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A mudança que queremos no mundo

Giordana Bonifácio

O que me dizem agora? Há esperança quando não nos permitem ser livres? Quando não é lícito dizer o que pensamos? Repúblicas outrora comunistas, ou, para sempre, comunistas, que deturparam as ideias de Lenin e Marx, forçam a manutenção de um status quo impossível. Não entendem que não mais se enquadram na sociedade atual quaisquer formas de ditaduras.  Hoje, o homem sabe muito bem o valor de sua liberdade. Será que podemos gritar nossa indignação? Se governos arrogantes reprimem violentamente as manifestações populares?  Somos amordaçados pelo medo. Pelas normas hipócritas criadas em favor de uma elite que já se mantém por tempo demais no poder. Por que não mais se recorda as palavras de Evelyn Beatrice Hall em correspondência trocada com Voltaire, ao defender a liberdade de expressão? “Posso não concordar com nenhuma palavra do que disser, mas lutarei até a morte para que possas dizê-las.” Os mesmos homens que outrora gritavam -“liberdade!” Agora, assumem comportamentos, no mínimo, fascistas. Querem calar o povo que se revolta contra seus governos fadados ao fracasso. Países que se afundam em recessão, inflação e crises políticas cujos governos agem com violência contra seu próprio povo.  Um povo que já não mais aceita a situação vergonhosa de sua vida.  Não mais engole os péssimos serviços de saúde, educação e segurança, muito menos os salários degradantes dos servidores públicos. Como não há outro jeito de se calar o povo, os governantes agem com extrema violência, deturpam suas ideias, apresentam os manifestantes como baderneiros e aprisionam-nos em seu sistema prisional degradante. Ainda têm a “cara-de-pau” de apresentar-se em programas de televisão em apoio às manifestações contra as quais lançaram a força mantenedora do poder, ou seja, a polícia, para reprimir os que ainda têm coragem de gritar. A imprensa hipócrita e vendida não apresenta os fatos com imparcialidade. Ao contrário, se une aos governantes a fim de continuarem a receber espúrios benefícios.  Assim, retratam os revoltosos da forma que demandam os governos. Parece que uma rede de corrupção se instalou em todas as camadas do Estado e não existe mais como expurgá-las do país.

As pessoas têm medo e se calam. Olham com desprezo quem se inflama. Porque não lhes possui a coragem. Porque não vão enfrentar algo que lhes é tão superior. Parece uma realidade extraída diretamente da obra de George Orwel.  Em 1984, o governo totalitário suprime todas as manifestações contra sua hegemonia. O povo, no livro, vivia atemorizado por um Estado desumano. Hoje, exploram o Big Brother como um ícone pop e não dão o devido valor que o escritor queria passar com sua obra. Estamos vivendo isto no mundo. Até mesmo as nações que se diziam democráticas não asseguram a possibilidade de discordar de suas ideias ao povo. Assassinam, prendem, ferem, torturam e matam. Os bandidos, meus caros, não estão nas prisões, mas nos altos escalões do governo. O Brasil é um país mergulhado e falcatruas e negociatas. Mas não é diferente em outros países emergentes que adotaram governos de esquerda. Contudo, li na internet que a corrupção no Brasil é ambidestra, tanto os ditos governos de esquerda, quanto os que são comumente ditos de direita (principalmente pelos que se dizem de esquerda) estão afundados na lama abjeta da corrupção. Não se diferem em nada. Por isso, faço uso a definição tão corriqueira na deposta monarquia brasileira, com algumas adaptações: “nada mais direita do que a esquerda no poder”. Como discernir entre o bem e o mal se ambos são o mesmo? Quem está no poder faz uso das mesmas armas do antigo governante para continuar no poder. Querem suprimir direitos para evitar manifestações na Copa do Mundo. A Copa dos desvios bilionários, pagas a custas do povo brasileiro que nada usufruirá das benesses que tanto alardearam os meios de comunicação. Os turistas, meus caros, não virão. Quem se inseriria numa situação de calamidade pública como o é a nossa segurança nacional? Ou melhor, a falta dela! Não há segurança! É muito raro não existir um brasileiro que já não fora assaltado. Sem falar nos demais crimes que assustam o turista estrangeiro que somem de nossas praias paradisíacas. Uma modalidade de assalto realizado com extrema violência é o apelidado sequestro relâmpago, que, com certeza, vitimizaria milhares de estrangeiros que aportassem em terreno tupiniquim.

