Posts Marcados Com: minha alma

amare

Amar

Giordana Bonifácio

Eis aqui: doo-te o meu amargo coração.

Leva de mim, pois já não mais o aguento.

Não suporto mais esta cruel emoção:

Amar, mas que confuso sentimento!

 

Dança-se sem ter razão, ritmo ou canção.

Voa-se alto, vê-se claro o dia cinzento.

Para, no fim, ruir tudo num só não…

Amar: cinzas levadas pelo vento!

 

Moléstia atroz para qual não há cura!

Ilusão, fantasia e horrenda quimera!

Imensa mágoa que na alma perdura!

 

Tantos versos rasgados… Como eu penei…

Que infinita tragédia, ó longa espera!

Quantos sonhos, em vão, sozinha, sonhei!

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , | Deixe um comentário

tumblr_mctygakeDv1rvpfxgo1_500_large

L’amour éternel

Giordana Bonifácio

Ai, quanto amor eu tenho em meu coração…

Como dói quando o sinto bater forte,

Mas não há ninguém, que com isso se importe.

Resta-me esquecer, mas como isso é vão…

 

Pois a mente diz: ‘sim’, já, a alma diz: ‘não’.

A que anjo torto devo a minha sorte?

Ser gauche na vida é amar até a morte?

Mas quão terrível é a minha maldição!

 

Já não sei quantas vezes eu prometi:

Vou me esquecer de todo amor que senti.

Mas que promessas tolas e falidas…

 

O amor já me havia feito escrava e louca,

Já não ouvia o que falava minha boca.

Amava, triste e só, por muitas vidas…

Categorias: Uncategorized | Tags: , , | Deixe um comentário

Ícaro-incandescente-de-Atenea

O sonho de Ícaro

Giordana Bonifácio

O que é esta mágoa que o meu peito invade?

Será que o sonho não mais me deleita?

Como saciar esta alma insatisfeita?

Como fantasiar tão feia realidade?

 

É que Narciso não via de verdade.

Era uma ilusão a sua vida perfeita.

Pois o reflexo, ao louco, nunca enjeita,

Mas o afoga em sua própria insanidade.

 

Ó Sonho, o que sou eu neste triste mundo?

De que me vale um saber tão profundo,

Se, em terra, sob a vida ando encurvada?

 

Se como Ícaro que ao sol buscou voando,

No céu, quanto mais alto estou sonhando,

Eu caio do sonho, acordo…. E não sou nada….

Categorias: Uncategorized | Tags: , | Deixe um comentário

estaçao-gif1

Soneto da despedida

Giordana Bonifácio

Adeus, dizia-te, enquanto o trem partia.

Via o meu passado ficar para trás,

Tão lindos sonhos que não teria mais.

Toda saudade em lágrimas vertia,

 

Mas a minha dor, já pouco valia.

Deixei tão só o que levar não fui capaz,

Lindas lembranças que o tempo rarefaz.

Recordar, para alma, é uma regalia,

 

Pois o tempo das horas faz deserto,

E o ontem termina num amanhã incerto.

O que será de nosso amor tão terno?

 

O trem range, ainda aceno para o nada,

Nas mãos, levo uma foto bem amassada,

De quando críamos que o verão seria eterno.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , | Deixe um comentário

Magical taste of decay

Noites sem fim

Giordana Bonifácio

Ó noites sem fim, tão amargas e escuras,

Ó Vigília cruel, mudo pensamento

Que de mim extrai enorme sofrimento,

Ó passado presente, horas futuras,

 

Que de mim querem mais que tolas juras,

Ó tempo, solitário, triste e lento,

Que de mim ouve tão rude lamento,

Ó esperanças vãs, tão inúteis procuras,

 

Que de mim fazem uma alma perdida,

Quais são os sonhos que meu coração olvida?

Quais são as dores que meu pranto rega?

 

Quem soprou a flor dos meus versos ao vento?

Quem fez das fantasias seu último alento?

Quem fez de guia tal paixão louca e cega?

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , | Deixe um comentário

HomemMar

O poeta chora sua dor em poesia

Giordana Bonifácio

Vou chorar minha dor nesta poesia.

A mágoa de minh’alma, aqui vertida,

Corrói como a salgada maresia.

O poeta canta sua amarga ferida.

