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Brasil, um país em desenvolvimento perpétuo

Giordana Bonifácio

Sabe aquela história do país de futuro que ouvimos desde crianças? Pois é, já está “enchendo o saco”. Não acredito que por tantos anos um país possa estar ainda se desenvolvendo. É como se uma criança não aprendesse jamais a falar, andar ou comer sozinha. Tem sempre de ter aquela mão da nação mais forte e madura dizendo-lhe aonde ir. Enquanto nações como a China cresceram ante a mais absoluta miséria. No Brasil, nosso crescimento é ínfimo. Não cresce além dos parcos 2%. Quando dá um “salto” para os 4% é comemorado efusivamente por nossos governantes. O cerne desta questão está no investimento em educação. Para proporcionar um crescimento considerável ao país, é fundamental atribuir a educação sua verdadeira importância. Um país em que os professores recebem salários miseráveis e em que as escolas estão em situação deploráveis, não aparenta ser um forte candidato ao desenvolvimento. Ainda há grandes bolsões de absoluta miséria no Brasil. E muitas pessoas que perseveram no analfabetismo, pois o governo não investe no aprimoramento do ensino básico e fundamental. Desta sorte, muitos são os estudantes que chegam ao ensino médio sem saber, nem ao menos, interpretar um texto curto, quem dirá, escrever uma boa dissertação de trinta linhas. Enquanto isso, nossos governantes agem com profundo descaso. Quando fazem algo para incentivar a educação, desviam fortunas de projetos simples como a construção do acervo de uma biblioteca. Enquanto isso, nossas crianças não leem tanto quanto deveriam. Pois não encontram em casa ou na escola o estimulo necessário para isto. São conduzidas à leitura de uma maneira autoritária, de modo que não encontrarão prazer nos livros. A leitura deve ser uma atividade agradável que estimule a imaginação, de modo produzir no leitor a vontade de continuar lendo. Não pode ser convertida em obrigação necessária à aprovação do aluno. Penso que, nesse país, tudo se conduz de modo contrário. O que deve ser feito é negligenciado. Aquilo que é totalmente desnecessário é realizado com superfaturamento das contas.

Por isso, tenho absoluta certeza que há muito a ser feito até que esse país em desenvolvimento possa entrar no time dos grandes. A gente está tempo demais no banco esperando nossa chance de jogar. Contudo, sem a preparação física certa, nunca teremos chance de entrar no jogo. Em campo, muitas nações titulares fazem de tudo para nos excluir da partida. São as donas da bola. Negam nossa influência no plano mundial e ainda zombam das nossas pífias tentativas de sermos importantes. Mas o povo brasileiro é persistente, há algum tempo atrás nós éramos simples gandulas, sem possibilidade alguma de participar da brincadeira. Agora já ocupamos um lugar no banco, só nos falta a possibilidade de mostrar nosso verdadeiro futebol. Mas isso é bem difícil, pois parece que todo mundo é chamado para entrar em campo, menos nossa nação tupiniquim.  O problema é que estamos muito atrás no índice de desenvolvimento da educação. Até mesmo países da África nos superam nesses termos. Enquanto permanecemos na lanterninha do ensino, conseguimos vencer em outras estimativas. Somos um dos países mais violentos do mundo. Os assassinatos aqui são correspondentes aos que ocorrem no Iraque em guerra. E, mais uma vez, volto a frisar. Quem é culpado por isso? A nossa educação decadente que não proporciona chances iguais a todos os brasileiros. Pois, para superar a gritante desigualdade, nossos jovens são atraídos para o mundo do crime e do dinheiro fácil. Assim, matam, furtam e traficam drogas, impulsionados pelo desejo de ter aquilo que os mais favorecidos em nossa nação capitalista possuem. O remédio desta chaga purulenta no seio da pátria é um só: investir em educação. Vou frisar isto a todo o momento, pois não há outro meio de entrar no time dos desenvolvidos. A gente tem de aprender a jogar. E o único lugar apto a nos ensinar é a escola.

