Arquivo do mês: março 2012

Anjo

Giordana Bonifácio

É verdade que existe um tanto de coisas que não podemos fazer na realidade. É por isso que a ficção, a obra infinita da nossa imaginação, nos concede poderes dos quais somos desprovidos. Aqui, nessas linhas tortas em que minha onisciência me concede o poder de escrever certo, posso muito bem ouvir os pensamentos dos passantes. Sou convertida em anjo, que pousa o ouvido no peito dos homens e pode escutar-lhes sonhar. Sou das milícias celestes, voo sobre a cidade e assim, sou levada pelas ondas invisíveis dos desejos humanos. Um homem sisudo e bem vestido entretém-se no fixo pensamento de resgatar sua honra. Como? Não sei, ouço um tanto aqui, outro tanto acolá. Não quero revelar a intimidade desses personagens, mas alguns retratos de solidão. Não há lugar mais solitário do que dentro de nós mesmos. Uma mulher balbucia uma música enquanto, com olhos marejados, sonha com um passado inalcançável. “Why do you come here/when you know it makes things hard for me?” Sibila sem sentir, uma canção nem tão antiga assim. Uma criança que, desde cedo, foi submetida à dura rotina da vida, imagina um mundo muito diverso, com heróis e heroínas saídas das páginas de uma história em quadrinhos. Continuo penetrando no lugar mais intrínseco de suas almas. Deixando-me estar ali, bem ao lado de suas frustrações. Uma moça enxuga uma lágrima que desavisadamente se desprende dos cílios e corre-lhe sobre a face. “Haverá ainda tempo de concertar tudo?” Vejo a desolação em sua fisionomia. Porém prossigo. Não devo deter-me com as mágoas, como não o posso fazer com os sonhos. Não posso me apropriar da dor nem mesmo da felicidade alheia. Anjo que sou, não devo interferir no livre-arbítrio.

 Agora caminho ao lado de um velho. Ele segue lentamente, passos trôpegos auxiliados por uma bengala. Ele suspira recordações de um tempo em que poderia correr mais rápido que qualquer menino de sua rua. E o presente dos anos é a decrepitude dos corpos. Ele resmunga um palavrão e continua sua longa e árdua caminhada. Sou um “ser de luz”, (como convém denominar aos anjos), um tanto andarilho. Com minhas longas asas voo rápido para estar ao lado dos homens, para protegê-los do mundo, dos medos, do frio, e de si mesmos. Contudo, não posso evitar que se sintam abandonados. É que, nos momentos em que a dor surge, acham-se tão desprotegidos que terminam por se crer sozinhos. Justamente no momento em que nós, anjos, seguramos-lhes as mãos para aliviar o sofrimento que sentem. Cobrimos-lhes com nossas asas e tentamos reconfortar-lhes o espírito. E aqui, ao lado deles, tentamos ser um abrigo, mesmo que não nos vejam, mesmo que não nos ouçam e, também, que não acreditem em nossa existência. Por esses vales sinuosos de perigos que circundam a humanidade, somos a força que mantém o eterno equilíbrio entre o bem e o mal. E queremos ajudar nas escolhas das pessoas, todavia não nos é possível fazê-lo. No momento crucial, os seres humanos estão por sua conta. Já tentei sussurrar aos ouvidos de uma garota a solução de seus dilemas, mas ela não depositou sua fé em minhas palavras. Acreditou que só poderia estar enlouquecendo e não optou pela alternativa que lhe vislumbrava. Um motorista liga o rádio no engarrafamento, afrouxa o nó da gravata e tenta acompanhar a canção que escuta. “I used to be on an endless run./ Believe in miracles ’cause I’m one. /A have been blessed with the power to survive./ After all these years I’m still alive.” Sento-me ao seu lado, ele pensa em um tanto de problemas. E reza para que Deus lhe ajude a conseguir uma solução para os entraves em sua vida. Segura o crucifixo em uma corrente em seu peito e pede auxílio ao Pai. Queria podermos fazer mais, mas nossa função é tão somente conferir serenidade para que os homens consigam achar sozinhos a saída.

Olho em volta para  essa cidade que se crê esquecida por Deus e entregue ao pecado. Não, não nos desfizemos de mais nenhuma cidade desde Sodoma e Gomorra. Ainda estamos com os olhos fixos nesse planetinha azul. Continuamos a escutar as orações e pedidos. Tenho pena dos seres de carne e osso porque a vida é tão frágil e inesperada. Tudo acontece sem aviso. Ninguém está preparado. E são surpreendidos pelas “curvas” da vida, porque não se trata jamais de uma linha reta. Não, a vida é uma estrada sinuosa. Há subidas íngremes, buracos na estrada, descidas abissais e despenhadeiros ameaçadores. Tudo que torna a viagem perigosa e difícil. Mas eles prosseguem. Tenho de confessar que lhes invejo a coragem e fé. Fé mesmo que não seja a ligada a essa ou aquela religião. Uma esperança tão forte que lhes impulsiona a prosseguir, quando, confesso, eu não conseguiria. Esse homem mesmo, cujos problemas são tão volumosos, continua cantando e sorrindo ao espelho que lhe mostra uma imagem feliz. Como consegue? Inicia uma nova música e agora ele canta com mais afinação por lhe ser bem mais conhecida e em seu próprio idioma: “Quando o sol bater/ Na janela do teu quarto,/ Lembra e vê/ Que o caminho é um só,/ Porque esperar/ Se podemos começar/Tudo de novo?/ Agora mesmo,/ A humanidade é desumana/ Mas ainda temos chance,/ O sol nasce pra todos,/ Só não sabe quem não quer…” E o engarrafamento não foi suficiente para minar-lhe as forças. As preocupações não foram fortes o bastante para vencer-lhe e as dificuldades não esmoreceram sua fé. Agindo novamente contra as regras, murmuro a resposta que ele necessitava para seus problemas. Ele coça o ouvido, faz uma cara de incredulidade e logo telefona para esposa: “Você não sabe a ideia que tive!” Sorrio, deixo-lhe com a nova onda de alegria que lhe toma o espírito. Seria isso que se denomina esperança? Algumas vezes, nós anjos gostaríamos de ser dotados de sentimentos como os humanos, ser frágil e consciente. Ter esse corpo sólido que comporta algo tão superior e mágico como o espírito. O homem não tem consciência do milagre que ele é. E queria poder chorar, mesmo de tristeza, mas me seria melhor de alegria e entender como uma dor ou uma felicidade é tão grande que extrapola o corpo. Extravaza pelos olhos em gotículas de alma, que salgam a boca e materializam também no paladar a emoção sentida.

Na esquina, uma velha prostituta vende seu corpo, mas mantém para si, somente, seu espírito. Ela masca chiclets já sem sabor há uma hora. Uma maneira de enganar a fome. E rezar para ela é uma forma de absolvição. Procurar salvação, quando entre os homens foi esquecida nas sarjetas a esmolar dinheiro para alimentar-se. É certo que haveria outras profissões um tanto mais dignas, para pessoas iguais a ela, gente a quem a humanidade fecha os olhos. Mas será que a humilhação de uma vida de doméstica seria um tanto melhor que o preconceito sofrido por ela ser uma “mulher da vida”? Escuto as penas dessa pobre mulher. Desse corpo deformado pelo tempo e tomado por doenças venéreas. Ela nem sabe que coloco minha mão sobre seu ombro. A mulher sente um leve frio e um formigamento. É o que nós anjos costumamos provocar nos seres em que tocamos. Lanço sobre ela meu perdão. Sei que cometerá mais uma série de vezes o mesmo pecado. Mas toda a alma é digna de ter suas falhas remidas. E os homens tem razão para errar. São muito fracos! Não nos enxergam, portanto é difícil crer. Por tudo isso, eu tenho piedade para com esses seres solitários. Pois não estão em conexão com outros de sua espécie como nós membros das milícias celestes estamos. Um garotinho passa veloz em seu skate, posso ouvir seu pavor de chegar atrasado em casa. “Minha mãe vai me matar!” Divirto-me com sua preocupação. A mãe apenas ralhará com ele e ordenará que se deite mais cedo. Os jovens são exagerados. “Há algum tempo atrás/ poderíamos mudar o mundo.” Como diria a canção. Na juventude os homens creem-se invencíveis. Só tomam consciência de si mesmos com o amadurecimento. Então, se recolhem ao seu corpo frágil. Preocupam-se com o futuro. Detêm-se a organizar um lar. Formam uma família. Não querem mais ser sozinhos. Conectam-se ao toque por não poderem fazê-lo com o imaterial. Uma jovem garota corre com uma pilha de livros nos braços. “Poderia ter sido diferente…” Dizem-me seus pensamentos. Ela toma uma caneta escreve algo numa caderneta. E vou ao seu encontro. Seu coração bate machucado. E, sem respostas para as dúvidas que lhe assaltam, corre como se assim pudesse fugir do mundo que a persegue. Eu a deixo prosseguir. Acho que, nesse exato momento, é melhor para ela estar apenas consigo mesma. É hora. Meus poderes “ficcionais” estão acabando, não sou mais anjo, retorno a minha personagem, a escritora, que sangra e chora, a que não tem mais a onisciência dos seres divinos. Pecadora que sou, resigno-me à posição de obra de Deus, agora ouço tão somente meus próprios pensamentos. Desejando, porém, a visita de um anjo que me murmure as respostas de minhas próprias questões ao pé do ouvido.

