Arquivo do mês: abril 2015

os pássaros

Os pássaros

Giordana Bonifácio

Dois pássaros pretos assombram-nos na calada da noite: um corvo a repetir que nunca mais e um melro que tenta voar com suas asas quebradas. Lá está o melro, de olhos cavados, tentando ser livre, mas o corvo determina-lhe toda a vida. Pobres pássaros tão limitados… Um cujo defeito é a desesperança e outro repleto de deficiências. Ainda que cego, tenta ver adiante, ainda que tenha as asas quebradas, ensaia um voo para ser livre enfim. O corvo entrou pela nossa janela numa noite fria, já o melro, ainda tenta alçar voo de sua gaiola. Ele só espera o momento certo para ser livre e partir sem olhar para trás. E, sobre os nossos umbrais, o corvo ainda repete: “nunca mais”. O melro é o amor que em nós ainda persiste, mas a ave agourenta sentencia-nos a cada passo. Repete eternamente seu terrível réquiem.
A qual dos dois deve ser creditada a verdade? Àquele que sonha com o impossível ou à ave que nos determina o destino? Nunca, jamais? Por que não haveria de dizer algum dia, talvez ou quem sabe? Assim, restar-nos-ia ainda um tanto de esperança, a chama bruxuleante que inutilmente o melro tenta instigar em nós. Mas, o corvo tem a voz mais impostada, é incisivo quando diz: “nunca mais”. O cantar do melro mareja-nos os olhos. Seu canto é a aurora dos sonhos e o grasnar do corvo é o poente das emoções. Um enxerga a vida como é e o outro nada vê. Só não se sabe ainda qual dos dois é realmente cego. Maldita noite sem luar em que só as estrelas brilham ofuscadas pelas lâmpadas de sódio. A luz do luar traz conforto para os nossos olhos tristonhos. Mas, as noites em que a lua é minguante, também nos homens minguam os sonhos. Como fazer calar a voz que nos dita a razão? Como ouvir sonoramente o cantar do melro em nosso coração quando o corvo diz: “nunca mais”?
Quando o melro canta, a noite torna-se fugaz, o sol, que se escondia na noite sombria, reaparece iluminando o dia. Mas, o corvo, ave da morte, escurece a terra, faz da noite um sempre que não passa nunca. E, assim, não mais se viu a luz do dia. Pobre melro, reconhecemos seus esforços, mas é um pássaro tão frágil e tão solitário. Quem garante que suas promessas possuem respaldo? Mais simples é creditar fé no que nos diz o corvo. É mais fácil desistir do que tentar, é mais simples aceitar do que discordar, é menos doloroso fugir do que enfrentar. Nossas asas também estão quebradas, nossos olhos, cavados, por que ainda ensaiaríamos um voo para escapar da gaiola da nossa vida?
Nossas grades são tão confortáveis. Sentimo-nos tão acolhidos na prisão que forjamos para nós. Temos medo de perder tudo quando alçarmos voo. Pois é possível que, ao voltarmos, nada mais esteja aqui. Contudo, queremos estar longe deste mundo que nos quebrou as asas, dos medos que nos cegaram os olhos, das desilusões que nos fizeram tão amargos e infelizes. Talvez, não seja tão só o corvo que nos diga “nunca mais”. Talvez, nós também nos determinemos à desesperança, à ausência da mínima possibilidade de liberdade e felicidade. O corvo é nossa razão impedindo nosso coração de quebrar os grilhões que o aprisionam. O melro é este frágil órgão que bate compassado dizendo: “ainda há tempo! O fim não chegou, a vida ainda pulsa e os sonhos são frutos que só esperam ser colhidos.” É verdade: estamos divididos entre um lindo cantar e um horrível grasnar.
Os homens todos são assim: meio razão e meio sensibilidade. Talvez, muito mais razão, às vezes, e um tanto mais de sensibilidade, quase sempre. Corvos e melros sobrevoam nossas cabeças como os pássaros de Alfred Hitchcock e atacam-nos violentamente. Querem que sigamos o que dizem. Porém, agora, o melhor seria infringir as normas e o que nos ditam o coração e a razão. Seguir por uma terceira via. Seria possível? Somos seres autênticos, na verdade, o avesso dos ponteiros. Nosso livre arbítrio leva-nos para fora dos caminhos trilhados das horas. Talvez, por isso, pensemos serem as leis um tema tão enfadonho. A literatura é um meio ímpar para fazer-nos plenamente nos expressar. Apesar de, no Brasil, existirem poucos leitores. Muitos não suportam a sinceridade de nossas palavras. Pior para eles.
