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Teus risonhos, lindos campos têm mais flores
“Nossos bosques têm mais vida”
“Nossa vida” no teu seio “mais amores”.
Joaquim Osório Duque Estrada

Um novo grito às margens do Ipiranga.

Giordana Bonifácio

Erga o braço forte, impávido colosso, porque um filho seu não foge à luta! Ouça este novo grito às margens do Ipiranga. Vai Brasil, não é tão difícil assim. Nem custa muito… Você só precisa manter sua economia estabilizada e conceder educação, saúde e segurança para a sua população. “Vamos levante e ande!” Pois se até Lázaro pode vencer a morte, o que um país como você não faria? Não sabe o poder que tem. Verdade, Brasil, você é uma potência! Não perde frente à economia de muitos países que se dizem de primeiro mundo. Nada de falar que está tão só em desenvolvimento! Vamos, aumente esta autoestima, meu amigo! É um país pacífico, não sofre com guerras e nem mesmo com o temido terrorismo. Ofereceu uma das mais belas Olimpíadas do mundo e ainda se acha um coitadinho? Faça valer a força da sua cultura! Seu povo é, antes de tudo, forte! Consegue sobreviver à duras penas e o faz com um belo sorriso no rosto. Nem os problemas que assaltam a sua gente são capazes de roubar a sua felicidade. Tem um povo acolhedor e amistoso. Pessoas legais à beça! Nunca vi alguém desgostar de um brasileiro. Na verdade, a persistência e a fé do povo canarinho são as suas melhores qualidades. São gente da gente, de pé no chão, que não se deixam abater por qualquer coisa. Mas mesmo sendo fortes, se permitem chorar quando a tristeza chega ou quando a felicidade é grande. Levantam um troféu (não importa a sua origem) como um prêmio de toda fraternidade verde e amarela. São uma família só, que comemora a vitória de um de seus filhos como a sua própria. O melhor do Brasil, (desculpe repetir a máxima já bem batida), é o brasileiro. Sua gente, sua riqueza. Não vê que fazem tudo pela pátria mãe gentil? Mesmo que o montante de seus impostos vaze pelo cano quebrado da corrupção, não sei de nenhum brasileiro que resida fora de seu país, que não se emocione ao voltar a sua terra. Não dizia John Donne que “nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente?” Somos uma imensa família de negros, brancos, pardos e asiáticos. Cada um guarda um pedacinho de você Brasil. Então, não vai a nocaute, levante desta lona e lute com coragem. Sei que é difícil, mas não vai desistir agora, não é? Nenhum brasileiro que se prese deixaria vencer-se tão facilmente.
Você é um país maneiro. Antropofágico, devora a cultura de fora e converte em algo totalmente novo. Pois o legal é ser autêntico. Dizem que o seu povo é cordial, como se fosse uma espécie de depreciação. O jeitinho, próprio do brasileiro, é criticado como algo errado e ruim para a sociedade. Ocorre que, no Brasil, há uma sensação que somos uma grande família. Assim, não nos tratamos como estranhos, sem o afago e o calor tão comum aos trópicos. Conversamos, dialogamos e acordamos ao final. Damos um jeitinho, porque nem tudo é só preto e branco, mas uma sequência de cores e cinzas. Não falei nem mesmo da criatividade do brasileiro. Quantas coisas incríveis somos capazes de fazer que muitos duvidariam? Então, Brasil, honre suas calças, que você consegue, sim, sair dessa crise. Quantos relatos de sua gente simples vencendo, apesar dos pesares, não confirmam a sua força como nação? Ninguém é mais capaz que você, Brasil. Não estou dizendo que é fácil, mas que é possível. Temos um monte de problemas, não vou mentir. A violência está em níveis assustadores, mas tem raízes bem mais profundas do que aparentam. É fruto de uma desigualdade social que provém dos recônditos da sua história. Mas até isto podemos mudar. Não deve ser sempre assim. Há como termos um país mais social. Há como viver num país mais igual. Mesmo que tenhamos de cortar na própria carne. Claro que temos de vencer nosso mais difícil oponente para isto: a corrupção. Sei que é a sua batalha mais ingrata. A gente corta uma erva daninha aqui, nasce outra ali. Contudo, vamos vencer, nem que seja pela nossa teimosia. Não desistimos nunca! Então, bola no chão que o jogo só termina quando o juiz apitar. A nossa educação é subvalorizada, mas, aos poucos, o brasileiro está descobrindo a importância do conhecimento. Não que nossa gente não seja sábia. Para falar a verdade, não há nada mais perfeito que a sabedoria popular. Mas o saber que provém dos livros também é necessário para se construir um país forte. Quando os gritos dos estudantes transbordarem aos muros da escola, então você, Brasil, entrará nos trilhos e prosseguirá na linha.
