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Poesia para a Lua

Giordana Bonifácio

Entregue a devaneios,

Sonhando acordado.

Não me podam arreios,

Já não estou amarrado.

 

A Lua é minha amiga

Segue aqui ao meu lado.

Avesso às intrigas,

De Diana encantado.

 

Eu vou criando poesia,

Com minha solidão.

A rima é cortesia

 

Que os astros lhe dão.

O silêncio anestesia,

Da dor, a imensidão.

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Ouça-me…

Giordana Bonifácio

Ouça-me pois tenho tantas coisas a lhe contar.
Este mundo é perverso, aqui não me faço ouvir.
Não existe para mim a condição de um porvir.
A vida é um quebra-cabeças que não pude montar.

Só peço que ouça, pois minha história vou narrar.
Eu nasci para ser mais um gauche na vida.
Gravadas no meu peito tenho só feridas.
A felicidade não pude jamais agarrar.

Estou certo que sou o maior dos maiores fracassos.
E na estrada não me podem contar os passos.
Estive anos a esta dor acorrentado.

Numa procura sem qualquer fim ou resultado.
Ouça-me que minhas mágoas quero disseminar.
É infinita a solidão e a dor não vai terminar.

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Ludibriando a Morte

Giordana Bonifácio

Nas noites frias só com a luz da lua trajada.

Segue aquela de quem temo ver até a sombra.

Trata-se de um fantasma que me ronda e assombra.

É a morte que deixando à mostra a branca ossada,

 

Vem ,com grande frequência, aos meus sonhos visitar.

Ouço-a com extrema clareza narrar meu fim.

A implacável vigia-me e não se apieda de mim.

Vejo-a, à minha face, com faiscantes olhos fitar.

 

Ela ameaça-me, eu aqui existo ainda, sou bem teimosa.

Mas ela é pertinaz, não desiste de minha alma.

Aguarda minha morte silenciosa e calma.

Jamais se viu outra dama de si tão orgulhosa.

 

Ela pretende guiar-me à barca do rio Aqueronte

Mas não respondo aos seus apelos, eu a ludibrio.

Chego a sentir de seu hálito o pútrido frio.

É certo que presente está no meu horizonte.

 

Sei que eternamente a enganar é impossível,

Mas aqui nesse mundo vou somando tempo.

A morte é apenas um pequeno contratempo.

“Daqui não irei tão cedo!”,ouviu, dama insensível?

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Não acontece só nos filmes

Giordana Bonifácio

“-Eu sei que você não está acreditando em mim, mas aconteceu da maneira exata que eu relatei-lhe. É isso. Quer que eu repita? Tudo bem, mais uma vez:

Estava caminhando pelo centro de Brasília, perto da Rodoviária do Plano Piloto. Havia acabado de sair do trabalho, era umas 4 da tarde. Meu emprego é ali perto, no Conic. Trabalho numa loja de instrumentos musicais. (Posso dar o número de telefone, caso queira conferir com meu chefe.) Pois é. Saí do trabalho e atravessei a pista. Tinha de passar na Galeria dos Estados, minha irmã é cabeleireira num salão lá. Foi quando cruzei com a Kumiko. Ela parecia perdida e aproximei-me dela por cordialidade. Ela não sabia como ir para a casa de uma amiga no Lago Sul. Pelo menos, foi o que eu entendi. Ela não falava bem o português e meu inglês é sofrível. Estava explicando para ela como chegar ao Lago Sul de ônibus. Porque ela era muito simpática e, claro, bem bonita, resolvi acompanhá-la à Rodoviária. Fomos conversando, ela dizia amar o Brasil e que era a primeira vez que ela vinha à Brasília. Citei os pontos turísticos mais comuns para ela. Kumiko agradeceu-me bastante. Ficou aliviada por minha solicitude tirar ela da enrascada que estava. Foi então que me explicou toda esta história de máfia chinesa e tudo mais. Não compreendi muita coisa. Juro, ela mencionou esse tal Syaoran, mas nem sabia tratar-se de uma pessoa. Quando o ônibus parou na Rodoviária pensei que jamais veria Kumiko outra vez. Ela pegou o ônibus, eu disse a parada em que ela deveria descer e o valor da passagem. Ela despediu-se com um abraço e muitos agradecimentos. Acho que foi nesse momento que ela colocou o microchip no meu bolso. Não sei nada de pirataria industrial. Sou um rapaz pobre e simples. Não conheço essa gente e nem faço parte desse esquema todo de ladrões. Nem sabia nada de máfia alguma até ontem.

