Arquivo do mês: agosto 2011

“Decifra-me ou devoro-te”

Giordana Medeiros

Sigo ao encontro de destinos incertos. Com cautela, enfrento meus caminhos. Está tudo escuro. No breu da luminosidade do dia, não consigo me encontrar. E há tantas vias, por onde devo ir? Onde estou? Perdida nessas curvas tortuosas, nem sei onde me encontro, porque não me encontro também. Quem sou eu? Se a imagem que me reflete é o sinônimo da covardia?  Eu com medo de mim, eu com medo de todos. Prefiro continuar sozinha… Mesmo que haja a possibilidade de alguma companhia. Por que sou tão difícil? Se é tão fácil compreender aos outros? E se o se é apenas uma possibilidade extremamente remota, porque ainda se preocupar com estas hipóteses? Perco-me também em divagações, tentando recuperar o tempo perdido, nos volumes extensos da obra de Proust. O tempo que gastamos não pode ser jamais novamente amealhado. É como tentar evitar que as ondas resvalem na areia… Podem-se construir barreiras, contudo, nem isto impedirá o mar de seguir o ritmo das marés. O mundo inteiro submetido ao calendário lunar. Estranho saber que a gravidade é que determina a maioria das ações na Terra… Colheitas,  pesca, nascimentos, tudo ao sabor das fases da lua. A distância ou a proximidade deste astro é que nos controla. Estava falando do tempo perdido, dos minutos que esqueci dentro da caixinha de música. E sempre que a abro posso ouvi-los, a bailarina gira e gira, a música que ouço tem uma melancolia que me oprime. A idéia que possuo de felicidade não cabe no armário, nem mesmo no meu quarto. Felicidade tem de ser excessiva, se não for assim, logo é esquecida. As decepções sempre acontecem num volume muito maior, como a cheia dos rios, correntezas de mágoas puxam-me para o fundo. Nado desesperadamente para escapar. E quando, com os braços cansados de lutar, desistimos de nós mesmos? Deixamo-nos levar, para onde?  Não se sabe… Para algum lugar, que não é possível escapar da força das águas, das decepções que nos afogam. Mas podemos nos blindar para receber o choque com menos intensidade, já me disseram ser possível. Entretanto, confesso não saber como fazê-lo. Sempre estou a afundar nos domínios das desilusões. Sei que não podemos esperar dos outros, o que desejamos, principalmente quando se foge à presença destes. Porém, como evitarmos de fazê-lo? Eu não sei muito sobre relacionamentos sociais. Nem sei muito sobre mim. O que sei, somente um pouco, é que queria ser, ao menos, feliz. O dia nasce, alvorecer, a tarde chega; a noite logo a acompanha, enfim, crepúsculo. E meu tempo, que era exíguo, vai se acabando. Segundos que se foram e não voltam. Minutos que cresceram em horas. Horas que se tornaram dias, progressivamente o tempo chegou para o que sou. Estamos no ano em que me perco de mim? Ou será que isso foi no ano passado? Estou tentando encontrar respostas no meu espírito, não se preocupem, todas essas questões se destinam tão somente ao vazio de minha alma. Guimarães Rosa dizia que quando nada acontece existe um milagre que não estamos vendo. Preciso ver a obra-prima de Deus. Tenho de saber o que importa na vida. É uma necessidade que tenho saber a maravilha do mundo. Será que está nestes beija-flores que pulam felizes de flor em flor? Ou na percussão insistente que me bate no peito? Qual o segredo do tempo que foge de mim?  Será que é somente consumi-lo sem percebermos? Mas se quando nos dermos conta, vinte, trinta, quarenta ou cinqüenta anos houverem se passado? Se pudesse voltar recolhendo os restos das horas que se perderam de mim… As migalhas que sobraram ao apetite voraz do tempo. Este carrasco imparcial de quem ninguém escapa. Não é possível corrompê-lo com qualquer riqueza, bem como não se pode enfeitiçá-lo com beleza, nem, mesmo, lográ-lo com esperteza. Não é por menos que Chronos deu origem a todos os demais deuses pagãos. É o tempo, essa coisa fictícia que surgiu de uma convenção matemática, o fator mais importante ao mundo.  Não devemos nos dar o luxo de desperdiçar um mísero minuto sequer. Eu ainda estou aqui pensando no que era, quando tinha o tempo ao meu favor. Hoje o tenho como algoz. Persegue-me no vagar das ondas e também no silêncio luminoso das estrelas.

