Posts Marcados Com: minha dor

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Soneto de um coração selvagem

Giordana Bonifácio

Ó coração selvagem, aonde vais?

Não vês que outra vez erras o caminho?

Será que seguirás sempre sozinho

Nesta estrada que não termina mais?

 

Ó meu coração, quantos sonhos irreais…

Não sabes que da rosa o amor é o espinho

Cujas mágoas não findam como o vinho?

Ó tolo, o passado já não volta mais!

 

Não lamentes as noites mal dormidas,

Nem mesmo cubra tuas muitas feridas.

Pois vai brilhar-te a luz clara do dia.

 

Ó coração, tão doce e torturado,

Tu choras num soluçar murmurado,

Tua dor amarga, a tua imensa agonia.

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Soneto da despedida

Giordana Bonifácio

Adeus, dizia-te, enquanto o trem partia.

Via o meu passado ficar para trás,

Tão lindos sonhos que não teria mais.

Toda saudade em lágrimas vertia,

 

Mas a minha dor, já pouco valia.

Deixei tão só o que levar não fui capaz,

Lindas lembranças que o tempo rarefaz.

Recordar, para alma, é uma regalia,

 

Pois o tempo das horas faz deserto,

E o ontem termina num amanhã incerto.

O que será de nosso amor tão terno?

 

O trem range, ainda aceno para o nada,

Nas mãos, levo uma foto bem amassada,

De quando críamos que o verão seria eterno.

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Jardins da morte

Giordana Bonifácio

Os muitos erros que cometi em vida

Fazem de mim uma alma condenada.

Toda a minha existência resumida,

Não é mais que uma esperança malograda.

 

Ó amor, fantasia tola e adormecida,

Promessa de alegria que me foi adiada,

Quais são os sonhos que a minha mente olvida?

Quais são as verdades por mim ignoradas?

 

O que é isto de que tenho tanto medo?

Como transpor as portas do segredo?

Como, diante de tanta dor, ser forte?

 

Errei os caminhos, perdi-me nos anos.

Conheci em vida tão só desenganos

Que me seguirão até os jardins da morte.

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Magical taste of decay

Noites sem fim

Giordana Bonifácio

Ó noites sem fim, tão amargas e escuras,

Ó Vigília cruel, mudo pensamento

Que de mim extrai enorme sofrimento,

Ó passado presente, horas futuras,

 

Que de mim querem mais que tolas juras,

Ó tempo, solitário, triste e lento,

Que de mim ouve tão rude lamento,

Ó esperanças vãs, tão inúteis procuras,

 

Que de mim fazem uma alma perdida,

Quais são os sonhos que meu coração olvida?

Quais são as dores que meu pranto rega?

 

Quem soprou a flor dos meus versos ao vento?

Quem fez das fantasias seu último alento?

Quem fez de guia tal paixão louca e cega?

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morte e vida

“Passa-se a vida temendo ou desejando a morte.”

Paul Ambroise Valéry

A hora mais temida

Giordana Bonifácio

Meu Deus, já é chegada a hora tão temida.

Estou assustado e a dor que sinto é tanta…

Ouvi-me o grito preso na garganta:

Fui um tolo, desperdicei a minha vida!

 

Não há sequer tempo para a despedida.

Fui miserável, não tive a alma santa.

Indigno é este que, aos céus, as mãos levanta.

Julgai-me e condenai-me a alma perdida.

 

De morte, tenho meu corpo ferido.

Eis a confissão que meu peito chora.

Vede as ruínas de um ser oprimido.

 

Ó culpa cruel que a minha alma devora,

Quantos pecados terei eu cometido?

Ó Deus, por que o fim não mais se demora?

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Morte em fuga

Soneto duma morte anunciada

Giordana Bonifácio

Sob lágrimas de dor e tantos ais,

Sob a tão amarga máscara da morte,

Quem, sobre o duro féretro, ora jaz?

A quem foi imputada tão terrível sorte?

 

Quem, nos braços de Deus, ora está em paz?

Quem é esta que da dor se fez consorte?

De quem são os olhos que não verão mais?

Quem é esta, cuja mágoa foi mais forte?

 

Quem é, senão a fria face de Narciso?

O que é, senão uma imagem do futuro?

O que é, senão o fim de uma triste vida?

 

Quem se vai, falar, faz-se ainda preciso?

O que leva, a não ser o que procuro?

Quem é, senão uma ilustre conhecida?

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“Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.”
Cecília Meireles

Ao amor indiferente

Giodana Bonifácio

Foi-se contigo a minha vã esperança

E, desde então, a vida é meu maior tormento.

O que ainda resta em ti de sentimento?

Onde tu estás que minha voz não alcança?

 

De certo, teu desprezo é uma vingança.

Vês este meu tão amargo sofrimento?

É que me dói o teu falso esquecimento.

Sei que subsiste em ti alguma lembrança.

 

Se não, ouve a minha dor que agora canto,

Que te possa relembrar nossa história,

O nosso amor tão puro e verdadeiro.

 

E se estes rudes versos podem tanto,

Tornem vivo o que hoje é tão só memória,

Pois só contigo é que me sinto inteiro.

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Amor

Giordana Bonifácio

Amor: é isto só o que a minha alma escreve.

Porém, triste, vacila minha pena.

É que a dor até a pura arte envenena.

Congela ilusões sob densa e alva neve.

 

Escrever o que? O poeta ainda se atreve?

Ainda mais, quando sua arte é tão pequena?

Já a tempestade em meu peito serena.

Amor, meu sofrimento doce e leve,

 

Por que me ilude com a sua brandura?

Não vê que não mais creio quando me jura?

Em sua palavra já não mais me fio.

 

Sei que tão só num ínfimo momento,

Produz na alma um vão contentamento.

Depois do ardor, só resta cinza e frio.

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CANSEI DA SOLIDÃO

Solidão

Giordana Bonifácio

Chore manso sua imensa e vã amargura.

Não reclame do mal que lhe crucia.

Sofre em silêncio todo fim do dia,

Pois seu pesar nem mesmo o tempo cura.

 

Saiba que é a dor que faz a sua alma pura.

O mundo, de seu penar, só riria.

Ame a dor. Faça dela a sua alegria.

Assim será tão só ela a sua ventura.

 

Abafe o grito, sua mágoa não passa.

Sofre sereno sua dor, sua desgraça.

Guarde no peito sua tristeza inteira.

 

A solidão é a dor que o relógio atrasa.

É das fantasias uma cova rasa

E das noites sem fim, fiel companheira.

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Poema dos beijos infinitos

Giordana Bonifácio

Este é o poema dos beijos infinitos.

Beijos que se resumem em loucura.

Beijos suaves que o espírito procura.

Beijos molhados, santos, benditos…

 

Beijos roubados, sonhos interditos…

Beijos que saciem tal qual água pura.

Beijos que sejam luz na noite escura.

Beijos de dor, amores jamais ditos.

 

Beijos para redimir a alma casta.

Beijos que para a morte o corpo arrasta.

Beijos, ilusão que dói a cada canto.

 

Beijos tão doloridos de saudade.

Beijos tão doces que juram verdade.

Beijos que são infinitos como o pranto.

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