“Nunca mais” grasna a razão tão horrível produto de nossa inteligência. Por que estudamos tanto, se é certo que na total ignorância somos mais felizes? Se seguisse sua razão, o melro repleto de limitações jamais tentaria voar. Por isso, eu penso que foi a nossa inteligência que nos acovardou diante dos desafios. É possível que nossa razão cegue os melros espalhados pelo mundo, é esta força que nos quebra as asas e impede-nos de bater nossas asas e voar. Nas noites frias de dezembro, deixamos os corvos adentrarem em nossos lares para repetir por toda nossa vida seu grasnar lúgubre.
Mas, ainda há um melro a cantar dentro de nossos espíritos, no morrer da noite, lá está a voz sibilante da esperança em nossa alma. Um melro que esperou a vida toda pelo momento de finalmente se libertar. Mas, é preciso suplantar o coro de corvos que nos cercam tentando nos desacreditar todo momento, pois é certo que deixamos estes bichos agourentos penetrarem nos nossos lares. Seres mesquinhos que não suportam assistir nosso sucesso. Na verdade, estão sempre a desejar a nossa derrota. Disfarçam-se de amigos, mas são lobos em pele de cordeiro. Não basta nosso corvo pessoal restar a repetir: “nunca mais, nunca mais”, há ainda outras aves negras como a noite a repetir infinitamente esta mesma ladainha: “nunca mais”.
Temos de libertar os melros que aprisionamos. Porém, não basta deixar a porta da gaiola aberta, temos de ensinar o melro a voar. Pois, para piorar a situação, a vida quebrou-lhe as asas e o tempo cegou-lhe os olhos. Assim, nossa missão, meus caros, é bem mais difícil. Vai além dos limites da nossa paciência. Nossa esperança é o único combustível que abastece nossas vidas. Ainda que, na escuridão das derrotas, a voz do corvo reste a ressoar em nossa mente, é necessário ouvir o cantar abençoado do melro a nos impulsionar a seguir em frente e persistir.
No morrer da noite, podemos escolher abrir a janela de nossos lares para permitir que o corvo adentre em nossos domínios, ou, ao revés, para deixar sair o melro que ensinamos a voar e, assim, deixá-lo partir para a liberdade. Fica a nosso critério. A noite sombria dos medos que apagam a chama da esperança pode ser embalada por um belo cantar como o do melro da canção dos Beatles ou pelo horrendo grasnar do corvo de Edgard Alan Poe. Nessa noite, em que a esperança são estrelas que pontilham o céu, escolhamos os pássaros que queremos ouvir.
O corvo pousado em nossos umbrais, segue a sentenciar-nos: “nunca mais”. Mas ainda que todas as probabilidades aconselhem-nos a desistir, lembremo-nos do melro. Aquela avezinha cujas deficiências não a impedem de ainda tentar voar, mesmo sabendo ser impossível. Todavia, mesmo assim, ele persevera, esperando o momento ideal para poder ser livre. Sejamos melros, não corvos. Ou sejamos qualquer outro tipo de ave: pardais, cotovias, sabiás ou, até mesmo, águias, mas não devemos jamais desistir de sermos felizes.
Haverá o momento certo em que poderemos bater nossas asas feridas e partir, sem olhar para trás, sem medo de mudar tudo a que estávamos acostumados. O costume é a ação reiterada que impinge uma norma. Ajamos fora dos padrões, sejamos originais, pois o costume é a gaiola em que nos aprisionamos. É confortável, mas nos cerceia e devemos sempre buscar a liberdade. Restar toda a vida presos num sistema, quebra nossas asas e impede-nos qualquer mudança. E, também, cega-nos os olhos a fim de não deixar em destaque o que está errado. Por isso, meus amigos, escolham a ave que desejam libertar, abram sua gaiola, e voem com ela. Esta é a receita da felicidade.

