“ Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora.”

Siddhartha Gautama

Cedo ou tarde

Giordana Medeiros

Cedo ou tarde perceberemos as injustiças que praticamos.  Daremo-nos conta de nossas ações com intuito de ferir quem amamos e, sobretudo, quem desconhecemos. As más condutas se tornarão patentes. Tudo que ficou escondido sob o tapete vai vir à tona. E vocês, ou melhor, nós seremos cobrados por isso. Não adiantará pedir abrigo no coração de alguma divindade. Porque, nesse momento, não haverá perdão, nem em nome do céu e, inclusive, do inferno. O mundo apresentará a conta de nossa iniqüidade. Nossas pegadas que marcaram o solo da Terra, vão aparecer, em cada ponto, em cada casa, em cada país, em cada continente. E não há como nos safar disso. Porque nós somos os culpados. Não vêem? Fomos nós que rasgamos a Terra em busca de ouro, diamante e petróleo. Quando o ar se tornar irrespirável, o solo infecundo, a água intragável e as mortes tornarem-se inevitáveis, nesse momento, vamos pedir piedade. O problema que o assassino habita em nosso corpo. E se nunca tivemos compaixão por nossos irmãos e nossa casa, porque teria o planeta para conosco? Abram os olhos para nossa culpa! E quando, de joelhos, implorarmos misericórdia, não haverá quem nos abrigue. Destruímos o que possuíamos de mais precioso. E, se alguém sobreviver ao cataclismo evidente, espero que faça do homem uma espécie mais solidária. E que nossos erros sejam corrigidos, se apaguem as mágoas, os sentimentos de cobiça e inveja sejam banidos de nosso vocabulário. Cedo ou tarde, mesmo que que aconteça daqui há muito tempo como as previsões dos cientistas apontam, a dívida que temos com o mundo nos será apresentada. Será que teremos com o que pagar? Será que restará alguém aqui? Quando os mananciais de água potável secarem ou se tornarem tão poluídos que não sejam mais próprios para o consumo, o que faremos? Mortos de sede frente à imensidão de água salobra dos oceanos? E se as calotas polares derreterem totalmente modificando o clima nesse planeta perdido no universo, como ficaremos quando as plantações e rebanhos não forem suficientes para alimentar  um mundo de mais de seis bilhões de pessoas? Haverá a saída da guerra, mas com armas de homicídio em massa, bombas atômicas e de hidrogênio, provavelmente acabaremos por extinguir a vida nesse planetinha azul.  Eis os futuros possíveis que se apresentam a essa sociedade. Com esse retrato desolador, pergunto-me: o que fizemos? E as crises econômicas que prometem deixar uma grande parcela da população na mais absoluta miséria? Esse futuro que assombra os homens como uma possibilidade não mais tão remota, está cada vez mais próximo. E ainda há como escapar dos trilhos que levam a civilização à extinção? Eu grito no meio de uma multidão que fecha os olhos para o certo. A dúvida é mais aprazível. “É possível, mas vamos esquecer isso por enquanto?” Por quanto tempo vamos nos recusar a ver o que está mais que comprovado? E os grandes líderes dizem não à possibilidade de diminuir a emissão de gás carbônico na nossa atmosfera já tão ferida com buracos na camada de ozônio. “Por que retardar o nível de nosso crescimento?” O único problema é que não se perguntam até onde poderão crescer. Se houverem muitas nações com um consumo desenfreado, como as reservas naturais vão suportar?  O que restará para nossos netos? No ritmo que se apresenta, sobrará para nossos descendentes, uma carcaça sem vida. Uma sombra do mundo que outrora foi. Uma terra inóspita, devastada e vazia. E quando o futuro não mais existir e tudo se tornar um presente terrível, uma realidade que não se pode sequer suportar? Será que milhares de anos depois uma civilização muito mais avançada que a nossa, um povo que soube sobreviver a si mesmo, que entendeu que deveria abrir mão da cobiça em prol do bem comum, descobrirá o esqueleto de nossa miséria, os restos deste mundo, de uma sociedade que foi deveras hostil consigo mesma? E será que esses seres evoluídos dedicar-se-ão a pesquisa das causas de nossa extinção? O pó que voltamos a ser, quando nos desfizemos do paraíso que nos foi oferecido. O problema que o homem é insaciável, deseja mais riquezas, mais bens, mais comodidade, mais e mais e mais. É isso que nos move. É a busca irrefreável de uma saciedade que não existe. Somos levados por nossa própria natureza. Parece que estão no nosso DNA os genes disformes da ambição. E aqui, escrevendo esse texto, nem sei bem porque razão, fico deprimida com o que surge na tela do computador. Podem me julgar alarmista, mas chego à conclusão que o fim está mais próximo do que se imagina.

