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O segredo

Giordana Bonifácio

Minha alma está num vil cárcere presa,
Soluçando suas dores entre grades.
Paixões, lá fora, são-me imensidades,
Como o são mares, tardes, natureza…

Em mim, sufocar quero esta grandeza.
Não vou dar ao coração liberdades.
É um tolo que crê em loucas inverdades.
Sei que seria uma vítima indefesa,

Dos sonhos que ainda não devem ser ditos.
Amores pelo mundo ainda interditos.
Ó almas presas, fechadas pelo medo,

Que cismam silenciosas e tão graves,
Quem é que, de suas prisões, tem as chaves?
Quem vai revelar seu grande segredo?

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Para não mais amar

Giordana Bonifácio

Chiam sob meus pés as ondas carinhosas.

As vagas possuem sabor de infinito.

Chamam por mim com vozes ondulosas.

Meu destino a ecoar num agudo grito.

 

Minhas mãos à areia buscam temerosas.

Em mente, vem-me um sonho já proscrito.

As estrelas caem em gotas luminosas,

Sobre mim. Um milagre ou tão só um mito?

 

Mas que doce tristeza, que ternura!

As lágrimas são luz na noite escura.

A dor suspira mágoas frente ao mar.

 

As lembranças visitam-me em cortejo:

O que não faria por aquele beijo?

O que não faria para não mais amar?

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Mágoa

Giordana Bonifácio

Sinto que o meu passado não passou ainda.
A ferida que não se cura mais,
Dói pela falta que você me faz.
Meu padecer é a mágoa que não finda.

Dessa lástima toda dor é advinda.
De vencê-la, sei que já não sou capaz.
Quisera na solidão estar em paz;
Nos jardins do paraíso ser bem-vinda…

Mas, à noite, um triste anjo me visita,
Cuja graça não pode ser descrita,
E traz consigo todos meus pesares.

Como vencer a força da tormenta?
Como apagar o mal que me atormenta,
Se me lança, tal penar, em bravios mares?

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Mar de dor

Giordana Bonifácio

Segurando entre os dedos minha dor.

Não é mais que um tanto de alva areia do mar.

As vagas vão e vêm, sua voz ouço me chamar.

Lá no horizonte vejo o sol se pôr.

 

Confesso às águas meus grandes pesares.

Procurei não me perder, mas foi em vão:

Foi escravo do amor meu pobre coração.

E agora sigo por tortuosos mares.

 

Não mais me vale minha amarga vida.

E a esperança há muito foi perdida.

Vejo que as ondas quebram em espuma.

 

Não há mais ninguém que guie do navio o leme.

Meu corpo frágil frente ao medo treme.

Minhas verdades já caíram uma a uma.

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Pequenas fantasias

Giordana Bonifácio

Sou pessoa que pequenas fantasias cultiva.

São belos sonhos que encarcero no coração.

Tais sementes de ilusão que me mantêm viva.

Não há como desvincular-me desta interação.

 

Somos ligadas como o são gêmeas siamesas.

Elas são parte intrínsecas de meu espírito.

São minha fuga de uma vida sem surpresas.

Fazem do meu mundo um universo infinito.

 

Várias realidades eu vivo dentro de mim.

Penso que já visitei inúmeros lugares.

E minhas viagens não terão jamais um fim.

 

Sem navio ou caravela cruzei os sete mares.

As minhas fantasias são fantásticas enfim.

Pena não poder serem vistas por meus pares.

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Amor de mãe

Giordana Bonifácio

Amor tão forte, jamais se poderá encontrar.

Essa é minha maneira de ao mundo o demonstrar.

É união que, todas as mágoas e dor, supera.

Não mudou nada no fim das últimas eras.

 

A mãe sempre foi a força que aos filhos sustenta.

Mesmo quando nos mares a tempestade venta.

“Segure minha mão” foi o que me falou na dor.

“Ao seu lado, mãe”, eu disse, “vou para onde for.”

 

A mãe que, matava os monstros, na minha infância,

Agora encontra em seus filhos a sua importância.

“Mãe, cheguei aqui por seus valorosos cuidados.”

 

Foi paciente ainda que fossemos levados.

“Mãe, ainda preciso de seus carinhos e atenção.

Pois necessito que aos meus filhos dê sua benção”.

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O espelho

Giordana Bonifácio

O espelho é objeto, para mim, deveras sincero,

Não reflete em sua face fria a imagem que eu quero.

Mas aquela que diz o que realmente eu sou.

Sou aquela árvore que no deserto não vingou.

 

Sou como a luz do farol que se vê no mar.

Que guia os navios até ao porto poderem chegar

Mas quando o navio atraca no porto, é esquecida…

Logo ela que a estes mares dedicou sua vida.

 

Eu sou uma imagem que se perdeu neste espelho.

E o que sou agora? Serei eu este que vejo? Um velho?

Recuso-me nesta feia realidade acreditar.

 

Pois minha mocidade foi um doce deleitar

E agora vejo que me escapa todo vigor.

Culpa do espelho que me revela com rigor.

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O navio

Giordana Bonifácio

Corro mares sem fim e não aporto em nenhum cais.

Sou um navio a deriva entregue ao sabor das ondas.

Sei que um anjo me sonda em regulares rondas.

Mas ele sabe que minh’alma nem me aflige mais.

 

Quando terra à vista há, vou lhes confessar: tremo.

Sou um pobre miserável e o mar é minha pena.

Sempre navegar não é condenação pequena.

E saibam que a qualquer tempestade não temo,

 

Assusta-me somente a tormenta que há em mim.

Procuro águas mais calmas, sem arrebentação.

Pois a ventania já há muito me quebrou os mastros.

 

Sem destino, com minha tripulação em motim,

Prossigo, quem comanda o leme é meu coração,

Sabe que nosso rumo está escrito nos astros.

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A sina

Giordana Bonifácio

A minha alma, eu creio, já nasceu peregrina.

Não posso fugir: navegar é minha sina.

Vou cruzando este tempestuoso oceano voraz

De minha imaginação. Ao viajante não verás,

 

Pois a desventura se conduz em lugares

Tão insólitos, que se o sonhar não incitares,

Não perceberás que estou em visita a exóticas

Regiões. Como não enfrentar questões políticas?

 

Basta começares a ler, que um universo

Abre-se. Bom hábito, este é incontroverso.

Ainda, induz a produção de conhecimento:

 

Os que leem escrevem com desprendimento.

Podes, assim, à minha sina entender enfim?

Devo o que sou aos livros, eles são tudo para mim.

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