 

O amor é arte, tão só uma fantasia

Que se vai numa lágrima perdida.

A canção triste que um dia me aprazia,

Hoje, dói-me como uma despedida.

 

As vagas vêm e vão como as lembranças,

Lambem-me os pés suas águas tão serenas.

Quisera as paixões fossem assim mansas…

 

O mar enche-me os sonhos de loucura,

Enfeita-os com singelas açucenas

De amores que, em vão, minh’alma procura.

 

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , | Deixe um comentário

morte e vida

“Passa-se a vida temendo ou desejando a morte.”

Paul Ambroise Valéry

A hora mais temida

Giordana Bonifácio

Meu Deus, já é chegada a hora tão temida.

Estou assustado e a dor que sinto é tanta…

Ouvi-me o grito preso na garganta:

Fui um tolo, desperdicei a minha vida!

 

Não há sequer tempo para a despedida.

Fui miserável, não tive a alma santa.

Indigno é este que, aos céus, as mãos levanta.

Julgai-me e condenai-me a alma perdida.

 

De morte, tenho meu corpo ferido.

Eis a confissão que meu peito chora.

Vede as ruínas de um ser oprimido.

 

Ó culpa cruel que a minha alma devora,

Quantos pecados terei eu cometido?

Ó Deus, por que o fim não mais se demora?

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , | Deixe um comentário

Mao-aberta-encostada-numa-janela-de-vidro-como-se-alguem-estivesse-olhando-limitado-dentro-de-algum-lugar-a-chuva-do-lado-de-fora_01

Madrugadas infinitas

Giordana Bonifácio

A solidão faz mais fria à madrugada.

Corações vazios, tão cheios de saudade,

Clamam ao amor um tanto de piedade.

A noite chora a rosa macerada

 

Que, caída no chão, jaz abandonada.

E a brisa gélida às almas invade.

Doem-me as feridas, mas não é novidade.

Longe se ouve uma música magoada.

 

Ó vigília cruel, ó tormenta infinda,

Por que fazem do insone um ser tão triste?

Ó recordações, por que vagam a esmo?

 

Não percebem o quanto machuca ainda?

Não veem a mágoa que no peito existe?

As noites mudam, só, o penar é o mesmo.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , | Deixe um comentário

SEGURE-MINHA-MAO

Segure a minha mão…

Giordana Bonifácio

“Sei que você consegue, vamos: é só abrir os olhos! Sei que pode. Era o mais forte de nós três. Diziam que éramos o ‘trio parada-dura’.  Lembra?  Você sempre foi o mais bacana, fazendo sucesso com as gatinhas. A gente não se separava. ‘O mais importante é a família’ você repetia. Enfatizava que não importa o que acontecesse, deveríamos permanecer juntos. Quando mais precisei, você esteve efetivamente ao meu lado. Também estou aqui. Não vou deixar-lhe. Não agora que precisa de mim. Posso ouvir sua dor. Sinto-a. É grande, mas você é forte, cara. Vamos: estou aqui ao seu lado. Sempre estive. Como você nunca me deixou. Relaxa, não vai acontecer nada de pior. Você vai voltar a andar de skate radicalizando nas avenidas largas de Brasília. Mas antes disto você vai ficar ‘de molho’ uns tempos. Nem esquenta, você vai ‘tirar de letra’. Além do que, você vai ficar com uma cicatriz na perna que a mulherada vai adorar. Só isso. Não tenha medo. Vamos cara. Meu irmão mais velho e amigo de todas as horas. Confie em mim. Está ouvindo todo este barulho, ambulâncias, curiosos, bombeiros num salvamento desesperado? Está ouvindo as buzinas estridentes? Então, concentre-se nesse som. É para este lado que deve seguir. Sei que na vida tudo é bem mais dolorido. Mas imagina como vão ficar a mãe e o pai sem você… Estou segurando a sua mão. Igual você fazia quando eu tinha medo. Como no primeiro dia do ginásio. Você só me deixou quando viu que poderia prosseguir sozinho. Sou eu agora que vou lhe acompanhar. Segure a minha mão. Coragem, cara. Por acaso, você está ‘amarelando’? Até uma criancinha sai dessa numa boa. Seja forte! Para que serviram tantos anos de academia e alimentação saudável? Vamos lá, sem essa de desistir agora. Sei que você está com medo. Mas eu estou aqui. Seu irmão caçula e mais bonito. ‘Falou, estou só zoando’. ‘Você é o mais maneiro’. Lembra da Aninha do 204? Se você sair dessa ela vai lhe ‘dar bola’! Não vai dizer que não se lembra dela! A loirinha de olhos azuis. Filha da nossa dentista. E ainda tem a Carlinha, aquela morenaça lindíssima por quem você passou um tempão ‘babando’. Vai perder essa, ‘Zé-mané’? Oportunidade não se perde!  E tem outra, nesse momento a Sílvia está telefonando lá para casa. Ela teve um pressentimento ruim. Sexto sentido de mulher é ‘batata’! Ela não era a amiga do Valdo? Você era ‘gamadão’ nela também, né?

