Quando os sonhos se realizam

Giordana Medeiros

Não sou acostumada a escrever crônicas. Espero que esta diga por si uma emoção de 30 segundos, um efêmero instante, em que um sonho de 13 anos se tornou real. Esperei 13 anos para estar 30 segundos frente a uma, senão a melhor, das maiores rock stars do planeta. Cheguei lá pelas 3:30 da tarde no aeroporto de Brasília, e comecei uma angustiante espera de quase quatro horas, recompensada com louvor, pois estive muito próxima de ninguém menos que Alanis Nadine Morissette. Na minha espera compartilhada por outros fãs, tão loucos e apaixonados quanto eu, conheci novas pessoas, ansiosas pela chegada da nossa estrela predileta. E conversamos, rimos, sonhamos, tentando imaginar como seria a recepção que faríamos. Seguimos a produção do show, até tentamos ler o que diziam os lábios distantes, daqueles responsáveis pelo acolhimento da Alanis em Brasília. Uma verdadeira novela. Daquelas mexicanas, cômicas, sem perder a dramaticidade. A vida é engraçada, ou, como diria a Alanis, irônica. Sofri, desde 2003, uma expectativa, uma idealização, que pensava, “não deve coincidir com o que ela é realmente”, e tentava imaginar, de uma forma mais realista , uma imagem fiel de uma estrela. Astros são, por sua natureza, esplêndidos, e não menos esplêndido foi o sorriso fugaz, que presenciei, que me respondeu com um único gesto, que ela é tudo aquilo e muito mais que imaginava, ela é tão bela quanto sonhei, talvez mais por se mostrar tão amistosa e doce.

E por tudo que passei em companhia de meus amigos, muitos de longa data, outros com quem fiz uma amizade instantânea, sei que a Alanis efetuou uma grande mudança em mim, no que eu fui: um esboço malfeito de um personagem de Edgar Alan Poe, transformando-me em alguém muito melhor. Anteriormente achava-me a mais solitária das poetisas, a mais rejeitada das escritoras. Quando conheci as músicas da Alanis, de uma forma mais profunda e, porque não dizer, contundente, aprendi a superar meus próprios complexos, e fazer amigos, verdadeiros e perpétuos. Meus amigos estavam lá no momento de mais espantosa alegria, quando conseguimos, ao cantar em coro On the tequila, canção do Flavors o Entanglement, último cd da cantora, arrancar-lhe um sorriso carregado de simpatia. Antes desse momento mágico, brincamos, e senti-me verdadeiramente inserida no mundo. Podia dizer: “tenho amigos, amigos leais e verdadeiros”. Há uns cinco anos encontrei um grupo de pessoas maravilhosas e o amor pela Alanis nos uniu. Melhor corrigir esta frase: eles encontraram-me e mudaram minha concepção do mundo, que, antes, para mim era algo aterrador. Depois de conhece-los a existência tornou-se algo bem mais suportável. Posso até dizer: sou uma pessoa feliz. E não foi em função de remédios, que consegui chegar a esta conclusão. Acho que o melhor remédio são as risadas que surgem em nossas conversas e o carinho que temos uns com os outros. E lógico, a nossa psicóloga, que expõe nossos traumas, nossas feridas que tentamos esconder, transformando nossa dor em canções e performances estonteantes, Alanis Morissette.

Sinto que, com cada música que ela cria, um pedaço de mim se torna canção e música. E sei que meus amigos pensam o mesmo. Quando vemos que nossa ídola é tão real quanto nós, e humana, e sensível, e sincera, e tantas qualidades que encontramos em poucas pessoas, só naquelas especiais em toda a sua singularidade, sentimo-nos mais completos. E sei que a Alanis fez algo muito especial para mim, sem, nem ao menos, ter consciência disso. Ela inseriu-me num círculo de pessoas maravilhosas, ela curou meu espírito, e conseguiu fazer com que eu aceitasse-me em todas as minhas imperfeições sem que desistisse de tornar-me uma pessoa melhor. E seu sorriso tão simpático, fez-me encontrar o que estava tão evidente que não conseguia perceber: sou uma pessoa verdadeiramente feliz. E tenho muito a agradecê-la, por sua benéfica influência em minha vida, por ter me reinventado e retirado do buraco negro em que me escondia do mundo. Agora com suas feridas que ela apresenta em suas canções confessionais, sinto-me exposta, e posso ver minha própria vida como espectadora de sua música. E vendo minha realidade aprendi o que devo fazer para evoluir. Alanis contribuiu para fazer uma sociedade melhor, pois se pode trazer tal mudança a mim, o que não faz por sua legião de fãs? É, como ela diz, uma mudança no micro tendo efeitos no macro. Seguirei para o show de amanhã, consciente das transformações que esta mulher, tão especial, provocou em mim e em minha volta. E por tudo isto só tenho que agradecer-lhe, provavelmente você não saiba Alanis, mas você trouxe brilho, compreensão e alegria a minha existência e por tudo isto, tenho muito a  agradecer-lhe. Muito obrigada Alanis.

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Uma opinião sobre “

  1. Não sei quanto a você, mas também agradeço a Alanis por ter conhecido você.
    Que bom que está feliz com novas amizades. Muito bom o seu texto.

    :]

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