Arquivo do mês: janeiro 2012

Velhos LP’s

Giordana Bonifácio

Estive arrumando as coisas aqui. Faz um tempão que me mudei e ainda conservo muitas caixas abandonadas pelas paredes, o problema é que já sei o que há dentro delas: o passado. E você sabe como há muito venho tentando desfazer-me dele.  Não importa aquilo que ficou guardado. Sabe que não. Mas, ontem, depois que voltei do trabalho, fiquei pensando em tudo que foi, mas não foi. Se tivesse sido, seria mais do que hoje é. E hoje, tudo é nada. Nada. É tudo. Fui reabrindo as misteriosas arcas da aliança. A cada memória, uma lágrima sentida. Vejo uma fotografia de nosso primeiro cachorro. Lembra-se do nome dele? Eu não. Isso me deixou comovido. Acho que vou enterrando em mim as múltiplas feridas. Assim, o passado não pode se tornar presente. Porém, não se pode fugir do ontem, que nos persegue continuamente. E libertando os males da caixa de Pandora, restou a esperança trêmula, coitadinha, lá no fundo. Ela assoviava aquela canção que ouvimos quando caiu uma tempestade que alagou tudo e, por isso, chegamos encharcados em casa. Recorda-se? Eu sim. Quando percebi, estava procurando pelos discos que ficamos a escutar a noite inteira naquele dia. Ainda posso ouvir o que você disse-me sobre os LP’s de vinil:“é gostoso ouvir o chiado da agulha deslizando sobre a música.” Você nunca saberá como eu amei você naquele momento. Mas agora o filme acabou, não foi? De comédia romântica a dramalhão mexicano. Saímos fraturados ou coisa assim. Você arrancou metade do que fui. Eu, por minha vez, tomei de você uma tonelada de arrependimento. Fiquei com todo o remorso só para mim. Nós dois, que agora somos uma coisa estranha, ficamos dilacerados. Nem sabemos mais como nos definirmos. Afinal, éramos um. Hoje somos metade. Ficou uma ponta de mágoa, lógico. Eu não poderia eximir-me de minha culpa. Sou um tanto desastrado com as palavras. Quando tento me conter, as frases já me soltaram dos lábios. Nem queria que tivesse sido como foi, mas aconteceu da maneira exata que temíamos. Doeu. E ainda, posso assegurar-lhe, dói. Sei disso porque, quando tomo em minhas mãos essas fotografias e coisas antigas, fica algo batendo aqui no peito. Uma coisa apertando o coração. Seria saudade? Seria essa massa de sentimentos tão piegas que sussurramos docemente quando estamos apaixonados? Não sei. Acho que desaprendi tanta coisa. Ser sozinho é uma delas. Até tentei viver sem você. Juro! Contudo, é tão difícil. Procurei todas as maneiras de ser um, mas só me conhecia quando éramos dois. Ficou uma montanha de promessas esquecidas, embrulhadas com jornal. Algumas se quebraram na mudança. Perdoe-me, mas sabe como a separação foi brusca. Não tive tempo de transportá-las com o devido cuidado. Eu penso nas coisas que ficaram para trás. Eu tinha de consertar o encanamento. Você reclamava do vazamento da pia da cozinha. Eu fui-me antes de realizar o reparo. Se puder desculpar-me por não lhe ouvir… Sei que muitas vezes perdi-me nas entranhas de um tenebroso nevoeiro. E não pude sequer lhe enxergar… Posso cogitar a possibilidade de você embrenhar-se na neblina para poder me guiar pelos vales de seu coração? Onde eu estava no momento em que as luzes se apagaram? Uma confusão de histórias que a brisa sibila pela janela fazendo as cortinas dançarem. A música ainda toca em você?  Em mim, estará sempre gravada. Uma memória que persiste na mente, está tudo encarcerado lá no fundo. Tentei libertá-la, mas animais selvagens domesticados não sabem mais como ser livres. E sempre que encontro uma nova peça de louça quebrada, lamento que um pedacinho de você na minha vida tenha de ser jogado fora. Quando vivíamos sendo, o mundo ia acontecendo. E nós nem nos demos conta. Não foi? Os nossos sorrisos foram desaparecendo nas fotos… Os planos mudaram. Ou será que fomos nós? As lágrimas foram inevitáveis. Recolhendo o que restou, seguimos por caminhos diferentes. E nos porta-retratos, não é mais você quem me observa. Sabe aquela desavença sem fundamento? Aquela que nem conseguimos recordar a causa quando nos reencontramos? Apesar de não saber bem do que se tratava, admito: a culpa foi minha. Eu que escondi minha irritação nas miudezas do cotidiano. E por isso fui condenado. A solidão é uma pena perpétua. Sei que, se pudesse me ouvir ficaria com aquele ar de orgulho, sorrindo com desdém de minha confissão. Mesmo disso sinto saudades. É normal isso?

As canções reverberam no vazio. Ecoam em mim. Será que posso implorar por misericórdia? Sabe aquela valsa triste, que tanto me fez feliz, você poderia acompanhar-me mais uma vez naquela dança? Seria muito mais romântico se ao invés de ter sido no baile de debutante de sua prima, tivesse ocorrido numa misteriosa noite em Budapeste, ou então, em Buenos Aires, o que acha? Podemos converter nossas lembranças para ficarem mais belas, colorindo um distante passado em preto e branco. A sua ausência começa a macerar-me o coração. Queria que o doce som de sua voz ainda me sussurrasse aos ouvidos. Os loucos falam com a lua. Eu falo com os retratos e objetos. Serei assim tão insano? Quero arrancar de mim essas ilusões que tanto me pesam no peito. Será que foi tudo um engano? O que fizemos de nós dois? Seguro nas mãos o que sobrou, cabe tudo numa caixa. Sei que não consegui preservar em todos os detalhes dos encontros e desencontros. É difícil guardar todas as partes. Mesmo quando se cuida bem de um imenso quebra-cabeça, algumas peças acabam por se perder. Há imagens rasgadas, (foi numa de nossas mais terríveis discussões), e um velho recadinho amarelado pelo tempo. Ao receber-lo de suas mãos guardei-o por semanas no bolso da calça. Era para conferir-me a coragem que não tinha de convidar-lhe para sair. E o primeiro encontro acabou por se tornar a nossa primeira despedida. Fomos dizendo adeus aos poucos. E quando acabou, foi o último suspiro de uma história fadada ao desengano. Quando a vida que compartilhávamos se dividiu, cada um foi para o seu lado. Eu aqui. Você sabe-se Deus onde. Coloco o LP para tocar, a música adormece a solidão. De repente surge uma lágrima. Nem me esforço para reter-la. Deixo-a seguir seu caminho. “Foi o mais certo a se fazer.” Você disse-me certa vez. Certeza, nunca tive nenhuma. Aliás, você plantou hectares de dúvidas em mim. Queria poder contar-lhe algumas de minhas fantasias, sei que adorava ouvir as confusas memórias inexistentes de um rapaz sem futuro. Mas agora que adquiri o direito ao porvir, quero ter de volta o passado. Estranho, não é? As notas musicais derramam-se das partituras. Caem sobre os móveis, sobre o tapete, aderem às cortinas e enrolam-se nos meus cabelos. É esquisito como sentimentos parecem solidificar-se, não é? O mundo continua rodando. É normal. No princípio as feridas não pareciam tão profundas. Mas sabe quando continuar acaba por ser mais difícil que parar? “Seria muito dolorido permanecer.” E foi assim que desfizemos os sonhos. As notas musicais foram varridas para debaixo do tapete. Não havia mais o chiado da agulha no vinil, somente retalhos de uma história que se desejava feliz. O tempo é como um band-aid: cobre o ferimento para esperar que se cicatrize sozinho. Tentei, todos esses anos, reencontrar meu caminho. Acontece que o mapa que fizemos ficou em suas mãos. Acredite: estou perdido. Num mundo onde o mp3 substituiu o preto vinil, não consigo achar lugar para as cartas escritas cujas folhas já estão roídas. Desenterrando os defuntos, abrindo as covas onde jaziam antigas emoções, quero trazer a tona tudo aquilo que um dia feriu. Quero consertar de alguma forma os erros cometidos, mas sei que não faz mais qualquer diferença. “Estamos melhores agora”. Nem sei por que penso assim. Mas é um consolo. As caixas guardam muito mais que quinquilharia, elas conservam velhos fragmentos de vida. A música acaba e o braço da agulha do toca-discos retorna para a posição inicial. O som não desapareceu no todo. Ainda me tocam no espírito as canções que outrora ouvimos. O mais lógico seria esquecer. Porém, o nosso coração não é nenhum matemático, não é? Vai tentar cobrar lógica desse músculo involuntário… Se a gente não pode obrigá-lo a bater ou parar, é totalmente impossível dar-lhe um pouco de juízo! Amar é loucura. É o que lhe digo. Mas você não pode me ouvir. Eu sei. Esperava que minha racionalidade limitada fosse o suficiente para lhe compreender. Mas sou todo emoção. Sabia bem disso quando nos conhecemos. Nossa relação era uma mentira que contávamos um para o outro. Eu fingia que acreditava e você também. Nem nos foi possível cogitar reconstruir, já que não havia qualquer alicerce para sustentar nosso amor. Ainda tenho os LP’s, mas foi você quem ficou com as canções. Nunca mais poderei ouvir-las sem sua presença. Sabe que sim.

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Estrangeira

Giordana Bonifácio

Eu já vivi aqui. Lembro de correr por estes vastos gramados, de pisar esse solo vermelho que penetrava em minha pele. Eu era dessas longas avenidas, onde muitas vezes corri, nos feriados e fim de semanas em que destituíam os carros do poder de trafegar por elas. Lembro-me de tudo, desses blocos em que caminhava levando nas costas muitos sonhos e no coração um pavor enorme. (Medo de quê, afinal?). E tudo era tão belo, ficava abismada com o futuro que parecia brilhar aos meus olhos quando o presente se fazia longo demais. Acontece que o futuro será presente, mas o presente só pode ser passado. Acabo por concluir que o futuro verdadeiro, aquele que esperava ansiosamente, nunca chegou, não para mim. E os sonhos morreram, pereceram por falta de uso. Mas continuo transportando-os nas costas. Velhos esqueletos, que trago comigo. Fantasmas que me assombram. Uma lembrança triste, do que poderia ter sido, mas não foi. Estranho, não é?

E passando pelos lugares em que a vida aconteceu para mim, vou recordando as feridas que fiz aqui e ali. Também as trago comigo. Estão todas marcadas no espírito. Já disse que apesar de não possuir quaisquer tatuagens na pele, as possuo na alma?  São marcas de algo que queria muito esquecer. Porém, queimaram-me na pele certas dores com ferro em brasa. Jamais serão apagadas de mim. E mesmo que há muito tenha deixado esses espaços, parece que ainda me vejo caminhar por essas esquinas. Como se o passado pudesse ainda estar presente, mas agora sou apenas uma forasteira. Não sou mais deste solo, estrangeira na minha terra natal. Sei que os amigos que fiz dispersaram-se por esse mundo. E vez ou outra os reencontro, mas não são os mesmos. Nunca seremos. A vida muda a gente. De repente somos outros. O tempo transforma o que somos, as lágrimas endurecem-nos o coração. E já não somos mais quem fomos um dia.

 A mentira que nos contavam era que o futuro nos libertaria, mas acho que as águas que passaram sob a ponte me perseguem. E ainda tenho saudades dos risos, dos abraços, dos olhos que faiscavam diante das inúmeras possibilidades que brilhavam tentadoras. E tudo que restou foram essas malditas lembranças. E o amor que ficou em algum lugar desse coração estilhaçado. O futuro se mostrou uma bela miragem, nesse deserto de sentimentos. A solidão ainda me acompanha, às vezes penso que só posso contar com ela. Tiro os sapatos para sentir a grama verde da primavera. E quando deixávamo-nos estar sob essas árvores frondosas, na sombra acolhedora da juventude? Jogávamos xadrez e cogitávamos realidades absurdas. E creio que meu coração foi sacrificado naquele tabuleiro. A partida foi inevitável. Algumas pessoas marcam nossas vidas. Mas são muito poucas aquelas que seguem conosco realmente. O mundo é feito de momentos. Nem sempre as amizades perduram, a maioria das vezes, elas desfazem-se nas águas límpidas do tempo.

E nesse ambiente em que me conheci tão profundamente, sinto-me estrangeira. Já não posso entrar simplesmente na escola onde amadureci. A vida deslocou-me no mundo. Nem sei se ainda pertenço a algum lugar. Estou perdida, sem saber a direção que devo tomar.  Volto ao passado tentando avistar a curva para o futuro. Mas parece que a cada vez que volto um pouco de mim fica aqui. Passo as mãos pela grama. E a imagem que era tão nítida ontem, faz-se turva hoje. Encravada na parede da memória a imagem das quimeras com as quais estive em constante embate. E ficaram comigo algumas fotografias, coisas que trouxe na bagagem e das quais já tentei muitas vezes me desfazer.  Não sei se procurava desmanchar um passado erigido sobre frágeis estruturas. Talvez, queria simplesmente me fazer outra. Ser alguém diferente do que fui. Entrar num outro ambiente e construir-me de novo.  Como se pudesse, de algum modo, apagar as marcas desse solo em mim.  Agora já sei que é impossível. Não mudamos o que fomos, nem o que nos tornamos. Construímos aos poucos nosso caráter e ele se estrutura sobre nossos erros e acertos. Posso ter errado mais que acertei. Tenho certeza disso, mas quando volto aqui, sei que faria tudo da mesma maneira novamente. A vida faz-nos tolos também.

As muitas canções que ouvi, as perguntas cujas respostas jamais achei, as pessoas que me ajudaram a crescer, os silêncios que cresciam constrangedoramente… Sim, eu abandonei muita coisa, nestes longos caminhos. Agora estou de volta ao passado que jamais se apagou em mim. A minha história na verdade está cindida em duas. Num passado que se ilumina aos olhos de um presente dolorido. E num futuro que permanece numa longínqua hipótese, (mas se…). Sabe quando sentimos saudade de tudo? Mistérios inexplicáveis da existência humana. Até mesmo as mágoas parecem menos doloridas vistas daqui. E queria voltar para aquele momento, quando imaginava que sentia a pior das decepções que poderia existir. Se pudesse colher aquelas lágrimas, para ter comigo a primeira relíquia de um coração partido… Outrora fui deste solo. Mas não sou mais daqui. “Sou uma cidadã do mundo.” Tenho muitos destinos. Não tenho mais raízes. Não mais me retenho em qualquer estação. Fico pulando de trem em trem.