Por isso, essa Copa tem como alvo tão somente os brasileiros, que, além de ter de pagar para construir estádios bilionários (vide Estádio Mané Garrincha em Brasília), é obrigado a pagar um pequena fortuna para assistir aos jogos do Brasil. Além do fato de que, em função da aproximação da Copa, os preços de todos serviços e produtos no Brasil terem sofrido uma alta alarmante. Assisto, nos noticiários, ao governo da Venezuela que tenta a todo custo reprimir uma população que não mais quer ser enganada. Confesso estar profundamente preocupada com as realidades tão próximas vividas aqui no Brasil e na Venezuela. Muitas nações Sul-Americanas estão sofrendo com as mentiras do governo e as formas inescrupulosas de ir contra os princípios básicos de democracia e liberdade. Parece-me que estamos seguindo contra a corrente, que por mais que nos esforcemos, jamais será possível vencê-los. Será que estamos fadados à regressão histórica? O que foi conquistado com tanta dificuldade pelas sociedades está sendo extinto justamente pelo uso da força? Assisti, estupefata,  às cantoras do grupo Pussy Riot na Rússia serem chicoteadas em frente às câmeras porque protestavam contra o governo Putin. O que mais me espantou foi que ninguém se inflamou e tentou ajudá-las. Será que todos vamos aceitar passivamente tal repugnante abuso da força? O governo dos Estados Unidos faz uso de sua tecnologia para espionar o mundo e nada é feito a respeito. Vamos ficar calados? Será que a privacidade e a liberdade devem ser submetidas aos interesses inescrupulosos dos governantes? O que aconteceu com o povo que agora engole tudo com tanta facilidade? Por que temos tanto medo? Ou será que não mais pensamos coletivamente? Acho que esta seria a resposta mais provável.  O homem está cada vez mais egoísta e individualista. Foi-se o tempo em que se importava com o bem-estar coletivo. Está desiludido com a política.

É que foram tantos vexames, tantos casos repugnantes de corrupção que já não confiamos em ninguém mais. Agora a imprensa alardeia que os denominados Black Blocks estão sendo financiados por uma fonte secreta. E se esta fonte for o próprio governo que tenta desmoralizar as manifestações, que deveriam ser pacíficas, da população? E outra pergunta que faço, (desculpem-me por tantas questões), é: será que devemos ainda ser pacíficos? Não estou tentando pregar a violência, na verdade, estou tão revoltada, que já creio que fomos pacíficos por tempo demais. Agora é a hora de sermos fortes. Vamos ser um povo, o povo que outrora não se abstinha frente às injustiças. O povo que não deixaria um dos seus ser chicoteado sem nada fazer.  Por que, agora, os que se diziam membros do povo, uniram-se a perversa elite. Já é hora de mudar. Vamos ser o que não fomos por todos os anos que aceitamos os fatos em silêncio. Não há mais espaço para estes traidores da nação no poder! Mesmo que seja necessário usar da força, mesmo que nossas vaias sejam ainda muito pouco, mesmo que votar nulo seja um esforço em vão, mesmo que o sangue dos inocentes escorra por nossas esquinas, mesmo que gritar seja inócuo, temos de fazer algo! É insustentável que num país de abismos sociais como o Brasil, sejam utilizados bilhões em investimentos públicos na construção de estádios. Não é correto construir um porto em Cuba quando os nossos estão totalmente sucateados. Não é cabível contratar médicos em regime de semiescravidão a fim de transferir recursos a uma ditadura cruel como é a cubana. Está mais que na hora de fazermos algo. Não podemos simplesmente esperar por mudanças que nunca ocorrem. “Nós somos a mudança que queremos ver no mundo”. Vamos mudar Brasil, vamos mudar mundo!  (Desculpe-me Gandhi por utilizar seu discurso pacifista para impelir o povo à revolta).

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