Posts Marcados Com: madrugada

Mao-aberta-encostada-numa-janela-de-vidro-como-se-alguem-estivesse-olhando-limitado-dentro-de-algum-lugar-a-chuva-do-lado-de-fora_01

Madrugadas infinitas

Giordana Bonifácio

A solidão faz mais fria à madrugada.

Corações vazios, tão cheios de saudade,

Clamam ao amor um tanto de piedade.

A noite chora a rosa macerada

 

Que, caída no chão, jaz abandonada.

E a brisa gélida às almas invade.

Doem-me as feridas, mas não é novidade.

Longe se ouve uma música magoada.

 

Ó vigília cruel, ó tormenta infinda,

Por que fazem do insone um ser tão triste?

Ó recordações, por que vagam a esmo?

 

Não percebem o quanto machuca ainda?

Não veem a mágoa que no peito existe?

As noites mudam, só, o penar é o mesmo.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , | Deixe um comentário

Brasília-Nathalia-Prates

“Bom dia, Brasília!”

Giordana Bonifácio

“Bom dia, Brasília!” Vociferou o locutor da rádio. E a cidade, atendendo ao chamado, foi despertando aos poucos de seu sono. As pessoas começaram a sair de seus blocos e o fluxo de carros foi aumentando. Muitos já passeavam com seus cachorros pela manhã. As lojas foram abrindo, já alguns bares bem movimentados da capital não tinham sequer fechado. O sol, que subia no horizonte anil, trazia de volta à vida a cidade adormecida. Muitos engravatados chegavam para mais um dia de trabalho, nos prédios do centro de Brasília. Ônibus lotados traziam da periferia os brasilienses que aceitaram a cidade como sua mesmo se originando em outras regiões do Brasil. As escolas abriam suas portas, crianças eufóricas trocavam confidências e brincavam entre si. Os Dragões da Independência hasteavam a bandeira da república, pombos voavam de um lado a outro em busca de alimento e os engarrafamentos já se formavam nas vias de entrada da cidade. Não se ouvia buzinas, tão somente o ronco dos motores cobrados nos longos engarrafamentos nos horários de pico. Pessoas apressavam-se para não se atrasar no trabalho e o frio da madrugada já se dissipava com a chegada do sol. Bicicletas e pessoas disputavam lugar nas calçadas, uns fazendo exercícios matinais, outros seguindo mesmo para mais um dia de serviço. Alguns portavam sacos de pães para o desjejum. Mas o mais comum era mesmo portarem bolsas, mochilas e maletas. Pois o brasiliense desperta muito cedo para suas obrigações diárias. Entre os carros, policiais tentavam dar ordem ao caos do tráfego viário da cidade. Sabiás voavam entre os galhos das árvores cantando sem se preocupar com as pessoas que passavam. Ouviam-se sinais sonoros assinalando a passagem de pedestres e de um lado a outro a cidade cobria-se de pessoas. Isto, para uma cidade, é fundamental, já que o fluxo de carros e pessoas é como o sangue que corre em suas veias de concreto e asfalto. Agora já desperta, Brasília aproximava-se mais do aspecto frenético das grandes cidades.  No coração do Distrito Federal, que curiosamente tinha o aspecto de um grande avião, os passageiros eram realmente pessoas de passagem que viviam nas ditas Cidades-satélites que contornavam o Plano Piloto.

Sentindo-se ainda sonolento, um pai levava seus filhos à escola reclamando do alto preço dos combustíveis. Depois, seguiria para o trabalho num dos Ministérios de Brasília. Morava em uma cidade-satélite e estava atônito com o enorme engarrafamento que enfrentara. Dizia que dentro em breve não se poderia mais usar carros no Distrito Federal, tal era a situação dos engarrafamentos. Quando chegou à L2 Sul já era quase sete e vinte da manhã, mas saíra mais cedo para evitar atrasos. Chegaria em cima da hora ao trabalho. Mesmo assim, amava aquela terra em que tinha nascido. Amava até as terríveis secas que todo ano duravam seis meses, também o tempo gélido do inverno que implicava em temperaturas baixas o suficiente para obrigar todos a usarem casacos. As ruas numeradas e sem esquinas traziam certa originalidade àquela cidade nascida no meio do Cerrado. Algo que amava era o som das cigarras anunciando o fim do inverno e da seca, e a chegada da chuvosa primavera. Também gostava de certas expressões que surgiram em meio a essa gente que se ressente de não habitar em uma cidade banhada pelo mar, mas que ama Brasília incondicionalmente. Mesmo o fato de não haver uma tradição bem formada de festas como o Carnaval e o Ano novo, não são razões suficientes de o Brasiliense ojerizar sua cidade natal. Tomado de muita preguiça e com os músculos ainda enrijecidos de frio, o homem seguiu para o trabalho certo que sentia algo muito especial pela modernidade de Brasília que contrastava com os conservadores governantes e habitantes que se sentiam donos do país apenas por sentarem nas cadeiras do Congresso e dos Palácios. Gente que se acreditava importante, mas que desconhecia a força do povo que poderia a qualquer momento retirá-los de sua cômoda posição. O problema é que este povo também desconhecia seu poder. Chegou ao trabalho e conversou com os porteiros. Muitos o chamariam de burocrata, mas ele preferia acreditar que era simplesmente um funcionário público.