 A minha vida agora é feita de inúmeras partidas. Não existem mais encontros, apenas despedidas. Meus pés voam com as sandálias aladas que me concedeu Hermes, anunciando um novo dia. Não trago comigo quaisquer armas. Desprotegida frente a um mundo infinito. Porque, mesmo sendo um dos menores do sistema solar, a Terra é, na verdade, uma imensa viagem. Temos de estar a vida inteira em trânsito para viver tudo que esse mundo nos oferece. Vou deixando minhas pegadas nesse solo que era meu. Nessas ruas numeradas em que me fiz grande, fui lançando pedaços de meu coração. Sementes de ilusão que brotaram em imensas árvores cujo tempo de floração é justamente a época mais fria do ano. Quando, outrora, com meus grossos casacos, tentava inutilmente me proteger de um frio que na verdade era interior. O mundo me foi muito mais acolhedor, quando fiz de minha história um acúmulo de milhares de despedidas.

Vou abandonando cidades no caminho. Forasteira em meu próprio país. Não trago muito mais que uma sucessão de derrotas. Mas acredito que as vitórias um dia virão. Nem que somente no derradeiro momento. Ainda há muitas lutas e muitos oponentes. Afinal, não se pode fugir para sempre! Vou embarcando, a cada dia, a cada estação, em uma nova aventura. Mesmo que não se ergam quaisquer troféus, vou deixando muitas paisagens, que correm sucessivamente do outro lado das janelas destes vagões. E vou buscando uma nova história, mesmo que as que possuo guardadas em meu peito não tenham sequer se resolvido. Não sei as horas quando me perguntam, pois o sol é meu relógio. Não quero ser mais do que livre. Mesmo que ainda se sobressaiam os fantasmas que me acompanham. Não há fronteiras que me cerceiem. Vou visitando diferentes destinos, sem me reter nas ladeiras ou nas esquinas. Fazendo da saudade o combustível de minhas viagens. Ainda quero ter de volta o passado. Contudo, já nem me dói tanto assim.

Deito-me nessa grama como muitas vezes já o fiz. Escutando a mesma canção que naquele dia ouvi. Esperando que as mesmas faces venham se juntar a mim. Mas ninguém aparece. Custo a convencer-me que o tempo passou. Todavia, já estou acostumando-me com as dores das feridas do passado. Sei que, talvez, me faça forasteira para não me sentir nunca mais pertencente a qualquer lugar. Sou ainda como aquela jovem sob as mangueiras, nas ensolaradas tardes de fevereiro. Entretanto, sei que alguma coisa mudou, mesmo que não se faça tão perceptível em um primeiro momento. Minha solidão é na verdade composta de várias solidões.

Um dia já fui deste solo. Um dia, já sentei sob essas árvores, um dia, joguei xadrez com quem costumava chamar de amigos. Hoje, são apenas retratos roídos pelo tempo. E nem me atenho mais a pensar nas mágoas que um dia se fizeram presentes. É tudo passado.  Deixo as memórias em diferentes destinos. O finito infinito particular desse mundo cheio de espaços. Não quero mais derramar lágrimas de abandono. Sou estrangeira. Faço das minhas viagens uma fuga para a partida. Antes que me abandonem e façam-me sofrer, deixo as amizades e amores no passado. Sou eu a primeira a partir. Quando volto, nem sei. Um dia talvez, quando a saudade bater mais forte que o medo. Por enquanto, faço-me viajante das memórias perdidas. Estrangeira das dores do passado. Forasteira do presente. Amante do futuro? Quem sabe…

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1984 de George Orwell, uma visão dos governos totalitários

Giordana Maria Bonifácio Medeiros

Resumo:

Essa resenha visa demonstrar que a obra 1984 de George Orwell, uma obra de grande popularidade acadêmica, está extremamente ligada a uma crítica aos governos totalitaristas que se disseminavam a época de sua criação, em 1949. A elevação de uma União Soviética stalinista em contraponto com o idealizado governo socialista, que visualizava o autor, foi um dos germens para o nascimento dessa obra intensamente política, mas nem por isso menos arte. O autor em diversas ocasiões cita as medidas adotadas nos governos totalitários que fomentaram a ascensão do Big Brother ao poder. Os personagens estão sempre se tratando pela alcunha “camarada”, como faziam os comunistas à época, uma prova de que o objetivo do autor não era outro, senão criticar o meio de governo que se instalou e se expandiu por diversas partes do mundo. A questão do cerceamento das liberdades individuais é bem destacada pelo fato de todos serem vigiados constantemente por “teletelas”, bem como, por cada um dos membros da população. Sem quaisquer direitos, os homens são continuamente manipulados ao bel prazer de seus governantes. Não é por menos que o “ministério da verdade” tratava das mentiras construídas para enganar o povo e o “ministério do amor” era o responsável pelas desumanas torturas infligidas a quem tentasse se insurgir contra o sistema, uma política de engodos e tortura é assim que George Orwell representou o fim dos regimes totalitaristas. É o que pretendemos abordar nessa pesquisa.

Em 1948, três anos após o término da Segunda Grande Guerra, observava-se a bipolarização do mundo e o início da Guerra fria entre as duas potências mundiais em ascensão: Estados Unidos da América e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a antiga URSS. George Orwell escritor declaradamente adepto das idéias comunistas, choca-se com o sistema político adotado na primeira nação submetida à Revolução do Proletariado. Assume o poder naquele país, Josef Vissarionovitch Stálin, que, ao contrário de balisar as antigas idéias comunistas, começa a construir um estado extremamente totalitário.  Em que, a equalização entre classes, tão amplamente divulgado pelo Ditador, existia tão somente entre os populares, enquanto os membros do partido comunista desfrutavam de todos os luxos que possibilitavam o poder. Assim como os assassinatos e jogos de espionagem tornaram-se extremamente comuns no Estado. Membros do partido desapareciam, sem que se obtivessem jamais notícias de seu paradeiro. Vendo esta realidade, estarrecido, George Orwell escreveu o livro 1984, uma visão de futuro possível caso aquele modelo de governo se perpetuasse.

