hulk

“Hulk esmaga”!
Hulk

Foi sem querer!

Giordana Bonifácio

Pedro feria as pessoas, não importava que fosse na escola, na rua, brincando de pegar, ou, em casa, quando estava com sua família. Ficava nervoso e batia no que estivesse na frente. Nem pedia desculpas, dizia só: “foi sem querer”!
Ficava irritado por ninguém mais querer brincar com ele. Pedro estava convencido que não fazia mal a ninguém.
Sua irmãzinha tinha medo de Pedro. Quando ele se aproximava, ela fugia para os braços da mãe.
Pedro não fazia por mal. Não sabia ser cuidadoso com as pessoas. Não queria lhes ferir, mas ele não controlava sua força.
Muitas vezes, ficava com bastante raiva, por não ter biscoitos antes do almoço, por não poder assistir televisão antes de fazer o dever, então, descontava na primeira pessoa que via pela frente. Quando batia em alguém, só repetia: “foi sem querer”!
Até Salsicha, o cachorrinho da família de Pedro, sofreu com a ira do menino. Levou, de Pedro, um chute bem no bumbum e saiu latindo de dor e mágoa. O filhotinho gostava tanto do dono!
Pedro, não era mau. Era um menino normal. Gostava de sorvete de chocolate e balas de amendoim. Era fã de super-heróis e, um dia, queria salvar o mundo.
Mal sabia que antes de socorrer o mundo, tinha de salvar a si próprio. É, porque estava se tornando um menino sozinho. Ninguém queria ficar perto dele. Quem quer levar um soco sem motivo? Estar perto de Pedro era um perigo!
Pobre menino. Naquela tarde, ele empurrou um coleguinha da escola que acabou com um machucado na testa ao cair. Foi então que os professores pediram aos pais de Pedro para virem à escola.
Pedro ficou com medo. Pensou que iria ficar de castigo pelo resto da vida. Imaginou-se bem velhinho preso dentro do quarto sem poder ir jogar bola como gostava de fazer.
Mas, ainda que fosse uma falta grave, a escola não queria castiga-lo. Na verdade, queriam ajuda-lo. A professora, os pais de Pedro e uma doutora chamada pela diretora de “terapeuta” conversaram por horas, na sala do orientador, sem a presença do menino. Pedro roía as unhas de tão assustado. Foi então que o chamaram para conversar.
Pedro entrou encabulado. A terapeuta sorriu para ele. “Ela era até legal”, pensou Pedrinho. Ela perguntou se estava tudo bem e se poderiam falar um instante. Pedrinho balançou a cabeça: sim.
Então ela perguntou por que ele tinha machucado o coleguinha. Pedrinho disse:
– Eu estava com muita raiva. Joaquim tinha rasgado meu desenho.
– Joaquim era seu coleguinha, certo? Pedrinho disse que sim.
– E você acha certo o que fez? Perguntou, novamente, a terapeuta.
-Não, mas eu disse que foi sem querer! Respondeu o menino.
-Muitas vezes fazemos coisas sem querer mesmo. Como quebrar um vaso por acidente. Ou rasgar o trabalhinho do outro. O seu coleguinha rasgou seu desenho porque quis? Falou com uma voz bem tranquila a doutora.
-Não, ele queria mostrar para a professora e rasgou sem querer. Disse Pedro numa voz bem fraquinha.
– Calma, Pedrinho. Não estamos aqui para brigar com você. Na verdade, a gente quer que você aprenda a controlar sua raiva. Disse a diretora.
– Sei que as vezes a gente fica nervoso e quer descontar tudo que sentimos em alguém. Mas já pensou se fizéssemos isso? Seria uma tremenda confusão. Juntou a doutora.
– Eu disse que foi sem querer. Disse o Pedrinho já chorando.
– Nós sabemos. Temos certeza que não pensa quando faz algo assim. Sua mãe disse que você já machucou a sua irmãzinha e até chutou o cachorro. É verdade?
– Ela estava na frente e o Salsicha estava latindo. Enxugou as lágrimas com as costas da mão.
– Nem sempre a gente pode agir com raiva. Sabe o Hulk? Sua mãe disse que você gosta de super-heróis. É verdade?
– É. Tenho um monte de bonecos. Tenho o Capitão-América, o Thor, o Homem-Aranha, o Wolverine e também tenho o Hulk. Falou Pedrinho bastante orgulhoso.
– Você sabe que o Hulk só se transforma quando está com raiva, não é?
– Sei. Pedrinho estava curioso, será que ele se transformaria no Hulk?
– Bom, você também se transforma quando está nervoso. Você tem que segurar. Se não, vai machucar muita gente. O Hulk não gosta quando fere as pessoas, não é? “A doutora sabia “um monte” de super-heróis. Que legal”! Pensou Pedro.
– Não. Ele fica triste. Pedrinho, disse bem fraquinho e baixou a cabeça.
– Você fica triste quando machuca alguém, mesmo sem querer? A doutora olhou para o menino bem nos olhos e Pedro, envergonhado, disse:
– Fico.
– Então, para não ficar triste, a gente não pode ficar nervoso como o Hulk e descontar nos outros. Vou contar para você um segredo: quando fico com muita raiva eu pego uma folha de papel e amasso bem amassadinha com as mãos. Ou, então, pego uma almofada e fico batendo nela até me sentir calminha, calminha. Não podemos quebrar as coisas e machucar os bichinhos, os amigos e a irmãzinha. Quer tentar? A doutora pegou uma folha branca e deu para Pedrinho amassar.
Pedrinho pegou a folha e disse como o herói: “Hulk esmaga”! E fez uma bola de papel com toda a força.
– Agora está mais calmo? A doutora perguntou, com um sorriso. Pedro pensou que ela era mesmo muito legal e respondeu:
-Sim!
-De agora em diante, quando ficar com raiva, o Hulk só esmaga folhas de papel e a almofadas. Combinado?
– Combinado. Respondeu Pedrinho bem feliz. Não iria ficar de castigo. E o melhor, ele tinha o poder do Hulk, mas como todo super-herói, tinha de manter as pessoas a salvo. Agora, para não machucar ninguém, iria amassar folhas de papel até toda raiva passar.
-Ah, quando algum acidente acontecer, não fale que foi sem querer, mas me desculpe. Está certo? Disse a doutora com uma piscadela.
Com o tempo, Pedrinho foi aprendendo a controlar a raiva. E algum dia, sabia, ele iria salvar o mundo.

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