Então, vai bancar o ‘panaca’ e desistir? Sem lutar, assim, por W.O.? Deixa de ser ‘molengão’, vamos, é só respirar com força. Abra os olhos, sinta a luz ofuscar mais uma vez a sua visão. Os bombeiros estão lhe dando choques. Hunf, monstra para eles que você é ‘fodão’. Faça bater esse coração malandro. Segura essa: um Fernandes nunca desiste. Está esperando o quê, ‘otário’? Vamos, seja forte! Aí, o pulso está voltando. A equipe de salvamento está sorrindo. Pela sua cara deve estar doendo pacas. Esquenta não, vai doer por algumas semanas, somente. Brincadeira. Logo vai passar. Estão lhe levando para o hospital. Não gosto de hospitais, você sabe, mas vou nessa com você. Até que a ‘Branca de Neve’ esteja fora de perigo. Achava que lhe deixaria assim tão cedo? Não, estamos juntos nessa! Ainda tem uma cirurgia arriscadíssima pela qual você tem de passar. Bem mais difícil que prova de matemática. Mas para você vai ser ‘fichinha’. Eu estou aqui para lhe incentivar. Levar você à vitória. Tirar o máximo do meu melhor jogador. Vamos lá que o jogo é de dois tempos de 45 minutos. Ainda há os acréscimos do juiz. Mamãe, papai e o Alex já devem estar chegando. Um dos bombeiros ligou para eles. Não vai dar vexame, ok? Nada de morrer na frente deles ou antes deles chegarem. Aliás, nada de morrer hora nenhuma! Não é o momento. Você vai casar-se, ter filhos e, depois, netos. Por isso, para de ‘dar uma de donzela’ que só são algumas costelas quebradas, um pulmão perfurado, lesões no baço e uma fratura exposta na perna. Viu, nada com o que se preocupar. Tudo perfeitamente superável. Ainda bem que tem estoque de sangue no hospital. Cara, você está mais roxo que um buquê de violetas. Os médicos são legais, vão deixar você novinho em folha. Que tal aproveitar e pedir para eles fazerem uma lipoaspiração nessa sua ‘barriguinha de chope’? Acabaram de avisar que nossos pais já chegaram e estão preocupadíssimos. Cara, que confusão você arranjou, ein? Se tivesse escutado a mamãe e não ter saído hoje para andar de skate… Viu, aprendeu a lição? Não deixe jamais de ouvir sua mãe! O babaca que atropelou você estava bêbado. Bateu o carro no poste e tentou fugir. Mas as pessoas próximas impediram a fuga. Por que o mundo está cheio de gente idiota? Por isso que você tem de ficar: para tornar essa ‘bagaça’ de mundo algo melhor.

