Arquivo do mês: setembro 2010

Salve-me de uma vida cinza

Giordana Medeiros

Muros pichados, palavras de ordem em vermelho. Outras sem qualquer senso. São palavras? Brancos edifícios que adquirem a cor da cidade. Tudo se torna cinza. Onde está a vida, onde pulsa o coração frenético e urbano, totalmente urbano? Carros, uma infinidade deles, que poluem o ar com seus escapamentos, mas são o sangue que corre nessas veias de asfalto abertas em meio a antiga vegetação. O verde está sumindo. As árvores agora disputam espaço com o concreto armado. Aqui e ali ainda existe uma brava guerreira. “Não se deixe debelar!” Encorajo-a, mas sei que a luta é inútil. Céu azul, nem uma nuvem, oceano de sonhos que nele navegam desvairados, a quem pertencem? As pessoas nem percebem que a aquarela está perdendo suas cores. Desbota, como um tecido antigo, o cinza se projeta sobre todos. Minha íris já não enxerga o colorido, agora vejo como veria um cachorro, em preto e branco. O que falta a mim? O que falta em mim? O que falta ao mundo? O que falta no mundo? Uma infinidade de ausências e perdas. Derrotas vergonhosas. Com que tintas poderei restituir a real fachada de um prédio antigo, que foi destruída pelo verme do tempo, carcomidas, as sacadas já não portam flores. E tudo há tão pouco tempo me era tão novo… Será que é meu coração que não pulsa mais, pois o sangue venenoso em mim vai me matando aos poucos? O mundo pulsava em mim. Em minhas veias  corriam sonhos, desejos de uma vida impossível que ficaram adstritos tão somente ao espaço imenso e ao mesmo tempo minúsculo de minha mente. Não no coração, porque ele há muito tempo está fechado. Trancou-se, acorrentou-se. Por fim, aniquilou-se. Arco-íris arrogantes querem gabar-se por terem sete cores. São espectros da luz branca. Vamos decompor tudo em cores? Sentimentos em cores, roxa de raiva, verde de inveja, azul de tristeza, amarelo de medo… Mas há sentimentos sem cores também, remorsos cinzas, nuvens carregadas, cheias de ressentimentos e dúvidas. Quero tudo aqui, mas ao misturar todas as cores surge o negro. Um passado negro onde convergiram todos os sentimentos, fatos que ficaram marcados, como uma fotografia, polaróides que se grudam no espelho. Vejo como eu era, como o mundo era, e não consigo mais sentir o que sentia. Venha emoção esquiva, que necessito desta cor furtiva, que não vejo mais. Meus olhos míopes não distinguem faces. Não sei quem são. Há tantas pessoas, mas não me guardam nenhum significado. Onde estão os significantes desta história? Minha mente se perde nesta onda anônima que caminha sem direção. Para onde vão? Creio que não têm porto nem morada. Seguem como formigas, minúsculas formigas, insignificantes, vivendo suas vidas. Preparando-se para o próximo inverno. Eu sou a cigarra que canta toda a primavera. Pode ouvir? Estou com os olhos úmidos e a voz embargada por uma emoção tamanha e indecifrável. Sou codificada, criptografada, para que me seja difícil desvendar. Mas no fim é tão simples: basta tirar a venda sobre seus olhos. Pode me ver agora? Com o que pareço? Com o que realmente pareço? Sou ridícula e errante tal qual Dom Quixote? Sou doida e apaixonada, igual a Werther? Gananciosa como Fausto? Talvez um tanto corajosa e astuciosa como Ulisses? Ou mesmo delirante como um personagem de Kafka? Com que cores pinto-me? Que aspecto tem meu verdadeiro rosto? Não sei quem sou. Sou algo que não sou, mas sou o que sou porque não sei ser quem realmente sou. Compreende? Não? Já tirou a venda dos olhos? Há algo que me impede também a mim de me ver. Ou mesmo, de ver o mundo. Vejo um mundo sem graça, sem qualquer colorido, imagens patéticas de senhores de tudo. Guerras de egos e violência. Todos se odeiam mutuamente. Gente sem coração, seres sem espírito que vagam pela terra, almas condenadas, estão no purgatório para remirem suas faltas. “No dia de finados deve-se rezar pelas as almas do purgatório. Para que possam ver a luz do paraíso”. Fecho os olhos, junto as mãos e sussurro um apelo pelas almas penitentes.  “Pela glória de seu nome, amém”.

