Arquivo do mês: junho 2013

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Dom Quixote

Giordana Bonifácio

Sou em vida apenas uma pobre errante,

Que sem destino segue seu caminho,

Lutando contra os mais terríveis moinhos.

E não há perigo ou penar que me espante.

 

Minha armadura são meus tristes poemas.

Meu elmo são os sonhos que trago comigo.

Com minha lança enfrento os inimigos.

E mesmo que a honra seja-me um problema,

 

Não há nada que este meu coração tema.

Trago comigo a pena que é, ainda, espada.

E a vida poetar é meu único lema.

 

Pois eu sou como o andante cavaleiro,

Que por seus feitos não ansiava por nada,

Pois só com o amor ele estaria inteiro.

 

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O gigante despertou

Giordana Bonifácio

Enfim despertou  o povo deste Brasil,

Estava há muito tempo adormecido,

Sem se revoltar contra o poder vil.

Mas hoje, o povo muito enraivecido,

 

Ciente da força que possui a sua voz,

Acorda para lutar por seu país.

Pois o gigante impávido é atroz,

Sua fúria é nossa força, nossa raiz.

 

Somos milhares, somos brasileiros.

Os governantes serão destituídos,

Pois o colosso se une por inteiro.

 

Juntos nós vamos chegar à vitória

E nossos atos não serão esquecidos,

Pois hoje o povo está compondo a história.

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Manifestação

Giordana Bonifácio

Vão todos juntos, pelas avenidas,

São muitos jovens tendo como arma a voz.

Num país injusto, eles clamam por nós.

Nossas demandas já não eram ouvidas.

 

O povo pelo poder  ignorado,

negligenciado pelos governantes,

Que a todos julga meros ignorantes,

Não vai mais, em sua, casa restar calado.

 

O nosso povo há muito adormecido,

Despertou frente tanta iniquidade.

No Brasil  não se viu algo parecido.

 

O povo está  nas ruas e enfim protesta .

num caudaloso rio à cidade invade,

Para terminar esta infame festa.

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Preciso de uma história

Giordana Bonifácio

Sabe aquela história de bloqueio literário? Bem, eu sempre achei que era pura balela, pois tinha ideias brilhantes para um bom texto simplesmente ouvindo canções que me inspirassem. Sou daquele tipo de escritora que não necessita de fatos marcantes para escrever, nada de terremotos, enchentes, maremotos ou qualquer outra tragédia. Escrevo sobre o cotidiano e fatos comuns que permeiam a vida de qualquer um. Quando crio, estou focada na história, nada mais atrapalha esse pequeno universo formado entre eu e a tela iluminada do computador. Mas nesses últimos dias, nada, nem mesmo a música, conseguiu acender aquele lampejo tão característico que dá início a composição de uma bela história. As ideias estavam tão minguadas que pensei até que minha lampadazinha não acendia porque não teria pagado a conta de luz. Fiquei horas sentada frente ao computador sem o auxílio da minha criatividade, gérmen dos meus contos, crônicas e poesias. Na máquina, a tela em branco. A minha mente permeada de tantas coisas, mas nada bom o suficiente para se tornar uma história. Parecia até que meu cérebro e eu havíamos brigado. Fui pedir auxílio ao meu coração, mas ele é sentimental em excesso. Quando surgiu um coraçãozinho no início da primeira frase (<3), percebi que confiar num músculo involuntário não era um bom negócio. Então, resolvi sucumbir à força desesperadora da página em branco e desliguei o computador para desanuviar a cabeça dos problemas. Saí para um café. Juro que até pensei em abandonar a minha carreira literária. O que é um escritor sem uma boa história? Minha criatividade estava tão escassa, que não se poderia fazer nem mesmo um caldo dela. Levei um caderninho de notas comigo, no caso de qualquer pequeno lampejo de inspiração surgir. O prevenido, como se diz, morreu de velho.