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“Ah, lembrança, lembrança, que me queres?”
Nevermore – Paul Verlaine

Soneto da solidão desleal

Giordana Bonifácio

Ó solidão, por que não me és sincera?
Sempre a me iludir toda cheia de graça,
“Não sofras: pois a tua dor um dia passa”.
Mas, é tão só uma breve Primavera…

Em minh’alma, só a fria mágoa prospera,
Mesmo enganada por tua vil trapaça.
Ó noites vazias plenas de desgraça,
Por quem este coração tolo espera?

Por um amor que jamais foi presente?
Por uma estrela fugaz e cadente?
Por rimas que me façam belo o verso?

Quanta solidão em mim se faz perene,
Tanta mágoa só cantou um tal Verlaine,
Cuja Angústia ressoar fez no universo.

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“A esperança dos pobres jamais se frustrará.”
Salmos, 9, 19

Um mísero grão de areia

Giordana Bonifácio

Ao entrar, bateu a porta do carro. Beijou a cruz do terço pendurado no retrovisor. Colocou a chave na ignição. Deu a partida e o motor gemeu cansado. “Vai porcaria… Pega, lata-velha”. O veículo gemeu mais uma vez, semelhante a um tuberculoso ruim dos pulmões. Será que era preciso empurrar? Quando fosse rico, venderia aquele traste para um ferro-velho. De repente, um sinal de vida. Um arranque, agora sim, poderia dar a ré, para sair da garagem. Ligou o rádio. Trocou as estações, espaçadas por muito chiado. “Musiquinha mixuruca”! O rádio continuou a chiar enquanto as mãos vigorosas do pedreiro tentava sintonizar alguma música que lhe agradasse. Enfim, desistindo deste trabalho árduo, deixou numa rádio qualquer. Sentiu vontade de fumar, pegou o maço de cigarros. “Você quer “pegar” uma multa, cara? Sabe de uma coisa? Dane-se”. Mas o isqueiro do fusca estava há tempos danificado e ele não havia levado fósforos. “Droga”! Lançou o maço de cigarros no banco ao lado. Sinais vermelhos paravam o trânsito. Havia um protesto há poucos metros. Os protestos em Brasília eram a causa de seus engarrafamentos colossais. “Agora só falta essa velharia quebrar no meio do caminho.” Mulheres distribuíam jornais gratuitos entre os carros. O sol escaldante fazia-o suar.
Usava a blusa nova que a mãe lhe dera de presente. “Um homem descente tem de possuir uma camisa social.” A blusa azul marinho conferia-lhe um aspecto mais sério. Fazia-o sentir-se importante. A calça com vinco passada pela tia, não era sua, era do irmão, um tanto curta, pois aquele tinha menor estatura, mas ainda assim achava-se bem elegante. No rádio, ouvia-se uma canção em inglês, idioma do qual ele não entendia nada, mas, ainda assim, acrescentou a frase: “bons conhecimentos em inglês” ao seu currículo. Tentou traduzir o que dizia a canção e sentiu inveja dos meninos que tiveram estudo, aqueles que possuíam toda uma agenda na semana: inglês na terça e quinta, natação segunda, quarta e sexta, judô após a natação e outros compromissos que nunca fizeram parte de sua rotina. Depois da aula, ele e o irmão pegavam sua caixinha de engraxate para tentar faturar algum dinheiro. Era com essa renda que ajudavam em casa. A mãe viúva e a tia solteirona lavavam e passavam para as ricaças do Lago Sul, faziam faxina, vendiam doces. A vida era melhor quando o pai era vivo, “um mecânico honesto”, gostava de frisar.
Quando o pai morreu, ele teve de deixar a escola e tornar-se arrimo de família. Trabalhou muitos anos como ajudante de pedreiro para aprender o serviço. Quando fora promovido a pedreiro, a mãe fez um churrasco para comemorar. Tiveram de pegar um vale no trabalho, é claro que não tinham dinheiro suficiente, mas a mãe disse que algo assim não poderia passar em branco.