E seguindo as comemorações de um novo ano, o início de mais uma década, quero transmitir ao mundo um aviso: o mundo não nos suportará! Seremos vítimas da cobiça que sempre imperou entre os homens. Sei bem que esta ambição humana, (não chamo de curiosidade, já que jamais construímos algo sem segundas intenções), impeliu as grandes descobertas, (é inegável). Mas será que isso foi assim tão profícuo? Nas Américas civilizações inteiras foram dizimadas. Na África povos foram escravizados. Na Europa, guerras imensas foram travadas, dezenas de milhões de pessoas morreram. Genocídios eram praticados com o aval da justiça. Onde está o Direito criado para nos proteger de nós mesmos? Até quando vamos acobertar as iniqüidades sob o manto da lei? Será que os horrores que foram perpetuados por gerações são a resposta de minhas dúvidas? “Homo homini lupus”. Somos os predadores de nossa própria espécie. Matamos sem motivo aparente. Consumimos o suor dos nossos irmãos, nosso conforto construído sobre o sangue dos que não tiveram a sorte de nascerem ricos. O capitalismo que promete ascensão social não consegue explicar o terror da gigantesca desigualdade que impera entre os homens. Nesse réveillon, enquanto muitos se refestelam com comida e bebida, outros não têm sequer o mínimo para aplacar a fome. E sentindo a dor martirizante desses pobres indigentes, mergulho profundamente na única penitência que conheço: escrever sobre o que penso e sinto. Rasgando o espírito com essas terríveis previsões, quero deixar claro, que o mundo em que vivemos, fomos nós que o construímos. Essa pobreza devastadora que sempre nos choca com imagens tocantes de crianças com corpos esqueléticos, é fruto da opulência dos países do norte. Não há como haver excesso para alguns sem ausência para outros. Estes que saquearam e saqueiam as nações oprimidas da África, formada por países em guerra eterna contra seu próprio povo, vivem com luxos. Os famintos, sem nada. O essencial para acrescentar carne aos seus corpos subnutridos, não possuem. Então, mesmo que este texto não consiga conscientizar aqueles que nos governam, tento fazer tudo que tenho ao meu alcance para inaugurar um novo modelo de vida. Ao desperdiçar o pouco que ainda existe de água no mundo, questionemo-nos: será que é necessário banhos tão demorados? Eletrodomésticos, eletrônicos, computadores e celulares não são descartáveis! Será que é fundamental consumir tanta energia elétrica? E o lixo que produzimos em larga escala? Será que não poderíamos diminuir e reaproveitar? Reciclar não é difícil! São com essas ações pequeninas que vamos modificando a realidade em que vivemos. A mudança que queremos ver no mundo começa em nós. Uma multidão não se forma se o primeiro homem não se mobilizar. Sigam para as ruas, protestem contra a crise econômica mundial já anunciada. É sentindo-nos parte da Terra que podemos salvá-la de nós mesmos. É essencial nos vermos como peças importantes na nova ordem mundial. Não o neoliberalismo que, como era de se esperar, também se mostrou uma política econômica ineficiente, mas a realidade inusitada de um mundo totalmente ligado por teias invisíveis de comunicação. Uma grata surpresa revelou-me que inúmeros internautas de outros países também percorreram os olhos pelos meus textos. Por isso vou valer-me dessa arma de esclarecimento, arma que percorre continentes num clique, para tentar tirar a venda nos olhos da justiça, para mobilizar o jovem preocupado apenas com seus videogames, para acordar o imóvel banqueiro de sua suntuosa e confortável poltrona e para alertar a dona de casa entretida com suas novelas. Vamos marchar unidos por um único ideal: salvar o nosso planeta do terrível destino que o aguarda. Sei que minha voz não se faz ouvir nessa imensa balbúrdia que é a internet. Mas, mesmo com meu tênue apelo, quero me fazer presente. Um futuro: é tudo que peço. Não quero nada mais que a garantia de um porvir. Uma existência, a perpetuação da humanidade, são esses meus desejos de ano novo. Cedo ou tarde, tomara que mais cedo do que tarde, muitos, embalados pelo mesmo propósito, juntar-se-ão ao coro de vozes dos descontentes.  Porque salvar o mundo é dever de todos nós.

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