Arquivo do mês: julho 2015

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“É difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, Severina(…)
Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto

Como posso defender esta vida?

Giordana Bonifácio

Como posso defender esta vida?
Só com palavras, mas que dura missão!
Ela é isso mesmo que se vê: sofrida,
Severina, parece mais punição.

Não pode, só por mim, ser defendida.
Mas peço, para tanto, a sua permissão.
Se não o faço da forma mais devida,
Espero que me perdoe tão alta ambição.

No início, a vida é feita de esperança.
Depois é que ela, aos poucos, se revela,
Fruto dos dados que a sorte nos lança.

Mas o que faz da vida a mim tão bela,
É que, teimosamente, ela ainda avança,
Até cessar a morte a luz da vela.

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“Antes, a questão era descobrir
se a vida precisava de ter
algum significado para ser vivida.
Agora, ao contrário, ficou evidente
que ela será vivida melhor
se não tiver significado.”
Albert Camus

O manual da vida

Giordana Bonifácio

“Viver custa muito.” Fala-nos o manual da vida, sempre deveras mesquinho. Então tentamos poupar: nosso tempo, nosso amor, nossa alegria, nosso dinheiro… Não que este último seja essencial, mas, para algumas coisas, ele é necessário. Então devemos economizar nossos momentos felizes, para que possamos usufruí-los ao máximo. Não dá para ser feliz todo o tempo. É muito caro. Não só financeiramente, mas felicidade infinita é irrealizável. A gente tem de se contentar com momentos felizes, contrabalanceados por alguns episódios um tanto amargos. Difíceis até de engolir. Mas se tivéssemos lido o manual da vida, provavelmente lá estaria especificado: “não serás feliz para sempre. Isto não é conto de fadas, meu chapa!”.
Às vezes, a vida pesa sobre nós, pensamos até em desistir de tudo, “chutar o balde”, “jogar tudo para o alto” e dar um basta em tudo que nos faz tanto mal. Mas, então, a gente pensa melhor, lembra das dívidas a pagar, da família que temos de sustentar e do tratamento dentário que se tivéssemos sido mais zelosos conosco, não iríamos precisar. A gente respira fundo e aceita a sorte lançada nos dados do tempo. Não é erro resignarmo-nos com nossa sorte. Deve ser uma ação que não nos paralise, ao contrário, que nos impulsione a ser mais, fora dos limites traçados pela nossa existência. Pensar num futuro desejado é um modo mais fácil de suportar um presente difícil. Mesmo que ainda nos pareça muito distante e inalcançável. Ainda assim, ter um objetivo transforma a gente. Dói menos. É como um emplastro para as feridas de nosso espírito. Claro que não as cura imediatamente. Sempre resta um tanto assim de remorso, mas o tempo é o remédio mais eficaz para todas as mágoas. Senão, compre aspirinas na farmácia.
O passado também ajuda bastante em nossas realizações. A gente pensa: “ontem era bem pior”. E o futuro chegará, acreditemos: “nada como um dia após o outro.” Não vamos dar ouvidos aos pessimistas. “Muita água ainda passará sob a ponte de nossas vidas”. As situações mudam imensamente, mas não cometamos os mesmos erros dos que nos feriram. Não podemos assumir o papel dos inquisidores. A vingança não traz satisfação, ela apodrece a nossa alma. Faz-nos tão maus ou piores que os nossos presentes algozes. Façamos de nosso penar uma mola que nos impulsione a sermos melhores. As pessoas não nos diminuem se não nos deixarmos ferir. Sejamos humildes sempre. Não é simples, mas como o declara o item seguinte do manual da vida, que foi citado aqui anteriormente: “a vida não é fácil, mané!” Segure o choro, levante, bate a poeira e não deixe de seguir. Não terminou. Se não houvesse saídas, não seria razão de desespero. Então vá: bola para frente. O jogo continua. Uma faltinha não vai lhe tirar da partida, vai? Levantemos, vamos para a luta, sem rancores, guardemos na mala só bons sentimentos. Quando for nossa hora, a bola vai cair redondinha em nossos pés, então, o gol será inevitável. A vitória está mais próxima do que parece.
