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Barca de Caronte 2

A Divina Comédia

Giordana Bonifácio

O tempo corre e a vida em breve finda.

Do nada para o nada, do pó ao pó.

Uma ponte entre dois vazios. É Só?

E há certos poetas que afirmam: é linda.

 

Uma comédia que a fé diz divina.

Não como aquela bela obra de Dante.

Na verdade, está desta bem distante.

Porque começa uma onde outra termina.

 

Dante transformou o fim numa jornada.

Mas não há Virgílio que guie para o nada.

A nossa vida é curta, é eterna a morte.

 

Porém, conserve duas moedas contigo.

É meu conselho, para ti, meu amigo,

Pois podes ter de pagar por tua sorte.

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O fantasma dos Natais passados

Giordana Bonifácio

Muitas lembranças povoam-me a memória:

Naquele Natal, não tínhamos muito,

Nada mais havia que uma ceia simplória

E um vago sonho trêmulo e fortuito,

 

Que no passado já me era importante.

Ardia em mim a chama da esperança,

Como somente queima na alma infante.

E a chama que hoje sobre a vela dança,

 

Não mais retrata meu espírito errante.

Eu sei, há ainda muito para ser vivido.

Mas não consigo ver a tênue luz,

 

A voz da vida a dizer: “siga adiante!”.

No espelho, apenas o rosto lívido

De um fraco que não aguenta mais sua cruz.

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Promessa

Promessas

Giordana Bonifácio

Por toda minha vida eu prometo:

Não sofrer mais por um amor insano;

Não criar de minhas mágoas um soneto;

Não chorar depois de outro desengano;

 

Não crer amarga tão doce solidão;

Não ouvir o que me dizem as estrelas;

Não penar porque os sonhos muito tardam;

Não esquecer que na dor há coisas belas;

 

E se houver, ainda, “nãos” a serem ditos,

Prometo que nada irá me comover.

Nem mesmo juras de amor infinito.

 

Ou seu olhar em que vejo as ondas do mar.

Nem seu perfume num velho pulôver.

Ou meu coração que não posso domar.

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O exercício dos sentimentos indizíveis

Giordana Bonifácio

Fazia frio, mesmo assim ela abriu a janela para apreciar a madrugada. Sentia alguma coisa indefinível dentro de si. Um desejo que machucava e adentrava-lhe nos sonhos. Desejo de quê? Ela não sabia. Uma sensação de falta, um vazio interno que lhe corroía e sugava como um buraco negro. Pensava que a vida poderia ser muito mais. Porém, era-lhe impossível vencer neste jogo. Em silêncio, fechou a janela e seu coração. A verdade é que não estava preparada para o mundo. Nunca esteve. Era-lhe muito difícil ser quando viver é algo que não deveria ser. Desceu as escadas. Não se ouvia qualquer barulho. Ainda estavam todos adormecidos. Ela sempre era a primeira a despertar. O sol avermelhado da madrugada penetrava pelas janelas de vidro da cozinha. O amanhecer é a primeira poesia do dia. É certo que ela tinha uma alma era lírica, contudo seu coração tinha o peso arrastado da prosa. Algo que dói sobremaneira. Mas ela não queria pensar no significado das coisas. É mais fácil ignorar os sentimentos indizíveis. Não sentia fome. Mesmo assim, colocou pão na torradeira, fritou ovos e encheu de leite um copo. “O desjejum é a principal refeição do dia”. Não é o que dizem? Ela mastigou seus sonhos com ovos no café da manhã. Ninguém acordou. Ela lavou a louça. Não havia necessidade de correr para o chuveiro e vestir-se, pois era sábado e não necessitava ir para o trabalho. Ligou a televisão. Os jornalistas repetiam as notícias de ontem. Era como se o mundo vivesse num  passado eterno que se repete no presente. O amanhã era o ontem convertido em hoje. Tudo tende a ser tal qual um dia foi. Como empurrar uma enorme rocha para o topo de uma montanha e vê-la rolar  para baixo e chegar a mesma posição eternamente. A pena de Sísifo, às vezes pode se assemelhar à pena que o escritor tem em suas mãos. É o exercício dos sentimentos velados. A possibilidade de dizer algo que há muito se manteve em segredo, pois, como artista, sua voz está protegida pela licença poética.

