Arquivo do mês: outubro 2012

Cada homem é seu próprio refúgio

 Giordana Bonifácio

O homem deve ser para si como um  refúgio.

Não há como usar do antigo e gasto subterfúgio,

Que nós estamos presos e não há como escapar.

Temos de nos libertar para à dor solapar.

 

A iluminação é a nossa constate procura.

Temos de encontrar para os apegos a cura.

O homem deve se livrar daquilo que o prende.

Pois só o mundo cheio de desejos a este ofende.

 

Livrando-nos dos vícios que aqui nos retêm.

Irradiaremos toda luz que os seres têm.

Porque somos somente luz em movimento.

 

Somos seres que mudam a todo momento.

Espero também seguir esta bela lição.

E conseguir, por fim, da vil dor, a abolição.

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Vem a noite e cai sobre mim.

Giordana Bonifácio

Vem a noite e cai sobre mim: eu tenho medo.

Espanto-me com seus terrores noturnos.

E  por estes caminhos que sigo soturnos,

Alertam-me que para desistir é cedo.

 

Luto minhas batalhas apenas internas.

Tento recobrar minhas lembranças perdidas.

E penso possuir um toque inverso ao de Midas.

Perco todas as coisas que julgo mais ternas.

 

Acho que se apresenta assim minha maldição.

Tudo que tive um dia, já me foi retirado.

Destas derrotas sei que aprendi grande lição.

 

É que acreditava estar todo mundo errado.

E era eu que não entendia que me cabia esta  missão:

Ser sempre solitário, um tolo desprezado.

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Primeiros passos

Giordana Bonifácio

Eu sei que tenho de aprender a andar outra vez.

E isso demanda tempo não apenas um mês.

Sei que devo reaprender a ser isto apenas.

Isto: este ser de posses bastante pequenas.

 

Isto: esta pessoa que só a solidão acompanha.

Isto: esta pessoa que ao mundo se tornou estranha.

Isto: um ser que ser teme muito mais que viver

Tais definições são meu modo de me ver.

 

Não quero que me digam o que sinto agora.

Pois em meu peito a dor eternamente mora.

O problema é que há em mim uma perene mágoa.

 

Não sou daquelas que aos infortúnios apregoa,

Mas por anos estive deveras infeliz.

Hoje, ouço mais o que meu espírito me diz.

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Nuvens escuras

Giordana Bonifácio

Vejo à frente formarem-se  nuvens escuras.

É o resultado de minhas muitas procuras.

Não posso mais aos meus torpes erros concertar.

É que a vida inclui faltas não é sempre acertar.

 

A tempestade negra ruge no horizonte.

E eu sei que da tormenta próxima sou a fonte.

Poderia talvez me redimir dos pecados?

Cercada de perigos por todos os lados,

 

Sou ilha de sonhos em meio e este mar de solidão.

E eu que pensava me conduzir com retidão,

Reconheço estar em uma grande enrascada.

 

A minha situação é deveras complicada.

Não há como escapar do terror que se aproxima.

Desse destino não sou uma simples vítima

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Não se preocupe

Giordana Bonifácio

Não se preocupe, pois sempre estarei ao seu lado.

Quando a dor vier e mais estiver preocupado,

Segure em minha mão, pois muito vou lhe ajudar.

Creia, pois com a fé,  toda sua vida vou mudar.

 

Fui seu refúgio nos mais difíceis momentos.

E juntos venceremos os maiores tormentos.

Venha comigo confie nessa mão estendida.

Eu vejo que tem medo e assisto a sua vida.

 

Filho, procure por Mim sempre que precisar.

Os maus tentarão a suas belas ilusões pisar.

Mas se ancore em Mim, pois sou seu porto seguro,

 

Cercarei seu espírito com altos muros.

Sou seu Pai, não vou lhe abandonar à escuridão.

Pois meu amor por você, filho, é uma imensidão.

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Ainda é hoje.

Giordana Bonifácio

Acordei crente do amanhã ter chegado.

É que ontem esperava o hoje que era feriado.

É que eu pensava tolo que o hoje era o amanhã, ontem.

É que o relógio nos diz: “os segundos contem!”

 

Eu, bem disciplinado, o amanhã sempre espero.

E todos os segundos conto com esmero.

Mas eis que o amanhã chega enfim e me surpreende:

É hoje! Isso é estranho e penso que ninguém entende.

 

O tempo passa sem fim no relógio e é hoje ainda?

Quando será que minha enorme espera finda?

Aguardo este futuro que não chega jamais.

 

E enxergo o ontem sempre que olho para trás.

Se o amanhã hoje será, porque esperar o futuro?

O ontem é o hoje vivido que não mais aturo.

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Olhando para trás.

Giordana Bonifácio

Olhando para trás vejo um lindo passado.

Olhando para trás vejo o que fiz de errado.

Olhando para trás vejo uma linda infância.

Olhando para trás vejo o que tinha importância.

 

Olhando para trás vejo amigos do peito.

Olhando para trás vejo o que deles foi feito.

Olhando para trás vejo os anos perdidos.

Olhando paras trás vejo amores sofridos.

 

Olhando para trás vejo muita esperança.

Olhando para trás vejo uma bela criança.

Olhando para trás vejo toda uma vida.

 

Olhando para trás vejo esta despedida.

Olhando para trás vejo que tudo me dói.

Olhando para trás vejo que a dor me corrói.

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Através do espelho

Giordana Bonifácio

Fico pensando em todos os grandes escritores que escreveram sobre a forma misteriosa que o espelho nos reflete. Creio que veem este objeto com a mesma visão que lhe dedico. Eu penso que o que vemos é o nosso avesso. É aquilo que somos negativo. Não somos nós, mas nosso contrário. Não é por menos, que quando acenamos com a mão direita, ele nos responde com a esquerda. O que acho mais chato nessa face vítrea é que ela não nos mente. Está sempre a dizer o que somos: feios, belos ou, ainda, monstros. Não gosto da sinceridade deste pedaço de vidro reluzente. Não o deixo guiar minha vida, mas vez em quando fico triste com que ele me diz. Não sou daquelas que fica perguntando: “existe alguém mais bela do que eu?” (Também, se o fizesse, ele não pararia de falar por um ano). Mas acontece, que, em certos momentos, nós queremos gostar do que vemos. Um pouco estranho isso, não é? Mas o espelho não dá folga. Mostra uma barriguinha aqui, outra ruguinha ali. E já percebo que aquela imagem que vejo não sou eu. Eu não tenho esse rosto! Eu não era assim! Então, o espelho, irônico, me diz: “falou bem, não ERA!” Então me define como bem entende quando quero de volta o rosto que eu tinha. (Acho que ele roubou-me de alguma forma. Meu reflexo está em algum lugar e me foi subtraído pelo maléfico espelho). Por isso que, de vez em quando, ou “de vez em sempre” dá vontade de quebrá-lo em milhares de pedacinhos: “isso é por me furtar o rosto e deixá-lo preso ao passado!” Porém, espelhos se multiplicam rapidamente e quase sempre nós cruzamos com eles por aí. Ainda mais agora que os decoradores valem-se deles para dar profundidade a ambientes apertados. Quando a última coisa que você quer ver é seu reflexo, pode ter certeza: você cruzará com um espelho. Os índios acreditavam que este objeto insensível furtava o espírito dos homens. (Ainda não estou certa que não faça isso mesmo.) Talvez seja essa a razão que o espelho mexa tanto com a imaginação dos escritores.

Narciso, a imagem suprassumo da vaidade, apaixonou-se por seu reflexo. E padeceu por muito amar a si mesmo. (Devo abrir um parêntese aqui para azucrinar aqueles defensores do amor próprio acima de tudo? Acho que não, porque até mesmo eu gostaria de ver o que quero no espelho…) Lewis Carroll levou Alice para o mundo dos espelhos num sonho onde o tempo corria ao contrário. Mas de tão absurdo, não sabia Alice no fim, se era ela que sonhava ou o Rei Vermelho. E ainda Oscar Wilde forçou ao próprio Dwarf reconhecer-se mostro nesse pedaço de vidro insensível. Sabino escreveu sobre o menino do espelho, um amigo com quem o pequeno Fernando viveu grandes aventuras. E quem não se lembra da Rainha má que, querendo ser a mais bela eternamente, tentou assassinar Branca de Neve com uma maçã envenenada? E também do espelho mágico que lhe informava se continuava a mais bela do reino? Espelhos, na verdade, guardam nossos mais recônditos segredos. A verdade que não queremos contar. Lá está, guardada por nosso avesso, a desconcertante mentira. E se ele pudesse revelar nossos segredos, não hesitaria em fazê-lo. Pois ele é nosso avesso. No mundo dele a mentira é a verdade e nossa verdade é a mentira. (Não confie em que escreve com a mão esquerda, já diziam os romanos).

E penso no que faz nosso contrário, quando não estamos a exigi-lo frente a nossa face. Será que vive como nós? E que poderá a qualquer momento sair do seu mundo e invadir o nosso igual ao amiguinho de Fernando? Ou poderíamos então, invadir esse país dos espelhos tal qual Alice? Contudo, essas são obras que germinaram da criatividade dos escritores e, fisicamente, espelhos são superfícies muito lisas com alto índice de reflexão da luz. (Vamos falar a verdade, cientistas destroem a fantasia embutida nos objetos!) O nosso inimigo espelho não guarda países mágicos ou mundos diversos, ou nos furta o espírito como acreditavam os índios.  São, na verdade, pura física. Mas pensar como estes cientistas é muitíssimo chato. E ainda pode ser perigoso. O grande físico e astrônomo  Arquimedes conseguiu, na Segunda Guerra Púnica, incendiar um navio com um jogo de espelhos somente. E Leonardo da Vinci codificava de tal maneira seus escritos que só poderiam ser lidos mediante a ajuda de um espelho. Por que pensar com tal exatidão se é possível pensar com arte?

O espelho é um fascínio para o homem que vê pela primeira vez sua imagem refletida e se reconhece. Quando nos damos conta que esse instrumento de reflexo é apenas um objeto, provavelmente em nossa mente infantil já tivéssemos formulado mil possibilidades do que se tratava. E poderíamos ter criado mundos inteiros a que teríamos acesso se atravessássemos à lisa e fria superfície vítrea. Talvez fizéssemos amizade com nosso avesso, com quem conversaríamos sobre todas nossas aventuras. Mas nem sempre estou tão amiga de meu espelho assim.  Ele já começa me apontando o dedo quando lhe aviso que não estou “para brincadeira”. E depois tem coragem de apresentar-me uma ruga que ainda não tinha visto. É muito “sem noção” esse pedaço de vidro, não? Vivemos assim, eu e ele em profundo embate. Ele a me confirmar a passagem dos anos e eu tentando escondê-la. Passo um cremezinho milagroso, para fazer frente à força bélica desse objeto amaldiçoado, mas ele me desafia com “fogo pesado”: “olha como eu estou gordinha!!!!” É o que a imagem me diz. Nem adianta perguntar para os homens em busca da confirmação do que o espelho projeta. Eles sempre se esquivam de dizer.

Acontece que esse pedaço de vidro insensível faz-nos perceber como Dwarf no conto de Oscar Wilde, que não somos um símbolo de beleza.  E que temos um aspecto asqueroso mesmo. E não há o que façamos que possa modificar isso. (Só uma cirurgia plástica geral). Eu sei que nós mulheres corremos para os paliativos: cremezinhos, loção reparadora, óleos e etc. Mas nada disso terá, confiem em mim, o efeito desejado. Temos de gostar do que vemos sem a comparação do rosto perfeito da artista de cinema ou da modelo internacional. Não se trata de autoajuda, é que vejo que estamos na ditadura do espelho. Se não estivermos de acordo com a beleza ambicionada, não  somos bonitas. Isso, em minha opinião, tem de mudar.

Eu sei de algo que o espelho não pode mostrar. Sabe o nosso espírito? Aquilo que determina o que você será como pessoa. Nossa gentileza, fraternidade e solicitude? Pois é, isso não é refletido pelo espelho. É a causa de chamar-lhe insensível. Não é possível ver no espelho o tamanho de nosso coração. A bondade que cada um carrega em si. Isso não é levado em consideração na ditadura do espelho. No espelho, só as formas. Nós só podemos questioná-lo sobre o grau de nossa beleza e não sobre o tamanho de nossa bondade. Não estava claro para Narciso que ele era um vaidoso orgulhoso, (como não está claro para muita gente), quando este viu sua face refletida no lago. Bem como, Dwarf não poderia ver quão valorosos eram seus sentimentos somente ao olhar-se no espelho. E por causa desse objeto frio, ambos morreram. Enquanto isso, aqueles que fizeram do espelho uma aventura, puderam viver livres da obrigação da beleza. Eu ainda temo esse grande inimigo. Vemos-nos enviesados. Quase nunca nos entendemos. Ele exige-me algo que não sou capaz. Eu cobro-lhe uma imagem que não tenho mais. Viveremos num embate eterno. Pois sou contra a sua ditadura homicida e ele, contra minha falta de zelo por meu corpo.  Não adianta, não nos entenderemos. Enquanto nos desafiamos, o tempo passa. E a cada dia mais diferente estou. Aquela criança, com quem me acostumei a brincar, nunca mais saiu do espelho. (Se Sabino permite-me tomar emprestado sua história). E agora se perdeu em algum lugar, refém do espelho que não me permite mais vê-la. Resta-me essa imagem que vai muito além do que me mostra o espelho. Através do espelho, vejo toda uma vida, que me marca o rosto. Através do espelho vejo muito mais que os outros, que não veem o que sinto.

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Sonho de uma tarde de primavera

Giordana Bonifácio

Foi bem assim:  no parque a cochilar estava,

Quando aconteceu tudo, penso que sonhava.

Pois nada do que via com a razão condizia.

Não posso dizer que este sonho não me aprazia.

 

Ao revés, não queria desta fantasia acordar.

Em função de bastante me estivesse a tardar.

Era tempo de já abandonar a loucura.

Pois a dor sente só quem no mundo a procura.

 

Neste desvario ou sonho tudo era perfeito.

Não havia mal que ninguém nem eu houvéssemos feito.

Nos espíritos dos homens não havia pecados.

 

Das nossas faltas nós estávamos perdoados.

Era a versão do paraíso que imagino.

Mas sabia tratar-se de mais um desatino

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Força e Fragilidade

Giordana Bonifácio

Eu , ao mesmo tempo, sou  força e fragilidade.

Porque sou força frente a maior dificuldade.

E mesmo assim na dor sou bastante frágil.

Sou daquelas que na tristeza chora fácil,

 

Sempre em busca de um ombro amigo em que me apoiar possa.

Mas quando a situação exige, faço-me força:

Sólida e impenetrável diante dos perigos.

Eu  não procuro na tormenta por abrigos.

 

A cada queda reergo-me muito mais forte.

Não temo nada nem sequer a horrenda morte.

Mas sou mulher e o amor também me derrete.

 

E nesse sentido vence-me até um alfinete.

Mas, consigo levantar-me e lutar mesmo assim.

Não há o que possa na minha coragem por fim.

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