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Mente sã, corpo são

Giordana Bonifácio

Mente sã, corpo são, já há muito se cobrava.

A saúde é essencial à qualidade de vida.

Infeliz gente que das moléstias é escrava,

Cuja dura existência é deveras sofrida.

 

Não há sensação igual à de ter um corpo são,

Ao qual não sobrevenham vãs enfermidades.

Quando doentes, terrível é a nossa confusão,

Pois as doenças subjugam nossa imunidade.

 

Portanto, muito melhor gozar de boa saúde.

Que restar padecendo sobre um alvo leito.

Pode parecer uma declaração rude,

 

Mas cuide de sua saúde como de um tesouro.

Pois só lhe damos valor quando não há mais jeito

De aniquilar a doença e outros males vindouros.

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Minha mágoa

Giordana Bonifácio

Esta grande dor que sinto não é nada.

A mágoa que ora me toma, uma piada.

O que aos outros importa este meu sofrer?

Se todos zombam de meu profundo padecer…

 

Todas as noites choro lágrimas de estrelas,

pelo rosto correm-me e nem tento retê-las.

São na verdade minhas pequenas sementes,

Das quais germinam umas flores nada atraentes,

 

Botões de desilusão, que me inundam os sonhos,

Pois tombam-me memórias dos olhos tristonhos.

Passo as noites nesse inusitado jardim.

 

Sem qualquer alma boa que se condoa de mim.

Sou torturado por lembranças doloridas.

De um passado que me trouxe muitas feridas.

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Família

Giordana Bonifácio

É sujeita a profundas mágoas e sorrisos.

Os nossos sentimentos não são bem precisos.

Ora bastante a nossos parentes amamos.

Ora muito entre nossa família brigamos.

 

Mas é lógica sua importância para nós.

Pois é certo que jamais estaremos sós.

Possuir uma família é de tal modo essencial,

Que nela se mesura do povo o potencial.

 

Nela se aprende o sentido real de cidadania.

A alegria está ligada a uma tão boa companhia,

Porque não estamos nesse mundo abandonados.

 

Quando da sorte e saúde estamos malfadados,

Há a certeza de que seremos acolhidos.

Mesmo quando já formos homens bem crescidos.

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O anjo

Giordana Bonifácio

Sobre as etéreas nuvens, um anjo me observa.

Sabe de meus pecados e ainda assim me perdoa.

Enxerga sob a carne fraca uma alma boa.

Eu confesso que não sou uma temente serva.

 

Ajo por impulso, ignoro a lei divina.

Não sou humilde, à tapa, a face não ofereço.

Não sou piedosa, pois para ser bom há um preço,

E frente às dificuldades minha fé amofina.

 

Por isso, do olhar do anjo sinto-me acanhada.

Nesse estranho juízo fui logo absolvida.

Sei que nossa existência é longa caminhada.

 

Fui agraciada com muito cômoda vida,

Mas sei que sigo meta outrora desenhada,

E que viver consiste em uma viagem só de ida.

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Lembranças

Giordana Bonifácio

O doce sabor amargo desta saudade,

Que queima nos momentos em que não me arde,

Mesmo quando não fere o coração, machuca,

E está presente comigo mais do que nunca.

 

Que faço da vida? Mais me vale a morte.

O azar se faz bem mais presente que a sorte.

Minha dor é ter perdido a felicidade.

A horrenda mentira era a sua cumplicidade.

 

E sinto no peito um vazio cheio de amargura.

A minha boa imagem é só uma triste figura.

Agora o que você me diz daquele passado?

 

O que era certo agora você julga errado?

Como pode esquecer daquelas lembranças?

Diz que “somos adultos e éramos crianças”.

