Por que, Brasil?

Giordana Bonifácio

Nesses dias estava pensando sobre nossa grande Pátria amada, sobre seus problemas e suas belezas inegáveis. Por tal razão resolvi escrever uma crônica sobre estes pontos sensíveis de nossa nação. Todavia, o que mais me estimulou a escrever sobre o Brasil foi um filme “holliwoodiano” a que assisti nesse fim de semana em que o desconhecimento patente de nossa cultura deixou-me literalmente chocada. Ocorre que foram apresentados índios nativos da Amazônia que em nada condiziam com os nossos indígenas. Na verdade, mais pareciam com descendentes das tribos pioneiras dos Estados Unidos, que bastante diferem das nossas em cultura e principalmente no fenótipo. Pois é notável a impossibilidade de substituírem-se nossos índios pelos norte americanos, tendo em vista serem incrivelmente distintos. A razão de estar tão abismada com a ignorância dos produtores do filme é que muito vem se alardeando o fato de o Brasil ser a sexta economia do mundo. E diante da nossa tão propagada importância no atual cenário mundial, deveria converter-se em reconhecimento por parte dos demais países. Porém, parece-me que continuamos esquecidos na condição de nação em desenvolvimento. E acho que nos retratando com descaso e um conhecimento superficial de nossa cultura, nossos confrades americanos demonstram seu completo descaso quanto a nós, não importa o fôlego de nossa economia. Enquanto não conquistarmos o respeito frente ao mundo, seremos para sempre excluídos dos assuntos de “gente grande”. Sim, estou falando da nossa cadeira permanente na ONU. Cadeira a qual a grande nação imperialista se opõe porque somos, ainda, “peixe pequeno”. Nossa influência mundo afora ainda é bem diminuta. E se tentarmos nos intrometer nas questões que mais exigem influência, somos colocados forçosamente em nosso lugar, mas antes, é certo, somos levados ao ridículo. Zombam de nossa voz tênue em meio aos brados retumbantes dos grandes.

O Brasil ainda é, internacionalmente, sinônimo de turismo sexual, favelas e futebol. E parece que não fazemos muito para mudar esta imagem que o mundo possui de nós. As propagandas que visam estimular o turismo ressaltam a beleza de nossas mulheres quando deveriam, na verdade, apresentar nossos belos pontos turísticos. Porque o Brasil tem preciosidades: lagos de águas cristalinas, monumentos históricos, cavernas, praias paradisíacas, cachoeiras, além de nosso carnaval monumental, tudo isto, para mostrar aos estrangeiros que o Brasil não é somente “bunda”. As cidades históricas brasileiras guardam um acervo inestimável, que deveria ser explorado por nossos governantes. Nossa Amazônia tem em si uma fonte inesgotável de substâncias que poderiam ser estudadas para a produção de medicamentos. O problema é que há uma pirataria científica de grandes proporções, em função da qual, plantas e animais brasileiros são traficados por cientistas inescrupulosos cujo objetivo é levar embora nossa variedade de substâncias de modo patenteá-las no exterior. E tudo isso sob nosso olhar atônito. Não podemos fazer nada a respeito, porque, muitas vezes, há o consentimento de políticos para os quais o dinheiro significa muito mais que sua honra e patriotismo. Mas parece que a condição de impunidade de nossos políticos corruptos vem se modificando. Acabamos de assistir a “novela” que foi o julgamento do “Mensalão”, em que muitos homens, outrora considerados poderosos, foram parar “atrás das grades”. E o mais absurdo é que reclamaram que tivessem de ir para as cadeias lotadas de nosso falido sistema prisional. É que nossas prisões não se prestam a proporcionar o conforto que ladrões de colarinho branco de sua estirpe necessitam. A corrupção no Brasil já foi considerada endêmica, ou seja, peculiar ao nosso país. Como se todos compactuassem da falta de caráter e de ética dos nossos políticos. Confesso que já cheguei a considerar essa possibilidade. Mas, diante da honra que muitos compatriotas apresentaram em diversos casos vastamente difundidos, penso que há ainda uma semente de moral no coração dos brasileiros. Basta apenas cultivá-la.