Uma mulher descia na estação do metrô na Rodoviária. Seguia para o trabalho numa loja no Conjunto Nacional, o primeiro shopping de Brasília. Era certo que não era um dos melhores empregos do mundo, mas ela acreditava que em breve passaria num concurso público e ascenderia socialmente. Subindo a plataforma superior da Rodoviária era possível ver, à frente, a Torre de tevê e, ao fundo, o Congresso Nacional e os Ministérios. Um pouco acima, avistava-se o Museu Nacional e a Biblioteca Nacional. Seria uma imagem belíssima, para quem estivesse com espírito desarmado de dores e menos acostumado às obras de Niemeyer. Os azulejos de Athos Bulcão do Teatro nacional, não conseguiam vencer as dificuldades daqueles que não nasceram em berço de ouro e tiveram de lutar pela vida desde muito cedo. Ela trabalhava desde os dezesseis anos. E seus olhos tristes já não enxergavam a beleza que havia a sua volta. O Conjunto Nacional sofrera inúmeras mudanças desde que começara a trabalhar naquele lugar. Antes era coberto de luminosos de neon e brilhava entre os monumentos da cidade. Hoje, mudaram a fachada para placas de outdoors que modificaram bastante seu layout. Talvez porque ela gostava dos neons brilhantes, mas achava que antigamente era muito mais bonito. O incomum é geralmente o diferencial no ramo do comércio. Quando se valia dos luminosos para se destacar entre os shoppings da capital provavelmente atraia mais consumidores, hoje está sujeito a ser considerado apenas mais um dos muitos shoppings de Brasília. E nem podia mais usar do slogan: “onde brilha a cidade”. Era isso que pensava, porém, ninguém sequer perguntara sua opinião sobre aquela mudança. Ela não foi consultada, nem mesmo a população, os lojistas preferiram daquela maneira. O que se poderia fazer afinal? Chegou à loja de sapatos exatamente às sete e meia, adiantada para o trabalho que só iniciava às oito horas.

Um estudante, no ônibus, enquanto seguia para a Universidade de Brasília, apreciava as belezas do cenário da capital. Gostaria de mudar as disparidades que havia em sua cidade, onde ricos e pobres retratavam o abismo social que existia no Brasil. Mas sabia que era apenas uma voz sibilante frente a gigantes. Uma simples e solitária voz descontente contra um país inteiro que se acostumou a viver com a miséria que o governo assistencialista oferecia. Um povo que não sabia que poderia mudar essa nação com sua força, que não sabia mais gritar, cuja serenidade frente aos escândalos de corrupção chegava a irritar. E os monumentos de Niemeyer retravavam uma modernidade das instituições que inexistia. Um país atrasado cuja política sempre foi um jogo de cartas marcadas, era a realidade que se apresentava na nação desde muito cedo. No Congresso Nacional, uma corja de ladrões que vestem ternos (lobos em pele de cordeiro) contestava até mesmo o poder do Supremo Tribunal Federal e suas decisões. À frente do prédio do Supremo, uma Tétis sentada, quer se fazer de cega num país em que a justiça enxerga tudo, mas se omite. No Palácio do Planalto, Dragões da Independência, vigilantes, faziam a guarda do mais alto posto do país. A Esplanada dos ministérios já não comportava todos os ministérios criados para servir de cabide de emprego. Enquanto isso, aqueles que não gozavam de privilégios partidários eram forçados a prestar concursos concorridíssimos para ascender a um emprego público. Era essa a realidade da cidade: poucos com muito e muitos com pouco. Em meio a estas imagens contrastantes, havia uma guerra entre poderes que se achavam competentes para traçar o caminho da nação. Quando chegou com uma multidão de estudantes na Universidade, o estudante ainda ouviu no rádio do celular o radialista repetir: “bom dia, Brasília!” E a cidade já estava bem desperta para começar outro dia.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

Cais

Giordana Bonifácio

Nas noites claras, porque há luar, dói-me a solidão.

Um sentimento que vem com as vagas do mar.

É um ir e vir eterno, igual à respiração.

O mar inspira e expira as ondas a borbulhar.