Invadiram a quitinete que divido com minha irmã em busca desse raio de microchip. Fiquei assustadíssimo quando cheguei, não sabia que estava com esse negócio no bolso, e eles reviraram tudo em casa: rasgaram sofás, colchões, almofadas. Quebraram até nossa tevê. Dá para acreditar? Chamei a polícia imediatamente. Registrei ocorrência e tudo. Foi no momento que fui tomar banho que achei esse quadradinho estranho em meu bolso. Fiquei imaginando como fora parar lá. Sem respostas deixei-o sobre a camisa na pia e liguei o chuveiro para tomar banho. Já estava só de calça quando um grupo de chineses mal encarados invadiu a quitinete que divido com minha irmã todos fortemente armados. Traziam Kumiko também, quando a reconheci, percebi que as mãos dela estavam amarradas nas costas. Foi quando ‘caiu a ficha’. Kumiko de repente estava falando, num português muito bom, para que eu pegasse o chip e corresse. Eu não queria confusão, só queria que todos fossem embora, entende? Eu falei para os mafiosos não atirarem, que eu entregaria o que eles queriam. Kumiko implorou: ’não faça isso, eles vão me matar’. Eu fiquei com pena dela, sabe? E ainda por influência dos filmes que a gente assiste no cinema, desses americanos destemidos lutando com mafiosos e desmontando quadrilhas inteiras de bandidos… Enchi-me de coragem! Fui para cima deles, puxei Kumiko, e eles se assustaram com minha ação. Não esperavam isso de um simples vendedor. Começamos a correr. Eles não se atreveram a usar as armas dentro da cidade, mas corriam muito. Muito mais que nós dois. Foi quando passou um ônibus, nem sei bem para onde, que parou no ponto. Rapidamente entrei nele com a chinesa que me meteu nessa confusão toda. Sim, eu moro em Samambaia com minha irmã, a cabeleireira. Ela não estava em casa. Trabalhava dois períodos, eu, apenas um. Como os mafiosos descobriram meu endereço? Eu havia falado para Kumiko, (nem sei se esse é o nome dela realmente), onde morava. Aliás, ela arranjou um meio de arrancar esta informação de mim. Nem sei como falei para ela. O certo é que antes de ser presa pela máfia ela já sabia onde era meu apartamento.