Os fins de semana são uma concessão da sociedade capitalista ao desejo do homem de ser livre. É a possibilidade de, ao menos nesses dias, não ter de comparecer ao trabalho, de ir para a escola e todas as obrigações que acorrentam os homens à sua árdua rotina. Ela queria compreender os mistérios que sua vida envolvia. O exercício das coisa banais. A procura de definições que não existem. Nem tudo tem significado. É difícil compreender isto. Os homens querem respostas às suas perguntas. Era um desejo que ela também nutria. Mas desistiu de suas dúvidas. Deixava-as guardadas junto à esperança que um dia abandonou. O dia nascia bonito. O céu de Brasília era o azul dos que sonham com o mar. O som do oceano ainda ressoavam em seu espírito: ondas com suas sensações vagas que lambem a areia da praia. Ainda seria possível fugir? Libertar-se como alguém que já não suporta o peso das amarras? Por que dizer sim, quando a vida responde-lhe que não? Desde cedo aprende-se o sentido de tudo. Mas um anjo gaiato aproxima-se dos bebês pressiona o dedo contra seus lábios para não revelarem a verdade que deve permanecer escondida. Ela sabe que suas emoções são o que tem de mais sincero. Um tesouro perdido num navio naufragado. Talvez algum dia possa ser descoberto por exploradores, mas ela não crê muito nessa possibilidade. É que não acredita em milagres impossíveis. Há muito abandonou sua fé. Fé é uma palavra muito curta para explicar todas as dúvidas que nutria. Era-lhe necessário algo mais palpável. Pois os sonhos são diáfanos, não se pode creditar a eles a força do real. Não é possível justificar uma falta com base em ilusões do nosso inconsciente. Memórias recalcadas da nossa infância, trazidas à tona quando nossa consciência não pode conter o nosso ego. E, assim, o onírico faz-se presente quando dormimos criando imagens sem sentido que são simples pedaços do passado que sempre retornam. Era muito cedo ainda, todos continuavam a dormir. Ela assistia ao noticiário, não atentava muito para o que os repórteres diziam. Ela só ouvia o que lhe era interno. A mágoa que persevera depois das decepções. As memórias a confirmar a teoria que formulara para confirmar a força que o ontem tem sobre o hoje.

“Era uma vez, há muito tempo atrás, um coração que vivera muitas vidas, mas uma única solidão. Um dia resolveu desfazer-se do que possuía, pois carregava muito peso dentro de si. Doou seus sonhos e alegrias, que foram recebidos prontamente por outros corações. Sobraram-lhe somente as desilusões que não quiseram levar, por serem muito tristes, as pobrezinhas. Assim, só lhe restaram as emoções mais doloridas que em si se fazem presentes desde então.” Ela inventara aquela fábula naquele mesmo instante. Perdida no vazio da cozinha, acompanhando o lento caminhar do relógio de parede. O tique-taque acompanhando o passo do tum-tum de seu coração. “Nem sempre a vida é como esperamos. Na maioria das vezes, não”. Murmura, com medo. Sem saber que o que na verdade a apavorava era a noção do infinito que havia dentro de si. Há muitas galáxias no universo para estarmos sozinhos. Aqui isolados em nossas vidas mesquinhas, sentimo-nos abandonados por um Deus que nos deu as costas. Fomos expulsos do paraíso e entregues à  nossa própria sorte. Ela estava perdida em meio a divagações. Entre o físico e o etéreo, querendo ser algo mais que lhe permitia a realidade, aquilo que só era possível em seus sonhos. Os comerciais da televisão instigavam-lhe a comprar coisas das quais não necessitava. Pois o que realmente precisava era impossível alcançar. Não há dinheiro que compre o amor. Pode-se ter uma paliativo deste, um remédio genérico, bem mais acessível. Mas o amor, como realmente é, não… Isto, é mais difícil de conseguir-se. Aos poucos, sua família despertava, corpos ruidosos chegavam felizes à cozinha. Conversavam e brincavam numa doce balbúrdia. Preparavam ovos fritos, comiam torradas, cereais matinais e sorriam avessos às emoções que a tomavam naquela manhã de sábado. Agora havia algo mais que o silêncio, algo mais que a dor, um sentimento mais profundo, talvez até alguma alegria. Sentia-se, isto era o mais importante, pois até aquela hora não se reconhecia. Sabia que estava lá, mas era tudo. Já que as emoções iam e viam fugidias no sentido das vagas.

