Arquivo do mês: fevereiro 2014

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Ébrios devaneios

Giordana Bonifácio

A paixão que me guiou por toda a vida

É que explica a dor que sinto, mais nada.

No fim, minha existência resumida,

É só uma fantasia já malograda.

 

O amor é a ilusão da alma desterrada.

Sonho cruel que a dirige embevecida,

Para a hora feliz que foi sempre adiada

E que não chega nunca nesta vida.

 

A alegria que, em vão, loucos, supomos,

Realidade impossível que sonhamos,

Que nos leva para onde nunca fomos,

 

É que faz ser a vida tão vazia.

Miragem cruel em que jamais estamos,

Amargo devaneio ébrio de magia.

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Estrela cadente

Giordana Bonifácio

Sei que já fazem longos tristes anos,

Desde que no céu surgiu tão florescente,

Uma esperança fugaz e cadente

que deixou para trás meus desenganos.

 

Tanto tempo faz que criei loucos planos,

Que converti meus sonhos em semente,

Antes de vir a idade tão inclemente,

Desfazendo ilusões em enganos.

 

Agora sei que enxergo claramente,

E vejo que sucede exatamente,

O contrário do que tanto imaginei.

 

As esperanças ficam para trás,

Também os planos dos tempos de rapaz.

Só os meus erros é que, até aqui, transportei.

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Poema dos beijos infinitos

Giordana Bonifácio

Este é o poema dos beijos infinitos.

Beijos que se resumem em loucura.

Beijos suaves que o espírito procura.

Beijos molhados, santos, benditos…

 

Beijos roubados, sonhos interditos…

Beijos que saciem tal qual água pura.

Beijos que sejam luz na noite escura.

Beijos de dor, amores jamais ditos.

 

Beijos para redimir a alma casta.

Beijos que para a morte o corpo arrasta.

Beijos, ilusão que dói a cada canto.

 

Beijos tão doloridos de saudade.

Beijos tão doces que juram verdade.

Beijos que são infinitos como o pranto.

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Longe da vista, longe do coração”

Giordana Bonifácio

“Longe da vista, longe do coração”.

Como? Se na memória o amor persiste?

Como? Se a saudade ainda me subsiste?

Como? Se cheia de dor está a solidão?

 

Como? Se é egoísta o meu louco coração?

Como? Se me faz, a cruel mágoa, triste?

Como? Se em mim o teu cheiro resiste?

Como? Se a noite só ouve a mesma canção?

 

Devo partir? Para onde? Longe? Perto?

Longe de ti, tudo é um grande deserto!

São vazios os meus dias e todos iguais!

 

Queria apagar a nossa despedida.

Eras tudo que tinha nesta vida!

A vida que não posso viver mais.

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Doce tormento

Giordana Bonifácio

Foste-me mais uma ilusão na vida.

A melhor e a pior: doce tormento.

Estrela, suave luz do firmamento.

Foste-me uma dor cruel e colorida.

 

Amor que meu coração ainda não olvida.

Encheste de alegria o meu pensamento.

Gosto de sonho, tão amargo alimento.

Penar que me deixa a alma malferida.

 

Teu amor foi-me ora prêmio, ora castigo.

Som e silêncio, música distante.

Por que não posso ser feliz contigo?

 

Foste o amor cujo frio ora em mim crepita,

Febre atroz que me deixou delirante.

A dor que, muda, minha boca grita.

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O palhaço

Giordana Bonifácio

A minha juventude foi um tormento.

Como um palhaço que, desengonçado,

A todos faz rir com seu sofrimento,

Sempre eu era, pelos demais, humilhado.

 

Creio que a dor, desde então, é meu maior talento.

Saltava tal qual um clown desvairado

E a plateia aplaudia com sentimento.

Quem se lembra do que sofre o caçoado?

 

“Para o povo, tal show não se despreza.”

“Vai, caia palhaço, tão infeliz demente!”

“Vai, que o público ao seu penar não preza!”

 

“Não comove ninguém a sua agonia .”

“Mantém este sorriso, à sua dor mente!”

“Não chore! Não traia a quem lhe prestigia!”

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DESPEDIDA-DE-AMOR

“Plaisir d’amour ne dure qu’un moment,

Chagrin d’amour dure toute la vie.”

Jean-Pierre Claris de Florian

 

Amor

Giordana Bonifácio

Amor, o sonhar em que ando perdida,

No qual vou de alma em alma tão só errando.

Assim passei toda esta amarga vida,

À minha outra metade procurando.

 

Se hoje estou pela dor enlouquecida,

Às pessoas em silêncio contemplando,

É que repito a história tão batida,

Que meus lábios em vão estão murmurando.

 

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”

É o que leio num soneto de Florbela.

Penso: “então deste jogo qual é a graça?”

 

Vamos amar em vão até que o amor acabe?

O que faz tal loucura, aos outros, bela?

