Arquivo do mês: maio 2008

Chega de Saudade

 

Giordana Medeiros

 

Entre as folhas que caíram no outono, no som suave da bossa de Tom e Vinícius, nos seus antigos livros que insisto em abrir somente para sentir seu perfume, nas frases soltas num momento de raiva que agora ressoam dolorosas em meu espírito; em todo lugar, sem que precise procurar, lá está você. Mesmo que sua presença física não esteja realmente presente, você estará eternamente gravada em minha memória. É tão difícil dizer adeus a tudo isto. Ainda sei seu número de telefone, quantas vezes já não o disquei e desisti da ligação antes do primeiro toque… Às vezes tudo que queria era ouvir-lhe a voz. Para satisfazer meu vício de você. A abstinência de quem amamos é sofrida. E o único remédio para este mal é o tempo que teima em se arrastar quando não estou em sua companhia.

As músicas já não têm o mesmo tom. Com você era tudo tão sonoro, era a música em minha vida. Agora tudo que tenho é o silêncio, a angustiante ausência de som, a ausência de tudo que me era mais caro. Uma madrugada, destas em que não se consegue dormir, escrevi-lhe uma canção. Não creio que seja apenas uma música qualquer. É um hino, uma elegia a tudo que você representou para mim. As notas surgiam como se sempre houvessem existido e acredito que esta poderia ser a sua música. Mas estou certo que jamais chegará aos seus ouvidos estas notas perdidas nas madrugadas frias de Brasília. É só Bossa, uma nova, mas também tão antiga, forma de se criar canções de amor. Há uma lua redonda no céu esta noite e o luar pousa sobre a cidade, delicadamente, um véu de luminosidade que revela insones amantes. Quanto tempo faz nem me lembro, dedilho o violão, entôo canções românticas que outrora partilhamos. Momentos inesquecíveis que vivemos, mas que agora existem somente em nossas memórias.

A noite clama por sua presença, ao longe pareço escutar sua voz. Onde você estaria agora? Em que vielas lúgubres haveria se metido? Tão distante de mim, de meu mundo que um dia entreguei-lhe solicito para tomar conta e devolveu-me totalmente desestruturado. Você era minha viga mestra. A base de minha existência. E hoje não tenho forças suficientes para continuar seguindo. “Sempre em frente”. Era o que me dizia a cada queda que eu sofria. A cada rasteira que levava da vida traiçoeira. E agora como posso seguir sem você? Sinto-me como um cachorro abandonado pelo dono, perdido sem poder retornar para casa. O abandono me desorientou. Não há cartas náuticas que me guiem, pois minha bússola só aponta para você. Era meu norte e escrevia meu caminho. O que posso fazer com esta dor pungente que me inflige sua ausência? E se lhe telefonar? Atenderia a minha ligação? E se ouvisse outra voz ao telefone? Um outro alguém que tomou meu lugar em seu coração? Acho que não suportaria tamanha dor.

Poderia enviar-lhe as partituras da canção que lhe escrevi por correio. A música que compus no inverno dos amores. Uma canção quente para derreter o gelo de sua indiferença. Você era meu caminho, agora não sei por aonde ir. Não acho as palavras certas para dizer-lhe o que sinto. Sei que ando tão triste… Meu coração, antes iluminado por seu amor, vive as trevas da solidão. É tudo que me resta, esta minha única e derradeira companheira, ocupando todos os espaços, derramando-se sobre mim, preenchendo os vazios que você deixou em meu espírito. Nem sei se tenho coragem de dizer o que me perturba neste momento. Se um dia você vier ler estas linhas sofridas espero que o faça de coração aberto, com o que resta do amor que outrora acredito que sentiu por mim. Os minutos transformam-se em horas, as horas em dias, os dias em semanas, depois meses, anos e décadas. E mesmo após todo este tempo, você continua sendo uma parte essencial da minha vida. Estou no labirinto do minotauro, e não sei com que artifícios posso encontrar o caminho de volta ao seu coração. Quero voltar, mas receio que não me aceitaria. Entretanto quero que seja bem feliz, mesmo que seja ao lado de um outro rapaz. E espero que tenha filhos. Extensões de você. Sementes de sua existência para que sua presença perdure neste mundo.

Enquanto a mim, não se preocupe, ainda me restam estas partituras de uma música que jamais se ouviu, claves de sol seguidas de lamentos doces. Canções de um amor que não terminou. “Amo-lhe tanto meu amor”. Repito horas a fio este refrão de minha vida. A cada instante confesso meu amor sem mistério, sempre coberto de virtudes e, ainda, tão sincero, mas que não comove seu coração inclemente. E todas as notícias que tenho suas fazem-me crer que se esqueceu realmente de mim. Não há sequer vestígios de mim em sua vida. Todavia você deixou-me marcas indeléveis. Cicatrizes profundas que me marcaram eternamente. Não posso ser feliz sem você. Estou certo disso. Você é a inspiração de todas as minhas canções. E tudo que escrevo, de alguma forma, é para você. As fotografias guardam nossos momentos felizes. Você pode não se recordar, mas houve momentos assim. Foram instantes preciosos levados pelas corredeiras do tempo. Será que me esqueceu de fato? Ou ainda tenho alguma importância em sua história?