Sem essa de estar cansado. A festa só termina quando ‘O lá de cima’ disser. ‘Aguenta aí’. ‘Aos trancos e barrancos todos vão sair vivos’. Ainda tem outra, lembra aquele emprego maneiro na empresa de publicidade mais ‘da hora’ da capital? Acho que você tem grandes possibilidades ficar com ele. Isto se você deixar de ser ‘fracote’ e vencer essa batalha. O que o Mel Gibson iria dizer de você agora? ‘Honre estas calças’? Não, quem falaria isso seria o papai. Mas dá no mesmo! Vamos, faça um esforço no início que depois a vida ‘vai na banguela’. Está tudo dando certo. Acho que você vai sobreviver ‘manézão’. Boas novas, nada de ‘vestir paletó de madeira’. Depois de passar o efeito da anestesia, os médicos disseram que você vai acordar. Disseram que você tem uma fome de vida fenomenal. Bem, disso eu não sei. Mas se for igual quando você joga futebol, então você é ‘fominha’ mesmo. Não ‘passa a bola’ para ninguém. Não disse que você iria vencer esse jogo? Mesmo que você não tenha perdido a mania de ‘ficar na banheira’. Viu? Ainda me lembro de como você jogava. Sinto saudades de nossas ‘peladinhas’ no Parque da cidade. Vou ficar com você até acordar. Ainda está com uma cara horrível, vê se melhora ela que a Silvia soube do acidente e está vindo lhe ver. Não vai fazer um papel feio na frente dela. Jogue um charme que ela até fica como enfermeira para lhe dar remedinho. Coloque uma cor nessa cara, para ela não pensar que você já morreu. Faça um charminho de doentinho para ela ‘ficar na sua’. Mamãe e papai estão desesperados. Alex não sabe o que fazer. Ele é um irmão tão bom quanto eu. Está tentando manter a calma. Ele sempre foi o mais racional da família. Mesmo assim, é um irmão ‘do caramba’. Confie nele. Vocês devem ficar juntos. Mesmo que já não haja mais o ‘trio parada-dura’. Como você diz: ‘família é o mais importante’. Pelo que vejo, já está abrindo os olhos. Bem vinda de retorno ao mundo dos vivos, ‘Bela Adormecida’. Até mais, meu irmão mais velho.”

-Ma … cof… teus ? Disse tossindo, Hélio.  Seus pais já estavam ao seu lado. O filho por pouco não falecera. Um acidente terrível. Fora atropelado por um carro conduzido por um motorista embriagado. Mas, devido a um milagre, ele sobrevivera, contrariando todas as previsões dos médicos.

-Não, filho, somos nós: seu pai, sua mãe e seu irmão Alex.

– Nossa, eu juro que pensei ter ouvido a voz do Mateus. Disse com dificuldade o enfermo.

-Impossível, cara. Mateus morreu há mais de dois anos. Ele faleceu devido a um câncer. Não se lembra? Não vai dizer que você foi para o outro lado e ele mandou-lhe de volta? Zombou Alex.

-Não sei. Mas penso que ele estava comigo. Senti a presença dele. Não sei como explicar. Disse quase num sussurro Hélio.

-E se tiver sido mesmo seu irmão? Quem pode dizer que não seja verdade?

-Mãe, não vai dizer que acredita nessas coisas?

-Sua mãe está certa, Alex. Quem sabe Mateus não nos devolveu Hélio são e salvo? Respondeu Rubens, o pai dos dois garotos, outrora pai de três. Antes de um câncer ter levado seu caçula.

-Eu sei que senti a presença dele. Mas… Não me recordo do que ele dizia. Sibilou, ainda, Hélio, antes de ser repreendido pela enfermeira que entrou para aplicar-lhe a medicação:

-Chega de emoções por hoje. Você é forte, mas não é dois. Hora de descansar. Você tem a vida inteira para explicar como sobreviveu a um acidente tão grave.

-A Silvia está chegando, ela teve um mau-pressentimento e telefonou lá para casa. Estranho, não é? Tanto quanto a inexplicável presença do Mateus. Bem, não quero provocar discussões. É melhor descansar. Não vai querer estar com essa cara quando a Silvia chegar. Vou ficar aqui ao seu lado, mano. Não se preocupe. Segure a minha mão… Disse Alex antes do irmão acidentado adormecer.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , | 1 Comentário

frases de amor 2

Amor

Giordana Bonifácio

Amor: é isto só o que a minha alma escreve.

Porém, triste, vacila minha pena.

É que a dor até a pura arte envenena.

Congela ilusões sob densa e alva neve.

 

Escrever o que? O poeta ainda se atreve?

Ainda mais, quando sua arte é tão pequena?

Já a tempestade em meu peito serena.

Amor, meu sofrimento doce e leve,

 

Por que me ilude com a sua brandura?

Não vê que não mais creio quando me jura?

Em sua palavra já não mais me fio.

 

Sei que tão só num ínfimo momento,

Produz na alma um vão contentamento.

Depois do ardor, só resta cinza e frio.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , | 1 Comentário

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: