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Avaro de ilusões

Giordana Bonifácio

Dizem que sou um mistério sem solução.

Um livro que reclama uma introdução.

Sou aquele que a solidão e sua dor finge.

Guardo comigo a incógnita da esfinge.

 

E não poderão jamais me compreender.

A resposta, só a obtêm com meu condescender.

Mas permaneço incólume às ameaças.

Não me atrai o brilho destas pedras falsas,

 

Pois guardo para mim o maior tesouro,

Que vale bem mais que meu peso em ouro.

É uma fortuna em moeda inestimável.

 

E não revelo meu enigma profundo.

Guardo de todos um curioso mundo.

Dentre os artistas, sou o mais miserável.

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O sempre e o nada

Giordana Bonifácio

Para mim, o sempre é tão só um nada infinito.

Como o universo é um vazio que contém o tudo.

E não adianta procurar com tantos estudos,

Um conceito que seja mais chique e bonito.

 

Não tente achar no imenso vazio uma resposta.

Já que não caem do céu como estrelas cadentes.

Não é possível achá-las só com nossas mentes.

Porque somos de um Deus brincalhão uma aposta.

 

Não temos ciência que viver é só uma piada.

Levamos nossa curta vida a sério demais.

Como se houvesse algo mais a esperar nesse cais.

 

A existência do mesmo modo que foi criada,

Ser-nos-á, brevemente, também retirada .

Assim, siga bem mais leve na sua jornada.

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Uma ovelha desgarrada

Giordana Bonifácio

Eu não sou daqueles que se deixam tocar facilmente, não depois tudo que presenciei na vida. Sempre fui um garoto pobre, desses que viviam na rua, praticando pequenos roubos e drogando-se. Detestava um Deus tão severo que tinha escrito meu destino em linhas tortas. Diziam que não seria nada na vida. E eu até começava a acreditar nisto. Eu era um Zé-ninguém. Um menino de rua, desprezado por uma sociedade que preferiria não me ver ali. Por isso, eu era mau. Para descontar o que a sociedade fez a mim. Eu batia nos mais fracos, assaltava velhinhas, furtava, roubava, traficava. Perdi as contas de quantas vezes fui levado para o reformatório. A polícia dizia que não tinha jeito para mim. Era isso, faria dezoito anos iria para a cadeia, tornar-me-ia mais perigoso e morreria sob a força da polícia ou dos bandidos. Porém, aconteceu algo, há mais ou menos duas décadas atrás, que me mudaria completamente. Eu receberia de presente meu futuro de novo. Eu poderia mudar ou então desperdiçar minha vida. Eu resolvi mudar. Foi graças a um velho padre que me ensinou que no Natal renovam-se as esperanças. É nesta data que Jesus nos premia com seu nascimento, uma segunda chance para cada homem tentar ser melhor do que já é. Eu estava perambulando pelas ruas da cidade, mendigando alguns trocados para tomar mais uma dose. As drogas nos proporciona um paraíso artificial por algumas horas, mas depois somos despejados no inferno do vício. Ficamos até mesmo sem comer para fumar mais uma pedra ou para cheirar cola de sapateiro. Depende do quanto temos em mãos. Eu perseguia a droga, desejava aquela que me matava. Achava que era a única felicidade de minha vida desprezada por Deus. Foi então que, na véspera de Natal, me presentearam com o mais valioso dos presentes: a esperança. Padre Néscio, um senhor já encurvado pela idade cujo corpo não retratava a força de sua fé, aproximou-se de mim para perguntar por que não estava com minha família naquela data tão especial.

Eu ri muito daquela pergunta. Falei: “Ô, coroa, não consegue ver que não tenho família? Sou um desprezado por Deus e pelos homens.” Ele sorriu bondosamente e disse-me que Deus nunca abandona seus filhos. Nós é que temos de aproveitar as oportunidades que Ele coloca em nossas vidas. Então o Padre me perguntou se eu estava com fome. Eu respondi que sim e se ele poderia me dar alguns trocados. Mas o que ele fez tocou-me verdadeiramente. Ele levou-me para sua igreja e deu-me a oportunidade de cear junto aos fiéis. Fiquei muito feliz, afinal, não comia já fazia dias e quem não quer encher o bucho de graça? O presente, porém viria depois. Padre Néscio convidou-me para dormir na paróquia com outros meninos colhidos nas ruas a quem ele adotou.  Primeiro pensei: esse velho deve ser algum tipo de pedófilo, fiquei com medo de aceitar. Mas os meninos rodearam-me e foram contando suas experiências nas ruas e como a bondade do Padre salvou-os do terrível fim que os aguardava. Padre Néscio recolhia jovens carentes, colocava-os na escola, alimentava-os e ensinava-os a palavra de Deus. Fiquei aliviado que ele não fosse um desses padres pedófilos que tanto alardearam na televisão para afastar as pessoas da igreja. Os meninos haviam passado pelas mesmas experiências que eu. E naquela noite, sentamos em torno da mesa adornada de frutas e comidas gostosas para falar sobre Jesus. E como era Natal, Padre Néscio nos contou sobre o nascimento desse menino, pobre, que nasceu num estábulo e cujo primeiro berço foi uma manjedoura. Porém, eu falei, na verdade, gritei que Jesus teve o amor de dois pais, que lhe queriam conceder um futuro. Enquanto eu só tive como abrigo o frio das calçadas. Padre Néscio respondeu-me: “Jesus coloca anjos em nossa vida, cabe a nós aceitarmos ou não a sua ajuda.” Eu pensei que era apenas uma baboseira ligada a religião que, tão logo passasse no Natal, o velho se livraria de mim. E decidi que furtaria a igreja antes de ir embora aquela noite. Eu juntei todas as coisas que julgava valiosas enquanto todos estavam dormindo e preparei-me para ir embora. Contudo, Padre Déscio, como tinha um sono leve, acordou e me flagrou quando saía da igreja. O que mais me deixou espantado é que ele não se irritou, não ameaçou chamar a polícia e pretendia deixar-me partir com os objetos furtados. Porém, eu ajoelhei aos seus pés arrependido e ele convidou-me para tomar café. E me advertiu: “você só fica o tempo que quiser e necessitar”.

Eu fui ficando. Aprendendo com os ensinamentos sobre a vida e morte de Jesus. Eu comecei a frequentar a escola. Tinha uma cama quente onde dormir. E eu adorava dormir todo enrolado nos cobertores. Talvez porque sempre dormi ao relento. Ter uma cama onde deitar é algo formidável! Padre Néscio sempre recolhia crianças carentes concedendo-as uma segunda chance e mais que isso: um lar. Os meninos mais velhos ajudavam os mais novos. Havia comida quentinha, tínhamos quatro refeições diárias.  Todavia, o que mais me tocava era a palavra de Jesus. Padre Néscio sempre lia a Bíblia para nós. Em um Salmo, eu entendi porque razão de minha vida ter mudado tanto. Dizia: “como purificará o jovem seu caminho? Observando-o de acordo com a Tua palavra”. Padre Néscio dizia que o Natal era para os jovens, não apenas pelos presentes, mas para trazê-los ao caminho do bem. Evangelizando-os, trazendo-os para o seio da igreja, podemos salvá-los do pesadelo da criminalidade. Lendo a Bíblia, compreendi melhor o que sentia. Meus medos foram abrandados pela palavra de Deus. Tanto que resolvi também ser Padre. E, quando Padre Néscio morreu, tomei o seu lugar. Hoje sou eu quem lança os grãos de mostarda a espera de um solo fértil. Sou eu quem agora evangeliza e traz os jovens para a igreja.  No último Natal, recolhi alguns jovens da rua. E, como aprendi, ofereci-lhes comida, um lar e a palavra de Deus. Tenho de admitir que nem todos ficaram e, na verdade, alguns roubaram a igreja como eu mesmo iria fazer a duas décadas. Mas não podemos tirar do homem seu livre arbítrio. Os que ficaram são minha alegria. Eu concedo-lhes uma nova chance, devolvo-lhes a condição de crianças. E levo-os à presença de Jesus Cristo. Pois quando ele disse “deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas” (Mateus 19), invocava para si os jovens. E o Natal é uma festa para eles.

Agora, que estou na posição de pastor, vou levar mais ovelhas para o Mestre. Em cada Natal concedo para mim o presente de unir mais e mais jovens com a palavra de Cristo. Hoje, estou aqui para lhes dar mais uma vez meu testemunho, nessa Véspera de Natal, enquanto purificamos nossas almas com rezas e cânticos e preparamo-nos para colher mais almas para Deus, narro-lhes minha história. Não como um lamento, mas como um exemplo de quem deixa o grão de mostarda germinar em seu coração. Vamos levar a palavra de Deus a todos os homens. Sair para recolher ovelhas perdidas e recuperar-lhes para o rebanho do Senhor. Apascentar suas almas turbulentas e conceder-lhes o presente de uma nova vida em Cristo. Trazê-las do caminho fatal da marginalidade para a luz de nosso Senhor. E sempre que vejo essas almas atormentadas, lembro-me do menino que fui e de todos os acontecimentos que me trouxeram até aqui. O Padre Néscio foi o pai que gostaria de ter tido. Um homem bom que me ensinou a ser bom também. Eu aprendi com sua fé e quero proporcionar esta chance a outros jovens também. Temos de pregar a palavra de Cristo, temos de fazer brotar a esperança nas almas perdidas. Porque só ganhamos com o bem que fazemos. Temos de nos solidarizar com nossos irmãos. Não quero me destacar como o mais solidário de todos os homens. Nem mesmo me gabar por minhas ações. Eu só quero conceder a outros o presente que numa véspera de Natal eu recebi. Não apenas para salvar os espíritos dos meus irmãos, mas, também, meu próprio espírito. Vamos às ruas colher mais almas desgarradas do rebanho e disseminar os ensinamentos de Jesus, pois conforme Ele mesmo disse: “ide e fazei discípulos entre todas as nações.”( Mateus 28,19)

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Fotografia

Giordana Bonifácio

O que se esconde por detrás deste sorriso?

Imagem que recorda um perdido passado.

De uma época em que nós não tínhamos juízo.

Pergunto: o que será que fizemos errado?

 

As fotos felizes hoje tristes se tornaram.

O ontem que restou apenas ao papel restrito.

Enche o hoje de profunda mágoa. Só sobraram,

As memórias de um amor que se cria infinito,

 

Mas revelou-se só um terrível engano.

Fui acometido deste sentimento insano.

E minha dor é eterna como a fotografia.

 

Não pode amar quem no ser amado não confia.

Sou eu o culpado? Será este o motivo do fim?

Meu erro foi querer ter você só para mim.

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Não é fácil ser eu.

Giordana Bonifácio

Penso que as pessoas estão erradas quanto a mim.

Não compreendem o que sou, meus desejos enfim.

Têm de mim uns conceitos em que não me encaixo.

Acreditam que sou triste por falar baixo,

 

Pensam ser fraco só por evitar conflitos.

Na verdade, não estou dentre estes seres aflitos.

Quando quero, sei ser forte e uso minhas armas,

Vencendo meus problemas de todas as  formas.

 

Contudo, ser eu não é fácil de jeito nenhum.

Muitos julgam que não sou igual a qualquer um.

Mal sabem que também encaro meus embates.

 

Mas sei que não valho em ouro quaisquer quilates.

Sou pessoa simples: minha vida é uma procura,

E a dor de ser, para mim, também perdura.