Não chove há tanto tempo… Está tudo seco, gramados queimados pelo sol inclemente, árvores sem folhas onde galhos se entrelaçam em rede. Balbucio desejos, para o nascente. E se chover esta manhã? Seca que se perdura e tortura os habitantes deste mundo cinza de concreto, fincado no meio do Planalto Central, dê-me logo seu concerto de despedida, faça cantar as cigarras. Zumbido que marca a mudança de estação. Cantam para anunciar a primavera. “Queridas, estão atrasadas!” Advirto estas vizinhas que outrora já me foram insuportáveis. Hoje até me afeiçôo a elas. Formigas saiam de suas casas para pedir a volta da primavera! Uma tempestade de sentimentos dentro de mim. Não há cores, já disse. Sou tão cinza quanto este mundo que me acostumei a ver. O que posso fazer, se me afogo em rejeições, se me flagelo a cada passo e me perco. Estou totalmente confusa, não sei mais porque choro, num soluço reprimido. E porque canto essa música desafinada e obscura. Por que este mundo não tem sentido? Será que quem tem, na verdade, a venda sobre os olhos, sou eu? Por isso, não enxergo as cores, pois não vejo o mundo como ele é, mas uma projeção dele, uma imagem fantasiosa, de uma mente perturbada, onde ao real mescla-se o fantasioso, histórias que nascem como um veio de água, nascente de onde surge o mais puro dos líquidos. Límpidas ilusões. É isso que vejo. Minha constelação de estrelas livres. Vamos provar o sabor das estrelas? Qual o sabor de ser infinito? Em mim um universo crescente de histórias. E fora de mim tudo me limita. Será que há alguém que possa me conceder um coração? Ou a coragem de um leão? Ou um caminho de volta para casa ao menos? Para onde segue a estrada de tijolos amarelos? Vou caminhando por palavras e sonhos. Sinto-me um tanto estranha. Quem é o mágico de Óz? Que perigos posso encontrar por estes caminhos? Engraçado como tudo pode se resumir a apenas um sentimento, vivo sempre na eterna dúvida. Queira desculpar-me se pareço um tanto insegura. Estou cambaleando entre sujeitos e predicados, apesar de não ter muitos predicados a apresentar. Sou o sujeito oculto aparente deste conto. Salve-me de uma vida cinza. Quero cores, tinta, afrescos e aquarelas. Naturezas mortas não, que no meu mundo quero que tudo viva. Flores de todas as cores e aromas, velozes beija-flores a distribuírem carinhos àquelas, macacos divertidos, pulando entre os galhos das árvores. Borboletas, que voariam num jardim de delícias, Jardins Suspensos da Babilônia. Quero as sete maravilhas do mundo antigo. Qualquer coisa que fuja ao normal e rotineiro. Não esses prédios cuja sombra nesta manhã cai sobre de mim. Sinto-me flutuando sobre as vagas profundas do som com os sentidos lassos e perdidos. Vem, pegue minha mão e me conduza nesta dança, somos bailarinos neste espetáculo. Nas pontas dos dedos, vou me entregando ao sabor da música que somente eu posso ouvir. Terá que dançar sem música. “I’m deeply sorry.” Na verdade sou eu quem cria a canção. Noite em mim, manhã lá fora. “O Difícil é conciliar a manhã de fora com as trevas de dentro, respirar é uma oração que nada pede.” Como diria Caio Fernando Abreu. Pois é, não é fácil ser como sou, sabendo que não sou o que seria caso fosse o que sou realmente. Mas, espere aí, não é tudo assim, escuridão e morte. Há também uma palheta de cores, que o artista desta obra nos furta a possibilidade de possuirmos. Uma pincelada de vermelho, o que seria uma simples pincelada de vermelho sobre as rosas do jardim? Imploro por cores que não posso enxergar. Como seria o vermelho para um cego de nascimento? Como definir para ele o que é vermelho? “É vermelho, pulsa como sangue, é sedutor e quente.” Ele interpretaria tais palavras, com que imagem mental? Da mesma forma como seria interpretada a música pelo surdo de nascimento? Agitam-se em mim estas questões, acabo escrevendo sobre o que desconheço. Não me conformo com minha própria ignorância. Creio que as coisas só começam a existir para mim, quando começo a prestar atenção nelas. São como fogos de artifício numa imagem cinza. Pode ver a festa de cores que meus olhos tão acostumados ao gris vêem agora?  Tantas questões explodindo em cores em minha frente. Decomponho a luz do conhecimento em infinitas cores. “Vem doce saber, salve-me de uma existência cinza e triste.” Vamos provar do fruto do conhecimento? Sucumbir à tentação da serpente que se enrosca em nossos pés? Ofereço a você esta maçã, que trago comigo. Agora que finalmente podemos ver o mundo colorido, o artista recolhe a palheta. Está sob nosso arbítrio continuar a pintar o mundo. Quais cores escolheremos?  