A ilusão, a fantasia, o sonho? Quem sabe?

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Fuligem

Giordana Bonifácio

Depois de ter, meus poemas, rasgado,

De prometer com voz imperativa:

Não mais escreverei enquanto viva!

A esta amarga poesia criar fui obrigado.

 

Não sou, das letras, um necessitado.

É que, da dor, a minha alma se esquiva.

E a arte tem natureza corrosiva:

Marca-nos com lembranças do passado.

 

O que quero é esquecer tão somente.

Vê o que há por trás desta alma transparente?

Pesares, mágoas, sonhos e quimeras…

 

Quero apagar lembranças que me afligem.

Sei que a poesia da alma é a negra fuligem,

Aos sonhos cobre com longas esperas.

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Minha dolorosa confissão

Giordana Bonifácio

Gostaria de ser capaz de admitir minhas faltas a um padre ou, mesmo, a um terapeuta. Mas me escondo em meu silêncio. Minha tão secreta face que omito do mundo. Medo? Engulo minha dor como os remédios que me obrigam a tomar. Procuro sem sucesso a saída de meus labirintos internos. Seria mais fácil se pudesse(ou se quisesse) pedir ajuda? Sim, seria. Contudo, teria de admitir minha insuportável fraqueza, teria de confessar-me incapaz de sobreviver a mim. Então, restam-me as mágoas marcadas na pele. Marcas de minhas faltas inadmissíveis. Dos segredos que trancafio nas masmorras de minha alma. Nos lugares mais recônditos a que ninguém jamais teve acesso. São o subsídio de minha arte. A minha arte que é produzida com argila e lágrimas. Crio esculturas que jamais foram terminadas, esboços de uma realidade demasiado cruel para ser preservada. Aqui, eu assino as palavras que jamais pude assumir. Sérias resoluções, terríveis desilusões, amargas confusões. Amei o mais escuro e sombrio aspecto de mim. Porém, escondi-me sob minhas máscaras num profundo e denso oceano de mágoas. Fui sedimentando meus pesares, camada sobre camada, até que minhas dores estivessem de tal modo enterradas que não houvesse mais como trazê-las à tona. Por isso, é-me mais fácil exumar os esqueletos de seus túmulos, escrevendo. Sei que ainda amargam meus calos. Os sapatos da vida jamais foram feitos para meus pés. Ora muito grandes, ora muito pequenos. Jamais moldados para meu conforto. E sempre fui obrigada a andar grandes distâncias com tais incômodos calçados. Com os pés feridos, prossigo, não sei ainda por quê. Medo? Queria poder dizer que minha vida é um livro aberto, tal qual muitos dizem por aí. Mas só deixo ser visto o que me convém. O resto está submerso. De mim, conhecem somente a ponta do iceberg, o que realmente interessa, não está visível. Porque ainda sou um mistério complexo demais para ser traduzido. Se não me foi possível definir durante todas estas décadas em que procurei conhecer-me, como podem entender-me quem só viu tão pouco de mim? Muitos tentam, sem sucesso, fazê-lo.

Sou uma confusão de silêncios e palavras. Às vezes mais silêncios que palavras. É que as minhas verdades foram mentiras que acabei repetindo-me tantas vezes que findaram se tornando certezas. Mas nunca estive bem certa de quê. Minha solidão é uma existência que se reparte em múltiplas facetas. É porque penso que nunca estive sozinha realmente. A minha solidão está repleta de pessoas. Porém, nunca alguém que me tenha significado realmente. Até que inventei o meu reflexo. E era algo tão próximo de minha alma que até pensei estar feliz. Mas era apenas mais uma miragem. Foram muitas que me assombraram neste extenso deserto. Tentações que me perseguiram, para ser algo que não poderia ser. Para ser como exige o mundo. Para violentar minhas ideias, meus sonhos, a minha autenticidade. Cerrei as portas da minha alma, porque não queria mais me ferir. Coloquei uma couraça em meu coração. Estou preservada do mundo. E o mundo, estaria a salvo de mim? Queria ter domínio do tempo. Dizem que ele nunca mudou, que o tempo permanece e que são os seres que estão a ele sujeitos é que se transformam. Os efeitos do tempo podem ser vistos no meu rosto. Podem ser visto na perda da força das minhas mãos e pernas e no volume de dor que meu espírito armazena. A vida é uma realidade fantasiosa. Nada se sabe sobre ela. É uma certeza inexplicável… E dolorosa. Vou admitir que nunca valorizei postulados e axiomas. O óbvio muitas vezes tem de ser provado. Foi o que eu aprendi. Ilusões não mais me deturpam a visão. Adquiri certa racionalidade ao tratar com a insanidade. Tive de aprender comigo, aprender a ser eu, quando não poderia sê-lo. Mas fixei bases sólidas em terreno pantanoso. Nem sei mais o que se sou o que sou. Ou o que deveria sê-lo.