Fiquei tanto tempo perdida, tentando encontrar respostas para o enigma das horas, que esqueci os meus próprios dilemas (não que meu confronto com Chronos não seja uma das minhas mais terríveis questões, mas devo falar sobre outras coisas). Talvez o fato de estar confusa, (pois há tantos caminhos a seguir, que não consigo discernir aquele em que devo navegar) seja o problema mais urgente. Surfando nesses mares de bites invisíveis, vou tentando encontrar mapas que me guiem, mas não sei onde quero chegar. E se quero, porventura, chegar. O que farei caso consiga alcançar meus objetivos? Mas nem sei se quero respostas… “Em algum lugar”, diria Julio Cortázar, “deve haver uma lixeira onde estão amontoadas as explicações. Uma só coisa inquieta neste justo panorama: que possa ocorrer o dia em que alguém consiga explicar também a lixeira.” Por isso quero permanecer na dúvida. É até bom não saber. A ignorância é uma dádiva que nos poupa de inúmeras preocupações. É tudo tão irrelevante quando não sabemos sua real importância… Não sobram memórias doloridas, porque nem sabemos o quanto doeu. O coração não vê seus ferimentos. A ignorância é uma venda que nos poupa de vermos nosso próprio sofrimento. Provamos a maçã da sabedoria quando, com nossa própria inteligência, produzimos a primeira ferramenta com pedra lascada. Após, seguiu-se toda evolução tecnológica humana. Vivo consumida por uma doença eterna da qual espero um dia melhorar. Talvez, assim, seja possível abafar esta dor que lateja no peito, provocada por memórias antigas que o tempo já corroeu. Da mesma forma, espero encontrar pessoas sinceras, mas sei que o que desejo é tão somente uma quimera. Eu sou apenas um pequeno universo perdido no mundo. O vazio me preenche, o oco me anestesia. O vácuo recheia o meu interior. Vejo o escuro nascer do dia, sem perspectiva alguma de encontrar o mapa com o qual encontre a saída desse jogo insano que é existir. (Há alguma saída?) A luz que brilha nessa madrugada estranha não me ilumina. Sem idéias para descrever o torpor que me assalta, conto histórias de um jeito meio amargurado de falar, sem saber sobre o que se fala. Tudo isso toma o meu ser esvaziando-o de emoções. Não sei se um dia fui feliz, como não sei se amei verdadeiramente. Sou um tanto insensível. Não sei se posso amar. Não sei se estou triste. Minha melancolia é tão habitual que é impossível saber o que realmente sinto. E nessa confusão de definições, vou me sujando na lama da alma humana. Impregnando uma pura existência da podridão dos valores terrenos. E quando procurei me encontrar não me encontrei em mapas astrais, astrológicos, numéricos, rodoviários, ferroviários, mundi ou qualquer espécie de mapa que indique o lugar em que poderia estar. Porque não estou onde estou. O que está aqui não sou eu. É um protótipo do que seria caso fosse eu realmente. Mas o que sou, não está aqui. Está na confusão de minha mente. No mundo que erigi quando não havia ninguém olhando. Por isso não me encontro, não há mapas que possam prever minha existência no vazio pleno de imagens de minha imaginação. Fantasias que somente a mim pertencem. Irradiando luz na escuridão do dia. Quando o sol ilumina os corpos, todavia escurece os espíritos. É possível haver esperança?(Não me respondam ainda…) Na ilusão sou mais humana do que quando sou matéria. O etéreo faz-me muito melhor. Dentro de mim há milhares de mensagens engarrafadas. Não são mensagens encorajadoras, mas tão somente duras leituras. Nem sempre proveitosas, às vezes, o que se lê, serve apenas a mim. Vou abrindo as garrafas e lendo as mensagens, muitas vezes, escrevo aqui, nesse espaço infinito da rede mundial de computadores, o que li. (Escrevo com vitalidade? Desenho alguma alegria?) Outras, guardo como um segredo (correndo em busca de mim?). Somente eu o sei. Não vou revelar a ninguém esse mistério que somente eu consigo solucionar. No meio do coração, uma ferida. Uma charada cuja resposta ninguém jamais ousou dizer. Uma pergunta muda, uma interrogação que uso como máscara. Veem em mim a feroz Esfinge. E sempre que ousam cruzar meus domínios repito: “decifra-me ou devoro-te”.

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O rei do tráfico

Giordana Medeiros

Gravou o nome na carteira com ajuda do compasso. Sempre se perdia na confusão de seus pensamentos no meio da aula. Quem precisa de aritmética? Quem precisa de professores vomitando conhecimento sobre si? Quem afinal precisa de escola? As aulas são tediosas, os professores severos e ele estava pouco se lixando para tudo isso. O que queria estava muito além de seu alcance. Uma família estável seria pedir muito? Não ter de ficar pulando de orfanato em orfanato porque não suportam sua presença incomoda em lugar algum, também é um pedido excessivo? O que esperavam afinal de alguém que não conheceu o amor de uma família, alguém que nunca foi acolhido por ninguém? Ao contrário, desfaziam-se dele com facilidade, nem olhavam para trás ou pensavam duas vezes. “Um marginal!” Diziam alguns. Outros já não eram assim tão diretos: “esse garoto é um problema!”, sibilavam às suas costas. Então resolveu declarar guerra contra essa vida besta e esse destino marcado. Iria ser bandido e pronto. Não estava nem aí. Os colegas zombavam dele, diziam que era “filho de chocadeira”, “menino sem pai nem mãe”. E outros impropérios que ele ouvia calado e mastigava no almoço que vez em quando serviam na escola. E, também no almoço, não conseguia escapar das brincadeiras: “ele come aqui porque não tem casa onde comer…” ou “sua mãe não faz comida em casa não? Ah é,você não tem mãe…” Vociferavam os colegas. E depois saiam às gargalhadas, não antes de jogarem terra sobre o prato em que ele comia. Só queria uma oportunidade de mostrar a eles. Um dia seria um bandido muito mau, com uma 12 na cintura, rei do tráfico no morro. Ninguém nunca mais teria coragem de mexer com ele. Teria dinheiro suficiente para ter tênis “maneiros”, relógios de ouro e roupas de marcas famosas. Não era isso que esperavam dele? Então, era nisso que ele se tornaria. E as meninas que hoje caçoavam dele ficariam “caidinhas” pelo “rei do tráfico.” Os professores não se davam ao trabalho de tentar mudá-lo. Nem percebiam sua presença na sala de aula. E as notas vermelhas que conferiam a ele só acentuavam seu horror à escola. Acordava atrasado, cabulava as aulas e quando estava presente em corpo, estava ausente em espírito. Naquela aula mesmo, não entendia nada do que o professor dizia, nem também perguntava nada, por medo de os colegas o chamassem de burro. E rezava para que terminasse aquela coisa sem sentido que denominavam aula de matemática. Estava tão atordoado pela enxurrada de números que haviam despejado sobre ele que nem percebeu o fato de, a professora de literatura, a qual entrara em classe, não ser a habitual. Uma senhora de cabelos presos em um coque no alto da cabeça, com uma estatura alta e magra, nariz aquilino, óculos na ponta do nariz, tez muito branca e aparentando ter uns sessenta anos entrou em classe. Embora a professora já estivesse presente, a balbúrdia que assolava o recinto não parou. E Miguel, era como ele se chamava (a única coisa herdada de sua mãe, que, antes de abandoná-lo, fez questão de deixar esse nome preso a fronha fina que o cobria. Fronha com a qual foi localizado por um transeunte assombrado por um choro de bebê, altas horas da noite, atrás do muro da prefeitura), logo reparou na aparência engraçada daquela figura que se prestava ao papel de professora. Indiscutivelmente, teve vontade de rir. Pensava consigo: “essa aí não dura nem uma semana!” E a algazarra assolava a classe. A professora tomou o giz, escreveu no quadro o seu nome, em letra cursiva bem caprichada: Professora Penélope. Sentou-se, aprumou-se na cadeira, abriu o livro e leu o título de um poema: “A Morte, que da vida o nó desata”, tossiu e começou a recitá-lo:

“A Morte, que da vida o nó desata,
os nós, que dá o Amor, cortar quisera
na Ausência, que é contra ele espada fera,
e co Tempo, que tudo desbarata.

Duas contrárias, que üa a outra mata,
a Morte contra o Amor ajunta e altera:
üa é Razão contra a Fortuna austera,
outra, contra a Razão, Fortuna ingrata.

Mas mostre a sua imperial potência
a Morte, em apartar dum corpo a alma.
Duas num corpo o Amor ajunte e una;

por que assi leve triunfante a palma
Amor da Morte, apesar da Ausência,
do Tempo, da Razão e da Fortuna.”

Lia assim de forma muito normal como se não houvesse ninguém a sua frente, de repente a classe silenciou, Miguel não sabia se por curiosidade pelo que dizia aquela figura cômica, ou se por pena daquela mulher que recitava uma poesia sem pé nem cabeça para uma sala que não entendia absolutamente nada daquilo. Depois de terminar de ler, olhou em volta para conferir os olhos questionadores que os alunos lançavam sobre si. E, por fim, disse o nome do poeta, a quem pertencia aquela poesia.

– Essa é uma obra de Luís Vaz de Camões. Foi um poeta português cuja história de vida é muito interessante. Vocês nem imaginam como teve uma vida frutífera poeticamente e cheia de aventuras.