George Orwell não queria apenas criar uma obra ficcional, mas um meio de protesto. Embora o sentido esteja sendo deturpado por reality shows que usam as idéias para criar programas de inutilidades na televisão. Uma cultura pop que desvirtua o real interesse de uma obra de arte em todo o seu teor político. O cerceamento dos direitos individuais bem como dos meios midiáticos, não se trata de ficção, mas de meios de ação adotados pelos regimes ditatoriais. Nas palavras de Orwell, em seu ensaio Politics and the English Language, presente no livro A Collection of Essays: “A linguagem política destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez”. (PILLEGGI, O pesadelo totalitário de George Orwell). É isso que se fazia continuamente no “ministério da verdade”, onde trabalhava Wiston, em adaptar os fatos de acordo com a vontade do partido. Apagavam-se notícias, convertiam-nas de modo a enganar a população, que aceitava pacificamente a mentira como verdade sem qualquer protesto. Wiston sentia-se atordoado pelo modo como calavam o povo e  do embuste que se tratava o Big Brother, cometendo uma “crimidéia”, ou crime de pensamento. Pensar era vedado. Duvidar, muito mais. Ele também cometia o crime de “duplipensar”ou lembrar-se da nova verdade criada para esquecer a antiga. Não aceitava simplesmente que diminuíssem a cota de chocolate e que no minuto seguinte fosse anunciado o aumento da cota que na verdade era uma minoração. Winston estava descontente com a situação estabelecida e procurava destruí-la, mas não teve sequer tempo para isso. Suas atitudes subversivas logo foram descobertas, sendo submetido ele e sua amante às torturas no “ministério do amor”.

As guerras constantes entre as nações totalitárias, (tal qual ocorria na Guerra Fria em que as potências se confrontavam veladamente em jogos de Poder), foi retratada na sua essência na obra que as mostram em constantes desavenças, mudando de aliados e inimigos a todo o momento. Na realidade, se deu da mesma maneira. Estados Unidos e União Soviética, de antigos aliados na Segunda Grande Guerra, tornaram-se inimigos, que disputavam sem cessar a hegemonia entre as nações. Orwell, já tinha a percepção da instabilidade dos acordos entre as nações. Um potencial aliado é também um potencial inimigo. Depende do período em que se abordem essas relações. A fomentação do ódio aos inimigos entre os cidadãos, é parte de uma estratégia bem engendrada de fazer de cada um, um soldado a serviço do regime. Uma verdadeira lavagem cerebral. Wiston, o personagem central da trama, sente-se sufocado por saber de todas essas situações, e quer encontrar meios de derrubar o Big Brother e o regime que ele representa. A possibilidade de se ver livre é tão enganadora que Orwell destitui os leitores da esperança de que o personagem tenha um final feliz. Submetido as torturas mais degradantes, Wiston acaba por aceitar o regime. Até o dia em que desaparece como os demais que ousaram se revoltar contra a ordem instalada.

O Leviatã, de Hobbes, tornou-se o monstro invencível. Aquele a quem se entregam todas as possibilidades de liberdade, em troca de uma proteção que inexiste. “A liberdade”, escreve Wisnton, “é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro”. A liberdade de pensamento e imprensa são os pontos fortes de uma nação democrática. Acontece que os governos totalitários só conseguem manterem-se no poder a custa do cerceamento dos direitos fundamentais dos cidadãos.

 Segundo Eduardo Akira Azuma:

“os meios utilizados pelo Grande Irmão para extinguir a individualidade não se resumem à “teletela”. Na teoria de Hobbes o medo possui papel fundamental, posto que, ele baseia o funcionamento do sistema. A metáfora bíblica do monstro Leviatã também fortalece tal importância na medida em que encarna o medo dos homens em paralelismo ao medo construído pelo Leviatã de Thomas Hobbes.

O poder eclesiástico na ótica de Thomas Hobbes também exerce uma certa repressão espiritual, pois, segundo ele, este seria o meio mais persuasivo de fazer com que as pessoas obedeçam as leis.

Se pensamos em um dos grandes princípios de funcionamento da república segundo Hobbes, a saber, a obediência, compreendemos facilmente que o autor do Leviatã tenha se sentido à vontade ao introduzir a religião e sua hierarquia em sua montagem política. Com efeito, onde já reina a obediência pelo medo de Deus e pelo respeito aos princípios da fé, a edificação de uma república que tende ao respeito destes mesmos valores retomados por conta da paz civil é sem dúvida facilitada. Os meios são os mesmos: obediência, medo e fé. Somente diferem aqueles que o inspiram: Deus ou o Soberano. (ANGOULVENT, 1996: 35)

O medo da morte também é visto por Hobbes como uma das paixões que levam o homem em busca da paz. As outras paixões são: o desejo das coisas necessárias a uma vida agradável e a esperança de obtê-las por meio de seus esforços.

Ainda a respeito do medo da morte, Hobbes o considera também como motor da razão humana. Este sentimento faz com que o homem busque de forma institucional, o meio mais eficaz de assegurar a sua sobrevivência, neutralizando os seus próprios inimigos e não obviamente a morte.

Em “1984”, o medo também possui um papel fundamental como meio de persuadir os indivíduos a obedecerem às leis do Grande Irmão. Os enforcamentos perante a multidão, além de terem uma conotação de propaganda política do Estado que protege seus “cidadãos”, possuem também o objetivo de coagir os indivíduos a obedecerem as leis sob pena de morte”.

Estão bem evidentes os meios de dominação empregados pelo Big Brother, e, portanto, a crítica política ao governo Stalinista, instaurado sobre o medo da população, com o domínio dos exércitos e o poder de decidir sobre a morte ou vida dos cidadãos. E, no livro, Wiston persegue o sonho de liberdade que ficou gravado para nós na imagem do jovem na Praça da Paz Celestial na China, que sozinho, parou uma fila de tanques. E desapareceu entre as rodas dentadas da engrenagem do regime comunista na China. Wiston será forçado a calar-se, será forçado a deixar de amar. Será forçado a submeter-se sob a égide de um sistema de brutalidades e mentiras. E então, como o jovem que sumiu como se jamais tivesse existido, também Wiston transformar-se-á em “impessoa”. Não foi difícil ao autor imaginar o mundo que projetou nas páginas da obra em epígrafe. A ascensão da União Soviética e a possível união da Europa em um megabloco foram previstas por Orwell mediante a situação que vigia no mundo em 1948. O futuro mostrava-se quase como presente. E hoje não estamos a salvo  da realidade ficcional que nos sonda. O futuro é agora. E 1984 pode muito bem vir a ser um 2084. O problema é se o povo vai permitir que lhes destituam dos direitos e garantias fundamentais que foram conquistados a duras penas.

 Não temos idéia de quanto nos foi subtraído mediante escusas transações políticas. O Leviatã mostra-se mais terrível do que costumava ser. E creio que, ainda nesse século, o mundo de 1984 pode vir à tona, com os megablocos, a novilíngua e a tríade que sustenta o duplipensamento: guerra é paz; liberdade é escravidão; e ignorância é força. A guerra será o meio de sustentar uma falsa paz. Como invadir nações em virtude de um chamado “Eixo do mal”. A liberdade é considerada escravidão, por deixar abertas várias possibilidades. Afinal, o Leviatã pode cuidar de seu povo, tomando para si a obrigação de fazer escolhas. A ignorância do povo é a força dos governos totalitários. Essa tríade que tornou possível ao Big Brother manter-se no poder, pode muito bem vir a ser usada pelos governantes que se perpetuam no governo, principalmente das nações sul-americanas. O silêncio imposto à mídia, que se espalha como epidemia entre os países do sul leva-nos ao conceito de verdadeira liberdade: aquela de poder dizer o que está realmente acontecendo, dizer a verdade é a nossa maior conquista. Ocorre que o totalitarismo se dissemina sobre uma população de miseráveis calados pela força. E 1984 está cada vez mais próximo, é provável que chegue o dia que lamentaremos, como Wiston, não termos a liberdade fundamental: a de poder dizer que dois e dois são quatro. E muitos ainda se enganam ao dizer que 1984 trata-se de um livro de ficção científica. É, na verdade, uma crítica ao totalitarismo, para nos conscientizar que não estamos a salvo das “teletelas”, na verdade, elas apenas começaram a nos vigiar por toda parte.