Não podemos assegurar que o futuro seja como queremos. Nesse sentido, vamos citar mais uma vez o manual da vida, que como todo manual, nunca é lido por ninguém: “o futuro é imprevisível, meu caro!”. Pode parecer lógico, mas não é. A gente está sempre esperando que tudo aconteça da maneira que queremos. Mas não é assim. Não podemos fazer nada para que nossa vida siga os planos que insistimos em traçar. São muitas variáveis presentes, que como o nome diz, mudam! Ninguém consegue prever com extrema precisão o que nos espera no dia de amanhã. Sinto muito se acreditavam em videntes e cartomantes. Não estou dizendo que são fraudes, mas, mesmo eles não têm certeza dos fatos que tentam antevir. Tudo que dizem é extremamente hipotético e, quase sempre, não reflete a realidade. Então, vamos combinar: nada de tentar prever o futuro, ok? Sejamos mais realistas e menos burros, para variar. Não estou condenando a prática da quiromancia, tarologia e astrologia como um todo, mas devemos admitir que não será através delas que encontraremos respostas para as nossas dúvidas existenciais.
Também, não encontraremos aqui neste texto a resposta de nossos dilemas. Sejamos francos: “se conselho fosse bom, não se dava, vendia-se”. Então não devemos confiar sequer no que aqui está escrito. Vamos nos reportar mais uma vez ao manual da vida, escrito, há tempos perdidos, por algum homem bem sábio, de barba longa e branca em tudo semelhante às suas versões cinematográficas: “não confie em ninguém, otário!”. Sendo assim, guiemo-nos por nossa própria vontade, que os erros serão creditados às nossas ações e não às de outrem. Se há algo que não devemos fazer é culpar os outros por nossas falhas. A gente tem de assumir que não somos perfeitos, ainda que sejamos apedrejados pelos demais. Não tem essa de “quem nunca errou que atire a primeira pedra”. Elas nos atingirão com certeza, pois quando a culpa cai sobre nós, ninguém quer saber de refletir sobre as próprias culpas. Lembremos de Júlio César, senão seremos nós a falar: “tu quoque, Bruti, fili me?”. Nem todos são tão amigos como se declaram. Muitas vezes, são os primeiros a virar-nos as costas quando mais precisamos. Então, sigamos o tópico do manual da vida, citado acima, que não deixa menos claro: “confie, desconfiando!”.
Sejamos cautelosos, às vezes, não devemos nos jogar de cara num projeto. Não que devamos ser covardes. Não é o que está dito aqui. Devemos ser corajosos, mas a vida nos determina um tanto de zelo. Não é certo pular de cabeça num lago do qual não se saiba a profundidade. Pode ser muito prejudicial para nós. Napoleão perdeu a guerra porque queria a Europa inteira. Sua ambição cegou-o ao ponto de fazê-lo crer que poderia vencer as condições climáticas da Rússia. Não é apenas especulação. Waterloo está aí para confirmar. Vamos lembrar do conselho do manual da vida, que não lemos quando deveríamos e que poderia socorrer-nos em diversas circunstâncias, cuja solução é apresentada de forma tão simples em suas páginas: “não vá com muita sede ao pote, brother!”. Então, conforme a honorável obra elucida de forma tão transparente: “é um olho no peixe e outro no gato”. Só assim devemos proceder em nossas vidas.
Claro que também não dei a devida importância ao manual da vida. Estava numa boa, esperando o momento de reencarnar que não conferi qualquer atenção às palestras sobre a nova era da Terra. Nem mesmo, àquela que insistia na necessidade de se ler os manuais. Fui com a cara e a coragem, pensando que tudo seria muito fácil, que não tinha com o que me preocupar. Sabe quando a gente vai dando cabeçada na vida? Cometi todos os erros que o referido manual tencionava evitar. Fui aprendendo com o tempo, como os erros e com os acertos. Sabe a música da Alanis Morissette que diz: “You live, you learn/You love, you learn/You cry, you learn/You lose, you learn/You bleed, you learn”? Foi, bem assim. Viver é “ficar dando murro em ponta de faca mesmo.” A gente sabe que vai machucar e vai doer, porém a gente insiste. Persiste. Enquanto as cortinas não se fecharem, a gente não deixa de tentar. Mas, repito, seria bem mais confortável nossa existência se tivéssemos lido o manual antes de nossa vida terrena. Sabe, tanta coisa aprendi com ela, coisas que deveriam estar claras desde antes de eu nascer, mais fui um anjo relapso, confiei na bondade Divina e vejam só: havia um outro coeficiente, um tal de livre arbítrio, que é como uma permissão do Nosso Criador: “estás livre para dar mancadas até aprender o caminho certo”. Então, tive de me virar, tentar ser o melhor possível, rodeado de dúvidas, andando na corda bamba o tempo inteiro. E o pior: não tem rede de proteção que amorteça nossas quedas. Quando caí, dei com a cara no chão. Mas segundo as tão profícuas palavras do manual da vida: “quem cai sete vezes, levanta oito”. “Botei a guitarra no saco” e fui em frente, em busca de meus sonhos. Mas o que gostaria de deixar claro com esta crônica é: não deixem de ler os manuais. Mas, se tiverem esquecido, a vida ensina, ainda que da maneira mais dolorida, e o tempo é o melhor professor.