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O pior pecado…

Giordana Bonifácio

Sabe, estive muito tempo pensando sobre algumas questões. Aquelas de sempre: amor, esperança, ambição, solidão, medo, autoestima e tristeza. Sempre estive num embate terrível com esses personagens. Eles estão, de tal modo, vivos em mim que chego a tratá-los como gente.  São mesmo forças marcantes na minha vida. Minha história sempre foi uma sucessão incrível de mal-entendidos. Eu perdi-me muitas vezes tentando encontrar meu caminho, quando este estava evidente. Fui guiada pela minha ambição. Juro que cria piamente que seria bem sucedida se apenas estudasse muito. Fui forçando a passagem como um navio entre blocos de gelo. Não era para mim. Acho que sempre soube disso. Mas queria ser um prodígio. Uma mente brilhante e astuta. Talvez, movida pela inocência de menina, considerasse-me mais coerente e inteligente que os demais. Eu julgava ser dona de meu destino, quando, na verdade, estou aqui só de passagem. Pois é, abri um número enorme de portas em que não queria sequer entrar. E fui subjugando-me à tirania da sociedade, segundo a qual ter é mais importante que ser. Eu queria enquadrar-me, está contida em um grupo, mais que contida, pertencer a ele. E não consegui. Falhei, sim. Mas isso nem me dói mais, estou aprendendo a conviver com minhas derrotas.

Não abandonei a ambição em absoluto. Acho que um pouquinho dela até faz bem. É uma maneira de não nos congelarmos na vida. Porém, concluí que existem outros rios onde posso navegar melhor. Minha embarcação não é própria para o oceano. Mesmo assim, as possibilidades ainda são infinitas. E, agora, tenho domínio de meus atos, de meus pensamentos e palavras. Posso ser, mesmo indo de encontro ao que a sociedade compreende. Nem quero mais que me ovacionem. Não sou o gênio que julgava ser. Nem mesmo, tão insipiente que inspire cuidados. Sou normal. Uma pessoa mais ou menos igual a qualquer outra. Queria ser amada e queria esse sentimento em minha vida o quanto antes. E sofria muito pelo fato de não existir quem se enamorasse de mim. Vivi uma dezena de confusões singulares, depois me conformei com o fato de amar ser realmente verbo intransitivo, ou seja, prescinde de objeto. Eu amo. Assim, somente eu sujeito, sem qualquer necessidade desse sentimento destinar-se a algo ou alguém. Estou fazendo as pazes com minha solidão. Jogamos xadrez, vamos ao cinema, escrevemos, lemos… Eu e ela. Somos irmãs. Ela ocupa todos os espaços, mas nem reclamo mais. Estamos vivendo felizes e em paz.