Bibilografia:

AZUMA, Eduardo Akira, Uma Análise da Obra “1984” de George Orwell a partir de Elementos da Teoria Hobbesiana – A instrumentalização do medo em favor de um Governo Absolutista. Disponível em <http://www.espacoacademico.com.br/061/61azuma.htm>

ORWELL, George, 1984, 29ed, Companhia Editora Nacional: 2007.

PILLEGGI, Marcus Vinícius, 1984, O pesadelo totalitário de George Orwell. Disponível em <http://aosugo.com/2008/04/04/1984-o-pesadelo-totalitario-de-george-orwell/>

SILVINO, Eduardo, George Orwell e o mundo de 2084. Disponível em <http://www.economiabr.net/colunas/silvino/01orwell.shtml>

 

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Vagando pela noite 

Giordana Maria Bonifácio (novo nome de autora sugestionado por um amigo)

Uma chuva fina batiza a noite, as árvores dançam ao sabor dos ventos, aos poucos a claridade vai se apagando, como se a noite invadisse o dia, impondo as trevas aos seres humanos. Estes, sem protestar, parecem retornar aos seus lares, porque a noite pertence aos sonhos, não à vida. O silencio vai se disseminando na cidade, e parece que nem mesmo as aves atrevem-se a cantar. A história vai caindo, como se não houvesse do que se falar, então, faz-se necessário invadir uma dessas janelas fechadas, para que não se dê o fim antecipado do texto que ora se produz. Procurando em torno, se veem inúmeras vidas trancafiadas do outro lado dos imensos muros que nos cercam. E há tantas coisas interessantes escondidas nesses abrigos, que são denominados casas. Vidas imperceptíveis a olho nu. Não são pequenas demais, como devem suspeitar, são apenas esquecidas, encobertas pela manta do cotidiano. O mundo gira tão rápido que nem percebemos. E tudo que poderia ser vivido, fica meio que abandonado, atrás dos vitrais fechados. E quando simplesmente queremos concertar o fato de termos ignorado essas existências, somos simplesmente expulsos dos portões que  circundam suas propriedades. Por termos invadido, somos considerados criminosos que tentaram inserir-se onde não foram convidados. Por isso, teremos de nos fazer invisíveis, para poder dar continuidade a este conto. Entrar sorrateiramente, empurrar com cuidado a janela entreaberta, para podermos, desse modo, adentrar sem sermos percebidos. Assim, vamos cuidadosamente entrar na vida dessa garota que acaba de retornar do trabalho. Retirando as bijuterias que lhe adornavam o pescoço, os braços e dedos. Cabelos ruivos, pintados na cabeleireira da esquina, muito amiga de sua mãe, que lhe aconselhou a cor por condizer com a personalidade rebelde de que é detentora. Lançou o celular sobre a cama, e após uma ducha quente (para recuperar as energias depois de um árduo dia de trabalho), sentou-se frente ao computador. Ora visitando a esmo sites engraçados, ora renovando seu status em redes sociais, aproveita a mais moderna forma de lazer: a internet. O celular vibra sobre a cama indicando o recebimento de um SMS. Ela rapidamente toma o aparelho nas mãos para poder ler a mensagem. Sorri. E então volta ao computador para contar a uma amiga com quem “conversava” pelo MSN que aquele fulaninho bonitinho que a abordara no trabalho, (ela era estagiária num escritório de advocacia), acabara de convidá-la para uma festa. Ela ainda estava indecisa se deveria ir ou não. Por isso, estava questionando a amiga os pós e os contras desse programa inesperado. No quarto, alguns bichinhos de pelúcia, que ainda se conservavam da infância, dividem espaço com várias pilhas de livros da faculdade. Um guarda-roupas branco com portas abertas, (ela sempre se esquecia de fechá-las, o que deixava a mãe profundamente contrariada), mostrava um conjunto de roupas coloridas e insinuantes. “Não se vestia para si”. Como costumava dizer. “Mas para que o mundo não deixasse de percebê-la”. Porém, isto é tão comum hoje em dia, que ninguém mais consegue se fazer notar. Todos querem ser ouvidos, contudo, como se trata de uma massa imensa de pessoas nesse planeta, a balbúrdia é tão grande que não se pode sequer discernir entre as vozes. Uma sonora bagunça. Nada mais. A moça seguindo o conselho da amiga resolve telefonar para o rapaz que gentilmente convidara-a para sair. E deita-se na cama com os olhos voltados para o teto, sorrindo ao telefone, como se fosse possível ao interlocutor ver-lhe a felicidade do outro lado da linha. Mas ele não vê. A moça passa a enfeitar-se para o programa inesperado que surgiu nesta sexta-feira. (Eu lhes disse que era sexta? Perdão, devo ter me esquecido no entusiasmo de invadir a privacidade alheia.) Começa, então, uma seção de veste e tira roupas, a garota simplesmente não conseguia decidir o que deveria usar. Quando finalmente aprova um vestido, submete-se à produção da maquiagem. Ela se pinta porque a convenção social determina que as fêmeas da raça humana devam abusar de cosméticos para se fazerem mais belas para os machos. É assim. Não que eu seja contra ou a favor. É assim e ponto. Já enfeitada para seu encontro, a moça sai deixando as portas do guarda-roupa abertas. E fecha a janela por onde a espionávamos, sem se dar conta de nossa presença. Melhor assim, penso eu.