O sol já estava alto. A vida despertava. Sem mentiras, a realidade mostrava sua face. E não era tão feia como se esperava. Tinha a imagem desafiadora de um toureiro, que para executar o touro interpretava uma verdadeira dança. Não eram feições cordiais, é claro, eram cruéis, mas havia uma certa beleza, poesia até. Ela tinha um espírito lírico. Tudo ao final resumir-se-ia num soneto, lançado no ar como aviõezinhos de papel. Um dia chegará ao seu destino. Mesmo que leve muito tempo e que haja muitos obstáculos no caminho. Ela pouco entendia dessas sensações estranhas e indefiníveis que lhe inspiravam a continuar escrevendo. Mas sabia ao menos que quando escrevia o pesar diminuía sobremaneira. Arrancava assim, o espinho que tinha encravado do coração. Sem medo, sem pudor, sem máscaras ou disfarces. Sua família não era a mais perfeita. Não era composta de personagens de um comercial de margarina. Era tão propensa a falhas como qualquer outra. Mas era a força que lhe animava o espírito. Trazia luz para sua vida tão conturbada. Não importava o sofrimento, nem as lágrimas derramadas, havia muito caminho ainda à sua frente. Perguntavam-lhe a razão de ter acordado tão cedo em pleno sábado. Sem ter o que dizer, ela apenas respondeu que gostaria de ver o dia que acontecia. No fundo, pretendia mesmo falar sobre o que descobriu nessas horas infinitas. Pois é evidente que eles não sabiam que o presente já foi vivido no passado e será repetido no futuro. Desconheciam que ainda haverá tristes manhãs de sábado e saudades, e dor, e mágoas, e solidão. Mas preferiu esconder de todos seus sentimentos. Mais uma vez, aliás. Ela era uma concha que guardava a mais bela e rara pérola dentro de si. Composta de afetos reprimidos sedimentados no fundo de seu coração. Era apenas de madrugada que ela vivia o exercício dos sentimentos indizíveis, a aurora de todos os desejos.

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Brasil, a terra das oportunidades.

Giordana Bonifácio

-Francisco! Gritou o homem de trajes simples, com um sorriso nos lábios, com um ar bonachão de alguém que não tinha nada a perder na vida. Talvez, porque ele não tinha nada realmente. Vivia de pequenos golpes e sua fama o precedia. Não havia mais em todo Portugal quem caísse em suas frequentes tramoias. Em razão disso, havia emagrecido muito, como não tinha dinheiro nem mesmo para comprar um cinto, usava uma corda amarrada na cintura para segurar as calças muito mais largas que seu corpo franzino. Passando as mãos sobre os cabelos, tentando inutilmente organizá-los, aproximou-se do homem que por suas feições não estava muito feliz em ver o amigo.

– Já sei o que queres Luís, mas não tenho dinheiro, não posso ajudar-te. Antecipou Francisco Artur Nóbrega, que vendia frutas no centro da Cidade do Porto. O ambulante apesar de constantemente reclamar do assédio do amigo, sempre o ajudava de alguma forma, nem que fosse com uma fruta fresca que acabava por ser a única refeição que Luís Veloso teria no dia. Ao contrário do amigo, Francisco era gordo e usava uma barba espessa e negra. Era um homem rude, mas muito bom. Provavelmente, o único a se apiedar das condições de vida de seu amigo.