 

 

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Divagações

Giordana Bonifácio

Sento-me em frente ao computador. Não temos nada a dizer um para o outro. Ele olha-me interrogativamente. Eu nada respondo. Ele continua a me fitar. Até que resolvo escrever algo. Para quê? Não sei, talvez para quebrar o silêncio que se perfaz entre nós dois. E quando as palavras surgem no papel (que não é o papel realmente, mas uma simples representação), parece-me que a máquina se alegra. Bobinha, mal sabe que em poucos segundos vou apagar tudo. Com o backspace vou destruir a história que teimou em começar. E decepcionada, ela voltará a questionar-me. Não sabe que hoje as ideias me faltam. Não tenho sobre o que falar, nada me instiga a escrever além dessa ausência que se faz presente em meu peito. Agora algumas linhas já governam a tela. Penso se devo “deletar” esse início de crônica, releio o que até agora escrevi. Desisto de desistir. Estranho não é? Ter todos os meios para abandonar uma ideia e conservar-se nela… Acho que faço as coisas dessa maneira. Insisto sobremaneira em todas as situações. Creio que temo abandonar os sonhos, mesmo quando eles já tenham perecido. É um erro, confesso, não devemos temer mudar de caminho. Ainda mais quando as vias que escolhemos não nos representam por completo. Sempre pensei que poderia ser uma boa advogada, mas quando percebi que até o ambiente do fórum era-me desconfortável, deveria ter deixado de lado esse objetivo que se tornou um terrível pesadelo. Persisti procurando um destino que não me pertencia. Estudei sobremaneira para descobrir o que gostava realmente de fazer. Não sei ao certo se será a via mais rentável economicamente, mas é bom quando estamos felizes com o que realmente sabemos fazer. Gosto de escrever. É o que faço melhor.

 Quando o computador encara-me friamente esperando respostas, despejo em sua tela uma quantidade imensa de perguntas. Eu não tenho mais que isso para oferecer-lhe. É tudo que possuo e posso conferir-lhe. Não é a verdade mais agradável, os outros acreditam que os escritores podem fornecer a saída para os mais intricados dilemas. Não sabem que também estamos à procura das soluções para nossos problemas internos. Nunca prometi as respostas que não possuía. Nem para esta máquina que devora meus sonhos, nem para o leitor ávido de resoluções. Querem que lhe revelemos o segredo da vida. O problema que também estamos à procura, talvez de nós mesmos, dos segundos que se esvaem sem que consigamos retê-los. Estamos em busca do tempo perdido de Proust, das mil e uma noites de histórias de Sherazade, da ilha de Robson Crusoé e seu companheiro Sexta-feira, das obras mais inusitadas de Saramago e do mundo fantástico de Garcia Márquez. Alguma coisa para esquecer que estamos vivos e que fora dessas linhas há uma vida a nossa espera. Queremos mesmo é fugir para dentro de nós. Alguma coisa como escapar para si mesmo. Estar em contato com nosso próprio espírito que, há tanto tempo, abandonamos.

A fantasia que guardamos em nós é menos ameaçadora que a realidade que desmitifica a ficção. Quando a leitura do romance termina e somos obrigados a retornar ao mundo. Fechamos o livro, o guardamos na estante e estamos de volta do sonho. Às vezes esse retorno é traumático, não estamos preparados para o choque de realidade. É preciso estar em condições de sair da história, de forma gradual para não incidir em mudanças de comportamento e humor. São os efeitos colaterais de uma boa leitura. Queremos tanto que a narrativa continue que, sem que percebamos, estamos agindo estranhamente e muitas vezes adotamos o humor e as atitudes do personagem do romance que estávamos lendo. É quando a história silencia que procuramos uma nova fantasia para onde possamos escapar. Voltamos à estante, escolhemos algum livro que nos agrade, que na verdade é a chave para nossa imaginação. Há uma porta em nós que não ousamos atravessar quando somos adultos. É a da sala em que guardamos nossa imaginação. Mantemo-la trancada como também àquela que aprisiona nossos sonhos. Os artistas simplesmente tem o poder (e a coragem) de deixar estas duas portas abertas. Libertamos nossa criatividade das amarras de uma realidade limitadora. E apresentamos tudo que pensamos nessa folha em branco tão exigente e voraz.

