Arquivo do mês: setembro 2013

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Ao desconcerto do mundo

Giordana Bonifácio

Seria mais fácil ser como são os demais.

E deste modo ser aceito e ouvido.

Que bom seria não sofrer nunca mais

E não ser por seus sonhos definido.

 

Seria bom ser apenas um espelho.

Pois de que vale ideias diversas ter?

Sou uma alma jovem em um mundo velho,

Onde a mentira aos homens faz-se mister.

 

Pois nesse mundo Camões já cantava:

Os bons vi passar por graves tormentos

Na vida que aos maus só beneficiava.

 

Assim, o bem está mal ordenado.

Aos que não podem ter contentamentos,

Subsiste apenas tentar o outro lado.

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Tudo bem?

Giordana Bonifácio

“Tudo bem?” Não sei, em mim, algo ainda dói.

Por que será que não consigo esquecer?

E na memória sinto o amor fenecer.

A mágoa que meu espírito corrói,

 

É tudo que me resta do passado.

Um dia foi, foi um dia. Quando se foi o dia.

E em mim, a luz do sol não mais irradia.

O meu relógio dita o tempo errado.

 

A noite em meu ser muito persevera.

Quando virá a esperada primavera?

“Mas tudo bem. Sim?” “Bem, sim. Eu acho, talvez”.

 

“Não queria ter sido assim tão severa”.

A dor das faltas todas me absolvera.

Renasce em minha alma, a vida outra vez.

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A Divina Comédia

Giordana Bonifácio

O tempo corre e a vida em breve finda.

Do nada para o nada, do pó ao pó.

Uma ponte entre dois vazios. É Só?

E há certos poetas que afirmam: é linda.

 

Uma comédia que a fé diz divina.

Não como aquela bela obra de Dante.

Na verdade, está desta bem distante.

Porque começa uma onde outra termina.

 

Dante transformou o fim numa jornada.

Mas não há Virgílio que guie para o nada.

A nossa vida é curta, é eterna a morte.

 

Porém, conserve duas moedas contigo.

É meu conselho, para ti, meu amigo,

Pois podes ter de pagar por tua sorte.

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O fantasma dos Natais passados

Giordana Bonifácio

Muitas lembranças povoam-me a memória:

Naquele Natal, não tínhamos muito,

Nada mais havia que uma ceia simplória

E um vago sonho trêmulo e fortuito,

 

Que no passado já me era importante.

Ardia em mim a chama da esperança,

Como somente queima na alma infante.

E a chama que hoje sobre a vela dança,

 

Não mais retrata meu espírito errante.

Eu sei, há ainda muito para ser vivido.

Mas não consigo ver a tênue luz,

 

A voz da vida a dizer: “siga adiante!”.

No espelho, apenas o rosto lívido

De um fraco que não aguenta mais sua cruz.

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