Você nem me devolveu as cartas que um dia escrevi-lhe. Todas minhas patéticas confissões amorosas que não mais têm espaço em sua vida. Estou tão desnorteado desde o dia que me deixou. Tão sozinho… E a distancia favorece a minha dor. Às vezes creio que a solidão é-me o reflexo. Ou provavelmente o meu avesso. Sou na verdade um louco alucinado atormentado por um sentimento que se esvaiu em dor. Se pudesse ouvir a música que provém de meu coração. Percussão compassada de meu sofrimento. Ouço músicas antigas de um tempo que não retorna. Provavelmente você nem se lembre mais do que foi, nem mesmo do que poderia ter sido. E o que me resta são as lágrimas, que um dia extinguir-se-ão também. Quando nada mais terei, a não ser a dor, a solidão e a saudade. Ainda tenho esperanças que um dia retorne. Como de costume pedir-me-ia para abrir o portão, pois se esquecera das chaves. Mas “cada coisa tem seu tempo a seu tempo”. Já dizia Pessoa.

A vida é incerta, quem sabe não retorne para mim realmente? Eu estarei sempre aqui, onde me deixou. Pacientemente esperando sua volta. Enquanto isso a vida acontece a minha volta. “Sei que nunca amamos alguém. Amamos tão somente a idéia que fazemos de alguém. É um conceito nosso. Em suma é a nos mesmos que amamos.” Pessoa novamente. E de você nunca soube nada. É-me uma completa estranha. A idéia que faço de você é uma ficção minha. É um retrato que criei para amar. Uma musa inspiradora que após tantos anos de separação, creio conhecer, mas na verdade desconheço tudo. O que é você? Quem é você? É uma ilusão apenas? Será um fantasma que me assombra? A soma de todos meus desejos mais recônditos? Por que me impõe esta dor imensa de esperar-lhe em vão? Acreditando tolo que um dia retornará para mim. Uma fé invencível. Uma espera infinita, que já não mais suporto. Sei que minha tristeza não lhe alcança. Está bem sem mim. Meu único desejo, a razão de minhas preces, é que regresse, pois sem você não posso mais viver. Não há paz. Na letra de Tom e Vinícius, ao som de João Gilberto, digo que a “tristeza e a melancolia não saem mais de mim”. Determino, com minhas débeis forças, chega de saudade: “não quero mais saber desse negócio de você longe de mim”. Mas, indisciplinada, você não retorna.

 

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O Médico e o Monstro

 

Giordana Medeiros

 

Ser outro alguém, ter outro ser em seu espírito, um simbionte comensal de seus sonhos, é dolorido. Uma dor grave e profunda. Tão incomensurável quanto o sofrimento de Ismália, que desejou o luar e teve o mar como túmulo. Mas se fechar os olhos posso imaginar realidades outras. Se é possível chamar de realidade um sonho. Gosto de imaginar que sou este outro, habitante de minha alma, que não comporta os mesmos defeitos que trago comigo. Alguém que desconheço por completo, mas compreendo imensamente. Somos cúmplices, eu e meu gêmeo enclausurado em mim. E ter em mim, outra pessoa, às vezes é muito estranho. Como se carregasse em meu ventre o fruto de meus sonhos, que deseja sair com as mesmas contrações de um parto. E se este que vive em meu corpo despregasse de mim? Será que eu renegaria a este que traz em si o código genético de meus sonhos? Seria a materialização de meus desejos, tão intensamente vividos, pois são daqueles sonhos que vivemos acordados e queremos que se tornem realidade. E já faz tanto tempo que estão dentro de mim, na solidão de meu espírito, ecoando no vazio de minha existência…

Todavia sonhos não envelhecem. Muito embora meu corpo já apresente as marcas indeléveis do tempo. O ser que vive em meu espírito é jovem, vigoroso e dotado de uma coragem que sempre desconheci. É forte e diferente de mim, sua casca exterior, ainda tem esperança.  Almeja que eu conceda-lhe a liberdade que tanto deseja. Entretanto prendo-o com os grilhões de meu pavor, na cela de minha covardia. E ele tenta amotinar-se contra mim, exigindo sua liberdade. Mas represo todas as manifestações daquilo que eu tanto desejo ser. Ele é o médico, eu sou o monstro. Sou o senhor Hyde que não se esconde. O que enclausuro em mim, na realidade, é o que sou. Somos gêmeos siameses e não quero que ele abandone-me. Sufoco-o, obrigo-o a usar a máscara da minha existência. Sou sua pena perpétua. E assim o mantenho dentro de mim, escravo de minhas imperfeições.

E tudo que ele queria dizer, é tudo que eu queria dizer. Mas não o permito, não me permito. Somos ambos cerceados por meu temor. Tento calar este que vive em mim para que nunca ouse falar de meus sonhos e desejos secretos a ninguém. E tudo que venero? E a quem guardo amor sincero?  Jamais saberá o que sinto porque não ouso contar-lhe. Pois quando me aventurei a dizer-lhe sobre meus sentimentos, fui tragado por um turbilhão. Tamanho foi meu sofrimento que tenho temor de entregar-me de novo. Mas se abafar a fogueira crepitante em mim, minha verdadeira identidade, sob as espessas camadas de meu medo, acredito que possa escapar de toda dor. E, se apenas uma vez, fosse tomado por uma súbita coragem e confessasse todos os meus sentimentos? Mostrasse como sou realmente, sem receio de parecer patético? Será que receberia em troca tudo o que sempre quis? Um instante sob o olhar de quem dedico todo meu amor?

Não quero ouvir o tocar dos sinos, porque sei que eles dobram por mim, que morro um pouco a cada dia. A solidão devora minha vida, abocanha-me anos que nem me fazem falta, porque sei que estarei sozinho. Se pudesse ouvir-me que já nem posso mais. Se pudesse dizer-lhe que já nem acredito… Muito embora conserve este ser em mim que cisma em manter uma vela de esperança sempre acesa. E se tudo fosse diferente? Apenas uma vez tudo fosse diferente do que foi e do que tem sido? Pode haver um resquício de fé, neste solo inóspito que é meu e espírito… Se gritar como um desesperado, por um segundo, na escuridão da noite, libertaria minha essência: este ser que sobrevive em mim. Daria as chaves que abrem os grilhões que o prendem. E assim viria à tona quem sou realmente. Não temeria parecer ridículo, se alguém se encantasse com meus sentimentos mais recônditos. Sou tão estranhamente confuso. Uma pomba numa sala sem janelas, batendo-se contra as paredes até quebrar as asas.

“-Atravessei anos enfurnado em mim mesmo”. Diria. “-Agora quero ser apenas um.” E viveria livre, tão natural. Irreversivelmente livre. Entretanto meu monstro artificial é bem mais forte que o meu desejo de liberdade. Confundo agora de quem estou a falar. Quem sou realmente? Eu ou ele? Quem está enclausurado? Quem se libertou? Sou quem me mostra o espelho? Ou quem me mostra minha alma? Somos parecidos, mas diferentes. Somos dois lados de uma mesma moeda. Não quero que vejam como sou, porque não sei se me compreenderiam. Sou uma tragédia grega. E se revelasse como sou realmente aprisionar-me-iam como o fizeram a Prometeu. Quem sabe receberia a mesma pena de Sisífo. Uma tragédia dantesca. Com a voz embargada emociono-me com minha própria dor. Sofrer é tudo que almeja qualquer escritor. Mesmo os não tão ilustres, como eu.

“Se fosse só sentir saudade, mas tem sempre algo mais. Seja como for, é uma dor que dói no peito. Pode rir agora que estou sozinho…” É sempre assim. Mas nem dói tanto.  Só um pouco. E se choro ainda é que não aprendi conter as lágrimas de uma dor perpétua. Entretanto, posso acordar de madrugada para ver a alvorada. São coisas assim que ainda importam. Você sabe.  E meu gêmeo interior suporta o peso de ter um coração partido. Eu nem me importo mais. Pelo menos eu acho… Queria mesmo era ser feliz… Por isso invento em mim um sonhador que enclausuro com os grilhões de minha dor. “E invento mais o que a solidão me dá”. Até um amor. “E sei a dor de me lançar.” Mas não sei o caminho a seguir. E ando por estradas sinuosas e íngremes que não me levam a lugar algum. Eu e meu gêmeo interior, com quem me deparo todos os dias quando me olho no espelho.

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Reflexões em frente ao mar

 

Giordana Medeiros

 

Poderia ficar aqui só observando o mar. Salgado, salgado. Lágrimas também são salgadas. Mas a dor é doce. Como o solo de um violino. Já o violoncelo é grave. Sisudo. Poderia haver dias assim sempre. Quando molho meus pés nas ondas que vem ao meu encontro, elas puxam a areia em volta deles. Entretanto não as deixo me levarem. Muito embora queira lançar-me no mar e morrer tal qual Alfonsina Storni. Ilha de sentimento circundada por um mar de desilusões. Às vezes é bom sofrer. Torna a alegria mais fantástica mesmo que ela seja somente esporádica. A espuma branca das ondas que quebram deságua em mim despojando-me de meus sonhos. Vejo-os sendo levados mar adentro, náufragos dessa minha nau a deriva. E tudo isso me traz de volta lembranças tristes, de minha infância perdida, de minha juventude sacrificada, de anos que passaram somente no tempo, mas permaneceram eternamente gravados na memória.