Continuemos a peregrinar por essas casas quase que silenciosas. (É possível ouvir o chiado dos aparelhos de tevê ligados na novela das nove). Caminhando por estas ruas onde apenas os cães saem do conforto de suas casinhas de cachorro. Os homens, ao contrário, escondem-se dos perigos da noite, dos predadores naturais da espécie, em suas tocas. Cavernas confortáveis que foram dotadas de janelas e portas. Onde só podem penetrar os membros do seleto grupo de amigos, família e conhecidos. Entretanto, mesmo sendo intrusos, não viemos incomodar-los. Não vamos interferir em nada nas vidas amenas dessas pessoas sentadas comodamente em suas poltronas, tomando sopa quente, enquanto assistem o cotidiano de seres inventados na televisão. (Será que não é isso o que aqui fazemos?) Todavia, a existência daqueles personagens é cuidadosamente calculada, de modo que seus trejeitos e roupas características virem moda. Depois, as pessoas comentam com grande afinco em seus trabalhos, faculdades e escolas, a realidade das novelas, que nem é realidade, apenas pura ficção. Ninguém se dá o trabalho de questionar por que fazem isso. Talvez, porque assim convém. Tudo é pura convenção. A brisa sibila segredos que os homens escondem de si mesmos. Entretanto, eu sei, nós sabemos a verdade. A resposta que se deixa dormir sob os travesseiros, a mentira que habita nos corações que mais cedo ou mais tarde se fará ouvir. Mas sigamos por essas ruas mal iluminadas. Onde a chuva cai persistente. (Aliás, faz tempo que não se conhece mais a face da lua. Esquecidas sob um denso tapete de nuvens, as estrelas piscam solitárias, longe do olhar das pessoas, longe do coração dos amantes, longe dos cálculos científicos dos astrônomos e das palavras adormecidas deste conto). Porém, demoramo-nos muito a observar o silêncio da noite. Quero novamente visitar a vida atrás das grades desses altos portões. Vamos escalar esses muros, (cuidado para não se ferirem nas cercas eletrificadas, segurança nunca é demais… Será?) Que tal invadir mais uma história? Eis que atrás dessa janela há novamente um coração a ser ouvido. Algo que não é comum nesses dias, tão atulhado de novidades. E aqui está um jovem rapaz perdido nas histórias mais inusitadas dos livros que se espalham pelo recinto. Ele nem se dá conta de nossa presença, tão entretido que está em sua leitura. No quarto, as estantes, cheias de grandes obras, reinam sobre os móveis. Mas os livros não se atêm a habitar somente a elas. Povoam a escrivaninha, a cama e o criado-mudo. E esse jovem, que se perde nas aventuras impressas no papel, nem se levanta quando a mãe berra-lhe o nome chamando-o para o jantar. Solitário, deita na cama e faz da leitura sua companheira. Quando está próximo do fim de um livro a que se dedicou a desbravar, mais circunspecto se faz. É como o fim de um romance. Não apenas “o fim do romance”, mas da história de amor que se fez presente na vida desse rapaz por algumas semanas. (Muitas vezes poucos dias ou, mesmo, apenas um). Ele conserva ao seu lado um computador ligado, em que dá vazão a sua vontade de também contar histórias. Mesmo sabendo que ninguém sequer as lê. É tanta coisa nova nessa rede de computadores ligando todo o planeta, (talvez o universo, como creem os filmes de ficção científica), que não há mais quem se preocupe com o mundo encantado das palavras escritas. As imagens são recursos visuais mais utilizados nessa teia de bites. Poucos são os que se demoram num texto de duas laudas. Querem tudo instantâneo. Na verdade, a realidade está cada vez mais rápida. Tudo tem de ser imediato. Esse jovem é um dos poucos que ainda conseguem se perder nas páginas da história bem engendrada de uma obra literária. Ao seu lado, Cervantes mantém viva a cômica história de um cavaleiro andante. Calvino, também faz referência ao mestre, e constrói sua própria imagem dos romances de cavalaria. Kawabata, conta as histórias de um Japão antigo. E ainda, Clarice, com suas obras introspectivas, faz a dor interna um pouco mais suportável. Também assim com Lygia, Caio, Saramago, Llosa, Rilque, Marquéz e tantos outros que fazem da vida desse jovem um pouco menos repugnante. E, com os olhos correndo as páginas dos livros, ainda se sente livre. Mesmo que pesados grilhões mantenham-no fixo na realidade. E assim o abandonamos. Nesse mundo de sonhos que restam completamente esquecidos nas páginas acolhedoras que nos proporcionam a literatura. Vamos para a rua, há essa hora, já completamente adormecida. Um grilo canta alegremente. A chuva persiste. E, atrás das janelas ainda há uma infinidade de histórias perdidas, esperando nossos olhos para se fazerem acontecer.


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A travessia do Aqueronte

Giordana Medeiros

A balsa segue, não se sabe bem para onde, apenas vai, navegando no ritmo do coração pulsante do rio.  E observando estas águas um tanto tortuosas, surge-me a dúvida:  o que pensa o barqueiro que exige sempre uma moeda de ouro para permitir o ingresso nessa viagem? Será que queremos mesmo viajar no leito de morte deste rio? E será que poderíamos evitar o ingresso nessa barca? Muitas perguntas permaneceram sem respostas. Mas nem há mais como procurá-las. Chegou a hora. Hora em que devemos nos tornar passageiros. Não mais dirigimos. Não podemos sequer conduzir a barca que nos transportará. É o fim dos tempos. Uma multidão se acotovela nas margens desse rio. Todos devem ir para o mesmo lugar. A conclusão de nossa história chegou quando menos esperávamos. Não pudemos sequer nos preparar. E foi trágico, mas um tanto romântico também. Um cataclismo. Fim da vida na Terra que muitos prometeram, mas não acreditamos. E tudo ocorreu como foi previsto. Ao barqueiro, só resta ouvir o lamento dos mortos. Não nos damos conta do peso da eternidade. Almas não perecem. Permanecerão aflitas no Mundo Inferior, sem descanso. Não são nossos pecados que devemos purgar, mas nossos medos. Temos de aprender a superar tudo que nos foi impossível em vida. E agora, quando o sempre se faz tão real quanto o nunca, ser-nos-á menos pesada a terra que nos cobre? Túmulos que não existem, corpos espalhados sem alguém que lhes recomende as almas.  É esse o futuro que se fez presente. Não há mais saídas, o labirinto da vida foi superado. E nesse mundo devastado, qual será a nova espécie dominante? “Muito trabalho para você, Caronte?” Questiono ao barqueiro. Ele me sorri mostrando a dentição podre. E faz as moedas de ouro tilintarem dentro de um imundo saco de pele de carneiro. Vai-se nas margens do Aqueronte, a única riqueza que levamos conosco. Porém, no reino dos mortos, ela não é sequer necessária. Desse local, onde nos são infligidas as piores penas, apenas Orfeu conseguiu escapar. Sob o som da música doce da lira do herói, até Sísifo descansou de seu castigo. Eis que o mistério da morte se revela. A realidade que evitávamos chegou. O rio se estende sem fim. E para lhe cruzar as margens, Caronte nos leva. Desfazemo-nos das riquezas da terra, e mais humildes, seremos submetidos às penas que acumulamos em vida.  É a consequência de nossas infinitas faltas. Observo as faces dos demais passageiros. Temerosos, choram. Contudo, não é mais nos dada à possibilidade de arrependimento. Chegou a hora de pagar. E a morte nos cobra com juros. A usura de que nos valemos em vida, será utilizada para calcular nossos castigos na morada de Hades. E, na superfície deste mundo, uma terra inóspita se apresenta. Não há mais o verde acolhedor de um planeta vivo. O azul transformou-se em vermelho e a Terra, Gaya que era, agora sofre com o silêncio absoluto de seus domínios. Não mais se escutam o cantar das aves, nem mesmo o riso inocente das crianças. O homem causou o seu próprio fim. E nesse ano após a derrocada da civilização, Eólo sopra vigorosamente a areia de um solo sem vida. Formam-se nuvens de poeira, de vermelho vivo. (Corrigindo, vivo não, morto). Os rios secaram e o planeta água, nem mais oceanos possui. São desertos imensos que se estendem a perder de vista. Mas não há mais quem possa ver essa imagem. Acumulam-se nas margens do Aqueronte, as almas dos homens que destruíram o mundo. Os que ordenaram o lançamento das bombas atômicas são acusados pelos mortos de causarem o fim do planeta. Eles mesmos não conseguem suportar o peso da devastação de nossa casa sobre si. E pergunto-me qual será a pena que lhes será infligida? Provavelmente serão condenados a uma eternidade sem sossego. Almas penadas. Contudo, não há sequer a quem assombrar agora. Vão vagar sem abrigo por cem anos às margens do Aqueronte. O barqueiro parece não se importar com os gemidos dos espíritos. É insensível ao sofrimento daqueles que não mais são matéria. Eu não reclamo do fim que me foi destinado. Paguei a Caronte minha moeda e fiz-me passageira. As águas negras do rio que banha o mundo dos mortos me distraem. A barca segue viagem cortando a superfície cor de ébano, como se não importassem as perguntas e muito menos as respostas. Em vida, não cumprimos a missão que nos foi determinada. E agora que, mortos, nada mais podemos fazer, por que lamentar nossa terrível sorte?

