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Monstruosidades

Giordana Bonifácio

Creio que o mundo está repleto de monstros, pois não são homens e mulheres os seres que perpetuam crimes atrozes. Será que está apenas na natureza humana a necessidade de matar outro da mesma espécie por motivos muitas vezes banais? Inúmeras atrocidades presenciamos nos últimos anos e parece que a lista de atos brutais não tem mais fim. Ontem, tão perto do Natal, houve mais um massacre em uma escola primária nos Estados Unidos, desta vez em Connecticut. Um atirador abriu fogo contra crianças e professores deixando um saldo de 27 mortos. O que será que motiva alguém a matar inocentes? São pessoas que não têm nenhuma ligação com os males que assaltam o coração desses ilustres assassinos. Portanto, não deveriam ser alvos destes últimos em lugares que se criam protegidas. Nem mesmo o avançado sistema de segurança da escola primária de Connecticut foi suficiente para manter crianças inocentes a salvo da fome de sangue do monstro que atirou contra elas. Aqui no Brasil, também registramos casos de extrema maldade que deixaram chocada toda a população. Um fato que muito me deixou aflita foi a terrível morte do menino João Hélio que foi arrastado até a morte por ladrões de carro. O sofrimento da mãe daquele menininho me deixou profundamente tocada. Pois naquela época meus sobrinhos tinham a mesma idade de João Hélio. E lendo nas revistas como sofreu aquela criança, fui levada a imaginar como eu ficaria se algo tão horrível acontecesse aos meus sobrinhos. Então pensei que não suportaria se algo assim se passasse com alguém tão próximo. Fui levada às lagrimas. Não aguentei nem mesmo imaginar toda dor que uma criança tão frágil sentiu. Mas, o que ocorre se os assassinos são seu próprio pai e madrasta? Foi o que aconteceu à Isabella Nardoni cujo pai não teve nenhum escrúpulo ao jogar a própria filha do sexto andar do prédio em que morava. Não antes de espancar a criança de seis anos e fraturar-lhe a bacia.

O que está acontecendo com o mundo? Quando nem mesmo nossas inocentes crianças estão protegidas, qual saída nos resta? Sofri com a repercussão desses casos, bem como agora estou compadecida como as mortes em Connecticut. Será que poderíamos ter feito algo? Será que poderíamos ter agido de modo diferente para evitar que ações tão cruéis viessem a ocorrer? O pior é que a nossa resposta é positiva. Precisamos ensinar valores a nossos filhos, para que no futuro não se tornem assassinos cruéis. Se fugirmos de impor limites, estaremos criando homens e mulheres perversos. Pois as crianças que não recebem uma boa educação hoje, serão os monstros de amanhã. Devemos ensinar nossos filhos o dom da compaixão e da generosidade. Antes somente a imagem do Papai Noel era suficiente para despertar a bondade no coração dos pequenos. Hoje, as crianças não mais acreditam nessa figura mágica e já possuem noção que são os pais que lhes presenteiam. E pedem brinquedos cada vez mais caros inacessíveis aos seus progenitores. Já não se contentam apenas com um carrinho ou uma boneca. Atualmente, exigem computadores, videogames e tablets símbolo do consumo desenfreado que persevera na sociedade. Papai Noel serve tão somente para tirar uma foto no Natal. É bem difícil fazer com que as crianças permaneçam inocentes com essa gama de informações tão difundidas por meio da internet e da televisão. Não que esteja colocando a culpa de nossas ações na mídia, nem mesmo na rede mundial de computadores. Ao contrário, vejo tais meios de comunicação essenciais ao mundo moderno.  Acho fascinante terem destituído ditadores no mundo árabe com auxílio da internet. O problema é que os pais não filtram as informações que chegam aos seus filhos. Até mesmo pornografia pode ser acessada facilmente por crianças hoje em dia. Então, mais uma vez a culpa de tudo recai em nós, adultos, que não soubemos educar nossos filhos.