Sentada no banco da cafeteria, que também era uma livraria, fiquei assistindo a vida que ocorria fora de meu pequeno dilema. As pessoas viviam sem se preocupar com meus problemas. Elas sorriam e estavam felizes! Dá para acreditar? Ninguém se dava conta que eu estava desesperada à procura de uma história. As inúmeras tentativas de iniciar um conto terminaram com uma bolinha de papel arremessada na lixeira a alguns metros de minha mesa. E eu perguntando-me como poderia ter sido a péssima aluna de basquete que fui, pois, quando se tratava de arremesso de papel, eu acertava a cesta até de costas. Na verdade, nas aulas de Educação Física, eu nunca consegui acertar um arremesso, nem mesmo no aro, e ainda me recordo da professora gritando: “usa a tabela, Giordana!” Mas isso já é enredo para outra crônica. Pois é, estávamos eu, o lápis, o papel e uma xícara de chá de hortelã. Todos mais perdidos que o Tom Hanks no filme O náufrago. Coloquei as mãos na cabeça tentando ligar algum dispositivo que talvez tenha desligado por acidente. Porém, foi também em vão. Tomei um gole de chá e voltei novamente minha atenção às pessoas que me cercavam. Foi então que me veio: elas poderiam ser personagens na história que eu planejava criar! Fui observando, pequenos gestos, um diálogo perdido ali. Um aceno aqui. Fui anotando tudo. Um homem trazia uma menininha pela mão. Deveria ter começado a andar há pouco tempo. Seu cabelo encaracolado e castanho estava fragilmente preso por uma pequena presilha. Minha mãe dizia-me que não havia presilha que mantivesse meus cabelos selvagens arrumados. Acho que, com aquela criancinha, ocorria o mesmo. Outra coisa que percebi foram os sapatinhos: sandálias bastante parecidas com as quais minha mãe guarda até hoje. “Lembranças de tempos bons”, ela diz. A menininha não parava quieta, pareceu-me extremamente curiosa com relação ao mundo no qual havia chegado há tão pouco tempo. As bolsas com suas cores chamativas e milhares de zíperes e cordões eram o alvo predileto daquelas mãozinhas inquietas. O pai vinha atrás, desculpando-se pela inconveniência de sua filhinha. Mas creio que as pessoas nem se zangavam, sorriam para a menininha, que mostrava um sorriso com poucos dentes e muita baba, mas, mesmo assim, deveras cativante.

Voltei-me para o papel. Nada. Apenas fragmentos. Como um objeto sem qualquer ação poderia provocar-me tanta angústia? Eu desejava ardentemente cobrir aquelas linhas de frases mágicas, que instigariam os leitores e os fariam pensar sobre a vida, sobre si e sobre o mundo que os cerca. Porém, quem disse que querer é poder? Vai falar isso para um bloqueio de uma tonelada pesando-lhe absurdamente sobre a cabeça! Resolvi tentar relaxar. Não sou muito zen, como devem imaginar. Tentei estudar o budismo, mas sou totalmente incompatível com a meditação. Não consigo manter-me imóvel por tanto tempo. Estou sempre um tanto acelerada. Minha mãe deve ter sofrido com aquela criança hiperativa que fui, porque, até hoje, ela reclama da ansiedade que diz ser uma característica de família. Meu pai, conforme ela conta, aprontava mais peripécias que minha outrora fértil mente poderia imaginar. Ao meu redor, as pessoas desconheciam minha vida pregressa. Aliás, até mesmo eu recordo-me muito pouco do passado. O que ainda me lembro é fruto das anedotas contadas pela família de feitos muito engraçados que, como costumávamos dizer, entraram para os anais da família Medeiros. Não sou muito detalhista, minha atenção é extremamente frágil, sou péssima fisionomista e, ainda por cima, sou extremamente desorientada geograficamente, haja vista perder-me com facilidade. Mas até estes defeitos imperdoáveis são fonte para histórias pitorescas que são contadas em meio a muitas gargalhadas quando os parentes estão reunidos. Mas não significa que cultivo apenas as falhas, uma qualidade que posso dizer possuir é a coragem. Dizem ser derivada da minha bisavó. A avó da minha mãe era uma mulher de muita fibra. Por isso minha avó Darcy teve força e fé para conseguir educar dez filhos praticamente sozinha. Não creio que eu conseguiria. Mas como diz a matriarca da família Leadebal, “Deus não nos dá uma cruz que não possamos carregar”.