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Rave

Giordana Medeiros

Dançava freneticamente, o ruído compassado da batida penetrava-lhe pelos poros. O som misturava-se ao suor que lhe recobria a pele. Estava feliz como há muito não ficava. Mas por que tão feliz? Talvez estivesse completamente bêbada. Não há motivos claros para comemorar, queria somente fugir. Esconder-se na multidão sem rosto, que se acotovelava enquanto os corpos acompanhavam a batida e pickups comandavam a onda enlouquecida de jovens. Ninguém era somente um e nenhum era todos. Não é necessário saber dançar, nem mesmo que a música tivesse uma letra elaborada. Não era à letra que se prendia a multidão, somente ao ritmo, à bebida alcóolica e à liberação dos corpos. Jovens se beijavam sem nem mesmo se conhecerem. É o que dita a moda da juventude, nesses loucos anos sem ideologias. Há um vazio enorme no meio estudantil. Por que lutar? A luta é válida? Quando mesmo aqueles que se acreditam politizados se tornam simples marionetes nas mãos dos inescrupulosos políticos, que se valem dos meios mais ignóbeis para atingir o poder, onde encontrar um minuto para ser jovem? O mundo maquila sua pobreza. Os jovens crêem-se realizados. Onde está o grito da juventude que morreu com aquele jovem na Praça da Paz Celestial? Geralmente não bebia tanto, mas hoje era um dia especial. Sim, porque finalmente estava livre. Não era mais o que costumava ser. Agora era outra. Fora com modelos antiquados de postura! Nada mais de arcaicos tabus. Seria tudo e mais um pouco. Um tanto insana talvez, quem quer ser racional, principalmente quando a autenticidade que impõe a razão, não é apreciada? Não é cool compreende? Se não entende você está out! Ela queria estar dentro dos padrões que agora eram apregoados pela mídia como aceitáveis. Esperava que ninguém conseguisse escavar-lhe o espírito e encontrar a menininha amedrontada que ainda trazia em si. Agora tinha que manter a postura de mulher, uma mulher que sabe o que quer! Não é assim? Então dançava, mesmo que seus pés pedissem descanso. Sua cabeça pesava com o barulho e o excesso de bebida. A maquilagem borrada tentava esconder a pouca idade, que lhe vedaria o acesso à rave. Ela era a rainha da noite, mesmo que lhe pisassem os pés e lhe derramassem cerveja no vestido, tão caro que a mãe comprou em seis prestações. Implorou-o, era lindo, tinha de tê-lo. Somente para ter sobre si o olhar cobiçoso de suas amigas. Estava tão tonta que tropeçou em suas próprias pernas e caiu. Quem lhe ajudou a levantar da posição cômica e humilhante em que se encontrava? Nem o sabia. Tinha de achar a Glorinha. Onde ela se encontrava? Olhava a multidão, mas seus sentidos eram pouco confiáveis. A luz era pouca, via imagens coloridas de neon, nada mais. Onde estava o rosto das pessoas? Não se ouvia nada, mesmo se gritasse, Glorinha jamais a ouviria. Já eram três horas da manhã. Não queria nem pensar no que os pais fariam quando ela chegasse em casa. Seria uma hora de sermão que ela nem ouviria, pois bêbada como se encontrava nada que lhe dissessem ela compreenderia. Sentiu vontade de vomitar. Realmente, ela bebera excessivamente. E agora, onde estaria o banheiro? Foi contra a corrente de pessoas que empurrava umas as outras para o centro da pista. No banheiro, depara-se com casais e também pares (como chamar dois homens em situações, vamos dizer, explícitas?) Não havia diferenciação entre sexos, não sabia quem era homem ou mulher e qual o banheiro apropriado para cada um. Entrou no mais próximo. Correu para o vaso sanitário. Enquanto livrava-se do jantar, percebeu algumas frases pichadas nas paredes. Tonta como estava, possivelmente as frases não teriam qualquer sentido. Ainda mais agora que se libertava do papel de boa moça. Garota caseira e estudiosa, prendada, como não? Daria uma excelente esposa. Das mãos do pai para as do marido. É assim que uma menina de boa índole se comporta. Ela não era mais a mesma. Era uma nova mulher, mesmo que não tivesse alcançado os dezoito anos e a aprovação no vestibular. Mas dava conta de sua vida. Na porta leu: “A quanta dor nossa dor resiste?” Bonito, pensou. Cuspiu.  Limpou os lábios com as costas da mão. No canto, perto do suporte do papel higiênico que inexistia, leu ainda “o amor conforta como o sol depois da chuva.” W. Shakespeare.  Há quanto tempo não tinha o prazer de abrir um livro e navegar entre palavras? Tinha saudades de Shakespeare, de Caio Fernando Abreu, Virgínia Woolf, Katherine Mansfield, Clarice Lispector… Mas quando se quer estar in, não se pode ter ações que implicariam estar out. Nada de citações, nem perder (ou ganhar) horas sobre as páginas de um livro. Fazer o dever de casa, então, nem pensar! A displicência era a moda da juventude. Mulheres deveriam parecer modelos, magérrimas, com tanta profundidade quanto um córrego. É necessário abster-se de certos prazeres para ter acesso a outros. It’s a pleasure to be sad, mas é mais fácil ser igual a todos. Quem quer ter uma personalidade quando se está sozinho? E agora tinha tantos amigos… Pessoas com quem saia e divertia-se. Queria ser como os outros. Conseguiu. Não mais criava poemas. Anos atrás reconheceria como de Florbela Espanca, a citação sobre dor, a primeira que leu naquele banheiro imundo. Havia alguém, que mesmo entregando-se ao convencional, não perdia sua autenticidade e abandonou no banheiro um verso de um poema. Para que aquele que pudesse ler compreendesse que o in não exclui o out e que nada na verdade está fora de moda. Num mundo onde o fútil é supervalorizado, a profundidade das relações pode subsistir, mas ela não o sabia. Preferiu desfazer-se das amarras de um mundo individual, para a liberdade fantasiosa de um mundo plural. Na verdade ambos os mundos eram como areia movediça, que suga os corpos na proporção em que estes se debatem para escapar.