Agora ele tentava uma vaga numa empresa de construção que conferia um salário maior. Se conseguisse ser aprovado na entrevista, talvez pudesse até comprar um computador e contratar uma assinatura de internet. Todo mundo dizia que na rede era possível encontrar tudo. Até mesmo, uma namorada. Ele não era feio, apesar de ser muito alto. É certo que era um tanto magrelo demais, mas herdou as características físicas do pai. O irmão era mais parecido com a mãe, mais baixo, mais forte e bem mais bonito. Por isso aquele fazia tanto sucesso com as mulheres. As mãos calejadas do pedreiro e a pele curtida pelo sol faziam-no menos atraente ao belo sexo. Por isso, não havia ainda se casado. Porém, não havia perdido as esperanças de que, um dia, casar-se-ia.
Pela janela, outdoors coloridos queriam vender-lhe um mundo que ele não poderia comprar. Abriu ainda mais a janela do carro, um menino de rua enfiou a mão para dentro do veículo exigindo trocados que o pedreiro não tinha nem para si. “Fica para a próxima!”. Fazia muito calor, apesar do jornalista da tevê ter garantido que choveria. Será que a entrevista de emprego demoraria? Não tinha dinheiro para almoçar na rua e não poderia voltar para casa, pois o preço do litro de gasolina estava pela hora da morte. Não almoçaria hoje, decerto. Mas se fosse aprovado, o orçamento da família ficaria menos apertado. Caso a contratação fosse imediata, pediria as contas em seu antigo emprego. Poderia, então, almoçar. Mas eram tão só conjecturas. Nada sabia do que o esperava no centro da capital.
Súbito, percebeu que alguém o vigiava do carro ao lado. Um menino de óculos observava-o em silêncio. Ele acenou para o garoto. O menino sorriu. Tinha aparelho nos dentes. O pedreiro sorriu de volta. A mãe do menino ralhou com a criança. Não devia dar cabimento a qualquer estranho na rua. O menino fez cara de choro. A mãe fechou a janela da qual ele via o menino, que estava no banco de trás, com um simples toque num botão. Mais uma vez, o pedreiro sentiu-se diminuído pelo carro que possuía. Se ele quisesse abrir a janela do banco traseiro, teria de parar para usar uma horrenda e antiquada manivela. Mas tudo vai melhorar. Segundo sua mãe, Nossa Senhora da Abadia havia a visitado em sonho para comunicar que viveriam uma época de bastante fartura. Os sonhos da mãe dele não costumavam falhar. Às vésperas do falecimento do marido, veio-lhe um anjo em sonho para avisar que algo muito ruim aconteceria e que ela deveria ser forte. Apesar destes dotes de José do Egito, os sonhos nunca lhe diziam o que aconteceria realmente. Era preciso interpretar os sonhos da mãe. E suas predições eram tão imprecisas quanto o tarô, o horóscopo, a numerologia e outras artes divinatórias.
O ronco do motor do fusca era também um som que lhe causava constrangimento. Enquanto os carros de hoje em dia não faziam qualquer barulho, ele ainda estava preso àquela lata velha. Àquele encosto, que lhe servia porcamente para se deslocar. Não tinha ar condicionado e nem mesmo bancos de couro. O revestimento do banco traseiro estava à mostra e o tecido que recobria o do motorista, extremamente puído. Ficava se perguntando qual garota interessar-se-ia por um homem cujo veículo era um fusca 77… O irmão dizia ser uma relíquia, que caso tivessem dinheiro para reformá-lo faria um enorme sucesso na vizinhança. Mas onde estava o dinheiro para tantos projetos? O noticiário dizia que o Brasil estava mergulhado em crise. A inflação estava astronômica e o dinheiro do povo, cada vez, mais curto. Não poderiam se dar ao luxo de