Lembro que, quando criança, minhas irmãs faziam-me todo tempo reconhecer ser a mais feia das três.  Era tão desengonçada e ridícula. E naquele tempo os adultos, por pena de meu constrangimento, diziam-me que, quando crescesse, como o Patinho Feio, tornar-me-ia um belo cisne. Estou muito distante de ser um cisne. E mesmo tendo amadurecido não desabrochei completamente. Sou um botão encruado… Existem pessoas que arremessam rosas ao mar para Iemanjá. Eu lanço minhas lágrimas para quem quer que seja. Netuno talvez, sereias provavelmente… O horizonte parece tão distante. E vejo, ao longe, barcos à vela que deslizam calmos no oceano plácido. Se tivesse a beleza de minhas irmãs provavelmente não sofreria tanto nos assuntos relacionados ao coração. Sempre fui rejeitada por todos. Acho que não sou uma boa companhia. Ou talvez assuste aos outros a minha aparência tão estranha. Minhas irmãs tinham todos que elas bem entendessem. Eu nunca tive ninguém. E quem me interessava era rapidamente fisgado por elas. Não havia tempo para mostrar-me interessante também.

Contudo não interessa a ninguém uma garota como eu. Sempre preterida, esquecida por todos, deixada de lado como a um objeto desagradável. Se pudesse lançar meu corpo nessas ondas para que o mar me trouxesse outro, mais aprazível às pessoas, que as fizessem notar-me finalmente… Óbvio que não há possibilidade do mar presentear-me assim. Pode trazer-me mensagens em garrafas, de pessoas distantes, tentando diminuir sua solidão. Mas nunca uma maneira de dar cabo a minha. Quando as águas encharcarem-me os pulmões em que pensarei? Um último instante de lucidez num ato desesperado. Sei bem em quem pensarei, mas não há um caminho que me leve ao seu olhar. O som das ondas é relaxante. Batem nas pedras com violência, desmanchando-se em espuma. Como se fervilhassem. Água em ebulição. Sentimentos em ebulição. Borbulhando em minha alma. Ninguém me vê. Sou invisível. Desprezível.

Hoje o sol se pôs ao som do Bolero de Ravel. E da praia observava-o ser engolido pelo mar. Gosto do oceano mesmo que more tão distante do litoral. Brasília tem o seu céu, infinito, azul brilhante, onde os pensamentos viajam sem destino, com nuvens fofas em que se vêem tudo que a imaginação determinar. E elas sempre me mostram o que não quero ver. A lua surge finalmente, recepcionada por estrelas minúsculas, mas nem por isso menos belas. Todavia não estão sozinhas, existe o universo ao seu redor. E ao meu lado não há ninguém. A tristeza talvez. A solidão eternamente… A maresia deixa tudo um pouco úmido. A brisa do mar assanha-me os cabelos. É tão bom sentir o perfume do oceano. Algas sobre a areia, conchas que as crianças catam para suas brincadeiras. Eu guardava minhas conchinhas por tanto tempo depois que voltava do litoral… Existem tantas conchinhas nas praias quanto estrelas no céu. E nenhuma jamais me trouxe uma pérola quando a abri. A concha guarda no seu interior o que tem de mais precioso. Sou uma concha que enclausura a beleza em sua alma. E a alma é-nos exterior? Ou fica dentro de nós?

Há as marés que tornam o mar mais bravio. E nas ressacas ele ultrapassa o limite das praias penetrando na cidade ao redor. O que escrevo tem a força das ressacas do oceano. Insere-se com força, penetra no espírito. Mas não retorna. Faz dele sua morada. O luar reflete-se nas águas, pálido, faz o oceano competir com o céu em luminosidade e beleza. No litoral do Brasil as noites são quentes e as pessoas ficam macilentas. Mas as noites frias de Brasília são mais fiéis ao meu desconsolo. Provavelmente porque tenha me habituado ao frio do outono e do inverno da capital. Noites frias em que a minha vigília se perdura nas madrugadas de solidão profunda. Uma dor aguda que se apossa de mim. Um dia um monge budista muito sábio disse-me algo que me marcou muito: ele disse que “pensar viagens toda noite leva-me sempre a um pouso diferente, mas o sonho que sonho é sempre o mesmo: um lar”. Acho que preciso um pouso para acalmar-me o espírito, que não sejam as águas mornas desse mar que me chamam insistentemente.

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