Temos de estar atentos, pois criar crianças não se resume em nutrir e pagar brinquedos caros. Está na quantidade de afeto que você passa àquela pessoazinha e nos limites que a impõe. Ser mãe ou pai é bem mais complicado do que aparenta. Pois gerar um filho é deveras fácil e possível a qualquer um. O difícil é promover o crescimento sadio deste ser humano. É necessário conscientizar-se que crianças são homens em formação. O que podemos garantir para seu futuro é apenas o caráter. Isto porque as crianças, em sua grande maioria, as de escassas condições econômicas, veem na vida fácil dos traficantes, um modelo a ser seguido. Então, cabe aos pais conduzir estas mentezinhas para o caminho do bem. Os pais devem se imiscuir na vida dos filhos. Devem ser presentes. Não podem faltar às crianças em razão do trabalho ou por qualquer outra causa. Esses dias, fiquei extremamente triste em função de uma menina de 11 anos ter engravidado do namorado de 14. O mais difícil de acreditar foi o fato de ela ter querido mesmo engravidar. Qual futuro uma criança pode garantir a outra? Sem emprego, será mais uma família a se sustentar mediante o assistencialismo do governo. Será mais um grupo familiar que viverá com mirrado dinheiro auferido da bolsa família. É este destino que queremos para nossos filhos? Então, melhor mudarmos nossas posturas como pais. Não devemos legar apenas à escola a educação das crianças. Os professores ajudam, mas não fazem tudo. Justamente porque são professores e não, pais. O que estou querendo dizer é que a maior responsabilidade na educação de uma pessoa pertence aos pais. Estes não podem se eximir de seu grande dever. Devem colocar seus filhos como maior prioridade. Foi o que aprendi com minha mãe. Quantas vezes não a vi comprar roupa para seus filhos enquanto ela própria não tinha nada bonito para vestir no Natal? Pais devem ser pais, ou seja, devem pensar primeiro no futuro dos filhos antes de si.

Educando as crianças, fornecendo a estas noções de caráter, bondade, compaixão e generosidade, hoje, poderemos evitar que estas sejam os monstros de amanhã. Pois o que falta aos jovens é justamente a noção de limites. Devemos aprender com os erros para transformá-los em acertos.  É fundamental educar antes de tudo. Porque educação abre os caminhos entre as selvas mais fechadas. Não apenas o conteúdo que se aprende na escola, mas também lições primordiais que devem ser ensinadas em casa. São noções básicas fundamentais a índole do indivíduo. Vou citar algumas a título de exemplo, mas existem outras cuja necessidade é primordial e devem ser também transmitidas no ambiente familiar. Assim, os pais devem ensinar os filhos a partilhar e, ainda, a se condoerem por seus iguais. Devem fazê-los conviver com as diferenças sem qualquer sinal de preconceito. Porque as crianças só discriminam aquilo que lhes foi previamente designado como errado. (Sofri muito bullying nos meus tempos de escola. E, não vou mentir, deixou-me marcas profundas). As crianças não devem copiar o comportamento dos adultos. Mas formar com a ajuda destes seus próprios pensamentos e convicções. Não precisamos apenas da figura Papai Noel para ensinar generosidade a estas pessoinhas. Mas também do exemplo dos adultos. Pois minha mãe já dizia: “lição de casa vem à praça”. Somos nós, adultos, os grandes responsáveis por estas terríveis monstruosidades que se perpetuam pelo mundo. Fomos nós que não soubemos educar nossos rebentos. Estes que nunca tiveram noções de humildade, como podem ser humildes? Estes que nunca foram ensinados a serem generosos, como podem sê-lo? Portanto, cabe aos pais formarem os homens do futuro. O que fazemos no presente é base para o que nossos filhos farão amanhã. Temos de estar cientes de nossa culpa. Fomos nós que fugimos de nossa responsabilidade. Porque filhos não se criam sozinhos, somos nós que incutimos neles o necessário para viver em sociedade. Se não mudarmos nossas ações para com nossos filhos presenciaremos muito mais atrocidades que aquelas que citei. Então, estejamos certos, os monstros que atualmente nos chocam, foram as crianças que não soubemos criar.

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A morte da infanta

Giordana Bonifácio

Quando nasceu, já tinha saúde muito frágil.

Foi detectada logo a grande enfermidade.

Tão fraquinha ela…  Já me doía que não fosse ágil,

Tal qual as outras crianças da sua mesma idade.

 

Sempre doentinha, pouco aproveitou da vida.

Partiu ela, numa noite deveras escura.

Porém, não será minha pequena esquecida.

Levou consigo sua beleza e formosura.