Organizo meus livros na estante como se colocasse em ordem a minha vida. Mas sei que é inócuo.  De Caio Fernando Abreu a Érico Veríssimo ainda não me é possível entender. Procuro nos livros mapas que me digam por onde seguir. Mas creio que estou muito mais confusa. Os meus caminhos são deveras sinuosos. Talvez se embrenhem demais nas florestas inóspitas de meu espírito. Sorvo agora um café ralo a que tive de acostumar-me. Prefiro café forte, café curto como é servido na Itália. Algum dia ser-me-ia aprazível conhecer Veneza. Sei que é um sonho tão distante quanto os que já nutri no passado. Quando desejava ir à França e todos sabiam, menos eu, que não estaria jamais ao meu alcance. Sonhos que guardei em gavetas, como poesias que escrevo para um amor ausente. Amei poucas vezes e sempre me desiludi amargamente. Não o amargo prazeroso do café. Mas o amargor intragável de um coração partido. É uma ferida que não cicatriza. Dor infinita que sempre ressurge quando levantamos os tapetes de nossa alma. Queria esquecer. Fazer arte do esquecimento. Moldar uma escultura das dores esquecidas. Mas estas mágoas não podem ser esquecidas. Estão marcadas à brasa na nossa pele. Para sempre. O sempre só é sempre para o que machuca. Para as demais coisas o para sempre é a eternidade mais curta que existe. Já o nunca, o nunca me foi a certeza mais concreta de minha vida. Coisas que desejei ardentemente, mas jamais me foram realizáveis. Sonhos que são devaneios, vaporosas ilusões que se desfazem com um simples sopro. Meus dias são retratos dos meus inconfessáveis segredos. A verdade é que não consigo dizer abertamente o que está a tanto tempo engasgado que não pode ser expelido. Talvez só me caiba engoli-lo. Por que dói tanto ser o inverso, do inverso, do inverso, do que se deveria ser? Machuca não ser o ser que os outros seres esperam. E, quanto mais correm os anos, penso que o tempo parou e as realidades repetem-se constantemente.

Por que não tenho coragem o suficiente de dizer o que devo dizer? Sei que tenho tanto medo que não consigo. Porque sou uma união terrível de forças opostas que se chocam constantemente. Não posso escrever minha solidão por ser um mistério inefável. Eu sou minha própria solidão, eu sou o que não sou e o que sou, mas não o deveria ser.  Não me é permitido ser. Por isso sou um rascunho, um esboço imperfeito de um ser que não é. Eu não sou eu. Eu sou o que me permitem ser. É uma estranha complexidade. Mas não me cabe explicá-la. Talvez porque esteja além de minhas forças. Talvez por não querer, tão somente. O que quero, deixo aparente. É a ponta do iceberg. As profundezas de minha solidão, o meu tesouro perdido. Fruto de navios que naufragaram em meus oceanos e que neles permanecem adormecidos. Quero conceitos fáceis que possam ser ditos abertamente. Algo como “A Terra é azul.” Uma constatação tão simples, porém histórica. Queria ser menos obtusa. Desde pequena sempre ficaram impressionados com minha incrível inteligência. Mas, ao contrário da opinião geral, penso ser tão insipiente quanto uma criança. Há tanto que gostaria de conhecer que me permanecerá para sempre fora de alcance… As minhas confissões restam sem as revelações que deveriam ser feitas. Que o leitor tente ler as respostas nas entrelinhas. Foi-me impossível ser mais clara. Por que minha escuridão cobre minha face mais real. O mundo fica com as máscaras de que faço uso. Não vou dizer minhas falas nessa peça. Sou um personagem deveras indomável. Faço o que me condiz. Nem que isto me fira sobremaneira. Nem que me submeta ao pavor que me toma. Vou ter de suportar meus sapatos que ora estão deveras apertados. Meus pés estão feridos, mas continuo em meus tortuosos caminhos. Porque me faltam opções. Porque só me resta seguir sempre em frente, apesar de não mais haver tempo a ser perdido. Medo? Sim, um pavor enorme de viver em conflito. A procura de uma paz aparente, que submete o meu coração a um eterno conflito.

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“Aimez, aimez; tout le reste n’est rien.”

Jean de La Fontainne

Amor

Giordana Bonifácio

Ó amor, nossa prisão inevitável,

Vil penar sem matéria, horror sombrio,

Que envolve todo ser inconsolável,

No mais inexplicável e cruel frio.

 

Ó amor, sentimento obscuro e inefável,

Pesar sobre o qual não se tem domínio,

Força que nos impele imponderável,

Nas noites cheias do mais atroz vazio.

 

Ó amor, dor que nos esfria as tardes quentes,

Vazias da plenitude perfumada.

Ó amor, sonho dos beijos inclementes,

 

Das bocas de deleites e delírios.

Ó amor, feroz volúpia alucinada,

Das lembranças, das dores e dos lírios.

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