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Madrugadas infinitas

Giordana Bonifácio

A solidão faz mais fria à madrugada.

Corações vazios, tão cheios de saudade,

Clamam ao amor um tanto de piedade.

A noite chora a rosa macerada

 

Que, caída no chão, jaz abandonada.

E a brisa gélida às almas invade.

Doem-me as feridas, mas não é novidade.

Longe se ouve uma música magoada.

 

Ó vigília cruel, ó tormenta infinda,

Por que fazem do insone um ser tão triste?

Ó recordações, por que vagam a esmo?

 

Não percebem o quanto machuca ainda?

Não veem a mágoa que no peito existe?

As noites mudam, só, o penar é o mesmo.

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Tu

Giordana Bonifácio

Foste o meu melhor sonho nesta vida.

Foste, também, a dor que hoje lamento.

Foste, para mim, um doce tormento.

Amor que se tornou uma feia ferida.

 

Foste a alegria que minha alma não olvida.

Loucura que me roubou o pensamento.

Foste, nas noites vãs, o meu alimento.

Paixão que me fez tão só e malferida.

 

Foste ligeira como esta poesia.

Foste vaga como uma fantasia.

Foste a luz que mitigou a fria escuridão.

 

Foste num dia tão gélido de outono.

E contigo levaste ainda o meu sono.

Deixaste-me vazia, cheia de solidão.

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Anima mea

Giordana Bonifácio

Ó anima mea, ó pura alma tão ferida,

Ó meu refúgio, ó abrigo derradeiro,

Luz que faz de mim um homem inteiro,

Força divina que me dá acolhida,

 

Templo da fé que anima minha vida,

Faça de mim um simples mensageiro.

Ilumina este tão denso nevoeiro,

Da amarga dor advinda da dúvida.

 

Ó esperança vã, por que ainda me alagas?

Sentes falta da mão que te afaga?

Ainda sinto no peito toda a mágoa

 

De um passado que já não posso esquecer.

Faça em mim um novo dia amanhecer,

O qual me deixe os olhos rasos de água.

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O labirinto

Giordana Bonifácio

 

Vamos, seque estas lágrimas sentidas.

O que lhe feriu ontem, já não fere mais.

Não lamente o que ficou para trás.

Não pense estarem suas lutas perdidas,

 

Pois alegrias ainda há a serem vividas.

É grande esta dor que lhe tira a paz.

Mas outras naus vão atracar no seu cais.

É certo que em sua alma há muitas feridas.

 

Admita: a sua dor hoje lhe é um abrigo.

Vamos em frente, meu inocente amigo!

Pois a vida é um estranho labirinto,

 

Onde uma fera oculta faz morada.

Tão atroz quanto à, por Teseu, assassinada.

Monstro, de nossa fé, sempre faminto.

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Quem sou eu?

Giordana Bonifácio

Quem sou eu? Pergunto à imagem de Narciso.

Sussurra-me em resposta a solidão fria:

“Tu és dono de uma grande covardia.

Tu és, dentre os homens, o mais indeciso.

 

Tu és aquele de espírito impreciso,

A que a gélida mão da morte guia.

Tu és o senhor da dor e da agonia.

Para ti, a mágoa resta como aviso.

 

Tua arte padecerá em esquecimento,

Enquanto tua alma é levada pelo vento.

Cabe-te então suportar a ferida

 

E, a tua pena, a de Sísifo se iguala.

Não duvides do que a tragédia fala:

São passagens de sombras a tua vida.”

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Uma curta eternidade

Giordana Bonifácio

Esperarei sozinha toda a vida,
Nas noites sem fim, fiando a minha dor?
Na verdade, não soube nunca o que é o amor…
Sinto-me nesse tema tão perdida…

Por isso trago minha alma ferida
E meus sonhos não têm mais a mesma cor.
Desfia-se a solidão em duro rancor.
Tudo parou naquela despedida.

Por quanto tempo posso amar-lhe ainda?
Seria o amor uma luta que não finda,
Da qual todas as pessoas saem vencidas?

O sempre foi uma curta eternidade,
Dele me restou apenas a saudade
E um punhado de cartas esquecidas…

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Mágoa

Giordana Bonifácio

Sinto que o meu passado não passou ainda.
A ferida que não se cura mais,
Dói pela falta que você me faz.
Meu padecer é a mágoa que não finda.

Dessa lástima toda dor é advinda.
De vencê-la, sei que já não sou capaz.
Quisera na solidão estar em paz;
Nos jardins do paraíso ser bem-vinda…

Mas, à noite, um triste anjo me visita,
Cuja graça não pode ser descrita,
E traz consigo todos meus pesares.

Como vencer a força da tormenta?
Como apagar o mal que me atormenta,
Se me lança, tal penar, em bravios mares?

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O palhaço triste

Giordana Bonifácio

Este palhaço que sorri ao grande público.

Tem um coração bom e sentimentos ricos.

Porém lhe dói um coração partido no peito.

Para ter tal ferida curada não há jeito.

 

A dama que povoa seus impossíveis sonhos.

Também é a razão de seus olhos tão tristonhos.

Ele cujo trabalho é cativar ao mundo.

Vive num abandono deveras profundo.

 

Se lhe fosse possível sorrir por dentro ainda…

Mas no coração todo seu júbilo finda.

Pobre desse palhaço que ao Pierrot imita.

 

E na alva lua é onde toda sua dor está escrita.

Triste palhaço, vítima da Colombina.

Não vê que com tal fria alma seu amor não combina?

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A caravela

Giordana Bonifácio

Vai, sobre o mar, cortando as ondas, infle suas velas.

No oceano azul, sem cais, singrando por praias belas.

À tripulação não aflige das sereias o canto.

Pois não está suscetível ao seu doce encanto.

 

São homens cuja alma está para sempre perdida.

Onde está marcada dolorosa ferida.

São miseráveis pela vida condenados.

A sofrer nos oceanos estão destinados.

 

Não há piratas ou qualquer outro mal que a impeça,

De logo aportar. Vai com calma, pois não há pressa.

Não há prazos que a pressionem, o importante é chegar.

 

Então durante a viagem faz manso o navegar.

Muitas milhas separam-lhe do continente.

Mas se sabe bem que seu capitão é experiente.

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Pretérito mais-que-perfeito

Giordana Bonifácio

Aqui, nesse momento, o agora existe,

Simples razão de eu ser um homem triste.

Meu coração ainda vive no passado.

E do mundo atual eu já estou cansado.

 

Não desejo as promessas do futuro,

Não posso frear o tempo que não aturo.

Não posso ainda fazê-lo retroceder.

Não posso lutar, mais fácil é ceder.

 

Com o tempo a memória está perdida.

Cicatriza-se a ferida dolorida.

Porém o passado não voltará jamais.

 

Meu desejo á vivê-lo só um dia a mais.

Quero de volta a minha doce infância,

Não sabia antes sua vital importância.

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