Arquivo do mês: março 2014

mi_amor_by_sundropstonight

“O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh’alma se sentir beijada”
Chico Buarque

O meu amor

Giordana Bonifácio

O meu amor teceu solidões imensas

Em suas longas esperas tão ingratas.

O meu amor fez de sua dor serenatas

E poesia com as mais belas sentenças.

 

O meu amor fez as noites mais intensas

Nas quais recordo as mais longínquas datas.

O meu amor chora sua dor em cascatas

E faz das fantasias sólidas crenças.

 

O meu amor já não crê que nunca mais

E não pode sem ti restar em paz,

O meu amor crê em dias límpidos, risonhos,

 

Em que mais uma vez verá o teu rosto.

O meu amor, que hoje chora de desgosto,

Toda sua vã saudade desfia em sonhos.

 

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“Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.”
Cecília Meireles

Ao amor indiferente

Giodana Bonifácio

Foi-se contigo a minha vã esperança

E, desde então, a vida é meu maior tormento.

O que ainda resta em ti de sentimento?

Onde tu estás que minha voz não alcança?

 

De certo, teu desprezo é uma vingança.

Vês este meu tão amargo sofrimento?

É que me dói o teu falso esquecimento.

Sei que subsiste em ti alguma lembrança.

 

Se não, ouve a minha dor que agora canto,

Que te possa relembrar nossa história,

O nosso amor tão puro e verdadeiro.

 

E se estes rudes versos podem tanto,

Tornem vivo o que hoje é tão só memória,

Pois só contigo é que me sinto inteiro.

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frases de amor 2

Amor

Giordana Bonifácio

Amor: é isto só o que a minha alma escreve.

Porém, triste, vacila minha pena.

É que a dor até a pura arte envenena.

Congela ilusões sob densa e alva neve.

 

Escrever o que? O poeta ainda se atreve?

Ainda mais, quando sua arte é tão pequena?

Já a tempestade em meu peito serena.

Amor, meu sofrimento doce e leve,

 

Por que me ilude com a sua brandura?

Não vê que não mais creio quando me jura?

Em sua palavra já não mais me fio.

 

Sei que tão só num ínfimo momento,

Produz na alma um vão contentamento.

Depois do ardor, só resta cinza e frio.

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Tu

Giordana Bonifácio

Foste o meu melhor sonho nesta vida.

Foste, também, a dor que hoje lamento.

Foste, para mim, um doce tormento.

Amor que se tornou uma feia ferida.

 

Foste a alegria que minha alma não olvida.

Loucura que me roubou o pensamento.

Foste, nas noites vãs, o meu alimento.

Paixão que me fez tão só e malferida.

 

Foste ligeira como esta poesia.

Foste vaga como uma fantasia.

Foste a luz que mitigou a fria escuridão.

 

Foste num dia tão gélido de outono.

E contigo levaste ainda o meu sono.

Deixaste-me vazia, cheia de solidão.

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maria_povo

Conversa entre duas Santas

Giordana Bonifácio

Algo que muito marcou minha infância,

Foi que, mesmo não havendo pão na mesa,

E nossas poucas posses e pobreza,

A nossa casa não restou vazia.

 

Talvez por pedir minha mãe à Maria,

Numa fé enorme como uma certeza,

Via-se, em seus olhos, uma chama acesa:

“Mãezinha, dai-nos saúde, fé e alegria”.

 

Minha mãe adormecia, então, aos pés da Santa.

Hoje, acredito que sua fé era tanta,

Que escutava uma Mãe o que a outra pedia.

 

À Santa pedia um tanto de Sua luz,

E que aliviasse o peso de sua cruz.

Uma santa pedia e a Outra, a tudo, ouvia.

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CANSEI DA SOLIDÃO

Solidão

Giordana Bonifácio

Chore manso sua imensa e vã amargura.

Não reclame do mal que lhe crucia.

Sofre em silêncio todo fim do dia,

Pois seu pesar nem mesmo o tempo cura.

 

Saiba que é a dor que faz a sua alma pura.

O mundo, de seu penar, só riria.

Ame a dor. Faça dela a sua alegria.

Assim será tão só ela a sua ventura.

 

Abafe o grito, sua mágoa não passa.

Sofre sereno sua dor, sua desgraça.

Guarde no peito sua tristeza inteira.

 

A solidão é a dor que o relógio atrasa.

É das fantasias uma cova rasa

E das noites sem fim, fiel companheira.

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Heart_Cloud_2_by_HalitYesil

Confissão

Giordana Bonifácio

Se eu confessar-lhe meu amor já de cara?

Assim sem mais delongas ou rodeios.

Como um caminhão que não possui freios,

Se eu lhe der meu coração, você encara?

 

Eu quero sobre meu amor ser-lhe clara

E não me convém usar de outros meios.

Quero prender-lhe em meus doces enleios.

Amo-lhe, minha luz, minha joia rara.

 

E se lhe disser que não posso dormir,

Porque já não mais quero ver-lhe partir.

Você seria a esta dor indiferente?

 

Meu amor, é seu descaso que me mata,

Minha fantasia humana e tão inexata,

Que me cala, de medo, à voz descrente.

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