Essa máquina faminta de pensamentos não se contenta com estas frases que nela despejei. Exige-me mais. Quer sugar de mim todas as minhas fantasias. E eu querendo apenas deixar esta crônica pela metade. Sei que é fraqueza, mas quando as palavras já não nos dizem mais nada? Será que devemos insistir numa discussão sem futuro? Persistir nas estradas sem nome da desilusão, como tantas vezes o fiz? Queriam respostas, assalto-lhes com meus problemas. Eis o que faço. Essa máquina fria que me exige também deve sofrer comigo. Nós duas companheiras e inimigas. Eu estou sempre a contar-lhe histórias, ela a ouvir-me mais que qualquer pessoa já o fez. Ninguém se ocupa muito do que escrevo. Talvez por ser chato e sem sentido. Só esse computador de sonhos binários ainda se conserva ao meu lado. Nele encontro solo fértil em que posso plantar minhas sementes de ilusões. Cultivo muitos hectares, vastos campos dourados de divagações. Sem muita serventia, porque não há quem colha os grãos, e com eles façam o pão que alimente suas mentes. Conservo o trigo de minhas memórias no mesmo local. Sem função também, porque não gosto de reviver o passado, mesmo que sinta saudades dele. É que me fere muito lembrar os meus objetivos de outrora e descobrir que, tudo o que um dia desejei, jamais se concretizará. Talvez por minha própria culpa. Sempre fui muito tola. Desperdicei oportunidades demais. Queria que esse presente fosse realmente um presente e não apenas a pena dos meus erros do passado. Quando tudo que existe hoje era apenas um futuro distante, poderia ter agido diferente para que as consequências de minhas escolhas não me afetassem mais tarde. Mas agora nada mais faz sentido. O passado se foi, o presente se fez passado e o futuro se tornou um presente de grego. Um cavalo do qual saíram Ulisses e suas tropas e destruíram minha Ílion. A cidade de fantasias que mantinha em mim, ruiu sob as forças gregas. Ainda há alguma saída possível? Talvez tenha evadido tantas vezes e das mais diversas formas para mim mesma que não saiba como sair desse calabouço em que me prendi.

Estou encarcerada em minha mente, com todos os meios de sair ao meu alcance sem que consiga usar nenhum deles. Acho que temo a vida e ela me despreza. Estamos discutindo por mais de três décadas e ainda não conseguimos nos entender. Sinto-me traída por ela. O destino subtraiu-me de minhas expectativas. E parece-me que as ideias surgiram de algum modo, ocupei quase duas páginas de minhas lamentações. Está claro que não estou muito feliz com o resultado. Sabe, gosto mais de contar histórias… Falar sobre mim dói demais. É que sou muito sincera, não floreio as palavras não represento quando tenho de falar do que sou. Sempre digo o que sinto. E muitas vezes nem me querem ouvir. Não os condeno por isso. Mas me repreendo por estar sempre a falar sobre a dor de ser eu. É que ser é mais sofrido que não ser, quando ser é o reflexo que não queremos ver no espelho. A verdade é que não queria mesmo escrever hoje. Estou muito gripada e deprimida em razão do meu aniversário na véspera. Apesar de ter sido felicitada por todos meus amigos, há uma ausência que não se ausenta de mim. É sobre ela que estava falando no início dessa crônica. Há um vazio impreenchível em minha alma. Algo que não pode ser completado. Sinto falta de alguma coisa que não conheço. Uma realidade que deveria existir, mas me escapou por completo. Passo os dias abandonada em meus próprios pensamentos, tentando descobrir, entre tudo o que não possuo, o que me faz mais falta. Será que a solidão é que me atormenta ou a escassez de perspectivas para o futuro? Será que, por não estar conformada com a vida que possuo, a melancolia faz-me mais sensível no dia do meu aniversário? O mais provável que seja apenas o efeito dessa doença que se dissemina em meu corpo. Se algo tão pequeno como um vírus pode nos deixar muito doentes, imagina o que pode causar essa terrível ausência que se prolifera no meu espírito como um buraco negro que suga tudo ao redor? Acho que já é o bastante. Contente-se com estas frases, máquina exigente, pois estou muito enferma para criar algo diverso.