A sala caiu no riso. Miguel também não agüentou. Ninguém acreditava absolutamente que poderia haver um escritor chato, desses que escreviam versinhos bobos, que não fosse igual aos velhos encurvados que se denominavam intelectuais. Miguel ficou impressionado com a noção que aquela senhora, à frente da classe, empunhando um giz e um livro grosso de literatura, possuía de aventura. “O que? Sem luta, nem confrontos entre polícia e bandido? Somente ficar durante horas com a caneta na mão escrevendo um monte de babozeiras que ninguém lê?” Aquela senhora só poderia estar “tirando uma” com a classe. Agora já sentia que as aulas de Literatura não seriam tão ruins, poderia ao menos se divertir com as besteiras que essa tal de Professora Penélope premiaria a turma. Sentiu alívio por ela não parecer ser tão severa quanto aparentava, pois até riu com os alunos que literalmente zombavam da teoria que a mestre possuía de aventura. E maior assombro foi quando ela resolveu desafiar todo mundo:

-Ah! Então vocês não acreditam que um poeta possa ter uma vida cheia de aventuras? A literatura já é uma aventura, creiam em mim, mas a vida desse escritor foi mesmo muito agitada cheia de histórias e muitas lendas. Pois bem, vou contar a vocês sobre ele. E ao final se vocês não acharem que a vida dele foi muito mais agitada que a vida do Schwarzenegger, do Bruce Willis ou do Van Dame, amanhã libero vocês da aula. Então, a professora começou a contar-lhes a vida de Luís de Camões. Sobre o fato de ter sido um guerreiro e ter, até mesmo, perdido um olho em batalha. E sobre a lenda que dizia ter preferido salvar a sua obra-prima, Os Lusíadas, em um naufrágio a salvar a mulher por quem estava apaixonado. A turma ficou em silêncio durante toda a narrativa, e depois começaram os comentários: Miguel achou que esse tal de Luís de “Camães” era “um dos dele”. “Cara escroto!” Proferiam alguns, outros, exclamavam: “poxa que incrível!” E estavam tão entretidos com a história da vida de Camões que nem perceberam que a sineta da escola soou o fim da aula. E na aula seguinte a professora soube como prender a atenção da turma da mesma forma que no dia anterior. Miguel começava a se entusiasmar com a aula de literatura a ponto de a professora Penélope notar seu interesse. Numa das aulas, ela pediu para que ele lesse um trecho de um livro chamado Dom Quixote. Uma parte muito engraçada em que um cavaleiro muito mixuruca lutava com uns moinhos de vento aos quais denominava gigantes. Miguel ficou um pouco constrangido, mas como gostava muito da professora, submeteu-se ao provável fiasco que seria sua participação. No início gaguejou um pouco, mas a professora deitou a mão sobre seu ombro, para dar-lo confiança, então ele suspirou profundamente e continuou a leitura. A turma adorou o “cavaleiro da triste figura”, alguns tiveram pena de Dom Quixote. Outros caíram na risada quando a professora contava as anedotas que se seguiam pelo livro. E no fim da aula, ela disse o nome do escritor que havia criado uma obra tão “prodigiosa”: “Miguel de Cervantes”. E acentuou:

-Essa é a mais importante obra da literatura mundial. Feita por um Miguel, como você, Miguel.

E o menino corou, engoliu o elogio e foi em silêncio para sua carteira. Ficou com a cabeça fervilhando. Agora já tinha um novo conceito das aulas e, principalmente, sobre literatura. Percebeu que livros poderiam ser divertidos. “Não é que tem muita aventura naquelas letrinhas pequenas que ferem os olhos?”. Sua visão da escola mudou completamente. Já nem pensava mais em ser bandido. E nos intervalos das aulas era visto na biblioteca lendo, como jamais o havia feito antes. E lia tanto e com tanto afinco que achou, um dia, que poderia criar histórias também. Assim, foi progredindo na sua redação, cada vez mais caprichosa, ora vivia as emoções de um guerreiro medieval, ora a derrota de um soldado na Segunda Grande Guerra. Foi brincando com as palavras que se transformou de aluno problema em estudante brilhante. Suas notas melhoraram, seu comportamento em classe mudou completamente, tornou-se um dos mais participativos alunos em sala. O mais incrível foi que tanto empenho não foi desprezado, o menino, órfão desde bebezinho, foi adotado. E deu muitas alegrias a sua nova família, pois rapidamente foi premiado por suas obras. “Tudo graças à professora Penélope que enxergou um escritor na alma de um pobre menino órfão.”

O professor terminou a narração do conto, com o qual iniciava todos os semestres na faculdade em que lecionava, suspirou profundamente, como fazia sempre que estava nervoso:

-Essa é a aventura de Miguel, classe, Miguel de Soares Azevedo. Esse quem vos fala. O escritor que outrora queria ser bandido, cujo futuro mudou completamente quando viu nos livros uma arma mais poderosa que qualquer arma de fogo. “O rei do tráfico”, meu livro de estréia, é lido em vários países. Nunca me esquecerei da Professora Penélope e foi para ela que dediquei minha obra-prima: minha filha, a pessoa mais importante em minha vida, a quem dei o nome de Penélope.

Uma salva de palmas foi ouvida por todo auditório.

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