 

Contudo, semeou em nossa alma muita saudade.

No instante final serrou os olhos com suavidade.

Pensava que iria dormir e não que falecia.

 

O pior é que era certa a terrível profecia:

Padeceria, até partir um dia docemente.

E levaria consigo o coração da gente.

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Muito barulho por nada

Giordana Bonifácio

Eu sei que vim cometendo uma série de falhas em minha vida, que tudo poderia ter tomado um destino diferente se apenas houvesse desistido de meu orgulho e do falso conceito que tinha sobre mim. Lutei desesperadamente contra a correnteza que me puxava a cada braçada desse rio de lamentações em que me tentava nadar, mas me afogava. Eu lutei demasiadamente. Estava em embate comigo mesma desde e o início. No limite de minhas forças, deixei-me levar, fui arrastada para dentro do que eu era. A mulher que havia me tornado não era jamais a que entendia por mim. Não sabia o que era eu, o que era meu. Era na verdade uma pintura disforme que tomou o meu lugar. O retrato de Dorian Gray havia assumido o controle e o corpo frágil que se deteriorava estava preso à tela. Então, fiz o mais difícil: desisti, juntei um tanto assim de cacos do que eu era e usei para reconstruir minha nova imagem. Sabem que, quando varremos as derrotas para debaixo do tapete, sempre sobra algo para nos lembrar daquela ferida, não é? Sei que não saí vencedora. Perdi. Sim, sofri o cheque-mate quando ainda preparava meu ataque. E não há como esquecer nossos erros, mas há como aprender com eles. Comecei a recriar um método de vida. Não lamentando o passado, mas o usando como um exemplo para o futuro. Desisti de minhas novelas passionais regadas a muito arrependimento e dor. Deixei meus sonhos enclausurados tempo demais dentro de mim, é hora de deixá-los partir.

E foi pensando em uma maneira totalmente distinta do que cria ser minha verdade que pude reerigir uma nova realidade.  Tudo que acreditava sofreu uma grande transformação.  O momento deixou de ser “apenas um momento” para ser “meu momento”.  Uma série de coisas foi acontecendo, com a força de mil turbilhões, de tal forma que virou meu mundo pelo avesso. Nem sabia quem era quando tudo terminou. Pensava que era algo e na verdade não o era. Cria possuir algo que na verdade sequer detinha.  E fui me desfazendo e me reconstruindo. Foi reformando a minha casa, tão estragada por tantos embates, que consegui chegar aonde não acreditava que chegaria. Foram muitos passos até aqui. Nem sei se estou agora no caminho correto ou se existe outro destino certo a se alcançar. Mas estou aqui. E o momento existe. A vida canta afinada quando não estamos lutando por ela ou com ela. Havia uma passagem que não pude transpor, por medo, inexperiência, por não saber se deveria ou se acaso poderia fazer isto. São dilemas morais que nos perseguem e que deles não podemos fugir. Tentei ser como queriam que eu fosse. Todavia, estava sendo excessivamente violentada na minha personalidade, minha autenticidade estava sendo demolida por milhões de opiniões que não procuravam meu bem-estar. É desconfortável estar sob a pele de cordeiro. O lobo sempre se apresenta. Creiam em mim.

E minhas dúvidas morais estavam me enlouquecendo. No final pude ser quem eu era realmente. (Será?) E se ainda fosse possível dizer que me arrependo por ter pensado que poderia ser apenas o reflexo do que entendiam que eu deveria ser, eu diria. Mas o importante é que mudei o rumo da embarcação. Deixei de lutar contra a força deste rio. Na verdade, navego numa frágil jangada, muito avariada pelo poder das correntes que enfrentei.  Por isso, agora é perigoso até mesmo seguir pelo curso que determinam essas águas. Mas estou me deixando levar. Pelos sentidos que tentei negar, pelos vales que abandonei quando estava terrivelmente seduzida por uma vida que não poderia ser minha. Fui abandonando-me em diversos lugares. Resta um tanto de mim no que construía e principalmente no que reconstruí. Fui eu quem fez todos os projetos, mesmo que não fossem condizentes com o que eu era. Fui aceitando a opinião dos outros, que me sussurravam as respostas dos dilemas que deveria responder sozinha. E agora estou aqui, nesse beco sem saída tentando voltar para o caminho que me leve à saída do labirinto da vida. O Minotauro que nos persegue é o mito de nossos medos. E sei que se abrir novamente o mapa – sim, há um planejamento prévio de nossas buscas – posso encontrar uma rota diferente que me deixe onde quero realmente chegar.  Mas nem sei ao certo para onde quero ir. Estou perdida entre tantas possibilidades. O que me entristece é que, quando quero me encontrar, percebo como as chances que perdi me modificaram. Eu fui ruindo aos poucos. Como as casas invadidas pela maré. Vesti-me de fantasias que cobriam não só meu corpo como minha alma. Não sei quem eu era. Mas, não era eu.