 

E nesse cais, distante da mágoa da vida,

Espero que mais uma noite fria tenha fim.

Bastante estou, com este mundo, aborrecida.

Não há esperanças ou, ainda, soluções para mim.

 

Minha existência é a Via Crucis que percorro.

E para mim, clemência ou piedade não existem.

Por mais que, enlouquecida, peça por socorro.

 

A madrugada sempre rósea, ao sol anuncia.

Sei que toda esta mágoa que meu dia contém,

Deixo ao mar: pena só, quem à dor não renuncia.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

 

Vagando pela madrugada

Giordana Bonifácio

Enquanto vago só por estas ruas, aflita,

uma questão primordial, a minha alma agita:

se ainda há caminhos para alguém que se perdeu,

nesses tristes vales onde apenas reina o breu?

 

Nessas ladeiras chorosas vou sem direção,

buscando respostas que pede meu coração.

A brisa melancólica enche-me de medo,

desconheço se, para o fim, ainda é cedo,

 

e se a morte pretende ao meu espírito levar.

Vejo a noite terminar num lindo alvejar.

Quero chorar. Já não sinto pavor ou frio,

 

sou vítima de uma dor e um desejo doentio

de prosseguir até fazer o corpo cansar.

Sem piedade de mim e desse meu vil penar.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

“A literatura não permite caminhar, mas permite respirar.”

Roland Barthes

O tema e o tabu

Giordana Bonifácio

Estou determinada a desconstituir tabus hoje… Há muitas coisas sobre as quais evito falar. Não porque fique acanhada com a possível reprovação das pessoas. É verdade que existe certos assuntos que se tornam verdadeiros tabus em minha escrita. Poucas vezes toco em temáticas delicadas, mas não por medo de cutucar a ferida. É comum que as pessoas estabeleçam certos pontos intocáveis em sua alma. Eu mesma fico em silêncio sobre várias coisas. Não porque não me permita falar. A literatura, que me salva inúmeras vezes de sufocar-me em realidade, é forte o suficiente para abrir a minha mente antiquada e conservadora. Saibam que é por pura falta de oportunidade não reflito sobre eles. Um ponto controverso é a minha veia política. Já me considerei muito ligada às transformações sociais outrora, hoje, creio-me muito avessa às mudanças porque passam o mundo e as pessoas. Acreditem: eu não era assim. Parece que o tempo foi enferrujando meu cérebro, desgastando meus parafusos, fiquei mais usada e menos tolerante. Tenho um exemplo dos efeitos do tempo implacável em alguém muito próximo: meu pai. Ele era um dos homens mais politicamente engajados que conheci, estava sempre pronto a liderar revoluções. O passar inclemente dos anos tornou-o menos corajoso; não, talvez o que tenha sumido de sua alma seja tão somente a esperança. Ele não acredita mais que o país possa melhorar, afinal, são tantos escândalos de corrupção, que fica meio difícil confiar em alguém. Lembro que havia discussões políticas em minha casa até alta madrugada. Eram pessoas que sonhavam. Acho que a época dos sonhos passou. O mundo nos deu um banho frio de desilusão. Nem recrimino meu pai. Chega um tempo que o corpo pede descanso. Ele não é mais tão jovem para se submeter às mesmas torturas sofridas no terrível e inesquecível período da ditadura militar. E eu também estou cansando, estou diminuindo minhas expectativas quanto ao futuro.  Já estou começando a acreditar que se trata apenas de uma promessa tão vazia de significado quanto os desejos de construção de um país melhor e mais justo. Não suporto mais esconder minha ideologia que duvida da mudança significativa da situação de nossa pátria. Não sou adepta de nenhum partido, filio-me apenas a minha razão. E tenho certas dúvidas que consigamos ser mais civilizados que hodiernamente somos.

Política é um ponto sensível. Não é recomendável a um autor ter preferências nem filiação partidária. Não sou Jorge Amado para ter uma fase comunista de porta-voz dos problemas sociais. Primeiro, porque, quem sou eu para ser ouvida? Uma tímida voz sibilante em meio a uma multidão exaltada! É assim que me sinto. Sem força para fazer o mundo desenvolver-se. A literatura não me permite caminhar como dizia Barthes, mas me possibilita respirar em meio a esse mar de lama em que o Brasil está naufragando. E sei que posso unir-me a outros pensamentos que se coadunam ao meu, mas sermos maioria, numa população amordaçada pelo assistencialismo e vendada pela impressa parcial e gananciosa, é impossível. Sei que criticar a política brasileira que conseguiu, da mesma maneira escusa que costuma agir na direção do país, trazer eventos como a Copa do mundo e as Olimpíadas para serem realizados em solo tupiniquim, é praticamente vedado. Creio que estes acontecimentos sejam apenas uma maneira de aumentar os índices de aprovação do governo mesmo em períodos de crise. Sou desacreditada quando tento revelar este jogo de cartas marcadas. Nessa mesa, quem distribui as fichas é sempre vencedor. Não há como insurgir-se frente a esta estrutura maléfica, somente se quiser ver-se destruído em menos de uma semana. Acabarão com seu prestígio, destruirão sua família e provavelmente, dependendo do grau e gravidade de suas denúncias, é possível que você apareça morto sem aparente motivo ou suspeitos do crime. Por isso, compreendo meu pai. Não há mais pelo que lutar. Bem como, não existem alternativas menos desgastantes para entrar em conflito com uma realidade estabelecida. O bom mesmo é tentar viver sua vida, da melhor maneira possível, mesmo tendo consciência de tudo aqui apresentado.

Esses assuntos sobre os quais evitamos falar, em razão da polêmica resultante de nossas declarações, não podem simplesmente ser varridos para debaixo do tapete. Aqui estou querendo desfazer o erro em que incidi de negar-me a escrever sobre temas delicados. O sexo também fica meio esquecido, disseminado em meus textos sob a bandeira feminista e o amor de que muitas vezes, (não em todas), é consequência. Não tenho muito que explanar a respeito desse tópico. Porque a maioria das pessoas conhece sobremaneira e, bem melhor que eu, tudo que envolve a cópula de espécie humana. Não evito falar sobre isso, como muitos que conheço creem. Sei muito e pormenorizadamente sobre como se dá e o efeito do coito. É-me estranho apenas que as pessoas tendam a achar que sou uma donzela imaculada sem qualquer conhecimento sobre o ato sexual em si. Tenho até certa pena desses indivíduos. Não são tão sabidos quando dizem, apenas querem se fazer crer descolados e modernosos. E para tanto, tem de escolher alguém a quem discriminar como seu oposto. Eu tento pronunciar-me sobre esta questão, mas não querem ouvir-me, eles estão tão fechados em sua ideia, essa sim, verdadeiramente antiquada, sobre sexo que não permitem que eu expresse minha opinião. Nesse momento, resolvi subir a tenda do circo, vou “tocar fogo no picadeiro” como se diz. Veem como me saio bem tratando sobre estas questões estigmatizadas? Não sou tão ingênua e infantil quando acreditam que eu seja. Na verdade, sou muito bem informada, posso conversar sobre tudo da mesma maneira descontraída que aqui escrevo. Não temo ser ridicularizada, pois foi esse o procedimento padrão dos grupos pertencentes aos ambientes que frequento e outrora, frequentei. Não é constrangimento algum, para mim, ser submetida à sabatina dos que se pensam especialistas para provar o meu conhecimento. Talvez somente assim, possam entender que a mente fechada e intolerante é a deles e não a minha. Sou conservadora sim, mas não ignorante. Estou descrente das instituições políticas sim, mas ainda tenho uma ideologia. É isso o que gostaria de deixar claro. Se bem que, como se recusam a me ouvir, provavelmente também essa explicação pormenorizada será desprezada sem qualquer crédito. O que se há de fazer, não?

Estou cansada de ter de justificar meus atos e a razão dos tabus em minha literatura. E quero deixar claro, que existem assuntos sensíveis sim, mas não pelo fato de temer estender-me sobre terreno desconhecido ou pelo medo do escárnio dos que se acham doutorados com conhecimento patente e indiscutível sobre qualquer assunto, mas apenas para não incidir em mal-entendidos. Como estudo letras, é comum que me questionem a grafia certa desta ou daquela palavra, também concordância e regência escorreita em certos casos. Mas quando expresso o conhecimento amealhado, duvidam de minhas palavras. E fazem o possível para corrigir-me. Tanto assim, em temas jurídicos que demandam a minha opinião. Mesmo sendo formada em Direito, possuindo título de pós-graduação e tendo me sagrado advogada, é comum discordarem e refutarem minhas palavras. Já estou acostumada, entretanto, com esse comportamento. Além de porem em xeque minha formação, tentam zombar dos anos de dedicação e estudo a que me submeti. Calo-me e recolho-me ao meu campo de certeza. Fiquem os outros com sua venda, que eu já livrei, há muito, meus olhos dela. Foi por esta razão que resolvi atentar para pontos que raramente abordo. Pois queria deixar claro que, mesmo que minhas articulações estejam enferrujando e que minha memória, (já nem tão boa no passado), esteja falhando, não é por constrangimento que não uso tais tópicos frequentemente para compor meus contos e crônicas, mas tão somente porque nem sempre quero justificar meus textos, onde expresso tão abertamente minhas opiniões. Um autor pode dar-se ao luxo de escolher seus temas, eu escolhi os meus.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: