Posts Marcados Com: dos sonhos

estaçao-gif1

Soneto da despedida

Giordana Bonifácio

Adeus, dizia-te, enquanto o trem partia.

Via o meu passado ficar para trás,

Tão lindos sonhos que não teria mais.

Toda saudade em lágrimas vertia,

 

Mas a minha dor, já pouco valia.

Deixei tão só o que levar não fui capaz,

Lindas lembranças que o tempo rarefaz.

Recordar, para alma, é uma regalia,

 

Pois o tempo das horas faz deserto,

E o ontem termina num amanhã incerto.

O que será de nosso amor tão terno?

 

O trem range, ainda aceno para o nada,

Nas mãos, levo uma foto bem amassada,

De quando críamos que o verão seria eterno.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , | Deixe um comentário

timeisgone

“O tempo tudo tira e tudo dá;
tudo se transforma,
nada se destrói.”
Giordano Bruno

Oração ao tempo

Giordana Bonifácio

Ó tempo, tão cruel rei e senhor das horas,

Faze de meu passado um áureo presente,

Pois a alegria no agora me está ausente.

Ó tempo, por que tanto ainda demoras?

 

Não vês, que, após as noites, já não há auroras?

Não vês quanta dor este poeta sente?

Ó tempo, de mim, seja condolente,

Não vês o quão tais mágoas são sonoras?

 

Ó tempo, sabes bem o que procuro:

Sonhos nutridos, todos esses anos,

Por minhas malfadadas esperanças.

 

Ó tempo que ao dia claro torna escuro,

Sabes de todos meus tristes enganos,

Mesmo assim, ao futuro ainda me lanças.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , | Deixe um comentário

mi_amor_by_sundropstonight

“O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh’alma se sentir beijada”
Chico Buarque

O meu amor

Giordana Bonifácio

O meu amor teceu solidões imensas

Em suas longas esperas tão ingratas.

O meu amor fez de sua dor serenatas

E poesia com as mais belas sentenças.

 

O meu amor fez as noites mais intensas

Nas quais recordo as mais longínquas datas.

O meu amor chora sua dor em cascatas

E faz das fantasias sólidas crenças.

 

O meu amor já não crê que nunca mais

E não pode sem ti restar em paz,

O meu amor crê em dias límpidos, risonhos,

 

Em que mais uma vez verá o teu rosto.

O meu amor, que hoje chora de desgosto,

Toda sua vã saudade desfia em sonhos.

 

Categorias: Uncategorized | Tags: , , | Deixe um comentário

tumblr_ll6yrhIVnT1qjrteco1_400

Poema dos beijos infinitos

Giordana Bonifácio

Este é o poema dos beijos infinitos.

Beijos que se resumem em loucura.

Beijos suaves que o espírito procura.

Beijos molhados, santos, benditos…

 

Beijos roubados, sonhos interditos…

Beijos que saciem tal qual água pura.

Beijos que sejam luz na noite escura.

Beijos de dor, amores jamais ditos.

 

Beijos para redimir a alma casta.

Beijos que para a morte o corpo arrasta.

Beijos, ilusão que dói a cada canto.

 

Beijos tão doloridos de saudade.

Beijos tão doces que juram verdade.

Beijos que são infinitos como o pranto.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , | Deixe um comentário

carvao10

Fuligem

Giordana Bonifácio

Depois de ter, meus poemas, rasgado,

De prometer com voz imperativa:

Não mais escreverei enquanto viva!

A esta amarga poesia criar fui obrigado.

 

Não sou, das letras, um necessitado.

É que, da dor, a minha alma se esquiva.

E a arte tem natureza corrosiva:

Marca-nos com lembranças do passado.

 

O que quero é esquecer tão somente.

Vê o que há por trás desta alma transparente?

Pesares, mágoas, sonhos e quimeras…

 

Quero apagar lembranças que me afligem.

Sei que a poesia da alma é a negra fuligem,

Aos sonhos cobre com longas esperas.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , | Deixe um comentário

night_sky

Noites insanas

Giordana Bonifácio

As estrelas de mim estão distantes,

Pairando no vazio e negro universo,

Brilham longínquas num mundo perverso.

Seus amores são só sonhos errantes,

 

Astros cujos corações palpitantes,

São a razão deste tão sentido verso.

Com o espírito em mil mágoas imerso,

Sinto a dor das estrelas soluçantes.

 

E Diana, esta linda pérola de prata,

As memórias recônditas desata.

O que governa tais noites insanas?

 

Amores que não foram esquecidos?

Os sonhos que, de nós, estão perdidos?

Ou as desilusões tão tristes e humanas?

Categorias: Uncategorized | Tags: , , | Deixe um comentário

4452060727_bd5b0e0c4f

A canção da amargura

Giordana Bonifácio

Meus dias ainda são tristes e cinzentos.

Com meu pobre coração já em pedaços,

Procuro você em todos os espaços.

Nestes dias vagos, sonhos sonolentos,

 

Vêm me acordar. Passam muito lentos…

Dos vultos do passado escuto os passos,

Quem me dera ter ainda seus abraços!

Mas me envolve o vazio em seus sofrimentos.

 

A tormenta traz a canção da amargura.

Não sei mais o que minha alma procura.

Toda a vida o amor foi-me um grande não.

 

Quem me dera não mais a dor recordar,

E não mais no meu peito a mágoa guardar.

Mas, por quê?  Se este meu penar é em vão?

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , | Deixe um comentário

 071120102456

Cemitérios da alma

Giordana Bonifácio

Árdua é esta vida, nada nela me agrada.

Todo meu sofrer fez-me repudiá-la.

Sinto-me desta dor muito enfadada.

E já a esperança em meu peito se cala.

 

Levo em minha alma muitos cemitérios.

Sonhos perdidos que restam em mim.

A dor supera todos meus mistérios.

Acho que para meu penar não há fim.

 

Dor, dor terrível que tanto me dói.

Por que não vê que já não mais consigo?

A mágoa que me afoga ainda corrói.

 

Sou agora só uma terra desolada,

E em meu coração já não encontro abrigo.

Creio que até por Deus eu fui abandonada.

Categorias: Uncategorized | Tags: , | Deixe um comentário

A dama na janela

Giordana Bonifácio

O que pensa a dama que está na janela?

Será que está a sonhar que alguém pensa nela?

Será que devaneia sobre mil desilusões?

Absorta, olha o nada e estas minhas alusões,

 

Aos seus possíveis sonhos sequer lhe preocupam.

Minhas deduções várias, seu tempo, não ocupam.

E a mulher na janela está com olhar vago.

E para esta poesia suas ilusões trago.

 

O fato é que à janela a mulher permanece.

Acho que espera ver a vida que acontece.

Eu aqui, preso a estes sonhos os quais desconheço.

 

Tal dama para meus versos deu-me um começo.

Minhas palavras são para ela uma homenagem.

Mas não quero estragar-lhe dos sonhos a viagem.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

“A literatura não permite caminhar, mas permite respirar.”

Roland Barthes

O tema e o tabu

Giordana Bonifácio

Estou determinada a desconstituir tabus hoje… Há muitas coisas sobre as quais evito falar. Não porque fique acanhada com a possível reprovação das pessoas. É verdade que existe certos assuntos que se tornam verdadeiros tabus em minha escrita. Poucas vezes toco em temáticas delicadas, mas não por medo de cutucar a ferida. É comum que as pessoas estabeleçam certos pontos intocáveis em sua alma. Eu mesma fico em silêncio sobre várias coisas. Não porque não me permita falar. A literatura, que me salva inúmeras vezes de sufocar-me em realidade, é forte o suficiente para abrir a minha mente antiquada e conservadora. Saibam que é por pura falta de oportunidade não reflito sobre eles. Um ponto controverso é a minha veia política. Já me considerei muito ligada às transformações sociais outrora, hoje, creio-me muito avessa às mudanças porque passam o mundo e as pessoas. Acreditem: eu não era assim. Parece que o tempo foi enferrujando meu cérebro, desgastando meus parafusos, fiquei mais usada e menos tolerante. Tenho um exemplo dos efeitos do tempo implacável em alguém muito próximo: meu pai. Ele era um dos homens mais politicamente engajados que conheci, estava sempre pronto a liderar revoluções. O passar inclemente dos anos tornou-o menos corajoso; não, talvez o que tenha sumido de sua alma seja tão somente a esperança. Ele não acredita mais que o país possa melhorar, afinal, são tantos escândalos de corrupção, que fica meio difícil confiar em alguém. Lembro que havia discussões políticas em minha casa até alta madrugada. Eram pessoas que sonhavam. Acho que a época dos sonhos passou. O mundo nos deu um banho frio de desilusão. Nem recrimino meu pai. Chega um tempo que o corpo pede descanso. Ele não é mais tão jovem para se submeter às mesmas torturas sofridas no terrível e inesquecível período da ditadura militar. E eu também estou cansando, estou diminuindo minhas expectativas quanto ao futuro.  Já estou começando a acreditar que se trata apenas de uma promessa tão vazia de significado quanto os desejos de construção de um país melhor e mais justo. Não suporto mais esconder minha ideologia que duvida da mudança significativa da situação de nossa pátria. Não sou adepta de nenhum partido, filio-me apenas a minha razão. E tenho certas dúvidas que consigamos ser mais civilizados que hodiernamente somos.