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Essa crônica não é sobre solidão

Giordana Bonifácio

Sentada em frente à máquina de escrever vou perquirindo-me as razões para escrever. Ou será que tenho de fazer o contrário: evocar as razões para não escrever? Sei que aqui nessa cidade quente onde a maresia preenche-me de sonhos, não encontrei ainda respostas para nenhuma dessas duas questões. Nem sei por que escrevo e nem o que me proíbe de fazê-lo. Há tantas histórias a se contar. Às vezes se escreve apenas, sem saber o porquê. Como abrir as comportas de uma represa, de repente uma onda de sentimentos lhe assalta e leva. Já perdida nessas corredeiras perigosas, às vezes é desespero só. Solidão também, mas nem quero falar dela. Sabe quando se discute amplamente um assunto e mesmo assim não se encontra qualquer solução para ele? Então, eu acho que foi isto o que ocorreu entre mim e a solidão, estamos inconciliáveis. Não adianta, jamais nos entenderemos.

Por isso, me sentei frente à máquina sem quaisquer planos. Não quero mais me entregar à fria análise da solidão. Talvez de outros sentimentos, mas o amor é algo tão explorado que talvez não encontremos nada original a se dizer.  Poderia abrir-me ao sentimento inusitado de estar tão longe de casa e tão fora de minha zona de segurança e adentrar-me nas questões mais ilógicas que nascem do impossível. Uma desordenada fonte de adjetivos, posso simplesmente adotar um para cada substantivo, e tentar encher de mentiras um texto que não quer nem mesmo vir ao mundo. Minhas idéias colidem como se estivessem em movimento, circundando-me a cabeça. Umas e outras se encontram provocando fissuras no tecido de minha imaginação. Como se daria em uma explosão atômica. Dizem que a bomba explode minutos antes de cair no solo. Acho que, nesse curto período, já detonei boa parte do meu arsenal criativo.

Sem idéias para fazer surgir a poesia em prosa. Sem dores para lamentar a perda. Sem objetivos a perseguir. Esse texto é um tanto assim de mim. Outro tanto de vocês. Os espaços em branco vocês podem preencher com qualquer coisa. Mesmo que nem combine, pois isso aqui não é moda que exija cuidado na colocação das peças. Não vou sequer sair mostrando o que escrevi e o que vocês sobrescreveram. Só um tantinho assim de som, se fosse possível, gostaria que me permitissem escolher. Uma canção do The Smiths, pedindo que ao menos uma vez fosse lhe fosse conferido o que ele (o compositor) queria. Ou a mentira alardeada pelo The Cure que garotos não choram. Se me permitissem seriam essas músicas a que faria simples referência. Vejam: nem as letras transcrevo aqui. Só queria mesmo anexar uma possibilidade, mesmo que mesquinha, de escolher a trilha sonora de minha vida.

A noite cai calma, pesada, como se o olho de Deus, a bola chamejante que nos confere vida, fechasse-se para que o olho enigmático da noite, a lua prateada, cuja luz é empréstimo das estrelas, surgisse imponente. Engana essa face poderosa e sóbria do satélite. Nem possui nada a lua. Ela é tal qual nós que, aqui na Terra, estamos sempre a perseguir bens que na verdade não serão nossos jamais. Tudo que temos em vida deixamos na morte. Nem adianta arrastar conosco o que julgamos pertencer. Não será possível disso gozarmos para onde formos. Não sei para onde vamos e se vamos realmente. Não sei se tudo finda num eterno vazio. (Lembram-se da ponte entre dois nadas? Como diria Caio Fernando Abreu?) O real é que nada do físico que possuímos nos acompanha. Nem mesmo essa máquina de carne e osso que nos é conferida em vida será mantida após a morte. E nesse ínterim, que é o espaço entre o nascimento e o desditoso falecimento, o que é necessário é gozar de uma boa saúde para que viver não nos pese de modo a lamentarmos o nascimento ou desejarmos a morte.

“E crescer intelectualmente? E buscar a satisfação de nossa ambição? E a fogueira das vaidades que alimentamos sempre com lenha nova? Isso não é importante?” Podemos satisfazer todas essas necessidades talvez nos sintamos um tanto mais felizes, mas o problema dessas vontades é que elas nos corroem como um câncer. Nunca nos contentamos com o que possuímos. Sempre queremos mais e mais. Por isso, nem queiramos para nós poderes, bens ou imortalidade. Nem vale a pena. Creio que deixo um tanto de mim gravado eternamente na história. O que farão com essas folhas rotas de sonhos? Nem sei e nem procuro sequer saber, que fiquem com esse pedaço de mim que já a muitos despojei de grande parte do que são.