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“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.”
Autopsicografia – Fernando Pessoa

Metalinguagem

Giordana Bonifácio

Poesia: páginas tristes que em vão invento,
Peças de dor da minh’alma perdidas,
Ilusão que me eleva o pensamento,
Soma de mágoas d’outras muitas vidas.

Amor: cruel sofrer que tanto lamento,
Flechas da aljava de Eros foragidas,
Que provocam tão amargo sentimento,
Do qual só o tempo cura suas feridas.

Poesia: sonho dos mais tolos amantes,
Nas noites em que só a paixão alumia
Os seus olhos tão puros e brilhantes.

Amor: mal que da dor faz melodia,
Não se sabe qual destes dois surgiu antes,
Mas fazem de mim mais triste e arredia.

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Festa de aniversário

Giordana Bonifácio

A velha pensava: menos um ano de vida. Quantos seriam? Noventa, cem? Não mais contava. Mas os filhos, netos e bisnetos deveriam saber. Aqueles que se reuniam felizes a sua volta. Houve um tempo que era dotada da mesma felicidade que fazia os mais jovens festejarem com tanto entusiasmo. Mas este tempo passou. Não queria aquela festa, como não desejava comemorar mais fato algum em sua vida. Quem, no seu juízo perfeito, festejaria a aproximação da morte? Por isso, nem fazia questão de sorrir para as fotos. Ainda que muitos solicitassem: “é para o Facebook!”.
As crianças corriam em volta da mesa numa algazarra terrível. Ela só queria que aquela tortura, que denominavam festa, acabasse o quanto antes. Via os genros e noras comendo salgadinhos com um incrível apetite. Os bisnetos derrubavam doces e refrigerantes no tapete. Pensava em como seria difícil retirar aquelas machas depois. Mas não era só isso, o filho mais velho, que tinha problema com álcool, estava bebendo, ela previa confusão em pouco tempo. Será que ninguém imaginou que ele beberia, por que não fizeram uma festa sem cerveja? O refrigerante poderia muito bem suprir as necessidades daquela gente toda.
Mas não era só de seu filho mais velho cujo problema aborrecia-a. Conhecia as falhas de cada um dos que se reuniam naquele recinto. O neto desempregado dizia estar estudando as melhores ofertas de trabalho. Na verdade, não tinha oferta alguma, o fato era que não queria ser considerado um perdedor pelos presentes. Pois, se fossem compará-lo a maioria dos netos, seria facilmente diminuído. Com exceção do neto mais velho com mania de empreendedor, todos os demais estavam bem empregados e com a vida já construída. Apesar de ser de conhecimento geral que a mulher do neto mais calvo, um dos três netos da linhagem do filho do meio, torrava todo o dinheiro do marido. Diziam as más línguas que ela traía-o com o personal trainer.
A nora, sobre a qual caiam tais acusações, veio cumprimentá-la. “Tudo bem? Está gostando da festa?” A velha não fez questão de responder e suspirou profundamente. Ainda ouviu a nora cochichar para o marido: “Será que ela ainda entende algo do que a gente diz”? A idosa preferia fazer-se de tonta, ainda que compreendesse tudo a sua volta. A velhice não lhe tirou nem um pouco da sagacidade. Só não falava o que realmente pensava. Ali, naquela festa, sabia perfeitamente tudo o que se passava.
O neto mais velho estava tentando pegar dinheiro emprestado novamente. Com sua conversa mole, aproximava-se de todos contando as vantagens espetaculares do novo negócio que iria abrir. Na verdade, em pouco tempo, faliria mais este empreendimento. Mais uma falência para sua coleção de derrotas. E ele já tinha muitas. A mulher dele já não tinha mais onde enfiar a cara tamanha a vergonha. Mas não dizia nada. “Songa monga!” Disse baixinho a velha. “Mais frouxa que minha dentadura!” O filho deles brigava com as outras crianças no jardim. Elas o chamavam de perdedor. Gritavam: “vai ser igual seu pai!”.
De repente, chega o filho do meio numa motocicleta Harley Davison, de jaqueta de couro e óculos escuros. Havia tingido o cabelo recentemente. Não queria deixar evidente a idade após a sua última separação. Veio logo falar com a velha: “a minha benção, mãe?” Ela queria dizer-lhe que para os três casamentos que o ele teve, ele nunca pensou em sequer pedir-lhe a benção. Mas agora a queria? Só para fazer bonito frente aos familiares reunidos naquela festa? Festa de aparências. Cada um querendo ser melhor que o outro. “São todos uns pulhas!”. Murmurou a velha.
O que estavam comemorando naquele recinto? O que faziam ali, se em outros dias não vinham visitá-la? Ela ficava ali, jogada às traças, só a empregada restava com ela. Contava-lhe todos os podres da família. As histórias chegavam-lhe rapidamente aos ouvidos. Quando o bisneto, que estava agora puxando o cabelo da irmã, quebrou o braço, o pai havia falido o último negócio e não tinha sequer dinheiro para a gasolina, o filho mais velho estava tão bêbado que não pode levá-lo ao hospital. Telefonaram, então, para o filho mais novo. Ele deixou o trabalho, que nunca abandonava, para ajudar o sobrinho-neto. Inclusive, este filho, viciado em trabalho, não estava naquela festa infernal. Tinha de fazer uma viagem de negócios. Agora estava ali o moleque do braço quebrado, todo faceiro, fazendo traquinagens e implicando a irmã. Nem parecia que tinha quebrado o braço há tão pouco tempo.
A terceira das mulheres do filho do meio estava ali, com os “herdeiros”, como a jovem moça dizia para todos. Essas eram as crianças mais trabalhosas, que provocavam todos os demais. Eram três meninos extremamente ativos, que corriam por todo lado, sem serem censurados pelos pais que nem se importavam com as ações dos filhos.
Da segunda mulher, ali estavam os netos já adultos, com seus próprios filhos. Crianças que não deixavam os celulares um único minuto sequer. Quais atrocidades deveriam estar trocando por mensagens de celular? Nesses grupos de What Zap em que não havia nada de produtivo? Será que os pais não tinham ciência das ações dos filhos? Não sabem sequer com quem estão conversando. Talvez estejam, até mesmo, sendo aliciadas por algum adulto. Mas o filho com seu cabelo pintado e jaqueta de couro, que se envolvia só com garotas de 19 a 21 anos de idade, tentava colocar panos quentes: “são adolescentes…”.
Os netos da linhagem do filho mais velho tentavam fazer o pai parar de beber, já previam um escândalo em poucos minutos. O neto mais velho até parou de falar sobre as vantagens do seu novo negócio para tratar do pai. E a velha estava vendo tudo isto. Não lhe passava nenhum dos acontecimentos daquela festa. Seus olhos pequenos, rodeados por tantas rugas, acompanhavam todos os fatos. Ainda que pensassem ser ela uma idosa sem qualquer entendimento do mundo. Sabia de tudo e analisava todos naquela festa com olhar cirúrgico.
Desde que seu falecido marido a deixara sozinha, com três filhos para criar, aprendeu a decifrar minuciosamente o mundo a sua volta. Esta compreensão dos fatos ajudou-a a criar a imensa família que se reunia agora para comemorar o aniversário da matriarca. Pessoas tão díspares e plenas de falhas. A velha, sentada no centro da mesa, sequer sorria para as fotos do celular: “essa vou publicar no Instagram!” Os familiares todos tentavam suportarem-se uns aos outros naquela festa de aniversário tão despropositada, no julgamento da velha.
A neta mais velha trouxe um bolo comprado na padaria cheio de glacê em que se lia: Parabéns, escrito com uma calda verde. Cobriram o bolo com inúmeras velas. O filho embriagado puxou o “Parabéns para você” com a fala embargada pela bebida. Todos cantavam uníssonos a tão conhecida canção. A velha só queria que fossem todos embora. Não aguentava mais aquela rede de intrigas. Pessoas que se odiavam mutuamente e fingiam suportarem-se.
Pediram para que a velha fizesse um pedido antes de soprar as várias velas que queimavam sobre o bolo. Ela desejou com toda a força. Mas quando abriu os olhos, ainda estavam todos ali. Ela suspirou. Se os outros prestassem atenção ainda veriam uma pequena lágrima escorrer-lhe pela face. “O que você pediu, bisa?” Perguntou um dos bisnetos que roubava furtivamente doces da mesa do bolo. Todos estavam ansiosos para saber o que a matriarca havia desejado. Todos questionavam, mas a senhora que não queria fazer mistério do seu pedido tão incomum. A velha respondeu num murmúrio frágil, cheio de amargura: “eu desejei morrer”. A família toda sorriu. “Isso é com Deus, mãe. Ele que sabe a nossa hora.” Mas o pedido da velha brevemente foi esquecido. Um dos bisnetos acabava de abrir um corte profundo no braço da irmã. Todos correram para olhar. A velha ficou sozinha no centro da mesa do bolo.

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Adeus

“Cuidado com a tristeza. Ela é um vício.”
Gustave Flaubert

O vício 

Giordana Bonifácio

A poesia menos dura faz-me a vida.
Transforma em tudo o meu tão grande nada,
E alivia-me o peso desta cruz pesada.
É a droga em que minh’alma embevecida,

Busca, para sua dor, ter acolhida.
Na mais fria e solitária madrugada,
Quando me sinto mais desconsolada,
Há ainda a poesia: a minh’alma resumida.

Mas tal segredo guarde só contigo:
Não são puros os versos que te digo.
São a chaga cruel que cresce cancerosa,

Ferindo a pura flor que em mim existe.
E há quem questione por que sou tão triste!
É que também de mágoa seca a rosa…

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adeus-borboletas

“Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.”
Alberto Caeiro (Heterônimo de Fernando Pessoa)

Adeus, ó vida!

Giordana Bonifácio

Adeus, ó vida plena de amargura.
Neste último ato, a peça chega ao fim.
Ao meu lado, uma oração alguém murmura.
Neste mundo, ainda há quem reze por mim?

Minh’alma, já confesso, não é mais pura,
Seriam as minhas faltas tantas assim?
Entre os proscritos, meu nome figura.
Não verei do Paraíso o belo jardim.

Senti muita dor, mágoa e ainda alegria,
Sonhei, fiz do futuro grandes planos,
Mas não fui tão bom como deveria.

Estou cheio de pecados muito humanos,
Não lhes há como negar a autoria,
Pois dono deles fui por vários anos.

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escritora

Escrever bem

Giordana Bonifácio

“Mas que tarefa amarga é escrever bem!”
Reclama o aluno frente a sua redação.
Maldiz o mestre e sua tão inglória missão:
“Quem saberia, hoje em dia, escrever bem, quem?”

Mas o docente insiste, ainda, porém.
Demanda ao aluno mais uma árdua lição:
Trinta linhas, não mais, de dissertação.
Quer que seu aluno enxergue mais além,

Pois o jovem é quem sua vida escreve.
E o professor faz tal missão mais leve.
Ainda que agora não admita o discente,

Mas, tão logo da escrita tire o véu,
Dirá que o mestre cumpriu seu grande papel:
Do jovem, para o porvir, abrir a mente.

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