Arquivo do mês: maio 2009

1º de Junho aniversário da Alanis Morissette e seu irmão Wade Morissette. Happy Birthday!

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Digressão sobre o sonho, a realidade e o livre arbítrio

Giordana Medeiros

Tenho vocação para um único destino: um dia morrer. Não sou nada além de um átimo que não muda em nada o curso do universo. Sou uma estrela cuja luz se apagou. Não me ocorre muito o que dizer. Somente vou seguindo neste labirinto de palavras, em que me perco tentando encontrar algum mísero sentido. Mas só há escuridão pelos meus caminhos. E sigo nesta zona nebulosa que está entre o sonho e o despertar.  E se acordamos depressa nos esquecemos do que sonhamos; eu me recordo de todos meus sonhos, que se mantém tatuados em meu espírito. Inúmeros desejos mudos que ficam; de alguma maneira, permanecem em mim. Sou o produto de milhares de sonhos desobedecidos. Não de propósito, acontece que quando crescemos, é necessário, aceitar o que o destino nos impõe. E os sonhos com olhos inquisidores me despertam culpa. Como se estivessem famintos, e implorassem migalhas de minha atenção para poderem tornar-se realidade. Eu os sonego meus escrúpulos. Inflijo-lhes a pior das penas: o descaso.  E ele condena. O que sou não é nem um esboço do que queria realmente ser. E sou, no mundo do ser, um miserável. No mundo do deve ser, deveria ser um cavaleiro, aquele que sempre esteve à procura do Santo Graal. Com minha espada em punho combatia os mais terríveis monstros. Hoje sou um dos monstros a quem deveria combater. Isso no mundo do ser. Pois o mundo do deve ser abandonei por completo há décadas atrás. Hoje o mundo que deveria ser real, mas não passa de faz de conta, fica acuado diante do mundo real que não deveria nem existir. Perversa realidade que distorce o faz de conta em feias imagens. Meu escudo não passa de uma tampa, cuja panela é meu elmo, minha espada não pode ferir, nem meu cavalo é mais que um pangaré, que relincha sofrido quando submetido ao meu peso. Realidade devolva-me os gigantes, que estou cansado de combater moinhos de vento!

Vou correndo numa paisagem inóspita, um deserto, e quanto mais corro, mais vazia torna-se a paisagem. E acho que estou a correr para dentro de mim. O vazio é real, no meu espírito. Solidão. Acho que jamais encontrarei a quem dedicar meus sentimentos, pois todos que cruzam comigo, não trazem consigo a luz para iluminar meus caminhos. Quero ter em frente algo que espero. Esperança que se prolonga insistente. Por que não desisto simplesmente? Nego o faz de conta e enraízo-me nesta realidade absurda. Como um quadro de Dali. Ou o realismo fantástico de Gárcia-Marquez. Transformo-me numa árvore e me fixo nessa vida, com galhos secos, pois não há folhas, flores ou frutos em mim. Só esta casca oca, talvez tenha mais semelhança com a Divina Comédia de Dante. Estou condenado a este mundo. É minha pena. Da qual não posso escapar. Não cometi crime algum, mas me foi infligido este castigo. Talvez prevendo alguma ação de minha autoria que não condiga com o que determina a lei dos homens, ou de Deus. Apesar de jamais ter acreditado que exista um realmente. Mas não sou um especialista em realidade afinal. Posso estar enganado. O que, aliás, é bem comum. Pensar é uma aventura sem garantias. Vou pensando e de repente surge este texto, em que discorro sobre tudo e nada. E nada acaba fazendo algum sentido. Pois “a vida é uma ponte entre dois nadas”. Nos dizeres de Caio F. E nessa ponte que se prolonga conforme determina o destino, encontramos a realidade. E sobre essa ponte, há um céu infinito, esse é o sonho. O que as crianças na sua grande sabedoria chamam de faz de conta. O faz de conta, o deve ser, não encontra limites. Talvez, a concepção e a morte seja a intersecção entre o sonho e a realidade, quando os dois planos se cruzam. E na morte reencontramos os sonhos que negligenciamos. Criei meu próprio conceito do que é a morte: o retorno do sonho.