Estávamos os dois escapando da máfia. Eu confesso: estava me sentido o Bruce Willis. Kumiko contou-me outra história sobre as grandes corporações chinesas. E disse trabalhar como espiã para o governo chinês. E que os homens que a haviam prendido tratavam-se de mafiosos. Foi a deixa para ela deitar a cabeça em meu ombro e chorar copiosamente. Fiquei comovido e já disse, eu me cria o verdadeiro herói do cinema. Disse para passarmos numa delegacia e que os mafiosos deveriam estar perseguindo o ônibus. Ela falou que era muito arriscado envolver a polícia brasileira nisso tudo. Perguntou se eu ainda estava com o microchip. Tirei-o do bolso e entreguei a ela.  Quando o guardou numa espécie de caixa, ficou mais aliviada. Paramos no último ponto, já era noite. Estávamos em Águas Claras. Por sorte, os mafiosos não seguiram o ônibus pela cidade inteira. Perguntei o que faríamos naquele momento. Kumiko tirou uma chave mestra do bolso e abriu um carro. Eu disse que aquilo era roubo e que não entraria naquele veículo. Ela tinha bons argumentos. Disse que tinha imunidade.  Nos filmes a gente vê esses espiões com licença até para matar! Eu acreditei. Entramos no carro depois que ela desligou o alarme. E para minha surpresa ela conhecia Brasília muito mais que eu. Entrava por ruas e avenidas que nem sequer sabia existirem. Perguntei onde estávamos indo. Ela disse-me que estava apagando nosso rastro. Ela era espiã! O que esperava que eu fizesse? Foi quando o meu celular tocou. Era minha irmã. Os mafiosos tinham feito ela refém. Queriam trocá-la pelo microchip. Eu pedi para que Kumiko voltasse. Afinal, não poderia abandonar minha irmã. Foi quando descobri que ela não era a vítima da máfia que afirmava. Ela respondeu-me que não voltaria por uma irmã sem valor. Tentei parar o carro. Ela lançou-me para fora dele. Estou todo arranhado por causa disso. Caí no acostamento e fui rolando na pista.

Eu só pensava em voltar para casa e salvar minha irmã. Não sabia como. Porque estava sem dinheiro, sem camisa e todo esfolado no meio da rua. Quem daria carona a um homem nessa situação? Porém, um casal de velhinhos, com pena de mim, parou o carro. Deram-me carona até Samambaia. Evitei contar a história toda para eles, pois iriam achar que eu era maluco. Quando cheguei a nossa casa, minha irmã estava amarrada numa cadeira no centro da quitinete e um dos mafiosos, que disseram tratar-se de Syaoran, estava sentado ao lado dela. Ele tem duas tatuagens de dragão em cada braço que ficavam a mostra fora manga da camisa polo que vestia. Segurava uma faca afiada e olhava-me maliciosamente sobre os óculos. Perguntou-me pelo chip. Contei o que havia acontecido. Ele gritou que era mentira e queria saber como conhecia Kumiko. Eu tentei explicar tudo como estou dizendo a você nesse momento. Ele não acreditou. Bateu-me com extrema violência, chutou-me, mas quando viu que nem eu ou minha irmã não tínhamos nada a oferecer-lhe, ele abandonou-nos. Liguei rapidamente para a polícia, mas riram de minha história e disseram-me para não passar trotes para o número de emergência. Na televisão, mais tarde, vi a foto de Kumiko. Os jornalistas disseram ser uma espiã internacional, com diversos nomes, e que estava foragida aqui no Brasil. Procurei o telefone da polícia federal então. Informei o ocorrido e finalmente me deram ouvidos. Avisei que o carro que Kumiko estava era um Vectra modelo novo prata. E assim fecharam as estradas de saída de Brasília. Não sei se conseguiram parar o carro em que ela estava. Não sei nem mesmo se ela foi presa e se estava ainda com o microchip. Só soube que todo este caso estava ligado à pirataria industrial quando vocês informaram-me. Eu e minha irmã somos vítimas de tudo isso. Não sabemos o que tem no chip e nem sabíamos quem era Syaoran até que nos informaram. Eu não estou envolvido em nada disso. Só queria voltar para casa agora e tentar dormir. Amanhã, tenho de relatar essa história toda, mais uma vez, ao meu chefe. E o pior: tenho certeza que ele não acreditará em uma vírgula sequer. Será que vocês podem me dar alguma declaração justificando minha falta ao serviço hoje? Estou liberado? Tudo bem, eu prometo que eu e minha irmã vamos prestar todas as informações que a polícia precisar. Mas me diga algo, vocês prenderam Kumiko e os mafiosos? É sigiloso? Ok, eu entendo. Engraçado, não é? Eu sou a prova viva que isso tudo não acontece só nos filmes. Obrigado senhor policial. Um bom resto de noite para você.”

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