Manifesto contra a corrupção no Brasil

 Giordana Medeiros

Há algum tempo, no Brasil, cantava-se uma só canção: liberdade! Pedia um povo oprimido e injustiçado.  E havia movimentos políticos fundados por jovens que desejavam um futuro melhor para o seu país. As pessoas se mobilizavam contra a ditadura, um governo corrupto que saqueava as riquezas nacionais sem qualquer escrúpulo. Havia consciência política e em todos os seguimentos: musicais, estudantis e jornalísticos, transpirava-se revolta. O povo tinha voz quando queriam emudecer-lo. No meio do turbulento cenário internacional, o Brasil era dominado pelo Imperialismo norte-americano, que julgou ser mais produtivo aos seus interesses a manutenção de ditaduras na periferia para evitar o total domínio dos mercados pela extinta União Soviética. Não que uma metrópole imperialista fosse melhor que outra. Na verdade a última representava um governo totalitarista que suprimiu direitos, impôs à população um governo tão ou mais cruel que a atual potência hegemônica ajudou a implantar aqui. A submissão do país por uma ou por outra seria no máximo “trocar seis por meia dúzia” como se diz. Confesso que tenho saudades de um período de ditadura do qual vivi somente os anos derradeiros, quando aos Estados Unidos não era mais vantajoso sustentar as ditaduras nos países do sul. Claro que não sinto falta do grave desrespeito aos direitos humanos, da tortura e dos assassinatos dos que se colocavam contra ao governo militar, mas do povo com percepção de si e de sua força que se rebelava frente à corrupção e desmando dos militares. Parece que o século XXI trouxe em seu bojo uma mordaça que calou a nossa voz. Alguém ou alguma coisa nos fez fracos ou talvez, desinteressados quanto ao futuro de nosso país. Todos se confessam desapontados com os políticos que saqueiam sem qualquer escrúpulo o erário público, mas ninguém levanta a voz para se fazer escutar. A maioria da população aceita a esmola que lhes oferecem para manter-se silenciosa. As dezenas de bolsas e auxílios que concedem aos miseráveis não chegam a um centésimo do dinheiro que os políticos sugam descaradamente do nosso país. No ano passado, 62 bilhões de reais foram desviados das riquezas nacionais pelos corruptos. Com tal montante seria possível erradicar a miséria no país. Por incrível ironia, o governo atual do Brasil é formado pelos líderes dos antigos movimentos contra a ditadura. Onde foram parar todos os nossos ideais? Será que esquecemos o hino que brandíamos com força e esperança? Levantávamos as bandeiras de igualdade e liberdade, mas não pudemos ensinar aos nossos filhos o que seria ideologia. O jovem de hoje quer distância de qualquer envolvimento político. A marcha contra a corrupção, um leve suspiro de descontentamento, não consegue reunir nem dez por cento da quantidade de membros que somam um milhão de pessoas nas paradas gays. Há alguma coisa realmente errada no país. Não que os movimentos das minorias não sejam importantes. Mas lutar contra a corrupção é dever de todos. Os quase trezentos milhões de brasileiros deveriam sair de seu comodismo e unirem-se àqueles que estão a tentar concertar o que está errado. Creio que anteriormente havia em nós conhecimento de grupo, que sozinhos não somos nada, mas, unidos, somos fortes e podemos sim mudar o país. Nós somos capazes de tirar do governo os traidores da pátria e as elites as quais se aliaram. Os movimentos estudantis que hoje imperam nas universidades se mostram coniventes com a consolidada situação política do Brasil. Não se mobilizam contra o governo que os apóia e nem mesmo se pronunciam sobre a rede de corrupção que se instalou em toda nação e que ocorre desde a reitoria das universidades até a alta cúpula política do país. E com eventos de alto porte como a Copa do Mundo e as Olimpíadas que serão aqui brevemente sediados, não é difícil imaginar quantos milhões estão sendo desviados de forma escusa para contas particulares de políticos nos conhecidos paraísos fiscais.