Já com a autoestima, o papo é bem diferente. Vivemos discutindo. Ela com sua segurança e eu com o avesso disso. Ela planejando, eu desestruturando. Mas ela convenceu-me a cuidar um pouco mais de mim. Só isso, viu? Não irei sucumbir à ditadura dos cremes, batons, gloss e toda essa indústria fomentada pela imensa vaidade humana. Não que não seja um tanto vaidosa. Fico radiante quando arranco elogios pelos meus textos e livros. E decepcionada com as críticas ferrenhas que me desencorajam a prosseguir escrevendo. Não fui uma das melhores alunas em Português. Na verdade, era excepcional em História e Francês. E nunca cogitei a possibilidade de seguir carreira literária mesmo escrevendo muito e demonstrando talento em minhas redações escolares. Quando pequena, já criava curtos romances, fantasiosas histórias e preenchia meus cadernos de longas narrativas, (pelo que era sempre repreendida pela professora). Mesmo lendo muito, (algo que sempre prezei foi o saudável hábito de estar constantemente lendo), não acreditava que tinha, vamos dizer, o “dom” de graduar-me em Letras. Conforme fui amadurecendo minha escrita, veio-me a necessidade de ser mais que uma escritora leiga. Uma simples contadora de histórias não me era mais suficiente. Eu queria saber a razão da escrita, o que a move, o que a inspira, como se coordena. Não queria ser a escritora que não tem controle sobre sua obra, mas a autora guiada por um motivo. Foi assim, que cogitei a hipótese de cursar faculdade novamente. O problema é que tinha pavor de um fantasma que me assombra até hoje: subestimo a minha capacidade tal qual a maioria das pessoas que conheço o fazem. Elas não me enxergam com bons olhos e por, tal razão, acabei por não acreditar em mim. Fui matando a esperança…

Então, impulsionada pelo apelo de minha psicóloga e minha médica, bem como, de minha família, inscrevi-me no vestibular da Universidade de Brasília – UNB. Não acreditava em absoluto que poderia ser aprovada e foi um espanto que tenha sido condecorada com essa graça. Eu não confio em mim mesma. Ora me enxergo como uma entidade de Q. I. próximo ao de Eistein, ora me vejo como sou na verdade: um ser humano, falho, confuso e apavorado. Medo. Sim, muito medo. Eu tenho temor de errar. Quero sempre, desde o início, acertar. Não consigo conceber que no aprendizado a gente começa aos tropeços e quedas até aprender a andar. Quero já correr mesmo que nem saiba ainda engatinhar. Uma besteira sem tamanho, confirmo o que vocês devem estar pensando. (Outra mania que possuo e tentar adivinhar o pensamento das outras pessoas). Eu sei que isso é minha pequena maldição. Não há como se livrar de certos traços de personalidade. Outra coisa que me valho, para impressionar os que me conhecem, é demonstrar uma coragem da que na realidade sou desprovida. Não é coragem, é medo de ser excluída por minha covardia. Eu sei que temer é na verdade um escudo. Mas me desfaço desse constantemente para ser aceita pela criteriosa plateia que me cerca. Não pensem que não estou tremendo diante da possibilidade de ter essa crônica analisada por olhos desconhecidos. Íris que vão se contrair diante da claridade da tela do computador, e vão percorrer as linhas tortas e sem sentido que escrevo. O medo é minha sombra favorita. Ele é meu único abrigo em meio à tempestade.