Nesse ano que sequer começou, em que Chronos resolveu apagar o tempo, aprendi com a morte que o passar das horas não era importante. Eu que vivia contando segundos inúteis, compreendi que o tempo é aquele que construímos e não o que impuseram a nós. Nem sei se olhei para trás no primeiro passo. Os que se voltaram foram transformados em estátuas de sal. Numa época sem heróis, a falta que nos fez Teseu no momento derradeiro, foi absurda. Não tínhamos quem lutasse por nós. Os que prometeram nos salvar, ao contrário do que nos diziam, dizimaram a vida na Terra. E, nesse momento, a maioria estava desarmada. E as armas de uma minoria não eram suficientes para lhes poupar a vida. Mesmo alertados previamente, fizemos pouco das previsões alarmistas. Fomos arrogantes e rimo-nos dos profetas. Sem que nos déssemos conta, o futuro chegou. E com ele, a destruição, as doenças, a fome e a guerra. Foi o Apocalipse anunciado que ignoramos solenemente. E entendemos muito rápido o real sentido da palavra destruição. Mas foi num piscar de olhos. A guerra atômica era evidente e não percebemos a tempo. Então, eis aqui o nosso destino, quando as Parcas pararam de fiar e Zeus fechou os olhos para a Terra. Fomos todos amontoados no conjunto disforme de almas, nas margens desse rio alimentado por nascentes de sofrimento humano. Alguns espíritos, muito pesados, envergam em função de sua carga, outros, muito leves, parecem flutuar. O peso que carregam é diretamente proporcional ao número de faltas que trazem consigo. Eu mesma levo uma boa bagagem nas costas. A barca, no entanto, não afunda com o pesar dos espíritos. Caronte está feliz com suas moedas, os homens descontentes com seu novo lar. O reino de Hades não é nenhum ponto turístico. Os que estão aqui jamais saem. (Não podemos levar em conta as aventuras do corajoso Orfeu). Começo a perceber que a eternidade é tempo demais. Não consigo conceber uma prisão tão terrível quanto esta. Onde espíritos vagueiam sem cessar no vazio obscuro de suas mentes (as quais nem mais possuem). E minhas sensações quanto ao lugar que nos acolherá só pioram com a proximidade de seus imensos muros. Já ouço o latir de Cérbero. O cão demoníaco, fera atroz que guarda os portões dessa prisão de medos. Não há sequer a possibilidade de Morfeu nos conferir o vislumbre do sonho nesse ambiente de dor e lágrimas, aonde caímos no abismo infinito que leva ao Mundo Inferior. Todos que aqui entram não voltam mais desse escuro penar. As pessoas abusaram do tempo. As impuras águas deste rio, poluído por nossas faltas, não animam aos que penetram nesse castelo de súplicas, na pedra gélida que lhes servirá de calabouço. E choram copiosamente, mas já não é tempo de lamentos. É chegado o momento de encarar os erros, assumir os pecados, e suportar a sentença que cairá sobre nós. Caronte nem mesmo um murmúrio profere. Vai remando, sua função é transportar as almas repletas de nódoas. Munido do capacete com poder de tornar-lhe invisível, Hades resgatava os mortos, decorrentes da última e derradeira Grande Guerra. Poderia restituir-me a vida, mas não o fez. Disse-me algo sobre destruição do homem e dos seres de nosso planeta. E lançou-me às margens do Aqueronte. Não sei se receberei a punição do Tártaro ou as delícias dos Campos Elísios. Não fui propriamente uma pessoa virtuosa. Ao contrário, creio que nem sempre agi com justiça e muitas vezes não tive comiseração quanto à dor de outras pessoas. Por isso, duvido que seja encomendada para o descanso eterno dos justos. Porém, também não acredito que cairá sobre mim a condenação ao Tártaro eterno, a masmorra das almas infiéis, a submissão dos homens a redenção de seus opróbrios. Onde devem redimir em morte o que não fizeram em vida. Se ainda houvesse uma Terra, poderia provar das águas do Letes, esquecer de uma história marcada pelo pecado e retornar à vida para recomeçar do zero, tornando-me um tanto mais generosa e com ações em conformidade com as leis humanas e de Zeus. Assim, escolheria uma nova alma que me servisse mais ou menos. Não sei se anseio pelo julgamento de Radamanto, Éaco e Minos. Sei que possuem o real senso de justiça que falta a maioria dos homens. E tenho fé que a pena que sobrevirá não será tão árdua quando a de Sísifo ou Prometeu. No vale dos mortos a barca alcança os portões do reino de Hades. Caronte desembarca os passageiros e abrem-se os portões do infinito. A vida, que nunca mais será, foi. Futuro e pretérito. Ou futuro do pretérito: a vida seria. Mas tudo acabou nessa vaga possibilidade.

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“ Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora.”