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“Maiori forsan cum timore sententiam

 in me fertis quam ego accipiam.”¹

Sobre as sentenças e as penas

Giordana Bonifácio

Eu sempre fui uma crédula. Acreditava poder fugir do destino a que o mundo nos sentencia, que meus sonhos seriam alcançados unicamente em razão de meus conhecimentos, que a vida não fosse pesar sobre mim com a força de mil toneladas e que o futuro era mágico unicamente por ser a conclusão de minhas expectativas. O futuro se fez presente e nada, nada do que tanto ansiei chegou junto com ele. Apenas um tanto mais de responsabilidades e culpas. E eu aqui esperando, empreendendo meus mais firmes esforços para chegar a algum lugar. Mas creio que o que procuro está cada vez mais distante de mim. Como se as minhas ações só resultassem em mais arrependimentos. Queria poder reinventar-me para transformar tudo que sou e não queria ser. Para que não me subestimassem como o fazem tão frequentemente. Ninguém valoriza minha dedicação, concluem: “ela é inteligente”, mas a partir daí, não tenho qualquer retribuição por minha busca tão árdua pelo saber. Dizem que escrevo bem, que minhas crônicas são loquazes e meus comentários mordazes, mas a maioria destas pessoas não se preocupam nem mesmo em ler meus textos. Às vezes, chego a pensar que me sabotam, que destroem minha reputação pelas minhas costas. Só pode ser esta a mais provável causa de minha vida andar em constante révès. Sinto que não alcancei quase nada e que tudo que estudei e venho estudando não será jamais utilizado em coisa alguma. Ficarei com tudo isto, toda essa gama de sabedoria acumulada mas sem qualquer serventia. Estou encarcerada num mundo muito distante do que imaginava. Sou uma alienígena nessa terra. Não compartilho nada em comum com os que me cercam. Talvez, porque não consiga ver o mundo sem o constante crivo do meu intelecto. Não sou um grande gênio, mas a inteligência que me cabe é muito seletiva. Não consigo parar de pensar. É-me impossível divertir-me de uma forma não cultural. O mais engraçado é que os que não chegam a pensar tanto ganham salários bilionários. Será que há algo errado comigo?

Dizem, no campo científico da psicologia, que existem diversos tipos de inteligência. O problema está na valorização de umas em detrimento das outras. Alguém que não chega a concluir o ensino médio é bem melhor remunerado e bem colocado profissionalmente que um pós-doutor, esse último obtém diversos títulos que avolumam seu currículo lattes, mas nem mesmo todos estes títulos poderá reverter-se em algum ganho material. Na verdade, o saber é quase um desperdício de dinheiro. São inúmeras viagens, estudos, horas perdidas na frente do computador, pesquisa frequente e muita coragem de ouvir uma centena de “nãos”. E eis que uma pequena oportunidade  pode ser aquela que vai destacar aquele estudioso. Contudo, mesmo esse reconhecimento não será o bastante para remunerar tanto esforço. Por isso, ser cientista, escritor ou pesquisador é quase um martírio. Os grandes artistas, como Gauguin só foram reconhecidos quando mortos. Temo que eu siga por este mesmo caminho. Ou, talvez, que nada do que escrevo, seja jamais lido por ninguém além do meu círculo restrito de amigos. É certo que nem mesmo estes, são frequentes leitores de meus trabalhos. Um escritor sem leitores na verdade não é um escritor, tão somente alguém que se confessa para o computador. E essa máquina não nos diz nada além de que esta ou aquela palavra está com a grafia errada. No fim, somos mudos e persistentes. Falamos, porém nossa voz não é ouvida. Somos solenemente ignorados pelo mundo. Como se faria a uma criança birrenta. “Se continuar escrevendo assim, ficará de castigo eternamente.” Repreende a nossa fraca consciência. E sabe-se como são teimosos esses tais que gostam de contar histórias. Falamos e falamos, invadimos o ciber-espaço com nossa arte. E o que ganhamos com isso? Um elogio enivezado que na verdade significa, “pobre coitado!”