Estou escrevendo este manifesto como um último apelo. Não é possível que somente eu perceba a inflação galopante, que ninguém consiga desvendar os métodos vis do governo de medir o índice inflacionário. Será que somente eu percebo que a quantidade dos produtos que comprávamos tempos atrás com o mesmo montante de dinheiro era muito maior? Os empresários diminuem a massa dos antigos pacotes, a metragem do papel higiênico e de todo e qualquer produto para continuar vendendo-os pelo mesmo preço. Assim, somos obrigados a comprar muito mais do que antes comprávamos. Brasileiro, você está sendo enganado! E quando, nosso país que se diz auto-suficiente em petróleo aumenta o preço dos combustíveis “forçado” por uma alta internacional e em conseqüência todos os demais itens de consumo também têm seu preço reajustado, como essa alta, que chega a dobrar o valor de tudo, não tem reflexos no índice de inflação? O que está acontecendo? Como um país com tantas pessoas vivendo dentro da faixa percentual de extrema pobreza pode emprestar dinheiro à Europa em crise?  Por que não aplicar estes valores na educação, saúde e segurança que estão em estado de calamidade pública? Se os políticos não sabem onde investir o dinheiro de nossos impostos, é melhor assinalarmos onde há necessidade desses fundos. Um Estado que se dizia social, obriga as pessoas pagarem duas vezes pelos serviços que deveriam ser prestados pelo governo com presteza e eficiência. Pagamos com os altos tributos e também quando somos obrigados a procurar o serviço particular de saúde, educação e segurança. O Brasil foi elogiado pelo presidente Obama em função de nossa pesada carga tributária. Ele somente se esqueceu de pontuar que o dinheiro que pagamos todos os anos não é investido no povo, acaba indo parar nos bancos internacionais e nos bolsos de políticos corruptos. E o pior, aqui em Brasília, o antigo governador foi deposto por suas falcatruas. Foram gravados vídeos que nos deixaram profundamente envergonhados pela verdadeira “cara-de-pau” da quadrilha que chegava mesmo a rezar antes de embolsar nosso dinheiro. E, aqueles que assumiram o governo do Distrito Federal, com a promessa de mudarem tudo, também se mostraram tanto ou mais corruptos que os primeiros. A corrupção parece uma doença que vai contaminando toda a máquina pública do Brasil. A população, em dívida com os desavergonhados ladrões (do orçamento, dos mensalões e etc), pois tem seu voto comprado com pequenas benesses, acaba por eleger a mesma quadrilha para novamente comandar nosso país. E o esquema publicitário que se mostrou um novo canal de desvio de grandes somas de dinheiro? Com propagandas enganosas e denúncias forjadas, (dossiês montados para queimar esse ou aquele candidato), os partidos de sempre acabam por convencer a população a confiar o voto mais uma vez a seus inescrupulosos membros. Nesse esquema já se foram quase duzentos anos de república com as mesmas carimbadas figuras a comandar o país. E agora, com a lei da ficha limpa, quer-se evitar que os corruptos retornem ao poder. E, como se era de esperar, eles conseguiram uma brecha na legislação para esta norma ser considerada inconstitucional. Impossível escapar a esta terrível ciranda em que colocaram o nosso país. A impunidade é uma das razões mais prováveis de tanta improbidade. Não se condena o político que incorreu no crime de corrupção e todos os demais crimes contra o erário público, e, porque não dizer, a nação, à devolução dos valores desviados. Continuam desfrutar de todos os bens que amealharam as nossas custas. É em função disso que tenho saudades de um tempo em que não podíamos gritar, mas gritávamos, ao contrário do presente em que temos ao nosso dispor o direito de se rebelar e não o fazemos. Brasileiro, o seu futuro está em sua voz, use-a, proteste, revolte-se. O país é o que fazemos dele. Os políticos são nossos representantes, devemos colocar-los a serviço do povo e não o povo a serviço deles. Não se esqueça: o dinheiro, que sustenta o luxo desses inimigos da nação, sai do nosso bolso.

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