Temos de seguir a cartilha, fazer como os Tigres Asiáticos e a China. Devemos diminuir as desigualdades gritantes dessa nação de muitos destituídos. Muita gente não tem o mínimo para viver e se joga a vida das ruas em que somente o crack ameniza a dor que sente. E por causa da droga, matam. E por causa dela, também morrem. O Brasil não é uma ilha de oportunidades. Na verdade, é bastante difícil a ascensão social de seu povo ou quase impossível. Para ludibriar a população, os governantes inventam índices para afirmar o crescimento da classe média. Na verdade, existe um endividamento brutal do povo. Porque tudo está muito mais caro que há dez anos. A mensuração da inflação é uma piada, pois insistem em afirmar seu controle quando os preços dos alimentos são astronômicos. Como e quanto tempo poderemos suportar isto? A classe média é a pobre vítima dos volumosos tributos cobrados pelo governo. Somos um país recordista em impostos. Nesse quesito, chegamos na frente. Porém, a maior parte do arrecadado jamais será aplicada em melhorias para a população. Na verdade, rios de dinheiro são desviados por nossos corruptos governantes que não têm qualquer compromisso com o destino do Brasil. A respeito disto, nada faz o povo. Apenas aceita a esmola do governo: as bolsas assistencialistas criadas para calar a boca da nação. E mais uma vez, atribuo a culpa de nosso descaso frente à quadrilha que nos governa, na ausência de uma boa formação. Os brasileiros desconhecem seus direitos, calando-se por não saber ter o direito de gritar. Os poucos homens com coragem de se sublevar diante de tanta falcatrua, são fortemente amordaçados. Se o povo tomasse ciência de sua força, seria possível tirar do poder a corja de bandidos que nos governa.

O Brasil tem de conhecer-se. O espelho que possibilita olharmos para nosso reflexo para saber o que somos é a educação. Enquanto cobrirmos nosso rosto com o véu da ignorância, vamos ser facilmente manipulados. E não será possível mostrar que também sabemos jogar para ganhar. O país deve aproveitar seus pontos fortes, tais como nosso extenso litoral que poderia ser mais bem aproveitado para promover o turismo no país. Ou ainda, nossa Floresta Amazônica e Pantanal, bem como a simpatia de nosso povo hospitaleiro. Mas enquanto a violência afastar o turista do Brasil, não poderemos jamais competir com destinos como Paris e Nova Iorque. E, mais uma vez, fecha-se o círculo: menos educação – mais violência. Só há um modo, repito, de dar um basta na violência: fomentar a educação no país. Porém, o governo, como já era de se esperar, ao invés de melhorar a educação básica e ensino médio, implanta vergonhosas cotas nas universidades públicas para garantir o ingresso dos mais pobres na universidade. O problema é que, os cotistas, sem a base educacional que deveriam trazer consigo, ficam para trás no processo de ensino superior. Acabam por não conseguir se formar e voltam a estar à parte da economia nacional. Outro problema do nosso sistema educacional é a proliferação de faculdades particulares. A questão é que estas instituições muitas vezes não fornecem um ensino de qualidade aos alunos. Formando profissionais que também ficarão alijados do mercado de trabalho. Todavia, o governo, mais uma vez, para não investir na criação de mais universidades públicas, transmitiu tal responsabilidade ao particular. Mas não de graça, claro, a custo de muito mais impostos a serem recolhidos. O Brasil, para ser escalado no time titular dos países desenvolvidos, deverá dar início a profundas mudanças em seu sistema educacional, desde o ensino básico até o ensino superior. Pois, está claro que a educação é a chave de acesso ao desenvolvimento. Não podemos restar toda vida esperando nos deixarem jogar. Temos de amadurecer nossa sociedade. Enquanto deixarmos a educação em segundo plano, seremos um país de um futuro que nunca chega. O Brasil, um país em desenvolvimento perpétuo.

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