O papel continuava a encarar-me ameaçadoramente. A esfinge que me devoraria caso não lhe pudesse desvendar o enigma. Tive uma ideia meio mirabolante, iria mendigar uma história aos frequentadores do café/livraria, afinal, algo que minha mãe dizia termos de sobra era uma boa “cara-de-pau”. Iria aproximar-me das pessoas com olhos humildes e pedir-lhes que me concedessem um tantinho de seu tempo e outro tanto de sua vida para serem contadas por mim numa crônica. Não seria difícil. Eu já estava desesperada. Quem não ficaria? Um escritor vítima de um bloqueio criativo é como um pianista com D.O.R.T. nas mãos. Olhei em volta. Quem seria minha vítima? Lancei olhares ameaçadores para os lados. Quem poderia valer uma história divertida? Fui caminhando pelo café/livraria, mas ninguém mais me atraía a atenção. Meu problema avolumava-se. Não conseguia achar a história que tanto procurava. Se escrevesse em uma placa: ‘preciso de uma história’, talvez alguém se apresentasse com um fato interessante. Acho que uma vez me senti assim, quando era bem jovem… Deveria somar uns dezessete anos. Na prova do meu primeiro vestibular, eu estava tão cansada que me foi impossível escrever sobre o tema que mais admiro desde minha infância: música. Podem acreditar, quando fui questionada a escrever sobre meu maior prazer, as palavras faltaram-me e por dezessete linhas, fui reprovada na redação do meu primeiro vestibular. Mas naquela época nem sabia ao certo o que queria ser. A escrita para mim era mais um hobby. Não acreditava que poderia ganhar concursos e nem mesmo ser publicada. Incrível como a gente desvaloriza justamente nossas maiores qualidades. Sentia-me tão frágil quanto naquela primeira derrota. ‘Será que não poderia escrever nada interessante nunca mais?’ Era o que me perguntava. Vencida por um punhado de linhas novamente. Contudo, não queria dar o braço a torcer, havia ainda uma pequena esperança: uma mulher um tanto estranha que distraidamente fumava um cigarro sentada num banco em frente ao café/livraria. Vestia uma roupa toda azul e justa que fazia ela se parecer com uma grande lagarta azul. Ela encarou-me em silêncio por alguns minutos e perguntou-me: “Quem é você”. Eu disse que mal sabia naquele exato momento, pois na minha vida havia passado por tantas mudanças que nem mais sabia quem eu era. Ela sorriu. Eu perguntei-lhe se eu parecia-lhe um tanto louca. Ao que ela respondeu: “Louquinha, mas vou lhe falar uma coisa: as melhores pessoas o são”. Quando finalmente pedi-lhe uma história, ela disse-me que eu já a havia escrito. Foi quando me dei conta que a crônica já estava pronta em minha mente: o bloqueio criativo era A História. A moça se foi, deixando-me mais dúvidas que certezas, mas, graças a ela, consegui reacender a lampadazinha que por muitas semanas havia permanecido apagada. Eis o começo de outras muitas aventuras.

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O tempo é o melhor remédio

Giordana Bonifácio

Não vai doer para sempre. Da ferida,

Cuja dor que hoje sente é desmedida,

Restará muito pouco, tenha fé.

Não pague para ver tal São Tomé.

 

Um dia, esta dor, deveras esmaecida,

Será tão só uma crise de sua vida,

Da qual irá se lembrar no café,

E com um tal desdém, rirá blasé.

 

Tudo será esquecido, um belo dia.

Quando findarem todos os lamentos,

Poderá vencer enfim as tormentas.

 

Então, meu amigo, a dor supere e sorria.

Pois o futuro, mesmo a passos lentos,

Chega curando as chagas mais sangrentas.

 

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alanis-morissette

Happy Birthday, Mrs. Nadine!!!!!

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