É bom pensar assim. Um dia chegarei a alguma conclusão plausível. No momento tenho de contentar-me com estas soluções ingênuas que não passam de reles especulação apriorística. Sei que não passo de um insipiente. Nada que produzo pode ser levado muito a sério. Eu mesmo nunca fui levado a sério. Sou um instante, um ínfimo instante na história de milhões de anos deste universo que me parece inexplicável. Acho que o sentido das palavras ultrapassou o que queria realmente dizer. Não sei agora o que elas expressam, não posso responsabilizar-me por isso. Quero a garantia de retorno ao sonho, qualquer coisa que seja, um simples pedaço de sonho que se mantenha na realidade, como escutar o cantar de pássaros no sonho, despertar e o canto permanecer na nossa mente… Uma música que se escute antes do desfalecer e continue no sonho. Já me ocorreu isso. Como se as estrelas cantassem para mim. Mas temo que ao acordar não haja mais música. Nem mesmo em mim. Será que cabe a nós cumprir uma promessa que nos tenha sido feita? E é essa nossa missão? Ou um entrave para que deixemos de lado estas ilusões que podem nos desviar do caminho que nos traçou o destino? Querem saber por que temo tanto esta realidade? É quase um temor reverencial, é que temo que caso insurja-me contra ela perca o que tenho de racional. Já estive numa situação delicada quando resolvi desobedecer a Átropos. Agora me resigno aos seus desmandos até que consiga tomar-lhe a tesoura dourada das mãos. Sou ensandecido confirmo suas percepções. Não carrego nem um pouco de lucidez em meus escritos, na verdade nada escrevo, as palavras são-me sopradas ao ouvido. E construo estes textos que nada são, pois ninguém os lê. Somente eu. E depois de algum tempo eles perdem o sentido. São de acepção instantânea, como achocolatado em pó. Sabe de uma coisa? Tenho medo, como quando algo é bonito demais e temos medo de ao manuseá-lo, quebrar-lhe pela truculência de nossas mãos. Eu tenho tanto medo, e de tanta coisa… Acho que sou o produto de meus medos, de tanto ter medo, acabei por ficar sozinho neste deserto de pessoas.

Acho que minha própria liberdade me desampara. Poderia ser o que quisesse, escolhi justamente aquilo que não queria ser, para minar o que me concedia a liberdade. Eis o livre arbítrio. Não tenho a genialidade de Schopenhauer para discorrer sobre este, mas acredito que sempre há uma força que mina nosso livre arbítrio: as convenções sociais, as normas, os costumes, a realidade, por que não? Se pudéssemos fazer tudo que quiséssemos… O mundo seria um caos, tenho certeza… Mas se eu pudesse ser o que queria. E se não escutasse meus temores… Não há mais tempo. Como diria o coelho no livro de Lewis Carroll. “Estou muito atrasado”. Não briguei com o tempo, meu relógio não parou às seis horas e não é mais hora do chá. E tudo que digo é na verdade um “non sense”, mas sei que há algo que se aproveite em meio a este mar de sandices, apesar de saber que poucos são meus leitores. Só meus amigos fiéis: Geraldo, Giovana tem esse encontro com o que é essencialmente eu. E não sei se eles me compreendem, talvez não tenha a mínima idéia a que me refiro. Tudo bem, eu entendo. Não sou muito explícito. Mas há quem me considere explícito demais. Acho que vivo no liame da razão. Ou então só esteja mesmo dando vazão a um desejo de escrever sobre coisas que me vieram esta noite. Estou a poucos anos das trinta primaveras. Não creio que até lá tenha algo glorioso para vangloriar-me. A única coisa de que posso orgulhar-me neste momento, foi de ter conseguido terminar este texto, que não chega a ser um conto e foge do que seria uma crônica. É um texto. Um simples, ridículo e insignificante texto. Não se dêem ao trabalho de lê-lo. Bom, tarde demais.       

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