-Assim tu insultas-me, meu amigo. Como se apenas te procurasse em busca de dinheiro. Retrucou Luís caprichando na representação de homem ofendido. – Pois saibas que não estou aqui para pedir-te dinheiro.

-Graças a Deus, pois a última quantia que me pediste, tu não ma pagaste ainda. Respondeu Francisco organizando as frutas sobre um estrado de madeira.

– Eu vim aqui para avisar-te de um bom negócio, um negócio da China como se diz. Pegou uma maçã vermelha do estrado e desferiu-lhe uma mordida.

– Não caio em teus golpes Luís, admira-me que tentes engabelar-me com tuas falcatruas. Logo eu, que tento auxiliar-te de todos os meios possíveis.

– Francisco, é justamente em razão de tua valorosa amizade que venho dar-te esta notícia: estão recrutando homens destemidos para comporem a tripulação de uma caravela com destino ao Brasil. Dizem que é fortuna certa, quem vai para a colônia volta rico! Além de, é claro, as índias serem muito afetuosas com os navegantes que aportam nas praias brasileiras. E estou convidando-te para embarcar comigo nesta aventura, pois sei de seu espírito intrépido e que não deixarias de aproveitar semelhante negócio!

– Luís, tu és louco? Sou casado! Como abandonaria minha esposa e filhos aqui em Portugal e seguiria com a cara e a coragem para o Brasil?

 -Imagina as oportunidades! Riquezas naturais e minerais. Especiarias e ouro! Tanto dinheiro que nunca mais terás de trabalhar!

-E quem cuidará de minha família aqui, ó gajo?

-É, tens razão, mas eu irei hoje mesmo. Como não tenho vínculos que me prendam na Europa, embarcarei nesta viagem rumo ao meu futuro. Mas não temas, quando voltar não me esquecerei do teu precioso auxílio.

– Boa viagem então, meu amigo. Aguardo-te rico nestas paragens. E quando retornares, não te esqueça de mim.

 Naquela tarde, a caravela seguia para o Brasil. Em poucos dias, Luís descobriria que a viagem não era tão rosa como faziam crer seus sonhos. Era, na verdade, mais semelhante a um terrível pesadelo. Muitos homens morreram de botulismo antes de chegar à colônia. Além das tempestades aterradoras que ameaçavam constantemente o futuro desejado por Luís. Outro fato preocupante era o racionamento de comida que conseguiu deixar ainda mais mirrado o corpo deste valente Português. Seguiram-se assim os meses em que se desenrolou a viagem. Sob tais condições adversas, nosso herói quase passa dessa para melhor antes de fazer fortuna em terras brasileiras. Quando o imediato anunciou aos gritos: “atenção marinheiros: terra à vista!” Ele ajoelhou-se e agradeceu à divina providência a graça alcançada. Havia prometido doar boa parte de sua futura fortuna a igreja de Nossa Senhora de Lourdes, caso chegasse vivo ao Brasil.

Quando aportou na colônia, foi recebido por um grupo de índios educados no português pelos jesuítas. A beleza das nativas deixou o nosso explorador entusiasmado e cheio de expectativas para o que lhe aguardava no futuro na colônia portuguesa das Américas.