Tomou a caneta na bolsa e pensou em deixar também uma frase. Para conceder um pouco de si, do que fora, do que era mais não queria ser, porque ser como era, era ser o que não era aceitável. O que é aceitável? O mundo faz questão de excluir quem pensa diferente, quem é diferente. Os que não se inserem em grupo algum, porque fazem parte de todos eles. Não é necessário, fazer pose de intelectual para ser nerd, ou ser bonito para ser popular. E tais rótulos são tão boçais! Absurdo, como descrever pessoas tal qual produtos num supermercado! Quanto custa? Passe o código de barras frente à leitora. Ela rabiscou com a letra que lhe possibilitava a embriaguez, pensou muito até achar a frase certa. Escreveu entre o um garrancho que mostrava a suspeita sobre a virilidade de alguém e outro que fazia certo julgamento sobre a provável promiscuidade de uma garota. (Isto para não proferir os palavrões que estavam estampados, que poderiam prejudicar a qualidade deste conto.) “Abraça tua loucura antes que seja tarde demais”. Quando se deu conta do que escrevera, caiu num pranto copioso. Era uma frase de Caio Fernando Abreu. Ela que fugira da insana convivência consigo mesma para ser mais uma na multidão. Era igual a todos, mas mesmo assim, tão diferente! E tentou escapar de um quarto escuro para entrar no escuro universo. Não está sozinha. “O que foi garota?” Um dos homens que se dedicava à tarefas luxuriosas, pára suas manobras eróticas para socorrer a donzela em perigo. Ela afastou-se das mãos que afagavam, não dizia nada. Queria a Glorinha. Queria fugir dali. Para o mundo do absurdo que conhecia e que conseguia controlar. Controlar o absurdo? Estava realmente bêbada! A batida não mais anestesiava, agora feria como o som de mil tambores na cabeça. “Glória”. A glória seria encontrar alguém em meio a uma multidão como aquela.  Um homem aproxima-se e oferece bebida. Ela se esquiva, queria que não a vissem mais! Voltar a mistura homogênea de pessoas e cores. O salto do sapato quebra e novo tombo. Agora uma mulher comovida com a situação oferece-lhe a mão e cigarros. “Esses vão fazer você ficar legal, pode crer!” Não os aceitou. Queria a Glória, para irem para casa, pedir perdão aos pais, por ter fugido, por chegar tão tarde. Devem estar preocupados… Quando o paraíso se tornou inferno? Provara do fruto proibido? Agora tudo mostrava sua verdadeira face. O cabelo estava desgrenhado, a maquilagem borrada, descalça, parecia que fora vítima de uma guerra. Talvez fosse verdade. Debatera-se numa verdadeira guerra interna. Onde entre os mortos e feridos somente ela escapara ilesa. Dr. Jeckyll abandonara a personalidade do Sr. Hyde. Assustada, batia  e caia sobre as pessoas. Até que, neste momento de desespero, Glória apareceu nos braços de um rapaz de barba longa e dreadlocks no cabelo. Ela puxou Glorinha e pediu para irem embora. Glória consternada com a atitude da amiga abandonou o mancebo e tentou acalmar a garota em pânico. “O que aconteceu?” Com a voz embargada, a menina que não tinha motivos aparentes para o desespero, pensa um pouco, deveria falar a verdade? E que verdade? Que não fazia parte deste mundo? Que era avessa ao mundo do avesso em que pretendia entrar? Preferiu mentir e deixar menos ridícula a situação: “Perdi minha lente de contato, vamos embora?” Ao chegar em casa os pais dormiam no sofá. Foi para o quarto às cinco e meia da manhã, quando a aurora já coloria o horizonte.    

     

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