Ao mundo todo, um pouco de gratidão.

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MEDO

Por trás de todos os medos

Giordana Bonifácio

A vida se encontra aqui no meu peito.

Está por trás de todos os meus medos.

Tem neste frágil corpo, ótimo leito.

E é guardiã dos meus sonhos e segredos.

 

Desta concha  fiz uma boa morada.

Aqui estou protegido dos perigos.

Neste mundo estranho é proibida a entrada ,

De toda mágoa que trago comigo.

 

A dor não existe neste meu universo.

Nada pode me atingir sob meus sonhos.

Nenhum dos sentimentos mais perversos.

 

Aqui viverei bem longe da dor.

E serei agraciado por risonhos

Devaneios dos quais serei único senhor.

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Ser ou não ser

Giordana Bonifácio

Ser ou não ser? Esta é a difícil questão,

E, suas duras respostas, não sei onde estão.

Sou isso ou sou aquilo? Ser errado ou certo?

Estar longe de todos ou estar perto?

 

Eu sei que o certo pode ser errado.

E que temos de escolher nosso lado.

É questão de opinião, infelizmente.

E só se liga ao que o coração sente.

 

Ser ou não ser, declama o sofrido ator.

Será que toda questão está na dor?

E nada aplaca minha alma sedenta,

 

Pois não compreendo o que isto representa.

Ser ou não ser? Persiste ainda a dúvida.

Creio que me afligirá por toda a vida.

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O sempre e o nada

Giordana Bonifácio

Para mim, o sempre é tão só um nada infinito.

Como o universo é um vazio que contém o tudo.

E não adianta procurar com tantos estudos,

Um conceito que seja mais chique e bonito.

 

Não tente achar no imenso vazio uma resposta.

Já que não caem do céu como estrelas cadentes.

Não é possível achá-las só com nossas mentes.

Porque somos de um Deus brincalhão uma aposta.

 

Não temos ciência que viver é só uma piada.

Levamos nossa curta vida a sério demais.

Como se houvesse algo mais a esperar nesse cais.

 

A existência do mesmo modo que foi criada,

Ser-nos-á, brevemente, também retirada .

Assim, siga bem mais leve na sua jornada.

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Uma ovelha desgarrada

Giordana Bonifácio

Eu não sou daqueles que se deixam tocar facilmente, não depois tudo que presenciei na vida. Sempre fui um garoto pobre, desses que viviam na rua, praticando pequenos roubos e drogando-se. Detestava um Deus tão severo que tinha escrito meu destino em linhas tortas. Diziam que não seria nada na vida. E eu até começava a acreditar nisto. Eu era um Zé-ninguém. Um menino de rua, desprezado por uma sociedade que preferiria não me ver ali. Por isso, eu era mau. Para descontar o que a sociedade fez a mim. Eu batia nos mais fracos, assaltava velhinhas, furtava, roubava, traficava. Perdi as contas de quantas vezes fui levado para o reformatório. A polícia dizia que não tinha jeito para mim. Era isso, faria dezoito anos iria para a cadeia, tornar-me-ia mais perigoso e morreria sob a força da polícia ou dos bandidos. Porém, aconteceu algo, há mais ou menos duas décadas atrás, que me mudaria completamente. Eu receberia de presente meu futuro de novo. Eu poderia mudar ou então desperdiçar minha vida. Eu resolvi mudar. Foi graças a um velho padre que me ensinou que no Natal renovam-se as esperanças. É nesta data que Jesus nos premia com seu nascimento, uma segunda chance para cada homem tentar ser melhor do que já é. Eu estava perambulando pelas ruas da cidade, mendigando alguns trocados para tomar mais uma dose. As drogas nos proporciona um paraíso artificial por algumas horas, mas depois somos despejados no inferno do vício. Ficamos até mesmo sem comer para fumar mais uma pedra ou para cheirar cola de sapateiro. Depende do quanto temos em mãos. Eu perseguia a droga, desejava aquela que me matava. Achava que era a única felicidade de minha vida desprezada por Deus. Foi então que, na véspera de Natal, me presentearam com o mais valioso dos presentes: a esperança. Padre Néscio, um senhor já encurvado pela idade cujo corpo não retratava a força de sua fé, aproximou-se de mim para perguntar por que não estava com minha família naquela data tão especial.