Siddhartha Gautama

Cedo ou tarde

Giordana Medeiros

Cedo ou tarde perceberemos as injustiças que praticamos.  Daremo-nos conta de nossas ações com intuito de ferir quem amamos e, sobretudo, quem desconhecemos. As más condutas se tornarão patentes. Tudo que ficou escondido sob o tapete vai vir à tona. E vocês, ou melhor, nós seremos cobrados por isso. Não adiantará pedir abrigo no coração de alguma divindade. Porque, nesse momento, não haverá perdão, nem em nome do céu e, inclusive, do inferno. O mundo apresentará a conta de nossa iniqüidade. Nossas pegadas que marcaram o solo da Terra, vão aparecer, em cada ponto, em cada casa, em cada país, em cada continente. E não há como nos safar disso. Porque nós somos os culpados. Não vêem? Fomos nós que rasgamos a Terra em busca de ouro, diamante e petróleo. Quando o ar se tornar irrespirável, o solo infecundo, a água intragável e as mortes tornarem-se inevitáveis, nesse momento, vamos pedir piedade. O problema que o assassino habita em nosso corpo. E se nunca tivemos compaixão por nossos irmãos e nossa casa, porque teria o planeta para conosco? Abram os olhos para nossa culpa! E quando, de joelhos, implorarmos misericórdia, não haverá quem nos abrigue. Destruímos o que possuíamos de mais precioso. E, se alguém sobreviver ao cataclismo evidente, espero que faça do homem uma espécie mais solidária. E que nossos erros sejam corrigidos, se apaguem as mágoas, os sentimentos de cobiça e inveja sejam banidos de nosso vocabulário. Cedo ou tarde, mesmo que que aconteça daqui há muito tempo como as previsões dos cientistas apontam, a dívida que temos com o mundo nos será apresentada. Será que teremos com o que pagar? Será que restará alguém aqui? Quando os mananciais de água potável secarem ou se tornarem tão poluídos que não sejam mais próprios para o consumo, o que faremos? Mortos de sede frente à imensidão de água salobra dos oceanos? E se as calotas polares derreterem totalmente modificando o clima nesse planeta perdido no universo, como ficaremos quando as plantações e rebanhos não forem suficientes para alimentar  um mundo de mais de seis bilhões de pessoas? Haverá a saída da guerra, mas com armas de homicídio em massa, bombas atômicas e de hidrogênio, provavelmente acabaremos por extinguir a vida nesse planetinha azul.  Eis os futuros possíveis que se apresentam a essa sociedade. Com esse retrato desolador, pergunto-me: o que fizemos? E as crises econômicas que prometem deixar uma grande parcela da população na mais absoluta miséria? Esse futuro que assombra os homens como uma possibilidade não mais tão remota, está cada vez mais próximo. E ainda há como escapar dos trilhos que levam a civilização à extinção? Eu grito no meio de uma multidão que fecha os olhos para o certo. A dúvida é mais aprazível. “É possível, mas vamos esquecer isso por enquanto?” Por quanto tempo vamos nos recusar a ver o que está mais que comprovado? E os grandes líderes dizem não à possibilidade de diminuir a emissão de gás carbônico na nossa atmosfera já tão ferida com buracos na camada de ozônio. “Por que retardar o nível de nosso crescimento?” O único problema é que não se perguntam até onde poderão crescer. Se houverem muitas nações com um consumo desenfreado, como as reservas naturais vão suportar?  O que restará para nossos netos? No ritmo que se apresenta, sobrará para nossos descendentes, uma carcaça sem vida. Uma sombra do mundo que outrora foi. Uma terra inóspita, devastada e vazia. E quando o futuro não mais existir e tudo se tornar um presente terrível, uma realidade que não se pode sequer suportar? Será que milhares de anos depois uma civilização muito mais avançada que a nossa, um povo que soube sobreviver a si mesmo, que entendeu que deveria abrir mão da cobiça em prol do bem comum, descobrirá o esqueleto de nossa miséria, os restos deste mundo, de uma sociedade que foi deveras hostil consigo mesma? E será que esses seres evoluídos dedicar-se-ão a pesquisa das causas de nossa extinção? O pó que voltamos a ser, quando nos desfizemos do paraíso que nos foi oferecido. O problema que o homem é insaciável, deseja mais riquezas, mais bens, mais comodidade, mais e mais e mais. É isso que nos move. É a busca irrefreável de uma saciedade que não existe. Somos levados por nossa própria natureza. Parece que estão no nosso DNA os genes disformes da ambição. E aqui, escrevendo esse texto, nem sei bem porque razão, fico deprimida com o que surge na tela do computador. Podem me julgar alarmista, mas chego à conclusão que o fim está mais próximo do que se imagina.

E seguindo as comemorações de um novo ano, o início de mais uma década, quero transmitir ao mundo um aviso: o mundo não nos suportará! Seremos vítimas da cobiça que sempre imperou entre os homens. Sei bem que esta ambição humana, (não chamo de curiosidade, já que jamais construímos algo sem segundas intenções), impeliu as grandes descobertas, (é inegável). Mas será que isso foi assim tão profícuo? Nas Américas civilizações inteiras foram dizimadas. Na África povos foram escravizados. Na Europa, guerras imensas foram travadas, dezenas de milhões de pessoas morreram. Genocídios eram praticados com o aval da justiça. Onde está o Direito criado para nos proteger de nós mesmos? Até quando vamos acobertar as iniqüidades sob o manto da lei? Será que os horrores que foram perpetuados por gerações são a resposta de minhas dúvidas? “Homo homini lupus”. Somos os predadores de nossa própria espécie. Matamos sem motivo aparente. Consumimos o suor dos nossos irmãos, nosso conforto construído sobre o sangue dos que não tiveram a sorte de nascerem ricos. O capitalismo que promete ascensão social não consegue explicar o terror da gigantesca desigualdade que impera entre os homens. Nesse réveillon, enquanto muitos se refestelam com comida e bebida, outros não têm sequer o mínimo para aplacar a fome. E sentindo a dor martirizante desses pobres indigentes, mergulho profundamente na única penitência que conheço: escrever sobre o que penso e sinto. Rasgando o espírito com essas terríveis previsões, quero deixar claro, que o mundo em que vivemos, fomos nós que o construímos. Essa pobreza devastadora que sempre nos choca com imagens tocantes de crianças com corpos esqueléticos, é fruto da opulência dos países do norte. Não há como haver excesso para alguns sem ausência para outros. Estes que saquearam e saqueiam as nações oprimidas da África, formada por países em guerra eterna contra seu próprio povo, vivem com luxos. Os famintos, sem nada. O essencial para acrescentar carne aos seus corpos subnutridos, não possuem. Então, mesmo que este texto não consiga conscientizar aqueles que nos governam, tento fazer tudo que tenho ao meu alcance para inaugurar um novo modelo de vida. Ao desperdiçar o pouco que ainda existe de água no mundo, questionemo-nos: será que é necessário banhos tão demorados? Eletrodomésticos, eletrônicos, computadores e celulares não são descartáveis! Será que é fundamental consumir tanta energia elétrica? E o lixo que produzimos em larga escala? Será que não poderíamos diminuir e reaproveitar? Reciclar não é difícil! São com essas ações pequeninas que vamos modificando a realidade em que vivemos. A mudança que queremos ver no mundo começa em nós. Uma multidão não se forma se o primeiro homem não se mobilizar. Sigam para as ruas, protestem contra a crise econômica mundial já anunciada. É sentindo-nos parte da Terra que podemos salvá-la de nós mesmos. É essencial nos vermos como peças importantes na nova ordem mundial. Não o neoliberalismo que, como era de se esperar, também se mostrou uma política econômica ineficiente, mas a realidade inusitada de um mundo totalmente ligado por teias invisíveis de comunicação. Uma grata surpresa revelou-me que inúmeros internautas de outros países também percorreram os olhos pelos meus textos. Por isso vou valer-me dessa arma de esclarecimento, arma que percorre continentes num clique, para tentar tirar a venda nos olhos da justiça, para mobilizar o jovem preocupado apenas com seus videogames, para acordar o imóvel banqueiro de sua suntuosa e confortável poltrona e para alertar a dona de casa entretida com suas novelas. Vamos marchar unidos por um único ideal: salvar o nosso planeta do terrível destino que o aguarda. Sei que minha voz não se faz ouvir nessa imensa balbúrdia que é a internet. Mas, mesmo com meu tênue apelo, quero me fazer presente. Um futuro: é tudo que peço. Não quero nada mais que a garantia de um porvir. Uma existência, a perpetuação da humanidade, são esses meus desejos de ano novo. Cedo ou tarde, tomara que mais cedo do que tarde, muitos, embalados pelo mesmo propósito, juntar-se-ão ao coro de vozes dos descontentes.  Porque salvar o mundo é dever de todos nós.

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Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 4.200 vezes em 2011. Se fosse um comboio, eram precisas 4 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

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