O Show, uma aventura.

Giordana Bonifácio

Quando a Alanis diz que “That I would be fine even if I went bankrupt” ela não está brincando. Mesmo com os custos altos de ir ao encontro da minha ídola, peguei minhas economias e parti atrás dela. Fui para Belo Horizonte assistir ao show que ela faria por lá no domingo. E foram inúmeros os contratempos que eu, meu amigo Júlio e os demais fãs tivemos de ultrapassar. No sábado esperamos em vão a chegada da “Dona Nadine”, (segundo nome da cantora e compositora, pelo qual só podem denominá-la os fãs há mais de uma década – Eu já conto 17 anos), ela preferiu permanecer no Rio. O problema foi que a quantidade de viagens de avião, em tão pouco tempo, estavam prejudicando o filho, Ever, de dois anos. Sim, porque ela trouxe a família inteira para o Brasil. Mário “Souleye” Treadway, o marido da rockstar, cuidava do nenê enquanto a mãe cantava para enlouquecer a multidão. E foi possível perceber a sintonia do casal quando Alanis mandava-lhe beijinhos na música Head over Feet. Ever corria pelos bastidores e era possível ver seus cabelinhos loiros voarem pelo canto do palco. Foi uma noite memorável. Mas, voltando aos problemas emblemáticos que quase me fizeram desistir de ver uma das mentoras de minhas ideias literárias, eu acordei, justo no dia do show, afônica, a questão era que o hostel em que estava, não deveria trocar ou limpar os colchões há anos, e fui acometida de uma grave alergia que atingiu minhas cordas vocais. Bom, teria de apenas ouvir a voz da grande estrela, sem poder me juntar ao coro que entoava suas canções com determinação. Outro obstáculo se interpôs, dessa vez, entre mim e a primeira fila do espetáculo. Teria de acordar bem cedo (às 5:30 da manhã), sair sem tomar café, e estar lá em frente ao Chevrolet Hall para poder ser umas das primeiras da fila. Foram 14 horas de espera até o momento do show. Mas valeu a pena, mesmo que o sol estivesse escaldante e tivesse de enfrentar banheiros sujos de farmácias e do shopping local. Afinal, foi muito bom reencontrar amigos distantes, peregrinos como eu, atrás de nossa musa. Foi realmente reconfortante. Ainda havia o perigo de perder o lugar na fila, conquistado com tanto afinco.Haja vista que sempre há os espertinhos, que chegam tarde e se valem de má-fé para inserir-se entre os primeiros.

 Mas eis que depois de tantas horas de expectativas, entramos na casa de shows. Acho que corri mais que o Usain Bolt para garantir meu lugar na grade. O ambiente estava quente, pois o ar-condicionado não vencia a grande quantidade de pessoas reunidas, suadas, sujas e cansadas depois de um dia estafante de esperas.  Meu coração estava aos saltos. Meus grandes amigos ficaram ao meu lado, estávamos juntos, mesmo que habitássemos tão longe uns dos outros. De repente, Ouro Preto, São Paulo, Brasília, e Belo Horizonte tornaram-se um só lugar. Enquanto a expectativa crescia, colocaram um cd com o rap de “Souleye” para tocar. Até mesmo eu que não sou muito versada nesse estilo de música gostei do som. Contudo, estávamos lá para ver a Alanis. Ever, o herdeiro da canadense, corria pelos bastidores, víamos as mechas douradas irem de um lado para o outro. E de repente, I Remain, a música tema do filme Príncipe da Pérsia começa a tocar. Alanis iria entrar no palco logo mais. A minha pulsação estava a mil por minuto. Então, se dá a entrada de uma mulher de voz forte e ao mesmo tempo melodiosa que leva todos ao delírio. Num segundo, todas as dificuldades enfrentadas se tornam pequenas frente à recompensa que recebíamos. Simpática, a cantora mostrava muito carinho pelo público. Entre obrigados e gestos amorosos, ficava claro que depois de tantos anos ela não havia perdido o fôlego. Aliás, ela estava cheia de gás não perdendo o tom nem nas notas altas. Foi maravilhoso.  Foi comovente vê-la cantar Perfect de novo. Essa música se tornou um hino para mim, porque toca profundamente na ferida que trago no peito. Sim, meus olhos ficaram marejados. Mas a emoção não terminaria aí. A multidão cantava uníssono todas as músicas e nem mesmo as mais novas do último álbum se mostraram difíceis para os fãs. Guardian se tornou rápido uma de minhas canções favoritas. E parece que agradou também aos fiéis legionários que acompanham a carreira desta roqueira.

Não sentíamos sede, não sentíamos cansaço, não sentíamos calor. A nossa força surgia da profunda admiração que todos temos pela cantora canadense. Tirávamos fotos enlouquecidamente, tendo em vista que seria um pecado perder um instante sequer dessa apresentação memorável. Lens foi uma ótima escolha para a noite. Mesmo sem voz para fazer-me ouvir eu acompanhava as canções que conhecia tão bem. É claro que dias antes as ouvi repetidamente. Não apenas para estar com elas na ponta da língua no momento do show, mas também porque este último álbum Havoc and Bright Lights parece ter sido escrito para mim. Coaduna-se bem com meus sentimentos. É fantástico como Alanis consegue ser porta voz de tantas pessoas. Eu estava afônica, mas não era preciso falar, para passar o que eu pensava naquela noite. A estrela cantava o que meu coração dizia. Era momento de reformular as promessas. Ela não cantou Everything, para depois do verso “and you still here”, eu poder responder “and I’ll stay forever”. Porém, sei que esta jura ficou no ar. É fácil compreender a emoção que todos sentiram nas conhecidas Right Throgh You e You Oghta Know. Estavam todos extasiados com a presença de palco da artista. Humilde, ela apresentou os membros da banda. Os expectadores foram ao delírio com a referência ao casamento homossexual em Ironic, reformulada para conter esta demonstração de tolerância e respeito a uma minoria tão perseguida. Ainda mais quando Cedric beija Jason (membros da banda) sob muitos gritos e aplausos. Foi uma noite fantástica. Em Havoc, os fãs mais acalourados trouxeram braceletes luminosos, para deixar a plateia enfeitada para a rainha da noite. E como rosas atiradas às sopranos nas óperas, lançaram aos pés da cantora toda sua admiração. Foi uma chuva que deixou a noite ainda mais bonita. So pure foi entoada com força pelo público. Os que estavam mais próximos à estrela se sentiam agraciados por um milagre.

Porém, depois de um show maravilhoso que durou meras 1h40, a mágica tinha de terminar. Mesmo voltando duas vezes ao palco, os grandes fãs da Alanis como eu, queríamos mais. Mas seria bem desgastante para esta grande divindade da música, atender a vontade do seu público cativo de ouvi-la. Ela se foi enquanto a banda ainda soltava acordes de guitarra. Para nós, que lutamos por 14 horas para conseguir dez por cento disso de maravilhas, foi recompensador. É muito bom saber que mesmo depois de quase vinte anos, a roqueira do Jagged Little Pill conseguiu reinventar-se. E que agora, mãe, continua sendo uma maravilhosa profissional, sempre dedicada e impecável em suas apresentações. Exaustos, voltamos para nossas casas, hotéis e hostels estupefatos com a maravilhosa apresentação. Esperando que a artista continue sua turnê pelo Brasil e que seu sucesso cresça cada vez mais. A simpatia de Jason ao levantar a bandeira tupiniquim é a mesma com a que ostentamos a bandeira do Canadá em agradecimento por uma noite fantástica. E apesar de ter sido um dia fatigante, foi difícil dormir depois desse grande show. Porque é triste pensar que só reveremos a grande artista depois de longos anos, quando ela entrar em uma nova turnê. Desta vez, esperamos três anos, cheios de expectativas e boas novas,como o nascimento do filho da diva. Contudo, sei que falo por todos os fãs quando digo aqui que as apresentações da Dona Nadine são inesquecíveis. Estamos ansiosos por mais uma dose. Alguns ainda a acompanham nos próximos shows em terras brasileiras. Outros, menos abastados, têm de se contentar com apenas um concerto. Mas está certo que os presentes saíram desejosos de repetir a descarga de adrenalina que Alanis lançou em suas veias. A música de nossa ídola deixa-nos cada vez mais felizes. Em razão  de parecer que ela nos compreende mesmo sem nos conhecer. Ou talvez nos identificamos com a rockstar simplesmente porque ela é exatamente como nós somos. Estou convicta ao deixar claro que uma espera 14 horas é “fichinha” para nós fãs apaixonados e leais.

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