O Brasil tem tudo para brilhar entre as nações. Sua economia antes frágil, hoje é uma das mais vigorosas do mundo. Mas há ainda pontos que necessitam nossa atenção. A educação, ainda é sofrível no Brasil. Além de não incentivada pelos governantes que não alocam recursos suficientes para subsidiá-la, sofre em detrimento de outras áreas bem mais privilegiadas. Com a Copa do Mundo, evento de grandes proporções que irá acontecer em breve em terras “tupiniquins”, ficamos indignados com as volumosas quantias destinadas a construções de estádios em detrimento da formação dos nossos professores. Estes, além de sofrerem com salários absurdamente baixos para os padrões mundiais, são esquecidos pelos nossos políticos que se preocupam tão somente em manter seus privilégios salariais. Diante da farra que nossos representantes fazem com os impostos que pagamos, creio que estamos muito acomodados em nossa zona de conforto. É que, muitas vezes, não queremos nos intrometer temendo represálias. Perseguições e vinganças políticas ainda persistem na nossa tão prolatada democracia. Ignora-se o texto de nossa constituição e os princípios de Direito. As ações vinculadas convertem-se em discricionárias, fica tudo ao alvedrio no governante que age como bem o aprouver às nossas custas. Enquanto isso, a sociedade brasileira está muito mais preocupada com o final da novela das nove ou com o resultado do jogo de futebol. E as notícias que mais importam, sobre a nossa saúde deteriorada, nossos hospitais públicos que não possuem leitos suficientes, em que os doentes devem dividir os corredores deitados no chão à espera de atendimento; sobre a educação defasada que obriga a manter cotas em universidades publicas para a população de baixa renda tenha acesso ao nível superior; e nossa segurança que não existe diante da violência propagada em nossas cidades pelo crime organizado; são veementemente ignoradas por nossa população que acaba por eleger a mesma quadrilha de corruptos que, mediante jogos publicitários, enganam o povo com promessas e bolsas que denotam a política assistencialista do governo.

Temos de pensar no tráfego viário das nossas cidades cujos engarrafamentos constantes ameaçam a ocorrência dos jogos da Copa do Mundo, bem como o tráfego aéreo que, se forem confirmadas as previsões, graças aos equipamentos obsoletos de nossos aeroportos provocarão uma confusão somente vista quando do chamado “Caos aéreo”, há alguns anos atrás. Nossas rodovias e aeroportos estão sucateados. O sistema de transporte nacional é um verdadeiro fiasco. Não estou amedrontando nossa população com previsões alarmistas, mas acontece que falta pouquíssimo tempo para o início da Copa do Mundo e isso me apavora bastante, pois não vejo nada sendo feito para impedir que as previsões catastróficas se tornem realidade. Nós que queríamos apresentar aos estrangeiros um país de que nos orgulhamos, corremos o risco de nos tornamos, novamente, diga-se de passagem, na piada do mundo. Por que não nos esmeramos para impedir nosso fracasso tão patente? Talvez porque sobrevem ao país, um problema muito antigo de gestão. Nós não somos desenvolvidos e modernos como os países da Europa, pois aqueles sabem gerir bem os recursos amealhados, enquanto nossa grande carga tributária vai parar nas contas em paraísos fiscais dos amorais políticos brasileiros. Se soubéssemos gerir e aplicar bem os impostos arrecadados, destinando-os a suprir os pontos sensíveis de nossa nação, acima elencados, seria possível construir um país de que nos orgulharíamos verdadeiramente. A nação verde-e-amarela não designaria apenas os torcedores da seleção de futebol, mas também esses cidadãos que esperam e merecem um país diferente. Não seríamos ofendidos pelo desconhecimento patente de nosso povo e cultura pelos nossos amigos do Norte, que insistem em nos representar por estereótipos que em nada dignificam os brasileiros. Por tal razão, insisto em perguntar: por que, Brasil? Por que não agimos contra essa quadrilha que se perpetua no poder por tempo demais? Por que não nos revoltamos contra as maledicências de uma nação que se gaba de sua economia, mas seu índice de desenvolvimento humano iguala-se ao de nações miseráveis na África? Vamos dar um basta na nossa apatia, só nos faremos conhecer e reconhecer se mudarmos. E isso não se restringe aos nossos políticos, porque apresentar uma imagem mais bonita de nosso país ao mundo depende de cada brasileiro.

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