Outra questão sensível para você, pátria de chuteiras, é a reforma agrária. Só que esta depende do entendimento da perversidade da manutenção de vastos latifúndios no meio rural. Tal qual nas cidades, a desigualdade social também é gritante nos campos. Essa é uma de nossas feridas mais feias. Seguem-se anos em que o coronelismo faz de arma o voto de cabresto. Porém, até isto, você pode vencer, meu Brasil. Claro que não será mamão com açúcar. Vai ser dolorido e não como uma simples dorzinha de dente, mas algo tipo um parto ou uma cólica renal. Temos de criar uma nova mentalidade para o povo. Ensiná-lo a crer em si próprio. Você, Brasil, tem uma certa mentalidade de vira-lata. Na verdade, você acredita-se menor com relação a tudo que vem de fora. Vamos fazer um pacto? Sua cultura não é pior que a dos demais, cara nação tupiniquim. Seu folclore é mágico, não me esqueço desta máxima que aprendi quando li O saci do nosso amado Monteiro, livro que abriu as portas da literatura para mim. Por isso, Brasil, quero que aprecie mais suas qualidades que não é só samba e futebol. A beleza de sua cultura é mais valorizada pelos gringos do que por si próprio. Sei que minhas palavras parecem um simples discurso de uma patriota acalorada. Mas conheço todo o seu potencial, Brasil. “Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, nossos bosques têm mais vida, nossa vida mais amores.” Faço meus os versos de Gonçalves Dias. Não há poesia mais nacional que a Canção do Exílio. Ela é a declaração de saudades de um brasileiro obrigado a afastar-se de sua terra natal. Fora dos limites de seu país, não há quem não sofra de saudades. Pois ainda que você, meu querido Brasil, tenha problemas, não conseguimos não lhe amar. Bastião da cultura popular, guarda uma alegria infinita sob o sol de quarenta graus do Rio de Janeiro. A névoa e o frio Londrinos podem ser até românticos, mas nem se compara a ouvir o Bolero de Ravel no pôr-do-sol na praia do Jacaré em João Pessoa. Portanto, gigante adormecido, acorde que já é hora. Como diz a canção: “vem vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
Então, tome o seu “lindo pendão da esperança”: a sua bandeira, “símbolo augusto da paz”, coloque nas costas e torne-se o herói da sua gente. Sei que pode e que conseguirá. Não vai deixar na mão seu povo que tanto sofre por você, não é, Terra adorada? “Entre outras mil é só você Brasil, ó pátria amada”. Acredito que pode mais. Ainda que, num primeiro momento, as coisas pareçam muito complicadas, eu sei que você vai tirar de letra. Já saímos de buracos piores. Lembra-se da hiperinflação? Mesmo que não goste de recordar fatos tristes de nossa história, sei que é o passado que constrói o futuro. Este foi um período desastroso da nossa economia, mas superamos, não foi? Disseram que o Plano Real, como os demais que vieram antes dele, não daria certo. Mas o tempo provou o contrário, não é? Pois é, Brasil, eu sei que você é duro na queda. Não vamos perder esta luta. Segure na mão de Deus e vai. Vai que seu povo está com você. Não vamos lhe abandonar. Querida pátria, sigamos juntos em busca do futuro. Pois “no seu céu risonho e límpido a imagem do cruzeiro resplandece”, iluminando o sonho intenso de sermos mais do que somos. O “verde-louro de sua flâmula” pinta os rostos dos jovens de esperança. Somos mais fortes que parecemos. E se quisermos mudar o presente, temos de nos valermos de todas as nossas armas. A sua brava gente brasileira, para longe afasta o temor servil. Pois preferem ver a pátria livre ainda que tenham de morrer por você, Brasil. Já pode até dizer aos seus guerreiros: “parabéns, ó brasileiro, já, com garbo varonil, pois do universo entre as nações resplandece você, ó meu Brasil!”. Então, afaste o fantasma da crise e o medo de falhar, porque estamos ainda no primeiro assalto e não vamos cair sem quebrar o queixo do adversário. A crise é feia, mas já superamos coisas piores. “Não tememos as ímpias falanges que apresentam face hostil, pois o peito e os braços do brasileiro são as muralhas” de sua pátria. E, no fim, zombará deles, ó meu Brasil.

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