Política é um ponto sensível. Não é recomendável a um autor ter preferências nem filiação partidária. Não sou Jorge Amado para ter uma fase comunista de porta-voz dos problemas sociais. Primeiro, porque, quem sou eu para ser ouvida? Uma tímida voz sibilante em meio a uma multidão exaltada! É assim que me sinto. Sem força para fazer o mundo desenvolver-se. A literatura não me permite caminhar como dizia Barthes, mas me possibilita respirar em meio a esse mar de lama em que o Brasil está naufragando. E sei que posso unir-me a outros pensamentos que se coadunam ao meu, mas sermos maioria, numa população amordaçada pelo assistencialismo e vendada pela impressa parcial e gananciosa, é impossível. Sei que criticar a política brasileira que conseguiu, da mesma maneira escusa que costuma agir na direção do país, trazer eventos como a Copa do mundo e as Olimpíadas para serem realizados em solo tupiniquim, é praticamente vedado. Creio que estes acontecimentos sejam apenas uma maneira de aumentar os índices de aprovação do governo mesmo em períodos de crise. Sou desacreditada quando tento revelar este jogo de cartas marcadas. Nessa mesa, quem distribui as fichas é sempre vencedor. Não há como insurgir-se frente a esta estrutura maléfica, somente se quiser ver-se destruído em menos de uma semana. Acabarão com seu prestígio, destruirão sua família e provavelmente, dependendo do grau e gravidade de suas denúncias, é possível que você apareça morto sem aparente motivo ou suspeitos do crime. Por isso, compreendo meu pai. Não há mais pelo que lutar. Bem como, não existem alternativas menos desgastantes para entrar em conflito com uma realidade estabelecida. O bom mesmo é tentar viver sua vida, da melhor maneira possível, mesmo tendo consciência de tudo aqui apresentado.

Esses assuntos sobre os quais evitamos falar, em razão da polêmica resultante de nossas declarações, não podem simplesmente ser varridos para debaixo do tapete. Aqui estou querendo desfazer o erro em que incidi de negar-me a escrever sobre temas delicados. O sexo também fica meio esquecido, disseminado em meus textos sob a bandeira feminista e o amor de que muitas vezes, (não em todas), é consequência. Não tenho muito que explanar a respeito desse tópico. Porque a maioria das pessoas conhece sobremaneira e, bem melhor que eu, tudo que envolve a cópula de espécie humana. Não evito falar sobre isso, como muitos que conheço creem. Sei muito e pormenorizadamente sobre como se dá e o efeito do coito. É-me estranho apenas que as pessoas tendam a achar que sou uma donzela imaculada sem qualquer conhecimento sobre o ato sexual em si. Tenho até certa pena desses indivíduos. Não são tão sabidos quando dizem, apenas querem se fazer crer descolados e modernosos. E para tanto, tem de escolher alguém a quem discriminar como seu oposto. Eu tento pronunciar-me sobre esta questão, mas não querem ouvir-me, eles estão tão fechados em sua ideia, essa sim, verdadeiramente antiquada, sobre sexo que não permitem que eu expresse minha opinião. Nesse momento, resolvi subir a tenda do circo, vou “tocar fogo no picadeiro” como se diz. Veem como me saio bem tratando sobre estas questões estigmatizadas? Não sou tão ingênua e infantil quando acreditam que eu seja. Na verdade, sou muito bem informada, posso conversar sobre tudo da mesma maneira descontraída que aqui escrevo. Não temo ser ridicularizada, pois foi esse o procedimento padrão dos grupos pertencentes aos ambientes que frequento e outrora, frequentei. Não é constrangimento algum, para mim, ser submetida à sabatina dos que se pensam especialistas para provar o meu conhecimento. Talvez somente assim, possam entender que a mente fechada e intolerante é a deles e não a minha. Sou conservadora sim, mas não ignorante. Estou descrente das instituições políticas sim, mas ainda tenho uma ideologia. É isso o que gostaria de deixar claro. Se bem que, como se recusam a me ouvir, provavelmente também essa explicação pormenorizada será desprezada sem qualquer crédito. O que se há de fazer, não?

Estou cansada de ter de justificar meus atos e a razão dos tabus em minha literatura. E quero deixar claro, que existem assuntos sensíveis sim, mas não pelo fato de temer estender-me sobre terreno desconhecido ou pelo medo do escárnio dos que se acham doutorados com conhecimento patente e indiscutível sobre qualquer assunto, mas apenas para não incidir em mal-entendidos. Como estudo letras, é comum que me questionem a grafia certa desta ou daquela palavra, também concordância e regência escorreita em certos casos. Mas quando expresso o conhecimento amealhado, duvidam de minhas palavras. E fazem o possível para corrigir-me. Tanto assim, em temas jurídicos que demandam a minha opinião. Mesmo sendo formada em Direito, possuindo título de pós-graduação e tendo me sagrado advogada, é comum discordarem e refutarem minhas palavras. Já estou acostumada, entretanto, com esse comportamento. Além de porem em xeque minha formação, tentam zombar dos anos de dedicação e estudo a que me submeti. Calo-me e recolho-me ao meu campo de certeza. Fiquem os outros com sua venda, que eu já livrei, há muito, meus olhos dela. Foi por esta razão que resolvi atentar para pontos que raramente abordo. Pois queria deixar claro que, mesmo que minhas articulações estejam enferrujando e que minha memória, (já nem tão boa no passado), esteja falhando, não é por constrangimento que não uso tais tópicos frequentemente para compor meus contos e crônicas, mas tão somente porque nem sempre quero justificar meus textos, onde expresso tão abertamente minhas opiniões. Um autor pode dar-se ao luxo de escolher seus temas, eu escolhi os meus.

Categorias: Uncategorized | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: