Arquivo do mês: setembro 2012

O tempo inexorável

Giordana Bonifácio

Quando os anos tirarem de sua face o viço.

E o frio espelho mostrar-lhe já um olhar mortiço.

Quando o tempo voraz causar marcas em seu rosto.

E a velhice já tiver-lhe o vigor deposto.

 

Quando procurar for pelos anos perdidos

E vir ser impossível recuperar dias idos.

Quando seu corpo curvar-se já muito frágil.

E seus olhos já não conseguirem ler fácil.

 

Enfim, quando perceber que já está a padecer.

E que a morte tão logo virá a acontecer.

Faça de toda sua existência uma avaliação.

 

Rememore se sempre praticou a boa ação

Haja vista que só esta que vale no fim.

Escute este conselho, essencial para mim.

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A dama na janela

Giordana Bonifácio

O que pensa a dama que está na janela?

Será que está a sonhar que alguém pensa nela?

Será que devaneia sobre mil desilusões?

Absorta, olha o nada e estas minhas alusões,

 

Aos seus possíveis sonhos sequer lhe preocupam.

Minhas deduções várias, seu tempo, não ocupam.

E a mulher na janela está com olhar vago.

E para esta poesia suas ilusões trago.

 

O fato é que à janela a mulher permanece.

Acho que espera ver a vida que acontece.

Eu aqui, preso a estes sonhos os quais desconheço.

 

Tal dama para meus versos deu-me um começo.

Minhas palavras são para ela uma homenagem.

Mas não quero estragar-lhe dos sonhos a viagem.

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O nascimento

Giordana Bonifácio

A mãe, deveras pobre, foi, por sua fé, a  eleita.

E foi em um estábulo, que a luz foi feita.

O pai, um carpinteiro, aceitou o duro encargo.

Nasceu o Messias com um destino muito amargo.

 

Tinha de morrer para assim salvar seus irmãos.

Duros pregos foram-lhe fincados nas mãos.

Mas ao seu nascimento só assistiam pastores.

Não foram convidados os reis impostores.

 

E belos anjos surgiram das nuvens altas.

O Pai nos redimir queria de nossas faltas.

Ofereceu-nos seu filho que foi o imolado

 

Cordeiro, irmão nosso que foi sacrificado.

Tão inocente menino amado por seus pais,

Não imagina que morto será por seus iguais.

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Família

Giordana Bonifácio

É sujeita a profundas mágoas e sorrisos.

Os nossos sentimentos não são bem precisos.

Ora bastante a nossos parentes amamos.

Ora muito entre nossa família brigamos.

 

Mas é lógica sua importância para nós.

Pois é certo que jamais estaremos sós.

Possuir uma família é de tal modo essencial,

Que nela se mesura do povo o potencial.

 

Nela se aprende o sentido real de cidadania.

A alegria está ligada a uma tão boa companhia,

Porque não estamos nesse mundo abandonados.

 

Quando da sorte e saúde estamos malfadados,

Há a certeza de que seremos acolhidos.

Mesmo quando já formos homens bem crescidos.

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Soneto bucólico

Giordana Bonifácio

Os campos verdejantes bem longe se estendem.

As ninfas, aos humildes pastores surpreendem,

Com seus trejeitos mui infantis e sua beleza.

Nessas campinas, sátiros cantam sua proeza.

 

Zéfiro faz as plantas dançarem ao sabor

Da brisa suave, e às ninfas causa leve rubor,

Quando, lascivo, vem soprar-lhes os cabelos.

E a realidade que não me atende os apelos.

 

Eu quero restar nessa bucólica paisagem.

E no mundo real só aparecer de passagem.

Com as ninfas nas límpidas fontes me banhar,

 

Sem que sua nudez cause-me qualquer acanhar.

Pastorear meus rebanhos de ovelhas a pastar,

Sem me afligir se de mim alguém venha a gostar.

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A noite chora

Giordana Bonifácio

A noite chora as dores que no peito trago.

Em mim só um sentimento imensamente vago.

Não sei o que sinto, a noite me compreende mais.

Minha alma é um navio que não aporta em qualquer cais.

 

A fria garoa são as lágrimas que em mim secaram.

Somente as mágoas em meu espírito restaram.

Feridas purulentas que latejam ainda.

De uma dor que foi tão grande que não mais finda.

 

E nessa noite minha solidão me pesa.

E à esta saudade estarei para sempre presa.

E meus sonhos são simples lembranças de outrora.

 

E já vem terminando a noite, enxergo a aurora.

Já ilumina o quarto uma luz tênue e pura.

Busco, no nascer do dia, das dores a cura.

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A caravela

Giordana Bonifácio

Vai, sobre o mar, cortando as ondas, infle suas velas.

No oceano azul, sem cais, singrando por praias belas.

À tripulação não aflige das sereias o canto.

Pois não está suscetível ao seu doce encanto.

 

São homens cuja alma está para sempre perdida.

Onde está marcada dolorosa ferida.

São miseráveis pela vida condenados.

A sofrer nos oceanos estão destinados.

 

Não há piratas ou qualquer outro mal que a impeça,

De logo aportar. Vai com calma, pois não há pressa.

Não há prazos que a pressionem, o importante é chegar.

 

Então durante a viagem faz manso o navegar.

Muitas milhas separam-lhe do continente.

Mas se sabe bem que seu capitão é experiente.

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Fotografia

Giordana Bonifácio

O que se esconde por detrás deste sorriso?

Imagem que recorda um perdido passado.

De uma época em que nós não tínhamos juízo.

Pergunto: o que será que fizemos errado?

 

As fotos felizes hoje tristes se tornaram.

O ontem que restou apenas ao papel restrito.

Enche o hoje de profunda mágoa. Só sobraram,

As memórias de um amor que se cria infinito,

 

Mas revelou-se só um terrível engano.

Fui acometido deste sentimento insano.

E minha dor é eterna como a fotografia.

 

Não pode amar quem no ser amado não confia.

Sou eu o culpado? Será este o motivo do fim?

Meu erro foi querer ter você só para mim.

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A solidão do marujo

Giordana Bonifácio

Para onde olhe, só o que  enxerga é o mar.

Sem companhia com quem possa conversar.

À noite, do convés, observa a lua.

Muito deseja que  faça-se sua,

 

Tal dama fria e longínqua, a lua de prata.

Mas tal  é a indiferença com que lhe trata,

Que o marujo, um homem sempre feliz,

Murcha sob o luar, mas a ninguém diz,

 

A dor que o aflige. Os pesares guarda

Consigo. A soberana lua não tarda

A esconder-se, pois já amanhece o dia.

 

E toda dor que à noite este marujo sofria,

Desaparece no vagar das ondas,

Pois sua alma se perde em águas profundas.

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O anjo

Giordana Bonifácio

Sobre as etéreas nuvens, um anjo me observa.

Sabe de meus pecados e ainda assim me perdoa.

Enxerga sob a carne fraca uma alma boa.

Eu confesso que não sou uma temente serva.

 

Ajo por impulso, ignoro a lei divina.

Não sou humilde, à tapa, a face não ofereço.

Não sou piedosa, pois para ser bom há um preço,

E frente às dificuldades minha fé amofina.

 

Por isso, do olhar do anjo sinto-me acanhada.

Nesse estranho juízo fui logo absolvida.

Sei que nossa existência é longa caminhada.

 

Fui agraciada com muito cômoda vida,

Mas sei que sigo meta outrora desenhada,

E que viver consiste em uma viagem só de ida.

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