Vamos assim, brincando com as palavras, sem querer nada no fim. Apenas sentir o que há para se sentir, sorver o quer há para se sorver. A água do mar tem gosto salgado de infinito. Será que posso fazer-me misteriosa como os oceanos, guardando em mim Atlântida, cidade de promessas, mito criado para entreter velhos marinheiros? Posso até ver-lhes à noite, conversando sobre as belezas de uma civilização moderna no seio do oceano. Mas em cujas praias nenhum navio jamais aportou. Esse foi um mito anterior ao do Eldorado, que ascendia a cobiça dos homens. Encontrar uma cidade de ouro, tornar-se o mais rico explorador dos Oceanos, quantos pobres navegantes sonharam com essa remota possibilidade? Mas temos de admitir: esses mitos perseveram na modernidade!

Podemos falar de todo esse universo de fantasias que cobrem o fantástico imaginário popular: de inicio os mitos eram a religião vigente. Heródoto os cantou muito melhor do que eu os posso falar. Sei que o mundo foi fruto da voracidade de um Deus que se alimentava de sua prole. Depois, vieram outras religiões que transpuseram o mito para o lugar que hoje lhes foi conferido. São apenas crendices, desprezam alguns. E novas histórias foram penetrando no terreno dos sonhos dos homens, se unindo a uma série de outras que já existiam se misturando e explicando, essa é a mágica da fantasia.

 Agora os homens, que olham para o céu, querem ver vida fora de nossa casa. Olham para as estrelas a espera que exista uma Atlântida perdida no espaço. Quando a Terra se tornou pequena para nós, fomos à busca de algo maior. Então, desbravamos o que nos foi possível alcançar do espaço, mas não temos ainda tecnologia suficiente para descobrir mais sobre o universo que nos cerca.  Por enquanto o vazio ainda nos é uma incógnita. E num misto de medo e curiosidade ficamos a esperar a visita de alguém que desconhecemos e que não chega jamais. Será possível existir vida fora desse mundo e será possível alcançar-las? Será que devemos temer-las ou elas a nós?

 Fui abrindo o campo de questões que trataria nesse texto, fui do minúsculo eu para o limitado nós e, tão logo me foi possível, caminhei para o infinito quem sabe… Nem sei se era isso mesmo que queria dizer.  As palavras foram surgindo e fui pescando-as aqui e ali. Se queria apenas fugir da solidão, não o sei, se queria uma desculpa para não falar da maresia que úmida se embrenha nos meus cabelos e adere à pele, talvez não tenha sido um grande projeto. Muito melhor falar sobre aquilo que conhecemos. O que sentimos realmente. Ou isso ou falar da dura dor da morte que nos toma tudo inclusive a vida. Talvez, bem mais fácil que seguir pelos oceanos com os piratas e marinheiros de séculos atrás, encantados com a possibilidade de riquíssimas civilizações.

Melhor seria não ter chegado a cogitar a existência de seres em outros mundos, porque aqui estamos tão, mas tão sozinhos, que necessitamos que houvesse alguém que nos explicasse porque na vida e na morte estamos abandonados frente ao desconhecido. E se esperamos que essa resposta surja do céu, numa colorida e esquisita espaçonave, talvez nos seja obrigado esperar para sempre. E se tudo for apenas um mito? Seria a solidão apenas um mito também? Será que havia um anjo assim, um tanto torto, que no nascimento nos tenha proposto: vá ser gauche na vida? E será que esse mesmo anjo bobo, que nos lançou no mundo, vem depois tomar nossa mão e acompanhar-nos na morte? No fim, navegamos por mares e universos, (que o espaço também foi feito para se navegar), para terminamos no assunto que resolvemos de início descartar. A solidão nos persegue, como se estivesse presa ao nosso ser com a força de um imã. Ela nos diz: não os abandonarei. E, como péssima companhia que é, dela queremos nos livrar a vida inteira. Eu sei que não a compreenderei jamais. O que me consola é que não sou a única a viver em embate com ela. Sei que a maior parte das fantasias que criamos é unicamente para diminuir a dor de nossa profunda solidão. Por isso olhamos para nossas dúvidas e perguntamos: será que estamos realmente sozinhos, para sempre?

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