No primeiro dia, conheceu um pajé que vendia baratinho umas ervas que ajudavam a relaxar. “É tudo natural”. Garantia o velho índio. Mas o preço que cobrava por seus “produtos” milagrosos era bastante salgado. E ele que pensava que bastava somente oferecer espelhinhos e outras bujingangas aos nativos em troca de seus préstimos, foi surpreendido pelo nascente comércio na antiga Terra de Santa Cruz. Como não tinha dinheiro, nem mesmo para alimentar-se e não poderia contar com o auxílio de seu amigo Francisco, Luís Veloso, que jamais trabalhara em Portugal, teve de procurar uma ocupação no Brasil. Primeiro, tentou auxiliar os jesuítas na educação dos índios. Aproximou-se de Anxieta, jesuíta muito famoso no Brasil. Disse-lhe que tinha muita didática que era mestre na cidade do Porto e que nada lhe alegraria mais que trazer luz à escuridão da ignorância e do pecado em que viviam os nativos. Foi contratado. Na primeira semana já se engraçou com uma bela indígena a quem deveria ensinar o caminho da religião e dos bons costumes. Na verdade, ela que lhe ensinou mil formas de pecar que ele ainda não conhecia. Foi expulso da congregação.

Mas não ficou abandonado, a sua preceptora em assuntos da carne, levou-o consigo a tribo. De início, foi bem educado nos costumes das nativas, para as quais não existiam as questões morais que tanto atormentam as mulheres européias. Poderia usufruir das mais belas índias da tribo, pois não praticavam o enfadonho celibato entre eles. Os índios aceitaram-no entre os seus, mas logo o cacique lhe determinou: “teria de caçar e pescar como os outros homens”.

Tomado de uma terrível preguiça, resolveu “ajudar” a tribo de outras maneiras. Pois cria ser mais rentável e menos trabalhoso comerciar as especiarias locais, do que gastar suor de sol a sol em busca de alimento. Seu lema era: “deixe que o alimento venha até você”. Na verdade, ele seria um interceptador, faria a ligação entre a tribo e os portugueses. E, claro, recebia por fora uma bela comissão pelos produtos vendidos. Luís Veloso inaugurou a prática do caixa dois no Brasil. Uma herança feliz para os futuros políticos de nosso país. Luís conseguiu, desta forma, amealhar uma grande fortuna. Em pouco tempo já era denominado de Doutor Luís, título que angariou sem jamais ter estado nos bancos de uma universidade. Senhor do comércio entre Portugal e a colônia, foi agraciado com uma profícua sesmaria. Anos depois de sua chegada ao Brasil, já possuidor de grande fama em Portugal, resolveu passar algum tempo na Europa, a fim de selecionar uma esposa. Pois, um homem de posses como ele, não poderia ter seu bom nome ligado a nativas. Sua estada em sua terra natal seria curta, haja vista os negócios demandarem muito sua atenção. Passeando pelas ruas do Porto com sua pretendente, a herdeira do Duque da Cornuália, deparou-se com o seu amigo Francisco, que há longa data tanto lhe ajudou. Lembrou-se de todas as benesses que seu amigo havia lhe promovido, bem como da antiga promessa que lhe havia feito, de quando da sua volta, já um homem de posses, não se esquecer de ajudá-lo a vencer na vida. Emocionou-se ao lembrar-se de seu antigo corpo mirrado, exaurido de forças e sempre faminto. Muito diferente do homem corpulento que agora era. Suas roupas também mudaram bastante, vestia tecidos finos e bem acabados, que contrastavam com os trapos que no passado usava. Pensando em tudo que conquistara mediante seu trabalho árduo na colônia, chegou à conclusão que havia crescido por mérito próprio e que tudo que hoje possuía seria seu mesmo sem o pequeno auxílio do antigo amigo Não querendo ser reconhecido por seu passado, pois ficaria muito embaraçado de ser lembrado por sua vida anterior de pequenos golpes, cruzou a rua com a dama que lhe acompanhava.

-Mas, por que cruzaste a rua? Perguntou a linda dama, que trajava um dos mais belos vestidos da Europa. Com tal delicada voz que acentuava seu caráter de gente que nunca teve necessidade de gritar para ter seus direitos reconhecidos.

-Não fica bem uma dama da vossa estirpe cruzar com ignóbeis ambulantes. Esse tipo de gente não presta, está sempre tentando passar pessoas de nossa estirpe para trás.

No mês seguinte, Luís Veloso retornava ao Brasil levando consigo a sua jovem esposa e o título de nobreza de marquês da Cidade do Porto. Deixando várias promessas perdidas no caminho. Entre elas, aquela que havia feito à divina providência de doar boa parte de sua fortuna à Igreja de Nossa Senhora de Lourdes caso chegasse vivo ao Brasil em sua turbulenta viagem para o futuro. O estranho, que não importa quanto tempo os separe, o futuro sempre repete o passado. O Brasil de ontem e o de hoje pouco se diferem: ainda é uma terra de oportunidades para aqueles que buscam vantagens por vias escusas e não querem valer-se de um trabalho justo para ascender socialmente. Seria este o nosso fim?

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A flor da vida

Giordana Bonifácio

Será que vale à pena esta vida ainda?

Toda esta dor… Meu penar infinito…

Ser feliz para mim sempre foi um mito.

E a melancolia que nunca mais finda?

 

Eu sou a senhora destas vãs ilusões.

Minha poesia é tão triste como as vagas.

Mas o ir e vir das ondas a alma afaga .

Não há na praia espaço para preocupações.

 

A vida é só uma ponte entre dois nadas.

E creio que nela só há escolhas erradas.

E não acertarei jamais o caminho,

 

Que me leve à alegria muito sonhada.

Creio que a vida é uma coisa delicada.

Uma flor: bela, porém cheia de espinhos.

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Soneto da solidão

Giordana Bonifácio

Num universo que se crê infinito,

Sou tão pequeno… E toda dor que sinto?

No vazio não há ninguém que ouça meu grito.

Somente a ilusão… Ou o doce vinho tinto…

 

A dor é meu mistério mais profundo.

Não me compreendo, sou muito confuso.

Meus sonhos são o que possuo neste mundo.

Eu sei que nesta vida sou um intruso.

 

Tudo se torna poesia, até a lágrima,

Que nesta noite rega o travesseiro.

Até a solidão, minha companheira.

 

A fiel esposa que com tudo rima.

É da minh’alma o matiz verdadeiro.

É o borrão que destrói uma tela inteira.

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Dom Quixote

Giordana Bonifácio

Sou em vida apenas uma pobre errante,

Que sem destino segue seu caminho,

Lutando contra os mais terríveis moinhos.

E não há perigo ou penar que me espante.

 

Minha armadura são meus tristes poemas.

Meu elmo são os sonhos que trago comigo.

Com minha lança enfrento os inimigos.

E mesmo que a honra seja-me um problema,

 

Não há nada que este meu coração tema.

Trago comigo a pena que é, ainda, espada.

E a vida poetar é meu único lema.

 

Pois eu sou como o andante cavaleiro,

Que por seus feitos não ansiava por nada,

Pois só com o amor ele estaria inteiro.

 

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O gigante despertou

Giordana Bonifácio

Enfim despertou  o povo deste Brasil,

Estava há muito tempo adormecido,

Sem se revoltar contra o poder vil.

Mas hoje, o povo muito enraivecido,

 

Ciente da força que possui a sua voz,

Acorda para lutar por seu país.

Pois o gigante impávido é atroz,

Sua fúria é nossa força, nossa raiz.

 

Somos milhares, somos brasileiros.

Os governantes serão destituídos,

Pois o colosso se une por inteiro.

 

Juntos nós vamos chegar à vitória

E nossos atos não serão esquecidos,

Pois hoje o povo está compondo a história.

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Manifestação

Giordana Bonifácio

Vão todos juntos, pelas avenidas,

São muitos jovens tendo como arma a voz.

Num país injusto, eles clamam por nós.

Nossas demandas já não eram ouvidas.

 

O povo pelo poder  ignorado,

negligenciado pelos governantes,

Que a todos julga meros ignorantes,

Não vai mais, em sua, casa restar calado.

 

O nosso povo há muito adormecido,

Despertou frente tanta iniquidade.

No Brasil  não se viu algo parecido.

 

O povo está  nas ruas e enfim protesta .

num caudaloso rio à cidade invade,

Para terminar esta infame festa.

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