desperdiçar. Supérfluos estavam proibidos nas compras do mês. Se tivesse um filho, talvez recebesse uma bolsa-escola para complementar a renda doméstica. Mas era um homem solteiro que, apesar de não ter constituído uma família, tinha a mãe, a tia e o irmão para sustentar. É claro que o irmão auxiliava, contudo, o salário mínimo que auferia como operador de fotocopiadora era voltado tão somente para a aquisição dos remédios da mãe e da tia. Eram idosas e sofriam de osteoporose, artrite e pressão alta. A tia, em pior estado de saúde, havia adquirido diabetes, logo ela que adorava doces. Agora era privada do seu maior e único prazer. Por tudo isto, o pedreiro sentia-se sobrecarregado com a responsabilidade familiar. Quando o pai morreu, vítima de um ataque fulminante, foi como se o peso do mundo tombasse sobre as costas do filho. Ao primogênito, restavam todos os deveres paternos.
E aquele engarrafamento que não andava? No carro à frente, uma senhora transportava balões, com certeza, para alguma festa infantil. O cheiro de fumaça dos carros impregnava-se nos pulmões. Já começava a  preocupar-se com a hora, não sabia se chegaria a tempo para a entrevista. Estava com um embrulho no estômago: e se não gostassem dele? Há muita gente racista por aí. Discriminavam de todas as formas as pessoas de sua cor. Já ouvira falar que Jesus era negro. Se tal teoria fosse mesmo comprovada, talvez esta história de preconceito terminasse.
Os carros andavam lentamente pela via. Estava bloqueada em razão de um protesto: médicos reclamavam os salários e benefícios não pagos pelo governo. Eram, em sua grande maioria, brancos, portando jalecos alvos, limpos, cuidados, um tipo de gente que não parecia sequer suar sob o calor de verão. A pele sob a roupa era o ponto crucial que separava o pedreiro de pele curtida daqueles que portavam cartazes a faziam barulho com apitos. Será que também sonhavam diferente? Será que a dor deles era menos pungente? Será que suas lágrimas eram mais puras? A cor não é importante para um cego que não a vê. O mundo deveria ser povoado por cegos, para que não fosse importante a cor dos homens. A raça seria uma questão indiferente. Afinal, ninguém poderia ver que ele era mulato e também não poderiam discernir entre negros e brancos. Aqueles homens e mulheres frequentaram uma universidade, tinham um diploma fixado na parede. Na parede do quarto daquele pedreiro, havia tão somente um pôster do time do Corinthians vitorioso na Libertadores da América. O que os separava era uma abismo sem fim de desigualdade. Não tiveram de engraxar sapatos, não se ajoelharam aos pés de ninguém para receberem alguns trocados.
O engarrafamento que provocaram, atrasou-o para a entrevista. O relógio de pulso marcou dez horas, já deveria estar na sede da construtora. Entretanto, parecia que a reivindicação da classe de médicos não tinha fim. Eles tinham direito de receber pelo seu trabalho, e o pedreiro, qual direito tinha? Do carro que transportava balões, um deles escapou pela janela, era vermelho, e subia livre em direção ao infinito. O pedreiro tomou o celular e ligou para a construtora para explicar sua situação. Eles concordaram em atrasar a entrevista. O balão subia sem amarras para o céu. Sem querer, o pedreiro disse um palavrão. Gostou tanto do som que o repetiu. A música americana deixava-o ainda mais nervoso. O balão era, agora, tão só um ponto vermelho no céu. Ele pensou que da altura em que estava, para o balão, ele era tão só um ponto na terra. Um grão de areia… Um mísero grão de areia.

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