Arquivo do mês: janeiro 2014

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Giordana Bonifácio

Ainda que caiam do negro firmamento,

As estrelas em suas frias constelações.

Ainda que desaprovem minhas ações

E só haja adiante dor e sofrimento.

 

Ainda que a favor não me sopre vento

E não mais haja sequer belas canções.

Ainda que em mim pesem recordações

E me falte uma dose de talento.

 

Ainda que a dor orbite meu coração,

Tal qual cometas belos, mas gelados.

Ainda que saiba ser vazio o universo

 

E que ninguém pode ouvir minha oração.

Ainda assim, ergo meus braços cansados,

Numa prece a qual ora escrevo em verso.

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“Ai quem me dera que uma feliz mentira,

Fosse uma verdade pra mim!”

J. Dantas

Um Noturno de Chopin

Giordana Bonifácio

Já não mais posso crer em fantasias,

Pois me foi muito cruel a realidade.

É certo que sabia não ser verdade,

Mas, na dor, era só tu que me sorrias.

 

Eras-me a luz de imagens fugidias,

O tão luzidio sonho da deidade.

Hoje, tenho, daquele amor, saudade,

Mas no meu peito restam-me só angústias

 

E a certeza tão amarga da solidão.

Bate só agora, o meu rude coração,

Pois, noutro peito, não tem acolhida.

 

Sabe bem toda a mágoa que em mim chora.

E se eu pudesse cantar seria agora

Um Noturno de Chopin… Triste vida…

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O labirinto

Giordana Bonifácio

 

Vamos, seque estas lágrimas sentidas.

O que lhe feriu ontem, já não fere mais.

Não lamente o que ficou para trás.

Não pense estarem suas lutas perdidas,

 

Pois alegrias ainda há a serem vividas.

É grande esta dor que lhe tira a paz.

Mas outras naus vão atracar no seu cais.

É certo que em sua alma há muitas feridas.

 

Admita: a sua dor hoje lhe é um abrigo.

Vamos em frente, meu inocente amigo!

Pois a vida é um estranho labirinto,

 

Onde uma fera oculta faz morada.

Tão atroz quanto à, por Teseu, assassinada.

Monstro, de nossa fé, sempre faminto.

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Quem me dera…

Giordana Bonifácio

Quem me dera estar livre desta dor.

Beber a água do Letes para esquecer

Tudo que ainda alimenta o duro rancor

E deixar novamente o amor me aquecer.

 

Quem me dera não mais tristezas compor

E frente a cruel solidão não enfraquecer.

Quem me dera ainda crer na força do amor

E na espera vã lindas poesias tecer.

 

Quem me dera, ó meu Deus, quem me dera!

Fazer canções, ser um soberbo poeta!

Porém, é só uma ilusão, uma quimera…

 

Pois sou somente um mísero sonhador.

Quem me dera da noite ser profeta

E cantar mágoas para o sol se pôr.

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Quem sou eu?

Giordana Bonifácio

Quem sou eu? Pergunto à imagem de Narciso.

Sussurra-me em resposta a solidão fria:

“Tu és dono de uma grande covardia.

Tu és, dentre os homens, o mais indeciso.

 

Tu és aquele de espírito impreciso,

A que a gélida mão da morte guia.

Tu és o senhor da dor e da agonia.

Para ti, a mágoa resta como aviso.

 

Tua arte padecerá em esquecimento,

Enquanto tua alma é levada pelo vento.

Cabe-te então suportar a ferida

 

E, a tua pena, a de Sísifo se iguala.

Não duvides do que a tragédia fala:

São passagens de sombras a tua vida.”

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O Pierrô que não pode ser Arlequim

Giordana Bonifácio

Quero cantar à noite meu lamento.

Quero fazer da dor uma poesia.

Quero pintar de cor o céu cinzento.

Quero usar do palhaço a fantasia.

 

Hoje quero só viver o momento.

Fazer da mágoa minha sinfonia.

Ainda que não exista muito talento,

Quero varrer do peito a vil agonia!

 

Mas se cale, já não diga mais nada.

A noite cai tão amarga sobre mim…

Sou uma pobre que jamais será amada.

 

Com um sorriso escondo a minha dor.

Sou um Pierrô que não pode ser Arlequim,

Porque pura alma não há que me tenha amor.

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Uma curta eternidade

Giordana Bonifácio

Esperarei sozinha toda a vida,
Nas noites sem fim, fiando a minha dor?
Na verdade, não soube nunca o que é o amor…
Sinto-me nesse tema tão perdida…

Por isso trago minha alma ferida
E meus sonhos não têm mais a mesma cor.
Desfia-se a solidão em duro rancor.
Tudo parou naquela despedida.

Por quanto tempo posso amar-lhe ainda?
Seria o amor uma luta que não finda,
Da qual todas as pessoas saem vencidas?

O sempre foi uma curta eternidade,
Dele me restou apenas a saudade
E um punhado de cartas esquecidas…

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Ao sabor das vagas

Giordana Bonifácio

Só.
Silêncio.
Suavemente, a brisa
Meus cabelos acaricia.
Sem medo agora.
O mar.
A fina areia.
Espuma fria e branca.
Sonhos perdidos para sempre.
Onde foi a esperança?
A dor.
A água do mar.
A dor tem sabor de mar.
A lágrima derrama sentimentos.
É só se deixar levar.
Para onde?
Para o azul infinito.
Céu e mar unem-se no horizonte.
O sol beija o oceano.
A noite chega.
Solidão,
Só.
Saudade também.
Coisa esquisita sentir.
A gente ama sem querer…
E amar é sofrer.
Dói.
Sussurra a brisa:
Se fosse tudo diferente?
Sem sofrimentos e saudades?
Sinto muito.
Sinto,
Muito.
O luar pálido.
Luz que cobre meu corpo.
É só um corpo agora.
Sem sentimentos.
Sal.
Sede de mar.
Sorvo imensidão.
A dor é salgada também.
Tem gosto de lágrimas,
Mas é mar.
Triste Escuridão.
A noite tem a cor da morte,
Sem medo agora.
Silêncio,
Só.

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Mágoa

Giordana Bonifácio

Sinto que o meu passado não passou ainda.
A ferida que não se cura mais,
Dói pela falta que você me faz.
Meu padecer é a mágoa que não finda.

Dessa lástima toda dor é advinda.
De vencê-la, sei que já não sou capaz.
Quisera na solidão estar em paz;
Nos jardins do paraíso ser bem-vinda…

Mas, à noite, um triste anjo me visita,
Cuja graça não pode ser descrita,
E traz consigo todos meus pesares.

Como vencer a força da tormenta?
Como apagar o mal que me atormenta,
Se me lança, tal penar, em bravios mares?

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As flores de meu jardim

Giordana Bonifácio

Era uma noite triste e fria de inverno,

Quando, com a dor, partiu meu coração.

E desde então meu penar fez-se eterno.

Fui levada a crer numa doce ilusão.

 

Nunca pensei que aquele olhar tão terno,

Que me foi luz, seria também perdição.

E do paraíso fui levada ao inferno,

Eis aqui minha mais atroz maldição.

 

O sonho fez-se mais forte que a vida.

Aonde foram as minhas fantasias?

O que houve àquela orquídea colorida?

 

Não mais brotam amores em meu jardim,

Nem me subsistem quaisquer alegrias.

Só a saudade, hoje, busca ainda por mim.

 

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