Estou perdida nesse mundo competitivo em que a arte ocupa um espaço ínfimo na vida das pessoas. Não que me considere uma artista, sei que escrevo histórias, e que muitas delas sequer se aproveitam. Espero que alguém escute estas lamentações e condoa-se de minhas dores. Venho pesquisando, lendo e constuindo uma verdadeira bagagem literária. Literalmente, pois tenho um conjunto de mais de trezentos livros literários e outros tantos científicos. Mando originais com frequência para várias editoras, mas venho acumulando tantos “nãos” que minhas esperanças estão esmorecendo. Um pequeno passo para mim, é um grande salto para minha jornada rumo ao sucesso de minhas obras. Tenho vários contos e livros publicados, mas uma gama muito pequena de leitores. Um mínimo a quem devo muito. É composto principalmente de amigos fiéis que estão comigo nessa luta. Porém, jamais atribuem o que escrevo a minha pessoa, dizem que não conseguem conceber a mulher que escreve meus textos seja tão diferente da pessoa que costumo ser. Consideram a escritora mais madura e decidida que a pessoa insegura e ingênua que aparento ser. Mas na verdade sou ambas. É que me subvalorizam, como já disse. Não conseguem acreditar no conhecimento que amealhei por tantos anos. E há aqueles que desconfiam de minha autoria. Duvidam, mais uma vez e fazem pouco dessas frases e pensamentos que não chegam aos olhos ou ouvidos dos leitores. E acabo por também não dar muito valor ao que faço. Muitas vezes, doo meus livros no vão intuito de fazer com que, caso essas pessoas venham a ler e gostar, comprem outro. É ingenuidade, confesso. Quando vejo as vendas pífias da minha obra, sinto fraquejar as minhas estruturas. Fico sempre procurando respostas. Maldigo meu estilo, sinto desprezo pelo público que me rejeita, fico deprimida e, por fim, chego a conclusão que o peso da vida esmaga-me com toda a força. E fico cada vez mais certa que tudo que tenho, apenas esse saber tão dificilmente auferido, vai restar restrito a mim somente. Minhas palavras vão jazer comigo, no mais completo esquecimento.

A citação que abre essa crônica foi a frase dita por Giordano Bruno ao ser sentenciado à fogueira pela Santa Inquisição. Significa: “talvez sintam maior temor ao pronunciar esta sentença do que eu ao ouvi-la”. É o que digo para mim somente, quando começo a pensar que tudo que escrevi, toda essa quantidade de sonhos que transformei em palavras, fique restrito apenas ao papel. As pessoas me condenam ao esquecimento, eu respondo que talvez essa sentença seja fruto do medo delas em ver algo de minha autoria chegar ao conhecimento do grande público. As editoras me viram as costas, mas aos grandes figurões do cenário televisivo são muito aceptivas. Uma editor a que me dirigi foi contundente em suas críticas a minha obra. Ele disse que meu estilo era chato e comum, acrescentando que jamais conseguiria publicar meus textos e que desistisse do único sonho que me restou. Outro, solicitou que lhe apresentasse um plano de vendas para meus livros e que convencesse a editora a me publicar. Confesso que não sabia nem o que dizer. Sempre pensei que o trabalho do escritor se restringisse às horas solitárias divididas entre ele e seu computador, nada mais. Sei que muitos escritores estão bem atualizados quanto ao mercado literário, como se comportam as preferências de público e todas essas coisas em que nem consigo pensar quando escrevo. Dizem que escrevo só para mim. Deve ser verdade, o maior prazer da escrita está em seu ato. Se o que escrevemos vai ser lido é apenas consequência desse prazer. Contudo, depois de tantos anos escrevendo para o vazio, começo a sentir-me um tanto solitária. Sabem como é procurar eternamente por respostas às mais difíceis questões? Aquilo que foi abordado à exaustão em minha obra, mas que pela falta de leitores nunca foi submetido a debate. Não há um diálogo com o leitor. Pelo simples motivo que não há leitores. O mundo me condenou ao silêncio. Roubaram minha voz e concederam-na para pessoas que brilham por qualquer motivo, exceto por seu intelecto. E nem sou tão inteligente assim. Como uma professora que marcou minha adolescência achou necessário alertar-me, lembro quando ela disse que eu não era inteligente, apenas muitíssimo esforçada. O problema é que vejo todo meu trabalho não obter qualquer resultado. Mesmo assim continuo pensando que a pena de queimar na fogueira do esquecimento é dura, mas não tanto quanto o medo daqueles que não permitem que eu cresça.

1.  Gaspar Schopp de Breslau, convertido ao Catolicismo e protegido d oPapa Clemente VIII; é considerado certo que o autor do relato esteve presente ao julgamento de Giordano Bruno.

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