Eu ri muito daquela pergunta. Falei: “Ô, coroa, não consegue ver que não tenho família? Sou um desprezado por Deus e pelos homens.” Ele sorriu bondosamente e disse-me que Deus nunca abandona seus filhos. Nós é que temos de aproveitar as oportunidades que Ele coloca em nossas vidas. Então o Padre me perguntou se eu estava com fome. Eu respondi que sim e se ele poderia me dar alguns trocados. Mas o que ele fez tocou-me verdadeiramente. Ele levou-me para sua igreja e deu-me a oportunidade de cear junto aos fiéis. Fiquei muito feliz, afinal, não comia já fazia dias e quem não quer encher o bucho de graça? O presente, porém viria depois. Padre Néscio convidou-me para dormir na paróquia com outros meninos colhidos nas ruas a quem ele adotou.  Primeiro pensei: esse velho deve ser algum tipo de pedófilo, fiquei com medo de aceitar. Mas os meninos rodearam-me e foram contando suas experiências nas ruas e como a bondade do Padre salvou-os do terrível fim que os aguardava. Padre Néscio recolhia jovens carentes, colocava-os na escola, alimentava-os e ensinava-os a palavra de Deus. Fiquei aliviado que ele não fosse um desses padres pedófilos que tanto alardearam na televisão para afastar as pessoas da igreja. Os meninos haviam passado pelas mesmas experiências que eu. E naquela noite, sentamos em torno da mesa adornada de frutas e comidas gostosas para falar sobre Jesus. E como era Natal, Padre Néscio nos contou sobre o nascimento desse menino, pobre, que nasceu num estábulo e cujo primeiro berço foi uma manjedoura. Porém, eu falei, na verdade, gritei que Jesus teve o amor de dois pais, que lhe queriam conceder um futuro. Enquanto eu só tive como abrigo o frio das calçadas. Padre Néscio respondeu-me: “Jesus coloca anjos em nossa vida, cabe a nós aceitarmos ou não a sua ajuda.” Eu pensei que era apenas uma baboseira ligada a religião que, tão logo passasse no Natal, o velho se livraria de mim. E decidi que furtaria a igreja antes de ir embora aquela noite. Eu juntei todas as coisas que julgava valiosas enquanto todos estavam dormindo e preparei-me para ir embora. Contudo, Padre Déscio, como tinha um sono leve, acordou e me flagrou quando saía da igreja. O que mais me deixou espantado é que ele não se irritou, não ameaçou chamar a polícia e pretendia deixar-me partir com os objetos furtados. Porém, eu ajoelhei aos seus pés arrependido e ele convidou-me para tomar café. E me advertiu: “você só fica o tempo que quiser e necessitar”.

Eu fui ficando. Aprendendo com os ensinamentos sobre a vida e morte de Jesus. Eu comecei a frequentar a escola. Tinha uma cama quente onde dormir. E eu adorava dormir todo enrolado nos cobertores. Talvez porque sempre dormi ao relento. Ter uma cama onde deitar é algo formidável! Padre Néscio sempre recolhia crianças carentes concedendo-as uma segunda chance e mais que isso: um lar. Os meninos mais velhos ajudavam os mais novos. Havia comida quentinha, tínhamos quatro refeições diárias.  Todavia, o que mais me tocava era a palavra de Jesus. Padre Néscio sempre lia a Bíblia para nós. Em um Salmo, eu entendi porque razão de minha vida ter mudado tanto. Dizia: “como purificará o jovem seu caminho? Observando-o de acordo com a Tua palavra”. Padre Néscio dizia que o Natal era para os jovens, não apenas pelos presentes, mas para trazê-los ao caminho do bem. Evangelizando-os, trazendo-os para o seio da igreja, podemos salvá-los do pesadelo da criminalidade. Lendo a Bíblia, compreendi melhor o que sentia. Meus medos foram abrandados pela palavra de Deus. Tanto que resolvi também ser Padre. E, quando Padre Néscio morreu, tomei o seu lugar. Hoje sou eu quem lança os grãos de mostarda a espera de um solo fértil. Sou eu quem agora evangeliza e traz os jovens para a igreja.  No último Natal, recolhi alguns jovens da rua. E, como aprendi, ofereci-lhes comida, um lar e a palavra de Deus. Tenho de admitir que nem todos ficaram e, na verdade, alguns roubaram a igreja como eu mesmo iria fazer a duas décadas. Mas não podemos tirar do homem seu livre arbítrio. Os que ficaram são minha alegria. Eu concedo-lhes uma nova chance, devolvo-lhes a condição de crianças. E levo-os à presença de Jesus Cristo. Pois quando ele disse “deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas” (Mateus 19), invocava para si os jovens. E o Natal é uma festa para eles.