Quando percebi que a pintura me dominava, libertei-me das correntes que me aprisionavam. Rebelei-me contra a força que exauria minha autenticidade. Tive medo, como é comum. Ninguém desiste sem um tanto considerável de feridas marcadas eternamente em si. Mas me segurei no que me restava de coragem, (uma quantidade mínima devo ressaltar), e assumi a responsabilidade de meus atos. Esvaziei os bolsos, despi-me de meus pertences e escolhi viver como não imaginava que poderia. Contudo, há ainda os que me desanimam a prosseguir, que me desacreditam frente ao sonho. Dizem que não sou capaz e que minhas buscas apontam para mais uma quimera. Não sei se estão certos, se estou mais uma vez a combater moinhos de vento. Se é loucura e só. Se estou, novamente, em busca de aventuras que inexistem montada sobre meu magro e velho Rocinante. Sei apenas que quero tentar. Mais uma vez somente. Porque não me senti realizada anteriormente e agora me creio completa. Como se minha busca fosse o reconhecimento que só vim alcançar quando não mais o procurava. E denominam minhas lutas de “quixotianas”. Sei que sou guiada pelas forças dominadoras da minha imaginação e que não vale a pena confrontá-las. Se vejo um elmo mágico numa simples bacia de barbeiro que assim o seja. Os homens não conseguem mais viver no “faz-de-conta” quando a força dos anos os obrigam a crescer. Envelhecer poderia ser muito menos devastador se pudéssemos levar a nossa imaginação conosco. Mas a sociedade não nos permite. Somos taxados de excêntricos e loucos. E o mundo torna-se cinza e sem graça.

Eu resolvi colorir minha história. Uso cores frias e quentes para dar vida aos meus sonhos. Não sou mais o retrato, mas o pintor. Não sou mais a imagem, mas a modelo. Vou apagar as minhas faltas, mesmo que o papel já esteja demasiadamente marcado, resta-me a possibilidade de virar a página. Vou começar a reescrever minha história, ainda que não queiram ler, que esta fique restrita às páginas esquecidas desse livro, abandonado eternamente na estante sem que suas páginas de sonhos sejam abertas, é, porém, um firme intuito que possuo. Sofro profundamente com a expectativa de as histórias que aqui escrevo, possam sair do papel, em que as marco com ferro em brasa, e tomem conta de minha vida. Não sei se seria bom ou ruim. Talvez aconteceria de selar meu rocim e munir-me de um escudeiro bonachão para seguir pelo mundo a procura de reconhecimento pelas minhas insanas desventuras. Pode acontecer de ser motivo de chacota e pedradas dos que muito auxiliei. Todavia, é a minha vida que tenho em mãos. Mais que justo que seja eu quem tenha de escolher o destino que me cabe. Mesmo que não me caiba nada nesse latifúndio. Nem mesmo a terra que vá cobrir meu corpo quando a morte chegar sem advertência. Um breve suspiro levará consigo a alma libertando-me dos grilhões que me prendiam a esse mundo. Acho que quando morremos é retirado um peso imenso que existe sobre nós. Os homens enchem-se de tanto pesar que, no momento derradeiro, quando se livra de todas as culpas, o corpo, cientificamente comprovado, fica mais leve. É desse peso que quero me livrar em vida. Não quero mais viver penando as culpas que cultivei. Não vou mais lamentar as minhas amarguras nessas páginas mudas às quais atribuo uma voz que na verdade é minha. Eu sei que tudo que escrevi aqui foi um grito de desespero, uma reação de medo comum frente ao desconhecido. Só espero que, como sempre ocorre, não se mostre que fiz muito barulho por nada. Não novamente.

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