Então, eis que a tristeza, essa conviva silenciosa e traiçoeira aproxima-se de mim. Ela corrói o espírito. Mata de dentro para fora. Quando a autoestima some, o amor faz falta e a esperança está distante vem uma dor profunda que arranca lágrimas e soluços no silêncio absoluto da noite. Ela é, na verdade, uma ausência que fere. Uma saudade de um passado distante em que nos acreditávamos mais felizes. É justamente isso que não existe. A tristeza é a ausência de alegria. Pode parecer lógico, contudo, muita gente não acredita nisso. Todos querem procurar motivos, querem determinar a razão da nossa melancolia. Não permitem que a gente sofra tudo que tem de sofrer, que se afogue em lágrimas para liberar toda a mágoa que habita em nosso espírito. Tudo bem, que quando a tristeza se transforma em hábito, “um médico deve ser consultado”. É claro que não devemos choramingar para sempre uma situação passada, uma realidade que não vivemos mais. Mas chorar um pouquinho, sentir a solidão doer, dizer para o espelho todas as bobagens que acusamos nosso reflexo de ser culpado, é necessário também. Nem que isso custe olhos inchados e narizes vermelhos. (Vale até borrar a maquiagem!) Não se pode ser feliz para sempre. Essa é a verdade que contradiz uma mentira que quiseram imputar às pessoas com as histórias de princesas e príncipes. Além da obrigação de encontrar a sua alma gêmea ou a tampa de sua panela. Eu costumo brincar que se toda panela tem sua tampa, eu devo ser uma frigideira. O que quero dizer é que: não se sintam fracassados por não serem eternamente felizes, não se sintam menores por não terem encontrado um amor verdadeiro. Isso não é essencial.

Carlos Quijano disse que o pior pecado é pecar contra a esperança. Não, não estou seguindo contra o que aqui expus. O que estou falando é: não se fechem às possibilidades! Contudo, não fiquem ansiosos por elas. A esperança é uma espera, que pode ou não ocorrer. Se não vier a acontecer: paciência! Não vou me martirizar por não estar enquadrada nos grupos, de não seguir os ditames sociais e a ordem massificante que impera no mundo. Sou única. Não quero submeter-me aos estereótipos com que querem rotular a todos. Minha autenticidade baseia-se, sobretudo, na vontade de não me enquadrar nos quesitos que os homens exigem para participarmos dos seletos grupos que criam. Não pertenço a nenhuma organização, não sou a amante perfeita, não sou the best friend, não sou sequer a escritora mais inteligente. Por outro lado, elenquei algumas características que possuo e que ninguém jamais relacionou em qualquer lista como necessárias em uma pessoa para ingressar nesse ou naquele círculo social, ou como essenciais num amante ou amigo: leio em grande velocidade e termino livros extensos em um dia, (não fico cronometrando, não sou tão maluca assim!); sou ótima ouvinte, escuto as pessoas, mesmo que essas não me ouçam jamais (aliás, minha psicóloga só me dá atenção porque a pago mensalmente); sei criar redes wireless em casa sem auxílio de técnicos, (dom que meu irmão aprecia muito em mim); sei reconhecer meus erros e desculpo-me por eles, (às vezes, mesmo quando não estou errada, eu confesso minha culpa); dou valor a um amigo (porque, tenho de observar, são muito poucos); esforço-me muito para cumprir com perfeição minhas obrigações, (desde muito criança, levo a sério esse negócio de responsabilidade); sempre escovo os dentes e passo fio dental entre eles, (não sabe como isso é importante!); sei fazer um café sublime, (segundo a opinião dos que tiveram a chance de provar de meus dotes de barista); sou muito generosa, (às vezes, até demais); sou sensível (sim, ainda choro vendo ET, mesmo que já saiba as falas dos atores: “ET, caãsa”!); aprecio boa música, bons livros e bons filmes, (na minha restrita visão); amo muito minha família, (está certo que a gente briga de “quando em sempre”, mas que família é normal?); respeito à faixa de pedestre, (é que sou de Brasília, ora bolas!); compro sonhos não objetos, (acho que ninguém entenderá essa); gosto de parafrasear escritores, (escrevo as belas palavras deles em minha agenda para usar depois em meus contos); gosto de pipoca salgada e detesto a doce, (eu julgo isso uma qualidade, quem quer discutir?); por fim, tento me redimir de ter cometido o pior pecado: o de ir contra a esperança. Se os outros não conseguem vislumbrar essas características é porque não se detiveram um minuto para pensar em mim. É possível que não pensem sequer em si mesmos. E é isso que julgava importante dizer-lhe hoje, sobre essas questões ligadas a sentimentos cujas confusões são memoriais. Não são, de todo, boas ou ruins, o problema é saber conviver com elas e aceitá-las. Provavelmente, o mais importante é aceitar a si próprio. Estar em paz, mesmo que se viva em conflito.

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