Agora, que estou na posição de pastor, vou levar mais ovelhas para o Mestre. Em cada Natal concedo para mim o presente de unir mais e mais jovens com a palavra de Cristo. Hoje, estou aqui para lhes dar mais uma vez meu testemunho, nessa Véspera de Natal, enquanto purificamos nossas almas com rezas e cânticos e preparamo-nos para colher mais almas para Deus, narro-lhes minha história. Não como um lamento, mas como um exemplo de quem deixa o grão de mostarda germinar em seu coração. Vamos levar a palavra de Deus a todos os homens. Sair para recolher ovelhas perdidas e recuperar-lhes para o rebanho do Senhor. Apascentar suas almas turbulentas e conceder-lhes o presente de uma nova vida em Cristo. Trazê-las do caminho fatal da marginalidade para a luz de nosso Senhor. E sempre que vejo essas almas atormentadas, lembro-me do menino que fui e de todos os acontecimentos que me trouxeram até aqui. O Padre Néscio foi o pai que gostaria de ter tido. Um homem bom que me ensinou a ser bom também. Eu aprendi com sua fé e quero proporcionar esta chance a outros jovens também. Temos de pregar a palavra de Cristo, temos de fazer brotar a esperança nas almas perdidas. Porque só ganhamos com o bem que fazemos. Temos de nos solidarizar com nossos irmãos. Não quero me destacar como o mais solidário de todos os homens. Nem mesmo me gabar por minhas ações. Eu só quero conceder a outros o presente que numa véspera de Natal eu recebi. Não apenas para salvar os espíritos dos meus irmãos, mas, também, meu próprio espírito. Vamos às ruas colher mais almas desgarradas do rebanho e disseminar os ensinamentos de Jesus, pois conforme Ele mesmo disse: “ide e fazei discípulos entre todas as nações.”( Mateus 28,19)

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A dama na janela

Giordana Bonifácio

O que pensa a dama que está na janela?

Será que está a sonhar que alguém pensa nela?

Será que devaneia sobre mil desilusões?

Absorta, olha o nada e estas minhas alusões,

 

Aos seus possíveis sonhos sequer lhe preocupam.

Minhas deduções várias, seu tempo, não ocupam.

E a mulher na janela está com olhar vago.

E para esta poesia suas ilusões trago.

 

O fato é que à janela a mulher permanece.

Acho que espera ver a vida que acontece.

Eu aqui, preso a estes sonhos os quais desconheço.

 

Tal dama para meus versos deu-me um começo.

Minhas palavras são para ela uma homenagem.

Mas não quero estragar-lhe dos sonhos a viagem.

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O silêncio

Giordana Bonifácio

O silêncio é a poesia mais bela para mim.

Mesmo que não possua qualquer início ou fim,

Que não seja dotado de versos ou rimas.

É a mais perfeita de todas obras-primas.

 

O silêncio sem nada expressar tudo diz.

O poeta que bastante canta é mero aprendiz,

Porque sua arte precisa de melodia e som.

Está preso a  seus versos em busca do tom.

 

Mas a mais bela canção prescinde de tudo.

E posso declamá-la até quando estou mudo.

A ausência de barulho agracia meus ouvidos.

 

Para se compor música, muito mais que aos ruídos,

É essencial ao silêncio compreender-se bem.

Porque sem este  não existiria o som também.

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A videira

Giordana Bonifácio

Sou como uma videira, de cachos de uva cheia.

Homem, de mim o vinho nasce para a sua ceia.

Eu fui pobre semente no solo lançada.

Foi onde me finquei depois da terra roçada.

 

Cresci com vigor, para dar-lhe meu fruto enfim.

Mas não me esqueço de minha origem, de onde vim.

Quando deixo arrancarem de mim o meu esforço,

É porque sei que para o homem será um reforço.

 

Meu trabalho não é para mim, mas para os outros.

Dos frutos que criei não me restam nem os rastros.

Não sou eu que saboreio de minhas uvas, o vinho.

 

Como não é a árvore, por sua vez, que se veste de linho.

Vivemos para o mundo, nada nos pertence.

Tudo que possuo entrego, até meu último pence.

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